Artigos e afins

A mediocridade humana compromete o Shiatsu – Parte 1: Da prática a terapia

Este é o primeiro de uma pequena série de ensaios que discute por que uma terapia com tanto potencial como o Shiatsu vêm sendo vista pelo senso comum – tanto entre terapeutas como pela sociedade em geral – como uma simples massagem, eventualmente útil em dores ou “bom para relaxar”. Será o Shiatsu subvalorizado por conta de um certo espírito de mediocridade[1] que assola nossa sociedade e impede a percepção máxima acerca dessa terapia? Será que a normose[2] contaminou o Shiatsu já em seu berço e o tornou refém de um modo de viver incompleto?

 

Trabalhando por diferentes linhas de raciocínio, o autor, a exemplo de Guilherme de Baskerville[3], busca que os fragmentos em torno da elucidação de um caso se complementem, uns aos outros, afim de demonstrar um quadro mais amplo, capaz de apontar caminhos de renovação.

 

 

Da prática a terapia ou

Como superar a normose e alcançar a excelência profissional

 

Por Arnaldo V. Carvalho*

 

Praticar Shiatsu é simples como arranhar um violão. Qualquer um pode fazer isso com poucas horas de estudo. E assim como na música, não é mal que um pai toque o básico para alegrar seu filho, trazendo bem aventurança à toda uma casa. Mas isso não o torna, em absoluto, um músico profissional. Do praticar despretensioso em ambiente familiar à prática profissional, técnica ou terapêutica, há um longo caminho. Por motivos curiosos, diferente de tantas outras atividades humanas, o senso comum referente ao Shiatsu de que impõe: “Shiatsu é uma terapia, uma profissão”. Quem perde com isso é naturalmente a própria sociedade, que deixa de ter em casa uma verdadeira arte de promoção da saúde individual e familiar. Mas sob ângulo diverso, tal estreiteza de visão não alcança o outro lado da linha, a linha profissional do Shiatsu, que em sua capacidade plena, alcança uma profunda dimensão terapêutica.

 

Tornemos claro:

 

– Uma prática é um saber aprendido por observação e repetição. Não há preocupação com teorias, senão com o fazer em si e os benefícios que a prática proporciona. Sobretudo entre as famílias de imigrantes japoneses, já foi bastante comum a prática de Shiatsu em família, que por vezes é passada informalmente de pai para filho.

 

– Uma técnica é uma prática ou conjunto de práticas formais, ou seja, que passam por treinamento e a modelagem dos protocolos que a técnica pede. As técnicas não requerem grande aprofundamento teórico. A maioria dos praticantes de Shiatsu no Brasil é constituída de técnicos. Enquanto profissão, o Shiatsu tem sido oferecido sobretudo por escolas especializadas no ensino técnico, e mesmo que utilizem o nome “Shiatsuterapia” sua formação é limitada pelos contornos comuns da qualificação técnica no país.

 

– Uma terapia utiliza um repertório de técnicas que serão aplicadas de sob a orientação de uma base teórica consistente, que permite avaliar, construir uma estratégia de trabalho e atuar de acordo com uma perspectiva de tratamento bastante consciente. O Shiatsu possui arcabouço teórico e prático que permite que seja identificado como uma terapia. Porém, poucos são os terapeutas de Shiatsu.

 

Os terapeutas conhecem todo o potencial do Shiatsu, e sabem que suas técnicas são adaptáveis a todo o tipo de circunstância, de modo que sempre farão bem aos indivíduos que as experimentem. De modo inverso, não há para essa terapia uma contraindicação absoluta, apenas um modo correto de conduzir-se por ela, de acordo com a situação que a ele se apresenta. A questão das contraindicações desvenda-se aqui: Elas não se aplicam de modo absoluto ao Shiatsu, mas de modo relativo[4].

 

Técnicos e terapeutas são muito diferentes. Os técnicos são treinados para reproduzirem de forma standard manobras de Shiatsu, de forma que se diferenciem o mínimo possível uns dos outros. Estão aptos a trabalharem em grandes clínicas e spas, onde há clientes de passagem, que não estão a procura de terapia, e não se importam se recebem Shiatsu com João numa terça e com Elizete na semana seguinte. O Shiatsu técnico é normótico e quase sempre medíocre. “Quase” por salvação de alguns que são tão bons, que parece terem chegado a uma proximidade de perfeição como os elevados praticantes do Chanyu[5] japonês.

 

Já os terapeutas são todos diferentes entre si, pois a terapia pede personalidade, individuação. Pessoas que procuram um terapeuta podem ter se atraído pela técnica, mas ao compreenderem a profundidade do que está sendo oferecido, ficam já não pela terapia puramente. Seguem, sim, a terapia pela capacidade do profissional de colocar seus recursos de forma cem por cento encaixada com a situação que se mostra.

 

A formação de um terapeuta, e aliás, de qualquer profissional, depende da formação do próprio ser humano. Se este não tem educação sócioafetiva adequada, se sua formação no tocante aos conhecimentos biológicos for insuficiente, por vezes torna-se um técnico sem a aparelhagem que o diferencia para além dos patamares de mediocridade que atingem a maior parte das pessoas. De certa maneira, a educação para não questionar, a adoração aos privilégios e espelhamento dos privilegiados, etc., é o que fazem com que tenhamos a sociedade normótica de que Professor Hermógenes nos fala e combate, ou a sociedade neurótica de que Freud, Wilhelm Reich e tantos outros cientistas da mente vêm enunciando. Reich ainda vai além, investigando a pestilência emocional[6] que é em si ente e mecanismo de manutenção do estado atual vigente.

 

Esta problemática tem o gato amarrado ao pé da mesa como uma das pontas de um imenso Iceberg. O leitor a conhece?

 

O gato amarrado ao pé da mesa[7]

“Certo dia, apareceu um gato a miar na sala de meditação. O mestre pediu que o gato fosse amarrado ao pé da mesa da cozinha, que ficava em outro pavilhão, até que o tempo do necessário silêncio se concluísse. Tudo correu bem, e a partir de então, o gato, que sempre rondava os prédios do mosteiro, passou a ser profilaticamente amarrado na mesa da cozinha antes dos monges seguirem para meditar.

O tempo passou e pouco a pouco o mestre,  os monges, e o gato, participantes do hábito em sua origem, foram substituídos pelo natural movimento da vida. Entretanto, estabeleceu-se a rotina por gerações sem questionamentos, até que houve um noviço indagou por que toda a vez que iam meditar era necessário o aprisionamento temporário do gato.

– Sempre foi assim -, retrucou um monge mais velho”.

A repetição normótica está por traz de uma verdadeira inaptidão para a excelência.

 

Quando focamos na questão da formação em Shiatsu, verificamos que o indivíduo chega quase sempre despreparado em seu corpo emocional, em sua capacidade de aprender (para além da capacidade de meramente reproduzir), de elaborar em cima dos conteúdos transmitidos por livros, professores, etc. Naturalmente, esse fator o desqualifica antes mesmo de mencionarmos as disciplinas diretamente correlatas ao conhecimento fundamental de todo profissional de saúde, e que inclui o corpo em seu sentido de tempo (desenvolvimento, personalidade, fases da vida, genética, etc.) e espaço (anatomia, fisiologia, etc.). Tais disciplinas são como finos instrumentos que para serem corretamente manuseados, necessitam dos pré-requisitos mencionados. Em outras palavras, ensinar fisiologia a uma mente desprovida de familiaridade com a Vida, capacidade de reflexão, entre outros fatores, seria como dar um clarinete a um macaco.

 

Como já afirmamos, não há nada de mal praticar Shiatsu aprendendo o mínimo. O acesso a uma formação básica de Shiatsu com essa finalidade claramente amadora é rara, mas infelizmente é aproveitada pelo medíocre como uma adição a um currículo profissional.

 

Muitos dos leitores praticantes agora se autoavaliarão, e se forem honestos concluirão que talvez se achassem terapeutas mas não o sejam; alguns se acomodarão no patamar técnico. Outros se libertarão e poderão seguir fazendo seu Shiatsu amador sem achar que podem “estar fazendo algo de errado”. Mas há os que desejam tornarem-se terapeutas de verdade. Para estes, a recomendação expressa é: Revejam suas relações profissionais. Não se satisfaçam. Possam ir mais fundo. E comecem a pensar que ser terapeuta não é só estar atuando no consultório. O profissional de excelência não é uma pessoa em casa e outra pessoa no trabalho. Sua excelência é parte integrada de seu modo de ser na vida. Ele é a própria excelência.

Sem mais filosofias, encontrem quem sabe mais que você agora e esteja verdadeiramente disposto a compartilhar, e grude nele. Nutra-se desse conhecimento sábio e sólido, aos pequenos bocados, e só torne a comer quando o conteúdo anterior estiver plenamente digerido, transformado em uma parte de você. A diferença entre o ótimo e o médio pode ser a diferença entre a verdadeira fome e a ansiosa vontade de comer.

 

* * *

 

* Arnaldo V. Carvalho estuda Shiatsu há vinte anos. autor do livro Shiatsu Emocional, membro-fundador da ABRASHI – Associação Brasileira de Shiatsu, membro do SINDACTA – Sindicato de Acupuntura e Terapias Afins do Rio de Janeiro, diretor da Escola de Shiatsu SHIEM conta com uma experiência de mais de vinte anos com o Shiatsu, tendo aprendido uma diversidade de estilos diferentes.

 

 

[1] Medíocre é aquele que se contenta em ficar no MEIO, ser mediano, e por este modo acomodado, associa-se o comportamento à pobreza de espírito. Boa charge sobre o tema: http://www.nadaparecido.com.br/11-maneiras-de-ser-insignificantemente-mediocre.html

[2] Normose é termo amplamente divulgado pelo yogue Hermógenes, e se refere ao vício social de se reproduzir modelos de forma irrefletida, apenas para adequar-se. Um exemplo interessante de apologia à normose seria a gíria “pagar mico”, tão utilizada no sentido de comportamento inadequado, fora do que seria o “normal” das pessoas. Saiba mais sobre a normose lendo artigos do Prof. Hermógenes sobre o tema:

[3] Personagem de Umberto Eco, protagonista de seu best-seller “O Nome da Rosa”, e criado a inspiração de Sherlock Holmes de Conan Doyle.

[4] Sobre isso leia o próximo artigo, que trata especificamente das contraindicações.

 

[5] A Cerimônia do Chá japonês, considerada um “Dô” – Caminho de evolução interna – preza pela perfeição do movimento correto segundo a formulação tradicional de seu criador.

[6] Peste ou praga emocional é o conceito de Wilhelm Reich acerca de uma “doença coletiva” com alto potencial autodestrutivo, e que está por trás de vários comportamentos sociais, o que incluí as irmãs normose e mediocridade. * O termo é amplamente discutido no livro “Análise do Caráter” de Wilhelm Reich. Textos relacionados: https://shiatsuemocional.wordpress.com/2011/04/09/bill-clinton-e-a-praga-emocional/; e http://espacowilhelmreich.com.br/artigos.php?c=18

 

[7]Há muitas versões diferentes desse conto, algumas bem mais completas e interessantes que a que narrei.

 

 

Anúncios
Artigo Autorregulação
Artigos e afins

Autorregulação – Artigo de Arnaldo V. Carvalho

Autorregulação

Por Arnaldo V. Carvalho

 

 

Traduções

MEMÓRIAS DE REICH: Dr. Herskowitz relembra suas experiências com Wilhelm Reich


MEMÓRIAS DE REICH
Dr. Herskowitz relembra suas experiências com Wilhelm Reich

Tradução de Arnaldo V. Carvalho

 O Dr. Morton Herskowitz já não demora chega aos cem anos, e continua clinicando na Filadélfia. Nessa entrevista ele tinha 90 e relata várias memórias vividas com Reich. Boa leitura. Arnaldo

– A medida que se envelhece a memória fica menos aguçada. Então as coisas que eu lhe digo são as que melhor me lembro. Se eu cito Reich, pode não ser uma citação exata, porque depois de um longo período de tempo algumas coisas ficam alteradas. Mas eu dou a você minhas melhores memórias. Vou contar a você primeiro como eu cheguei na Orgonomia e como eu cheguei em Reich.

Um homem que era um estudioso nessa cidade quando eu estava na escola de medicina me disse – ele sabia que eu era interessado em psiquiatria – “Eu li um livro e acho que você se interessaria por ele”. E eu lhe disse: “Que livro é?”, e ele disse “Revolução Sexual, de Wilhelm Reich”. e eu respondi: “Ah, aquele cara, ele é pirado”. E ele disse: “Como você sabe que ele é pirado?”. Eu disse: “todo mundo sabe, é piradão!”. E ele disse: “Você não acha que devia ler o livro antes de dizer que ele é pirado?”. Soou-me razoável. Então eu li “Revolução Sexual”. E para pessoas que leem Revolução Sexual nos dias de hoje talvez não ele não provoque uma abertura da mente tão impressionante como provavelmente acontecia no tempo em que o li, bem no início dos anos 40. E naquela época eu estava pensando em ir fazer psicanálise e fui fazer compras próximo a um analista da cidade. E tinha tido cursos e ido a aulas de psicanalistas, mas até então eu sabia que eu ainda não tinha encontrado um em que pudesse confiar a mim mesmo para o trabalho.

E quando eu li “Revolução Sexual” lá estavam as respostas a tantas questões que eu tinha tido em meus estudos sem qualquer sucesso em encontrar respostas. Então “Revolução Sexual” foi um “abridor de mente” para mim, e depois dele eu li todos os livros de Reich disponíveis na época. E quando eu os terminei, eu pensei “esse é o homem com quem desejo fazer terapia”. Então liguei para Reich e ele estava em Forest Hills naquele momento, e nós marcamos uma sessão. E eu te digo: de tudo o que eu li a única coisa que eu não havia captado bem era o conceito de energia orgônica. Porque tendo sido treinado na ciência clássica, a energia orgônica era um conceito “selvagem”. Então planejei ir ver Reich deixando qualquer menção a energia orgone de fora da conversa. Porque a terapia que havia conhecido tinha sentido e eu queria fazer terapia com ele. Fui então ao seu consultório em Forest Hills no dia marcado.

PRIMEIRO ENCONTRO COM REICH

Naquele tempo, Reich vivia em Forest Hills, N.Y. Eu liguei e consegui um horário – isso era no final dos anos 40 – e fui ver o Dr. Reich. Ele vivia numa casa portentosa naquele tempo. então eu fui ao seu consultório em Forest Hills no dia da consulta. Minha primeira vista de Reich foi ele descendo as escadas do segundo andar; o feeling que qualquer um tinha era “esse homem é poderoso”, simplesmente pelo modo com que desce as escadas.

Você tem a sensação de que ele é uma usina de força. Então primeiro ele me perguntou: “Como você chegou aqui, o que você leu?”, e eu lhe disse que havia lido tudo o que estava disponível naquele momento. E a segunda pergunta foi: “O que você acha da energia orgone?” E eu disse: “Bem, parece muito estranha para mim”. E ele disse: “É claro que é estranho”. Ele disse: “Porque você foi treinado de uma maneira que é completamente diferente do modo como penso e da maneira com que as pesquisas sobre a energia orgone são dirigidas. E se você levar essa questão para trabalhar no laboratório, você fará os experimentos e vai descobrir por si mesmo se a energia orgone existe ou não.” E eu pensei que essa era uma resposta muito razoável. Por que de alguma maneira eu esperava que ele dissesse: “Não acredita na energia orgone? Então de o fora daqui!”. Mas ele foi muito razoável sobre isso. Minha impressão daquele homem era enorme, – minha primeira impressão era “este homem é uma usina de força”. Havia uma força nele que era inegavel. Então começamos a falar sobre meu histórico, treinamentos, o que eu havia lido, que sintomas eu tinha.

Então começamos a terapia. E um de seus recursos na terapia era: “você pode gastar quanto tempo quiser e eu posso coloca-lo para fora a qualquer hora que eu queira.” Isso também me pareceu razoável. Ficou imediatamente claro para mim que poderosa técnica era aquela. Ninguém que não tivesse estado em terapia poderia realmente apreciar por completo seu poder. Você deve te-la experienciado para verdadeiramente saber como funciona. Só você tendo experimentado para realmente saber o que acontece. E eu posso lembrar, que em muitas sessões em Forest Hills, cada vez que saia da sessão terapêutica e caminhava na direção do metrô, eu me sentia como nunca havia lembrado sentir. E flutuava. A terapia tornou-se muito mais importante do que eu havia assumido que fosse possível, porque até onde eu sabia, não estava mal emocionalmente. E por essa razão, presumia que a terapia era muito mais para propósito de treinamento. Inicialmente, a razão para buscar terapia foi principalmente para o propósito de treino, porque eu acredito que qualquer um que vai ser psiquiatra deve ter estado em terapia. Eu creio que qualquer um que vai para a psiquiatria deve estar em terapia. Então eu fiz aquele tipo de “aproximação acadêmica” a terapia. Mas estando na orgonoterapia, uma mente é rapidamente transformada. Porque coisas acontecem que você jamais poderia prever acontecer com você. Mas estando na Terapia Orgone, uma mente é rapidamente alterada, porque coisas acontecem que você jamais havia pressuposto acontecer com você.

O homem ele mesmo tinha uma força, uma energia, como ninguém que eu havia visto outrora.

Então em geral ela é uma experiência muito energizante [chocante].

INICIANDO A TERAPIA

Ele me disse, “Se eu estiver com você em terapia, você precisa concordar em assinar um papel dizendo que se eu quiser hospitalizar você, você será hospitalizado”. Eu não acreditava que aquilo poderia algum dia acontecer, mas eu pensei: “OK, eu assino”. De fato, ele nunca me deu um papel para eu assinar, eu nunca assinei papel nenhum. Ele também disse: “terapia é sempre provisória. Se eu decidir parar a terapia, ou se você decide parar a terapia, então assim será. Era um acordo provisório para nós dois, o que achei ser bem razoável. Outra coisa que ele disse foi: “Quando você vem para a terapia, você é paciente, não um trainee. Você é um paciente como qualquer outro paciente. Você pode tornar-se terapeuta, ou não. Nesse momento, você é um paciente”. Com o que eu concordei.

Ele tinha uma mente muito larga e era sempre sério. Ninguém falava trivialidade ou sobre pequenos lugares-comuns com Reich. Toda vez que alguém ia para uma sessão, endireitava-se emocionalmente e estava preparado para ser sério e tão profundo quanto conseguisse ser. Em terapia, eu entendi depois, que ele tinha um modo de lidar com os pacientes para como que mante-los fora de sua zona de conforto. Por exemplo, naquela época, eu pagava a ele $50.00 por uma sessão. Em uma de minhas sessões, ele disse que o atendimento passaria a custar $100.00 dali em diante. Eu disse “ok”, porque eu desejava pagar $200.00. Eu fui até sua esposa Ilse Ollendorf e dei a ela $100.00. Fui na sessão seguinte, e depois dela eu dei a Ms. Ollendorf os $100.00, e ela disse, , “Dr. Reich disse que o atendimento será $50.00 de agora em diante.” Então aquilo era um tipo de teste para ver se eu o achava valioso o suficiente para pagar $100.00 .

.

REICH FORA DA TERAPIA

Nos seminários ele era muito duro com os médicos. Algumas vezes ele podia ficar tão furioso – ele tinha uma fúria tal como eu jamais havia visto na vida.

Nos seminários ele era muito rígido em suas posições. E ele algumas vezes ficava tão furioso – e isso era furioso como eu nunca vi. Uma vez eu lembro que nós estávamos do lado de fora da sala e ele ficou tão furioso conosco e uma tempestade surgiu. E eu posso crer que há uma conexão entre a intensidade de sua fúria e aquela tempestade. Porque eu nunca havia visto aquela fúria e o trovão veio tão rápido que eu pensei que ele podia influenciar a atmosfera. E ele também podia ser muito gentil, muito carismático. Me lembro particularmente de uma vez, no final de um seminário em Orgonon que durou mais ou menos uma semana, nós tivemos uma festa e dançamos até o fim. E pensei que aquilo era muito interessante, nunca havia visto Reich naquele papel. E eu lembro de uma moça dizendo: “Estou tão assustada para ir nessa coisa.” Ela nunca conheceu Reich. Ele era a essência do cavalheirismo europeu. Como ele fez tudo menos beijar as mãos das mulheres. Ele foi somente gentil e atencioso, simplesmente um cavalheiro perfeito nesse tipo de situação. Sabe, quando eu o vi naquela situação e pensei naquelas tempestades que eu havia visto nele… Não é como dizer a essas mulheres: “Você deve vê-lo de vez em quando, ele não age assim sempre.”

EXPERIENCIAS EM TERAPIA

Em outra ocasião, minha terapia ia lenta por mais ou menos um mês, nós estávamos num período de calmaria. Nada estava acontecendo, e ele disse para mim: “Você está morto. Como você algum dia pensou em ser um terapeuta? Não há vida em você. Você nunca será um terapeuta”. Fiquei chocado, porque eu pensei que estava indo bem até então, e eu estava no caminho (de me tornar um terapeuta orgone psiquiátrico). Daquele dia em diante, eu não sabia mais se ele ia dizer “você pode fazer terapia” ou você não pode fazer terapia, até que vários meses depois, quando ele disse: “por que você não pega um cliente e começa a trata-lo, vem e fala comigo sobre isso”. Eu pensei, “ALELUIA! Eu consegui!”.

Mas ele mantinha a pessoa desbalanceada como aquilo para manter as coisas se movendo, e ele estava furioso como nenhum fúria eu nunca havia visto. Agora ele nunca demonstrava isso para mim em terapia. Em terapia, algumas vezes podia ser impaciente, mas ele nunca ficava irritado comigo enquanto paciente. Mas quando um grupo de terapeutas se reuniam lhes encaminhavam suas questões ou discutiam algo, e ele não percebia ninguém nem próximo da resposta, ele podia ficar muito, muito furioso. Em terapia, ele era ao mesmo tempo muito, muito suave. Quem fazia terapia com ele tinha um sentimento de que era completamente compreendido como tudo o que se pudesse ter feito era aceito, exceto trapaça ou o tipo de coisa da camada superficial. Eu vou te dar um exemplo disso. Uma vez eu li o livro Casper Houser sobre a criação de um “menino lobo”. Reich e eu falávamos sobre o desenvolvimento infantil e todas as coisas que podiam ir errado no desenvolvimento de uma criança. Então eu pensei, “Eu vou para minha próxima sessão tendo indicado que li Casper Houser, livro no qual a maioria dos americanos não leu, ele vai ficar impressionado com meu aprendizado internacional”. Eu cheguei e comecei a falar de Casper Houser, e ele disse, “isso não é pertinente”. Seu olhar disse, “não tente me impressionar desse modo, é tolo, não seja mané de novo aqui”. Então eu aprendi aquela lição. Aquele tipo de coisa ele não tolerava. Um de meus hábitos quando eu censurava material era fazer “um, um”, que ele sempre imitava. Quando pessoas fazem isso, é um grande mecanismo de defesa. quando alguém invariavelmente se concentra em ficar fazendo isso, pode ser muito irritante. Isso é que eu aprendi e me fez parar de fazer “um” e, secundariamente, expressar alguma de minha ira na direção dele. Em geral, terapia é uma experiencia eletrizante.

No meio do processo da minha terapia, Reich se mudou para Orgonon, em Maine. E ele disse: “Estou me mudando para Maine, você quer ir em outro terapeuta por aqui?” e eu disse: “Não, estou indo para Maine!” Então no meio da minha terapia eu fui a cada semana seguinte. Eu dirigia até lá sexta a noite. Naquele tempo as estradas não eram nada parecidas com as super highways que agora te levam a Maine. Aquelas estradas eram horríveis. E eu guiava por toda a noite na sexta para estar em Orgonon ou próximo por volta das seis da manhã, dormia por duas horas e então ia para uma sessão no sábado de manhã, então tinha outra sessão no domingo de manhã e então dirigia de volta para casa. E no meio do inverno, quando as pessoas daqui do sul não podiam dirigir nas estradas, e nem as pessoas de Maine conseguiam dirigir aquele tipo de carrinho de neve (snow) – então normalmente eu voava até Augusta e pegava carona até Orgonon, porque havia sempre caminhões de madeira seguindo para lá, então você sempre conseguia uma carona até Orgonon. Sempre considerei isso uma aventura. Nunca vi aquilo com qualquer tipo de apreensão do tipo: “Oh, agora eu tenho que ir para Maine!”. Sempre aguardava pelo final de semana quando eu ia para Maine sem me preocupar que tempo fazia. E quando alguém tem um paciente que vive 30 milhas distante que diz: “O tempo está muito ruim, eu não consigo ir hoje”, Eu sinto como: “Você não merece terapia.” Há uma anedota interessante sobre dirigir para Maine. Um dia Reich me disse: “Quanto tempo você leva para dirigir da Filadélfia para cá?” E eu disse: “Oh um pouco mais que doze horas” E ele disse: “Leva doze horas de New York.” E eu disse “É mas eu dirijo bem rápido.” Então ele disse: “Você tem o direito arriscar sua vida, mas não tem o direito de colocar a vida dos outros em risco. Então a menos que você leve doze horas mais o tempo da Filadelfia a New York, não se preocupe mais em vir”. Então, depois daquilo eu dirigi mais devagar, o que me tomou 14 horas para chegar a Maine, ao invés de doze horas.

.

Terapia com Reich como eu disse era de tirar o fôlego, houve momentos que era claramente atemorizante, e houve uma única vez que me veio a ideia de suicídio. Eu sabia que não queria fazer isso, mas por um curtíssimo período a ideia do suicídio entrou na minha cabeça. Isso foi depois de uma sessão com Reich e que foi uma experiência nova para mim, ter aquele tipo de sentimentos depressivos. Porque geralmente eu sou uma pessoa para cima. Não fico deprimido muito fácil. Em terapia, a coisa que era única em Reich era como ele sempre era extremamente preciso.

.

Ele simplesmente tinha uma incrível sensibilidade e perspicácia. Ele sabia exatamente aonde o paciente estava e ele sabia exatamente o que fazer para evocar o que tinha de ser evocado naquele momento. E quando ele o fazia, frequentemente dizia: “Você nunca vai fazer isso bem.” Algumas vezes dizia: “Eu sou o único orgonomista. Ninguém mais pode realmente fazer terapia.” E comparado a Reich, era verdade.

.

A essência da terapia com Reich era de total verdade. Ninguém poderia pensar em papo furado ou raso com Reich. Havia sempre uma atmosfera de seriedade profunda. Eu lembro, eu jogo tênis, Reich aparentemente jogara tênis também. E eu tenho um feeling de que adoraria jogar com ele, porque eu acho que poderia vence-lo, e eu adoraria vence-lo. Mas ele nunca me convidou para jogar tênis com ele, então eu nunca tive a oportunidade.

.

Ah, eu me lembro de outro incidente. Quando você está em terapia, quando as transferências negativas começam a ocorrer você faz todo tipo de bobagens. Então eu lembro uma vez que antes da minha sessão eu estava no andar de baixo e Reich em sua sala de jantar. E eu ouvi ele dizer a Peter, seu filho: “Cale-se.” Aquilo foi “milho pro meu moinho”. Então quando nós tivemos minha sessão eu disse: “Eu ouvi você falando com Peter e ouvi você dizendo ‘cale-se’ urgentemente. E eu não acho que é assim que alguém deve falar com uma criança.” Então ele me deu uma aula sobre como falar com uma criança. De fato, “cale-se” era o jeito mais direto de atingir o que ele queria com Peter naquele momento. E eu meio que sabia porque ele fez aquilo. Mas você faz coisas, você tenta irrita-lo. Porque ele pegou você. E você tenta revidar.

.

Outra vez eu ouvi o mais doce discurso entre ele e Peter. Peter queria saber porque soletra-se “knife” [faca] com “k”1. Ele disse que devia ser chamado “kneif” se você soletrar com “k”! Eu não lembro dos detalhes, mas Reich deu a ele o mais doce discurso sobre porque o “k” está na frente do “n” em “knife”. Esse tipo de coisa que estava quase aprendida mas que também o tipo de coisa que uma criança poderia compreender facilmente.

.

Nós tivemos uma sessão que é interessante comentar: Eu vinha de uma série de sessões vocalizando algum cinismo. Eu o acusei de exagerar um pouquinho, acredito. Naquele momento havia um monte de rumores dizendo que Reich era psicótico, que eu reportava a ele como coisas que tinha ouvido. Não como se eu acreditasse neles, mas apenas para reportar a ele. Então eu cheguei para uma sessão e ele tinha um rifle a descansar sobre uma lareira na sala onde ele me tratava. Ele pegou o rifle, apontou para minha cabeça e disse: “Eu sou psicótico!” Eu caí na risada porque o que ele queria ver era se eu acreditava nessas histórias ou estava meramente reportando-as para ele. E caí na risada porque aquilo me pareceu tão divertido – a ideia de um terapeuta colocando uma arma na cabeça do paciente. E aquilo era o que ele precisava. Como ele riu também, e depois colocou a arma de volta. É assim que Reich ia a algo. Ele não fazia rodeios. Ele queria ver se você acreditava que ele estava maluco. Ele deu a você uma ampla chance de provar que você pensava que ele estava maluco. Outra coisa interessante era: você sabe que havia um monte de blablabla sobre Reich ter se tornado psicótico próximo ao fim da sua vida. E durante uma de minhas sessões um aeroplano voou acima da cabeça. E ele disse: “Eisenhower está mandando seus aeroplanos me observarem” e eu disse: “Não creio.” E lhe disse: “Esse lugar está simplesmente no itinerário de vôo padrão de um aviador que está sobrevoando este local”. E ele disse: “talvez, simplesmente observemos”. Agora, aquilo não era reação de um psicótico. Um psicótico diz: “Eisenhower está mandando um aeroplano para me observar” e eu digo: “não, senhor, eu penso que é apenas um avião ordinário seguindo seu roteiro padrão”., ele não diria “talvez você esteja certo”. Ele empunharia suas armas. E o negócio todo da psicose de Reich: e eu acredito mesmo que muitas das ideias que ele expressou mais para o fim de sua vida eram exageradas, sem solidez, não realistas, mas eu não atribuo isso a psicose. Atribuo aquilo ao tipo de pensamento que Reich teve por toda a sua vida. Eu acho que Reich realmente foi um dos verdadeiros gênios desse mundo. Acredito que pessoas como ele pensam explorando todo tipo de ideias que nunca foi visível para nós; eles impulsionam ideias além dos limites que nós poderíamos pensar. E por causa disso ele foi botando para fora tantas de suas ideias maravilhosas, mas junto dessas ideias maravilhosas havia também essas ideias estranhas, as quais nós que utilizamos apenas o senso comum e estamos sempre cuidando de sermos “corretos” não poderíamos trazer. Mas ele chegava naquilo, tanto em direção positiva como negativa. E eu penso na ideia de Eisenhower protege-lo era uma ideia exagerada na direção negativa. Mas era um tipo de pensamento.

.

Um incidente do tipo de coisa que poderia acontecer com ele: uma vez ele escreveu um artigo no jornal e eu li o artigo do caminho da minha sessão. Ele me perguntou-me se eu tinha lido o tal artigo e eu disse que sim. E ele me perguntou o que eu achei. Eu disse a ele que fiquei muito impressionado, que aprendi muita coisa, etc. “Mas”, adicionei, “você cometeu alguns erros gramaticais muito ruins no seu inglês”. Ele me disse, “eu te peguei no meu avião, e te mostrei coisas que você nunca tinha visto antes, e você me diz, ‘ah é um belo vôo, mas você sabe que você instalou o assoalho incorretamente. Você não colocou direito os preguinhos no assoalho do seu avião”. Eu acho que Reich veio a essas áreas porque ele era um homem que usualmente pensava de maneiras que a maioria de nós não pensa.

O JULGAMENTO

Nunca conheci outro homem em minha vida com tamanha força e vontade e movimento e espírito. Reich sempre pensou-se a si mesmo como uma figura histórica. É interessante que, por exemplo, em seu julgamento, seu julgamento era praticamente uma farsa porque alguns juiz proferiu uma liminar que Reich desobedeceu claramente. Então o julgamento era: “Reich desobedeceu a liminar ou não?” Várias vezes ao longo do julgamento, Reich admitia que desobedeceu a liminar. Então ele foi dizer ao juiz porque desobedeceu a liminar. Por exemplo, a liminar dizia que Reich declarava que ele curou câncer em seu citado livro “Biopatia do Câncer”. Agora, em todos os casos citados no livro, o paciente morria. Obviamente as pessoas que prepararam esse caso contra Reich fizeram um trabalho muito pobre porque dizer que Reich declara que cura e o paciente morre no livro é idiota. Essa era a questão e Reich, ao invés de responder a liminar, enviou ao juiz todos os seus livros, o que era uma loucura. Você não espera que um juiz leia todos os seus livros, mas Reich sim. Reich dizia “leia isso e veja se essa liminar é válida”. Então ele foi a julgamento, e o julgamento foi terrível, porque Reich admitiu desobedecer a liminar, que foi a única coisa para a qual eles se atentaram.

.

Houve algo mais que pensei. Oh isto diz sobre Reich. Eu estive em todo o julgamento em Maine. Um dia, no julgamento, as coisas estavam indo muito mal para Reich. Eu parei num corredor e pensei, “ele vai ser massacrado pelo jeito que o julgamento correu essa manhã”. E nessa sessão – era um momento de grande stress, todos os dias de julgamento eram um stress enorme -, num intervalo, estávamos por ali conversando e ele apontou para mim e disse: “chegue aqui, quero falar com você”. Então eu fui. Eu tinha escrito um artigo num dos jornais orgonômicos. E ele disse: “o jeito que você escreveu tal e tal coisa não ficou tão bom quanto você poderia ter escrito. Eu havia escrito um artigo sobre uma resenha de um dos livros do Reich que alguém havia feito. Um psiquiatra que resenhou um dos livros de Reich de maneira muito desfavorável; Eu escrevi sobre aquela resenha. Ele veio a mim após o final daquela terrível sessão na corte e disse, “”sabe esse artigo que você escreveu? Ele nos atingiu na cabeça com uma clava e você o golpeou o pulso.” Eu pensei, “Meu Deus, um dia como esse, quando você está para ir para prisão, e claro, tudo o que você pensa é que o artigo que eu escrevi foi muito suave com o resenhista.” [“Jesus Cristo. Aqui está este homem em defesa de sua vida e ele está preocupado em como eu coloco algo num artigo.”]2 E eu pensei que aquilo era realmente uma indicação de um homem, que aquele momento era tão importante para ele quanto como seu julgamento que estava correndo. Ele estava de fato em liberdade condicional, mas estava preocupado em como eu estava escrevendo um artigo. Aquele era Reich, bem como o fato de que ele era uma figura histórica que estava lutando pelo direito de um cientista desenvolver seu trabalho em paz.

.

O fato de que a liminar era o problema, para ele, era nada mais que um pedaço de papel, um pedaço de papel sem importância, e ele não queria lidar com isso.

Durante o processo, eu fui um dos que estavam em desacordo com a maneira como ele estava conduzindo o julgamento. Eu achava que ele deveria ter um advogado conduzindo o seu caso ao invés dele conduzindo. Penso que ele deveria ter utilizado os argumentos jurídicos em vez dos argumentos que ele usou. O que não é a mesma que dizer que ele agia errado, porque ele se via como uma figura histórica que estava construindo um marco histórico. E para fazer isso é que ele conduziu o julgamento dessa maneira. Se eu estivesse na pele dele eu ia querer escapar da cadeia, eu ia querer ser livre, etc. Eu teria conduzido o julgamento numa base estritamente jurídica, porque os advogados disseram “Nós podemos vencer este caso para você. O caso é tão corriqueiro então quando você nos deixar fazer nosso papel nós podemos livra-lo disso.” Mas ele não deixava. Não era nada do que ele não fosse antes. E desde aquele tempo – Eu tinha sido advertido por pessoas que ensinavam o direito – que aquele caso era levado ocasionalmente as salas de aula com o caso em que o lado do FDA era tão fraco e o caso era presumivelmente tão puramente de um ponto de vista legal, que ele é praticamente como um caso clássico mal manejado. Eu nunca o vi depois que ele foi para a prisão. Houve poucos visitantes, e as únicas pessoas que o visitavam eram os de sua família direta. Então não tive mais contato com ele após a prisão.

.

Tradução e Adaptação de Arnaldo V. Carvalho

Notas de tradução

1. kneif (faca) pronuncia-se “náif”.

2. As duas versões da entrevista são bastante diferentes em alguns pontos. Nesse momento da entrevista, preferi colocar entre colchetes o que seria a segunda versão do mesmo pensamento. Fica minha dúvida sobre o Dr. Herskowitz recontou a mesma história em entrevistas diferentes ou se houve transcrição com adaptação livre. A mesma emoção, palavras levemente diferentes.

Atenção: Essa é uma tradução livre, onde foram unificadas duas versões da mesma entrevista. As traduções não são autorizadas pelos proprietários que detém todos os seus direitos.

Matéria original:

http://www.examiner.com/health-in-philadelphia/secrets-to-longevity-profile-of-morton-herskowitz-d-o-at-90

Entrevista com Morton Herskowitz., pelo Orgonomic Video Archiv. esta entrevista foi gravada por John Joachim Trettin no verão de 1989 na residência de Morton Herskowitz, na Philadelphia. A página original onde ela está foi criada por Beate Freihold, que também tirou as fotos. Os direitos da entrevista são de John Joachim Trettin.

Traduções

Dr. Morton Herskowitz – Um discípulo direto de Reich, ainda (bem) vivo!

Morton Herskowitz, Médico psiquiatra orgonomista, aos 90 anos – o último vivo treinado diretamente por Wilhelm Reich.

Matéria de 16 de outubro de 2008, traduzida por Arnaldo V. Carvalho em 2011. 

Morton Herkowitz, D.O., na data da entrevista original

Desde os tempos de Benjamin Franklin, a Filadélfia tem sido a Meca da Medicina nos Estados Unidos. Como um centro de aprendizagem e cultura, a cidade desenvolveu uma enorme diversidade de hospitais e escolas médicas como o a Philadelphia Osteopathic, Hahnemann Homeopathic, e o antigo Pennsylvania Hospital. Esse texto é parte de uma série de artigos destacando alguns dos notáveis praticantes da tradição deste lugar. . Alto, magro e careca, Dr. Morton Herskowitz vem praticando psiquiatria em sua casa na Pine Street por quase 60 anos. Ele recentemente celebrou seu nonagésimo aniversário e continua trabalhando 40 horas por semana. E sim, ele bebe café e fuma durante seus intervalos. De onde ele tira sua longevidade? Ele segue suas próprias recomendações de saúde, dizendo aos seus pacientes de lembrar “o valor do exercício, sono suficiente, obter tanto prazer quanto possível, e evitar maus hábitos como beber e drogas”. Para insônia, ele acha que o remédio mais eficaz é um banho frio, e não uma pílula. Ele ainda joga tênis ocasionalmente, e começa sua manhã fazendo barras. “Infelizmente hoje em dia eu só consigo fazer uma, quando usualmente eu fazia cinco”, diz ele. Ele também caminha sempre que pode ao invés de usar carro, e sobe rapidamente as escadas de sua casa. Herskowitz diz que é especialista em férias. Ele recomenda a todos os seus pacientes que tirem férias, mesmo que curtas. Em seu mês de descanso no verão, ele curte pintar. Ele escolhe seus destinos de olho no melhor cenário. Recentemente, ele vendeu um número de suas aquarelas para levantar 10 mil dólares para a caridade. Outros originais decoram as paredes de sua sala de espera. Recortes amarelados com quadrinhos nova-iorquinos também estão pendurados ali para brincar com seus pacientes. Ele leva bem ser um médico das antigas mesmo na América do século XXI. Talvez porque sua esposa seja uma musicista aclamada, e não sua secretária, ele preenchia sua própria papelada burocrática até o ano passado. Ele tem visto muitas coisas irem e virem em seu tempo como médico. Osteopatia, ele diz, tornou-se mais largamente conhecido. O que normalmente era “um degrau acima do charlatanismo” agora é considerado mais holístico e em alguns casos preferível à medicina convencional. Para reformar o sistema de saúde americano, ele recomenda a redução da interferência do dinheiro na medicina. Eu sonho com os dias em que o usual era uma relação direta entre o médico e o paciente”, ele diz. “Todo médico aceitava aqueles que pagavam menos, ou que nem pagavam. Mais pessoas, especialmente mais pessoas pobres, tinham a possibilidade de receberem atendimento. A coisa era entre o médico e o desejo do paciente. . A psiquiatria o atraiu para a profissão, mas ele adquiriu um background considerável quando anteriormente praticou por três anos como médico de família no bairro Strawberry Mansion. “Como psiquiatra, sou muito grato pelo tempo com prática familiar. Agora, quanto um paciente vem com problemas, eu tenho experiência.” Embora psiquiatras nesse dias tenham “medicamentos mais eficazes contra desordens”, e um melhor entendimento do funcionamento do cérebro, ele diz: “um grande ganho da base emocional é perdido quando a terapia se concentra nas drogas. É como se os psiquiatras buscassem legitimidade como médicos (ao prescreverem drogas) ao preço da perda da descoberta das raízes emocionais de várias doenças”.

DECLARAÇÕES DO DR.SOBRE A TERAPIA ORGÔNICA PSIQUIÁTRICA

– Orgonoterapia psiquiatrica não é para todos os pacientes. Há pessoas que vem me ver e percebem que não têm os recursos necessários para realizar o trabalho que é requerido em terapia, ou suas estruturas são tão frágeis para começar a ser mexidas, que eu encaminho-os para colegas que fazem somente terapia verbal. Todas as abordagens-padrão da psiquiatria são utilizadas na terapia orgônica psiquiatrica. Eu uso antidepressivos quando necessário e eu uso drogas neurolépticas quando necessário e eu faço tudo o que aprendi em meu treinamento profissional psiquiátrico quando eu trato um paciente. A diferença é que eu acho que tenho um leque de atividades e intervenções com a qual lido com os pacientes que muitos psicoterapeutas outros não têm. É muito típico para os nossos formandos em terapia orgônica psiquiátrica, que estão fazendo suas residências, nos dizer,”Estou tão feliz que eu tenho um arsenal maior do que essas pessoas têm.” – Outra experiência interessante foi uma garota que tratei a longo tempo atrás. Ela era uma moça na case de seus vinte anos, não sabia nada de Freud, Reich, ninguém. Ela não sabia nada sobre psiquiatria, seu médico familiar me indicou para ela. Eu imaginei que ela fosse ser uma boa candidata a terapia, então fizemos a orgonoterapia. Ela saiu-se muito bem, e vários meses depois, ela veio e me disse: “quer saber?”, e eu disse, “o que?”, e ela disse: “eu tenho uma amiga que foi a um psiquiatra e tudo o que eles fazem é falar”. E essa é a diferença entre o que nós fazemos e o que a maioria das outras pessoas fazem. Do meu ponto de vista, o que a orgonoterapia me permite fazer é alcançar lugares com os pacientes que nenhuma outra terapia poderia me permitir e oferecer esse tipo de entrada que a terapia orgônica psiquiatrica faz.

.

Dr. Morton Herskowitz vive na Filadélfia, EUA. Ele é osteopata e pratica Orgonoterapia, que foi desenvolvida por Wilhelm Reich. Foi o último terapeuta treinado pessoalmente por Wilhelm Reich. É o presidente do Institute Orgonomic Science e autor do livro “Emotional Armor – uma introdução a Orgonoterapia psiquiátrica” Dr. Morton Herskowitz falou em 1989 em seu consultório sobre sua experiencias com Wilhelm Reich e Orgonomy.

Matéria original:

http://www.examiner.com/health-in-philadelphia/secrets-to-longevity-profile-of-morton-herskowitz-d-o-at-90

  • Trecho de Matéria de 16 de outubro de 2008, traduzida por Arnaldo V. Carvalho em 2011.  A partir de duas versões diferentes da matéria e entrevista original, Arnaldo traduziu, compilou e redividiu os conteúdos de maneira a destacar as   ideias do Dr. Morton sobre psiquiatria e terapia orgônica, de suas memórias acerca do convívio profissional com Wilhelm Reich , disposta no link: 
Artigos e afins

Bill Clinton e a praga emocional

Presidente Clinton e a Praga Emocional

Pelo Dr. Stephan Simonian

Tradução de Arnaldo V. Carvalho

Publicado em 21 de junho de 2010.

President Clinton  Vs.  Emotional PlagueDurante o processo de impeachment do Presidente Clinton, em 1999, disparado por ele ter tido um affair com uma mulher e então nega-lo quando confrontado, Sr.  Larry Flynt, o editor da Hustler Magazine, colocou em um jornal conhecido um “anúncio de um milhão”. Neste anúncio, ele ofereceu um milhão de dólares para qualquer um que pudesse documentar qualquer figura oficial ou que tivessem criticado a moral de Clinton tendo affairs similares.  Flynt declarou que não estava interessado em destruir a vida sexual de ninguém porque estavam tendo um affair, mas contrária ao modo como estavam vivendo suas vidas privadas, e quem estivesse crucificando Clinton por fazer a mesma coisa que eles estavam.
Como resultado desse anúncio, vários congressistas e oficiais do governo se demitiram em consequencia das informações reveladas.

Sr. Flynt listou diversas pessoas incluindo um congressista da Louisiana que foi escolhido para substituir Newt Gingrich como Presidente da Câmara. Ele citou um congressista de Illinois que uma vez levou os republicanos da Câmara a ovacionar Kenneth Star que foi um dos que mais se exibiu na acusação de Clinton, aparentemente carregando na bagagem um caso de cinco anos com uma mulher casa mãe de três filhos. Um congressista da Georgia que também cometia adultério e então mentiu sob juramento foi desmascarado.  O Presidente da Câmara de Reforma do Governo, que chamou Clinton de “babaca” e em setembro de 1998 também foi revelado quando sua cruzada moral foi forçada a admitir que ele havia sido pai de um filho ilegítimo durante um caso nos anos 80. Outro oficial do Comitê Nacional Republicano engajado na cruzada moral contra Clinton foi gravado dizendo: “Eu não tenho quaisquer valores morais, só falo dessas coisas na televisão”.

Os comportamentos descritos acima, em que estão bastante presentes em nossa memória, são exemplos perfeitos do que Dr. Reich descreveu em 1945 como a “praga emocional”.  Em, A Análise do Caráter, escrito pelo Dr. Wilhelm Reich, um livro crucial e essencial da Orgonomia, Dr. Reich dedicou um capítulo a descrever este fenômeno sob o título Praga Emocional. Este livro valiosíssimo, como qualquer outro livro escrito pelo Dr. Reich, contendo informação condensada a qual o leitor pode ter novos e melhores insights a cada vez que ele relê seus livros.

Reich descreve a praga emocional no seguinte dizer:  “O termo praga emocional não é um termo depreciativo. Ele não tem conotação de uma malevolência consciente, nem de degeneração moral ou biológica, de imoralidade, etc. Um organismo cuja mobilidade natural  tenha sido continuamente frustrado desde a infância desenvolve formas artificiais de movimento. Ele manca, ou anda de muletas. Da mesma forma, um homem segue em sua vida nas muletas da praga emocional, quando suas expressões vitais de autorregulagem natural são reprimidas do nascimento em diante. A pessoa afligida pela praga emocional manca caracterologicamente. A praga emocional é a biopatia crônica de um organismo. Ela fez a primeira incursão na sociedade humana com a primeira supressão em massa da sexualidade genital; Ela tornou-se uma doença endemica que vem atormentando as pessoas por todo o mundo, por milhares de anos. De acordo co mo nosso conhecimento, ela está implantada na criança desde os primeiros dias de vida. Isso é uma enfermidade endêmica como a esquizofrenia ou o câncer, com uma notável diferença, que é o fato dela ser essencialmente manifestada na vida social”.

A praga emocional é uma consequencia do encouraçamento. Encouraçamento é um processo patológico, descoberto e descrito pelo Dr. Wilhelm Reich. Esse fenômeno patogênico é também descrito no livro do Dr. Herskowitz’s, Emotional Armoring, e em diferentes artigos no journal of orgonomy. Em miúdos,  a couraça desenvolve o processo de sufocante luta da criança para conter seus impulsos primários por causa das proibições externas. Nesse processo, o motivo primário que surge do cerne do organismo rompe-se, e parte do motivo dá suporte a energia para as contrações físicas e emocionais contra o impulso primário. Nesse momento, este processo leva ao encouraçamento físico, emocional e crônico que se estabelece permanentemente no organismo. Como consequencia do encouraçamento, impulsos primários genuínos tornam-se incapazes de expressar-se em suas formais mais naturais e verdadeiras. Impulsos secundários desenvolvem-se por consequencia, sendo manifestações distorcidas dos impulsos primários. Esses impulsos secundários podem transforma-se em sadismo e comportamento anti-social e assumir ações destrutivas no cenário social. Em uma pessoa neurótica comum, esses impulsos secundários voltam-se contra o próprio eu e atormentam a aflita pessoa com neurose, isto é, sintomas de ansiedade, fobias, obsessão, etc. Todavia, numa pessoa afligida pela praga emocional, esses impulsos secundários assumem caráter sádico e anti-social, e age destrutivamente em direção aos outros e a sociedade. Em orgonomia, nós estamos atentos para o fato de que mesmo indivíduos sadios manifestam alguma couraça e manifestam algumas inibições neuróticas, assim como ocasionalmente alguma reação de praga; contudo, indivíduos saudáveis são capazes de reconhecer isso e agir diferentemente. Dr. Reich diz “Todo indivíduo afetado pela praga contem em si as possibilidades de um caráter normal e sadio. A praga ao dirigir o caráter manifesta seu comportamento destrutivo em diferentes aspectos da vida… A praga emocional é tão ampla quando uma biopatia do caráter. Em outras palavras, onde quer que haja biopatias de caráter, existe no mínimo a possibilidade de um surto epidêmico de praga emocional. Uma característica básica e essencial da reação emocional de praga é que ações e motivos de ações nunca coincidem. O motivo real é ocultado e o motivo falso é dado como razão para ação. Em contraste com um indivíduo natural e saudável, quando motivo, ação e objetivo formam uma unidade orgânica. Nada é ocultado.”

A praga emocional afeta diferentes aspectos da vida de um indivíduo, ela manifesta-se em áreas do pensamento, ação, sexualidade, em hábitos de trabalho, etc. Aqui nós vamos descrever a diferença entre comportamento sexual no caráter normal, saudavelmente “genital”, e o caráter aflinjido pela praga emocional, como Dr. Reich descreve no livro Análise do Caráter.

“A sexualidade de uma personalidade saudável, genital, é essencialmente determinado pelas nleis naturais básicas da energia biologica. Ele é tão constituído que naturalmente tem prazer na felicidade sexual dos outros. Da mesma forma, ele é indiferente a perversões e tem uma aversão a pornografia. O caráter genital considera absolutamente natural que crianças e adolescentes sejam essencialmente orientados sexualmente. Da mesma maneira ele preenche ou pelo menos s esforça para preencher as frequentes demandas de restrição social que resultam desses fatos biológicos.. O caráter neurótico, todavia, vive uma vida de sexualidade resignada, ou envolve-se em atividades perversas secretas. Sua impotência orgástica é acompanhada por um desejo de felicidade sexual, ele é indiferente a felicidade sexual dos outros. Ele é mais comumente governado pela ansiedade do que pela raiva quando entra em contato com problemas sexuais. Sua armadura diz respeito somente a sua própria sexualidade, não a sexualidade dos outros… A sexualidade de uma personalidade contaminada pela praga emocional é caracterizada pela existência paralela de lascívia sexual e moralismo sádico. O dualismo é uma parte de sua estrutura… por baixo da fachada de cultura e moralidade, eles perseguem ao extremo cada expressão de sexualidade natural. Ao longo dos anos, eles desenvolveram uma técnica especial de difamação…”

Encouraçamento é um processo patológico que é largamente disseminado pelo mundo. A praga emocional, como pode ser visto nos exemplos acima oriundos do processo de impeachment do Presidente Clinton, manifesta-se de diferentes formas e em diferentes áreas da vida. Compreender orgonomia ganha significância ainda maior importância no despertar  dessa patologia tão disseminada que afeta cada aspecto de nossas vidas. Tal compreensão, de nosso ponto de vista, é imperativo no combate a ela. Os líderes e instituições que estão em posição de liderança são responsáveis pelo reconhecimento e redução dessas reações patológicas e serão responsabilizados no futuro por permanecerem-se ignorantes a este problema.

Este post foi escrito por:

Stephan Simonian M.D. – que já escreveu 22 artigos no Journal of Psychiatric Orgone Therapy.

Dr. Simonian é um psiquiatra geral, infantil e de adolescentes. Ele completou sua formação médica na Universidade Shiraz, Irã. Ele completou seu treinamento de residencia psiquiatrica em acompanhamento de crianças e adolescentes no New York Medical College, Metropolitan Hospital Center. Concomitante com seu treinamento como psiquatra, Dr. Simonian concluiu os cursos didáticos do New York Medical College Psychoanalytic School, incluindo seu próprio processo de psicanálise. Em 1990, Dr. Simonian iniciou sua própria terapia orgonica psiquiátrica, terapia reichiana, com Dr. Morton Herskowitz e em 1991 tornou-se um membro do Institute of Orgonomic Sciences (IOS), que se dedica a promover e presevar o trabalho do Dr. Wilhelm Reich’s. Dr. Simonian iniciou sua prática psiquiatrica privada em Milford, Massachusetts em 1984 e ele foi chefe do departamento de psiquiatria do Milford Regional Hospital por vários anos. Ele iniciou sua prática em Glendale, California since 2003. Dr. Simonian é diplomado do American Board of Psychiatry and Neurology.

*   *   *

FONTE DO ORIGINAL: http://www.psychorgone.com/sociology/president-clinton-vs-emotional-plague

NOTA DO TRADUTOR: O termo “character” é quase sempre traduzido simplesmente como “caráter”. Aqui optamos por vezes pela tradução “personalidade”. Da mesma forma, o termo “plague” é tratado na tradução por vezes como “peste”, outras vezes como “praga”.

Agenda: Cursos Eventos etc.

Palestra sobre Pensamento Reichiano em Niterói, RJ

Peço que divulguem…
Atendendo a pedidos, estarei repetindo a palestra gratuita nesta sexta-feira, dia 14, das 18:30 às 20:30horas, no mesmo local:

 

CENTRO DE ESTUDOS WILHELM REICH

Rua José Bonifácio, 29 – 2º andar

São Domingos – Niterói/RJ.

 

Para esse tipo de encontro não é necessário fazer inscrição e está aberto para estudantes e profissionais; pode, inclusive, convidar amigos e pessoas que tenham interesse em conhecer o Pensamento Reichiano. Peço apenas que chegue com antecedência de meia hora (às 18h). O local tem capacidade para 16 pessoas. O evento tem por objetivo divulgar a vida, a obra e pesquisas realizadas pelo psicanalista e cientista Wilhelm Reich.

 

Espero que você possa comparecer à palestra nesta 6ªfeira.
—————————————-
SYLVIO  PORTO Terapeuta ReichianoCRP/05-10840.
Tel: (21) 9957-4291(VIVO), 9499-1727(CLARO), 8750-7057(Oi) e 2707-7057.
Faz parte do meu respeito pelas pessoas expor-me ao perigo de lhes dizer a verdade!Wilhelm Reich.
Acesse o blog “PORTAL REICHIANO” < http://portalreichiano.blogspot.com >.

Artigos e afins

Massagem – A Terapia Fundamental

Tocando com tato

Você já parou para pensar um pouco sobre a expressão “com tato”? Falar, agir com tato significa ser cuidadoso, delicado, respeitoso. Mas é também agir e falar através do sentido do tato, do contato entre peles, entre corpos. Talvez por isso a expressão tenha se impregnado desse significado de delicadeza e cuidado. Falar com o tato é comunicar-se através da linguagem corporal mais arcaica e profunda, primordial.

Dentro da barriga da mãe o tato é o primeiro sentido que se desenvolve. Vamos crescendo dentro de nossa mãe imersos em sensações táteis, até chegar um ponto em que as costas e o útero parecem fundidos. É um abraço contínuo, que nos estimula e acolhe. Janov sugere que as contrações também têm a função de estimular a pele do bebê, que por sua vez estimula os sistemas corporais que serão necessários após o nascimento.

A saída pela via vaginal, com sua passagem massageante e estimulante, integra sensorialmente o novo ser. É indubitável – e várias pesquisas já comprovaram – que o nascimento natural propicia posteriormente um nível de sensibilidade corporal e desenvolvimento motor muito mais apurado nas crianças.

Parto para perto

A palavra Parto, utilizada para designar a nossa saída do corpo materno, é também muito significativa. Parto: partir (ir), partir (quebrar), apartar (afastar). Realmente, o nascimento é um momento crítico como qualquer partida.

Passamos de uma condição interna, quente, escura, de sons abafados, em que não precisávamos fazer nada para nos sentirmos saciados para uma outra, onde a temperatura, os sons, a claridade são radicalmente diferentes, onde respiramos por nosso próprio esforço e ainda por cima sentimos incômodos totalmente novos, como fome, frio, solidão. Esta passagem é um momento fundamental que deixa registros indeléveis em cada um de nós.

É uma transição necessária, sem dúvida, apesar de muitos não se conformarem até muitos anos depois (“Quero voltar pra barriga da mamãe” – gritava Rita Lee num rock emblemático). E, como todas as transições, esta pode ser traumática ou suave, tranqüila. A vaca, assim como diversos outros animais, lambe todo o corpo de sua cria logo após o nascimento. Este ato afetivo dura aproximadamente 10 minutos e o bezerro começa a tremer inteiro, se integra, sente todo o seu corpo, sua totalidade. Mais um pouco levanta-se e vai pra perto da mãe. Esta é uma recepção literalmente com tato.

Partiu-se a simbiose com carinho, afeto, sem traumas. A mãe está perto, com seu calor, sua atenção, seu amor. Para os bebês humanos, o período logo a seguir ao parto é uma experiência de vida excepcional e fundamental; é quando a qualidade do contato estabelece vínculos fortíssimos. Dr. Marshal Klaus, no seu livro “O Vínculo Mãe-Criança”, resumo de 15 anos de seu trabalho, prova cientificamente que se a mãe e o bebê forem deixados juntos na hora seguinte ao parto, cinco anos mais tarde, por todos os tipos de critérios psicológicos, os bebês estarão muito melhor que os que foram separados.

É fundamental nestes primeiros momentos de vida “cá fora”, que a mãe toque muito, acaricie e massageie seu bebê. Este intenso contato promove a sensação de bem estar, aceitação, segurança, encorajando a expansão e a busca do novo meio ambiente. Isto é vital ao desenvolvimento geral do novo ser, além de ser especialmente importante para o desenvolvimento dos órgãos sensoriais, já que todos são oriundos da pele, ou ectoderme. O parto, assim, não é mais a despedida amedrontada para o desconhecido e o nunca mais. É só uma mudança de estado, para o perto e o agora, onde a própria presença e a do outro está sendo estruturada delicadamente numa nova forma. Nenhuma despedida será mais motivo de pânico.

Com a segurança desta presença, internalizada, instaura-se as bases para se viver com tranqüilidade a inegável condição solitária que todos temos dentro de nós. Por outro lado, a ausência temporária de contato, como se dá no afastamento para o berçário e/ou com o contato com uma enfermeira hostil, pode determinar contrações no corpo e o esquivamento do olhar. Afinal, estar bruscamente num lugar totalmente diferente, só, sem todas aquelas sensações que eram familiares, pode ser aterrorizante (mesmo para um adulto!).

Isto pode ser superado se a situação for apenas temporária. Mas o realmente prejudicial é o isolamento e a contínua falta de contato com uma mãe fria e incapaz de se dar. O extremo da ausência de contato com a mãe pode produzir até a criança autista, sem dúvida um dos problemas mais graves que pode acontecer a uma pessoa.

Felizes como cangurus

O ideal é que o bebê tenha o máximo de contato possível de pele com pele. O método milenar de manter o recém-nascido amarrado ao corpo, hoje chamado Mãe-Canguru é capaz de operar melhoras “milagrosas”. O tempo de internação de prematuros cai dois meses para 15 dias e o benefício emocional é entusiasmante. Um pesquisador que trabalhava com primatas e outro que lidou com órfãos da Segunda Guerra Mundial constataram que “bebês prematuros que foram pelo menos massageados durante quinze minutos três vezes ao dia, aumentaram de peso 47% mais rápido do que outros que se mantiveram isolados em suas incubadeiras”. Em 1988, o New York Times publicou um artigo sobre o papel crítico do contato no desenvolvimento infantil; nele se mencionava o “estancamento psicológico e físico de crianças privadas de contato físico, ainda que bem alimentadas e cuidadas”.

Bebês com bom contato e que eram massageados com freqüência mostraram sinais de que seu sistema nervoso estava amadurecendo mais rápido: eram mais ativos e respondiam mais a rostos e a sons. Comparados oito meses depois, os bebês massageados obtiveram resultados melhores nos testes de capacidade mental e motriz. Eram mais risonhos, alegres e vivazes. Será por isso que os cangurus têm uma cara tão gozada e vivem saltitando?

A química que faz crescer…

Diane Ackerman, no seu excelente livro “História Natural dos Sentidos”, relata alguns experimentos feitos por Saúl Shanberg, da Universidade de Duke. Saúl descobriu que os cuidados que a mãe rata proporciona às suas crias, lambendo-as e penteando-as, produz nelas modificações químicas; quando a cria foi afastada da mãe, diminuíram seus hormônios de crescimento.

A OCD (enzima que assinala que é hora de começarem certas mudanças químicas) caiu em todas as células do corpo, o mesmo acontecendo com a síntese protéica. O crescimento recomeçou somente quando a cria foi devolvida à mãe. Shanberg na verdade era pediatra e estava interessado especialmente em nanismo psicosocial. Algumas crianças que vivem em lugares emocionalmente destrutivos deixam de crescer. Ele constatou que nem as injeções de hormônios de crescimento podiam estimular os corpos dessas crianças para que voltassem a se desenvolver. Por outro lado, um cuidado terno e amoroso sim.

O afeto que passaram a receber das enfermeiras bastou para que voltassem ao caminho do crescimento. Ou seja, com contato, carinho, atenção, o processo de estancamento se tornava totalmente reversível! Ele deduziu que os animais dependem do fato de estar perto da mãe para a sobrevivência básica. Se se elimina o contato materno (que seja por 45 minutos, no caso dos ratos) o bebê diminui sua necessidade de comida para manter-se com vida até que a mãe volte. Este metabolismo mais lento resulta numa parada do crescimento. O contato assegura ao bebê que ele está a salvo, oferece ao organismo via livre para desenvolver-se normalmente. Muitos experimentos comprovam que os bebês mantidos mais tempo nos braços se tornaram mais alertas e desenvolviam, anos depois, maiores aptidões cognitivas e estabilidade emocional.

Aquele abraço…

Pelas características de nossa espécie, somos totalmente dependentes de contato para sobreviver nos primeiros anos. (Na verdade, nos anos seguintes também). Quando saímos da barriga de nossa mãe uma série enorme de funções ainda não estão amadurecidas, o que vai acontecendo paulatinamente “aqui fora”. Sob esse aspecto podemos dizer que todos nascemos prematuros. Um recém-nascido não sobrevive sem um outro ser para acolhê-lo ( à exceção lendária de Rômulo e Remo e sua loba-mãe – dizem que por isso os italianos são tão estridentes e devotos de sua sagrada mama…).

Existem inumeráveis evidências que as experiências das primeiras fases de vida estruturam uma memória corporal, que passa a dar forma e direção ao funcionamento do organismo. As primeiras vivências da criança – e suas marcas prazerosas ou ameaçadoras – registram-se em seu funcionamento energético; são “matrizes” a partir das quais as demais experiências irão se sobrepor. A qualidade do abraço na primeira infância determinará se a pessoa sente prazer em ser abraçada atualmente, ou se isto a incomoda e portanto evita este contato. Muito da segurança que sentimos ou não, hoje, tem origem na maneira como fomos seguros na infância. A brincadeira de se jogar bebês para o alto, a fim de se obter um sorriso nervoso pode originar ansiedades de queda que apresentamos hoje em dia.

A mão firme e afetuosa do pai ao caminhar com o filho permite à criança se largar na observação do mundo, instaura confiança e vínculo. O contato corporal, o carinho gostoso e o cafuné afetivo relaxam o ser, alimentam a auto-estima, abrem as portas para prazer sensorial e para o amor. A prática da Shantala, a massagem de bebês de origem indiana, é uma bálsamo para quem a recebe. Crianças assim massageadas são mais calmas e tranqüilas e desenvolvem uma capacidade de contato muito maior que as que foram pouco tocadas. Pegar, tocar, acariciar as crianças é maravilhoso para elas e, muitas vezes, tremendamente terapêutico para seus pais. É

impressionante a plasticidade do ser humano, moldando-se e adaptando-se para permanecer vivo. Mas mais impressionante é o fato que, apesar das distorções que nos impomos para sobreviver, (como quase deixar de respirar, por medo, por exemplo), podemos ser “recuperados” em nosso funcionamento natural, através da “revivência” de contatos plenos, carregados de afeto.

As mensageiras do coração

“Tocamos o céu quando colocamos nossa mão num ser humano”. Novalis As mãos são as partes de nosso corpo que mais se ligam ao significado amplo do tocar. São elas as que frequentemente realizam a experiência do contato. E tocar é também ligar, ajudar, orientar. O significado das mãos para o ser humano é imenso. Para muitos antropólogos evoluímos a partir delas: a presença do dedo opositor – polegar – nos possibilitou movimentos finos através da ação de pinça e com isso a ampliação de nossa capacidade de manuseio e manufatura de utensílios e instrumentos.

Mãos estão ligadas ao fazer, ao dar e receber, ao auto-erotismo – tão fundamental na constituição sadia de nossa auto-estima. Elas são agentes do nosso amor, realizando as intenções do coração ao trazer para perto do peito o ser querido; e também da nossa defesa instintiva. Exteriorizam nossa agressividade e concretizam nosso sonhos. São elas que dirigimos aos lugares de nosso corpo que doem ou que se lastimam. É através das mãos que emitimos mais energia do nosso ser. Todas as culturas registram práticas de cura com elas.

Relatos de impostação de mãos permeiam textos tradicionais e sagrados. Nas narrativas de milagres, o toque da mão é o gesto símbolo. E a paz se estabelece com o aperto de mãos. (Pare o texto agora e observe um pouco suas mãos. Veja as diferenças entre elas. Perceba as qualidades, os conteúdos e histórias que cada uma traz em sua forma e energia… Não precisamos aprender com os ciganos a ler as mãos. Todos sabemos; é só olhar e deixar despertar a sensibilidade.).

Mãessagem

Mão é feminino, contato materno, colo, banho, carinho. A mão – mesmo a masculina – na sua função de ajuda, tem que guardar esta memória funcional/afetiva. O toque traz, em si, a mensagem verdadeira e direta que centenas de palavras não conseguirão expressar. Desenvolver, deixar desabrochar esta qualidade de teor tão feminino, é absolutamente fundamental.

Ao tocar o corpo de alguém, no âmbito da Relação de Ajuda, estamos remetendo – e indo junto também – aos primórdios de nossos tempos, mexendo com as memórias profundas que todo corpo guarda. Aí residem nossos sentimentos e emoções, nossos medos e prazeres mais remotos. A esse contato especial, abre-se a receptividade, baixam-se as defesas, e o feto, o bebê, a criança aparecem e se expressam novamente. A mão/mãe refaz seu trajeto. Aí é possível recuidar, reparar e, muitas vezes, renascer.

Mesmo num toque firme e profundo, que vise desatar um nódulo muscular ou abrandar uma couraça profunda, a afetividade do toque deve estar presente. E ela é sentida, apesar e através da dor. No meu entender, o sentimento que um toque expressa, no mágico trabalho da Massagem, é muito mais importante, no meu entender, que o domínio da técnica, do que a precisão da localização de um ponto ou de um músculo. Não menosprezo o conhecimento teórico nem a habilidade técnica, mas com certeza a presença afetiva e o compartilhar emoções que brotam pela via delicada do contato com mãos amorosas é algo que regenera dores profundas, de todas as épocas. “Quando você chegar a ser sensivelmente tocado, a venda cairá de seus olhos, e com os olhos penetrantes do amor você discernirá o que os seus outros olhos jamais viram”. Fenelon (1651/1715)

Uma arte da ajuda

Por essas constatações e vivências chego a reflexões sobre este ofício tão lindo e profundo que é tocar pessoas numa Relação de Ajuda. Na minha opinião, a importância da Massagem ainda não está devidamente dimensionada no contexto das práticas terapêuticas. (Muitas vezes, nem pelas próprias pessoas que a praticam).

Reich introduziu e valorizou seu uso no contexto psicoterapêutico, mas sinto que ela ainda ocupa um lugar subalterno neste campo. Apesar de Lowen ressaltar frequentemente a importância do trabalho corporal na psicoterapia, constato que sua utilização ainda é vista como somente acessória. E mesmo o atendimento pela Massagem, no universo das Terapias Corporais, ainda é colocado num campo, digamos, secundário. Esta hierarquização não condiz com o que vivi e vejo acontecer na prática clínica.

Dignifico cada vez mais esta prática, ainda mais dentro deste tempo narcísico e cada vez mais sem contato que vivemos, onde as relações crescentemente acontecem intermediadas por máquinas e aparatos eletrônicos, onde grades cercam jardins e gentes, onde a competição é exaltada como um valor maior e a violência cultuada e incentivada desde a mais tenra idade. Além de toda a importância terapêutica que já falamos, restaurando um funcionamento mais natural na pessoa, identifico no trabalho da Massagem Terapêutica, dentro do contexto social que vivemos, uma série extra de atributos: o restabelecimento e valorização do contato corporal, consigo e com o outro; a ampliação da referência humana nos sentimentos e emoções, a vinculação solidária com o semelhante e a restauração da capacidade de contatar com o outro de maneira mais livre, simples e profunda.

O artesanato da ajuda, onde o auscultar, o tocar e o sentir o outro tem tanta importância quanto um exame laboratorial, precisa ser recolocado no seu devido patamar de importância. A relação humana direta e solidária, sentimentalizada, emocionalizada, tocada, é profundamente terapêutica, insubstituível. A Massagem é uma expressão privilegiada desta arte. A todos que querem trabalhar com Relação de Ajuda, quero oferecer o testemunho de minha experiência neste belíssimo ofício: tocar em gente é fundamental, é transformador, é profundo, é inteligente. Experimente!

Ralph Viana

*   *   *

PUBLICADO PELO BLOG SHIATSU EMOCIONAL COM AUTORIZAÇÃO DO JORNAL BEM ESTAR
Agenda: Cursos Eventos etc.

Curso básico de Shiatsu Emocional em SP – novembro e dezembro

O Shiatsu Emocional é uma modalidade de terapia com raiz no Shiatsu e muitas de suas variações, e na Psicoterapia Corporal. É ensinado através da comparação direta entre variados estilos de Shiatsu, como o Tantsu, Ohashiatsu e Zen Shiatsu, Koho, entre outros, e com contribuições da psicologia e das massagens psicossomáticas inspiradas por Reich.

Teremos nossa última turma de nível básico do Shiatsu Emocional para o ano em São Paulo. Temos condições especiais para os alunos nesta edição, tanto na forma de pagamento como em relação a dias e horários.

As aulas ocorrerão em domingos alternados, de 9 as 18H, e totalizam :

7 de novembro
21 de novembro
5 de dezembro
19 de dezembro.

Valor: R$900,00 em até 4x ou pagar com desconto R$750,00 em até 2x.

O valor inclui:

– Kit Aluno com manual do aluno, CD ilustrativo com centenas de informações, artigos etc, músicas e apostila;

– Certificado de Praticante de Shiatsu;

– Participação perene em nosso grupo de estudos via internet;

Além de possibilidade de participação voluntária no Centro de Estudos do Shiatsu Emocional, que realiza estudos e práticas de atendimento na própria Cítara Saúde.

A turma é reduzida, e portanto a garantia de vaga é por ordem de inscrições, mesmo fazendo parte da lista de espera. O local do curso é o espaço Cítara Saúde, www.citarasaude.com.br, na Vila Madalena, onde podemos aprender com todo o conforto.

As inscrições deverão ser efetuadas através da Cítara Saúde, no local, por telefone ou e-mail:

Clínica Cítara Saúde

R. Padre João Gonçalves, 129- Vl. Madalena- São Paulo/SP

Fone:  11 3814-0700

E-mail: citara@citarasaude.com.br

Site: www.citarasaude.com.br

Maiores informações sobre o Shiatsu Emocional e o curso
em: www.shiatsuemocional.com.br e shiatsuemocional.wordpress.com

Professor:
Arnaldo V. Carvalho – Praticante de shiatsu há 16 anos. Terapeuta corporal e naturopata.
www.arnaldovcarvalho.com
arnaldovcarvalho.wordpress.com

Programa do Curso Básico (Praticante de Shiatsu):
Origem e evolução do Shiatsu; Comprovações Científicas;
O equilíbrio através do toque; O toque Shiatsu;
O estilo Shiatsu Emocional; Os preceitos do Shiatsu emocional; Introdução à Medicina Tradicional Chinesa – Histórico, o Tao, os 12 Meridianos e suas funções emocionais; Tratamento dos principais desequilíbrios emocionais através do Shiatsu; exercícios e práticas diversas.

A cada ano, o sistema amadurece, cresce, e se torna ainda melhor. A idéia de nossa escola não é ser um sistema fechado.
Notícias

Espaço Terapêutico Renatha Shen cita técnicas diferenciadas de Shiatsu

Em texto sobre Shiatsu (clique aqui para ler na íntegra), Renatha Shen aponta em seu blog para diferentes modalidades de Shiatsu, e cita o Shiatsu Emocional como um deles. Aos poucos, mesmo os profissionais que ainda não fazem parte da Família Shiatsu Emocional vão reconhecendo sua importância no panorama geral do Shiatsu.

Renatha tem como uma de suas propostas de trabalho a Massagem Integrativa, que pelo que se pode entender, utiliza manobras de massagem clássica sob á ótica das teorias de Wilhelm Reich, o que torna a mesma aparentada ao Shiatsu Emocional.

Quem quiser conhecer, vale acessar o blog do Espaço Terapêutico Renatha Shen, em http://etrs-terapias.blogspot.com/

*   *   *