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O Shiatsu e a cultura espiritual japonesa – Parte 2

Na postagem anterior destacamos o papel da cultura espiritual japonesa na preservação de costumes e tradições que se observam de muito tempo aos dias de hoje no cotidiano japonês, e perpassam a prática do Shiatsu. Cumpre apresentar a partir de agora aspectos que não poderão escapar da citação às correntes religiosas de maior influência no Japão – o Xintoísmo (1), religião oficial do Japão, e Budismo, e também as ideias revisitadas por religiões novas mas bem estabelecidas, como a Igreja Messiânica e o Seicho-no-ie.

Assim, quando necessário as mencionaremos com uma apresentação muito breve sobre aquilo que relaciona o texto a um dado costume ou tradição de uma dessas religiões.

Japanese Baths

O Shiatsu e a cultura espiritual japonesa – Parte 2

Por Arnaldo V. Carvalho*

 

Limpeza energética

Image result for misogi-shuhoÉ próprio do Xintoísmo e da cultura tradicional japonesa como um todo, a reverência à natureza e seus fenômenos. Desse modo, o vento, as tempestades, eclipses, a noite, a lua e o luar, o mar, e também a flora e a fauna permeiam a música, as artes plásticas e cênicas. O enredo típico, em tais artes, se faz pela simples alusão, descrição e adjetivação do elemento natural em foco, não tendo a aparente necessidade ocidental de colocar o ser humano no protagonismo das obras.

Para o xintoísmo, a natureza é pura, e todos os seus elementos em sua forma mais pura (Kamis) são entidades divinas – facetas do Absoluto. Assim, o ser humano deve buscar sua pureza, para se aproximar de sua condição divina essencial.

Imagem de um sentô (casa de banho, 1901)

Essa maneira de enxergar a vida torna os japoneses devotos da limpeza do corpo e da alma, e por lá os banhos tradicionais tem uma conotação para além da simples higiene da pele.

O furô (banheira) torna-se ofurô(2), e os ritos como o Misogi-shuho (banho ritual) estão entre os mais importantes Harae (rituais de purificação xintoístas). A cultura da limpeza  no Japão faz com que sapatos não entrem nas casas, o lavar de mãos mesmo antes de entrar em certos ambientes seja corriqueiro; O popular Shiatsu “de rua”, feito em cadeiras em shoppings e aeroportos é oferecido sempre com um tecido limpo intermediando as mãos do terapeuta e cliente; E nos consultórios, o ambiente limpo, e a roupagem adequada são costumes atrelados a essa noção intrínseca. A higiene é uma prioridade no dia a dia das pessoas, independente de qualquer devoção, e de que atividade for prestada.

Uma pessoa limpa é uma pessoa reta, uma pessoa moralmente forte.

Em tudo o que se faz, carrega-se essa forte noção, e assim deve ser com o Shiatsu quando alcança o esplendor de sua potencialidade.

O Shiatsu limpa a energia, renova-a, aproxima da retidão. Este caráter se verifica tanto na disciplina necessária em seu aprendizado, como a concentração e foco empregados em sua prática.

Quando fazemos Shiatsu, praticamos um ritual de limpeza energética. Estamos em busca de limpar o leito dos rios internos (meridianos) para que a água (energia, ki) corra livre por ele. Estamos em busca da liberação somato-psíquica que torna o ser fluido, puro, mais próximo de seu estado naturalmente sábio.

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***

 

*Arnaldo V. Carvalho pratica Shiatsu desde 1993 e o ensina desde 1999. Dedica-se há mais de uma décadas a compreender as origens desta prática para além dos livros. É membro fundador da Associação Brasileira de Shiatsu – ABRASHI, autor do livro Shiatsu Emocional e de dezenas de artigos sobre o tema.

NOTAS:

(1) No Xintoísmo, reúnem-se as crenças espirituais mais antigas do Japão, em uma só organização. Seu nome é uma modernização do que seria Shen Tao para os chineses, ou seja, “Caminho Espiritual”. Shen tornou-se Xin, Tao, tornou-se To ou Do. Assim que a trilha do caminho espiritual, ou o professar da espiritualidade é tratada simplesmente dessa forma, Shintô.

(2) “O” (お) é um prefixo que indica exaltação, respeito, reverência. Quando se opta por dizer “furo”, refere-se a “uma banheira qualquer”. Já “ofuro” denota que é um banho particularmente voltado ao relaxamento, renovação, purificação.

Leia o ensaio completo:

Leia também:

https://japaocaminhosessenciais.wordpress.com/2014/11/06/a-espiritualidade-japonesa-e-seus-tesouros/

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Múltiplas origens, abordagem personalizada… Por que há vários tipos (e cursos!) de Shiatsu?

Razões para muitos Shiatsus

Das múltiplas origens à filosofia por trás da terapia, há muito a considerar quando se refere ao Shiatsu, seus estilos, escolas, semelhanças e diferenças

Por Arnaldo V. Carvalho

 

Já escrevi artigos anteriores demonstrando origens, comentando estilos de Shiatsu, remetendo a tradição, às imigrações (é de minha autoria a maior parte do texto explicativo que figura na Wikipedia e relata o fenômeno), etc. Neste pequeno escrito, contudo, faço uma análise histórica, pontual e complementar das razões pelas quais o Shiatsu é, desde o princípio, na verdade uma família de terapias, não uma terapia única. Essas terapias eram versões mais ou menos sofisticadas dependendo do grupo social a qual elas serviam, mas que acabaram se fundindo no grande gargalo cultural provocado pela ocidentalização acelerada do país, com o início do período Meiji (1867-1912).

Para compreendermos o que e como isso aconteceu, vamos precisar viajar em um período antes do mais impactante rompimento do Japão consigo mesmo. Antes de 1867, quando o último Xogum deixa de controlar o país, e o príncipe Mutsuhito, com apenas 14 anos, assumiria. Ali iniciou-se uma nova era na, que em poucas décadas fez o país do sol nascente sair da condição de última região feudal do planeta (uma curiosa ditadura feudal, diga-se de passagem), para uma das potências industrializadas da virada do século – a primeira do Oriente!

No momento anterior a esse, o Japão encontrava-se semi-fechado ao exterior por um período  de quase duzentos anos. Grande incentivo à continuidade das tradições, ao rechaçamento de tudo o que pudesse vir de outras culturas. O fenômeno trouxe estagnação em diversos setores da sociedade, mas também grande aprofundamento e originalidade em outros. Além disso, enraizou profundamente as diretrizes morais do país – muitas das quais persistem mesmo até hoje.

A sociedade era organizada por clãs patriarcais,  que espalhavam seus filhos entre os mais diversos papeis sociais. Burocratas, guerreiros, artesãos, camponeses, monges, os variados papeis sociais se faziam de acordo com a posição em um clã, e de acordo com a posição do clã frente aos demais, e fundamentalmente, ao imperador. Honrar o nome do clã, afinal, só podia ser menor que honrar o próprio Imperador, que nessa época era um pássaro em gaiola de ouro: seu império era controlado pela figura máxima militar, o Xogum.

Os grupos sociais estabelecidos pelo sistema não se restringiam a uma atividade, mas a um modo de vida e acesso a informação diferenciados. Por isso mesmo, a cultura de saúde e cura de um monge não equivalia, necessariamente, a de um samurai – embora houvesse intensa comunicação entre todos os grupos.

Com o fim do Xogunato, o sistema mudou rapidamente, e tais grupos passaram por profundas transformações. Alguns desapareceram – como os samurais -, outros foram reestruturados para se adaptarem a um novo modelo de Japão, agora industrial. Mas tais mudanças não ocorreram sem que cada um deixasse um legado, e no que se refere à cultura de cura através do toque, podemos afirmar que muitos deles influenciaram na terapia que hoje conhecemos como Shiatsu. Aliás, mais do que isso: os frutos desses antigos grupos sociais por vezes, em diferentes épocas e por razões próprias, adotaram o nome “Shiatsu” para práticas aproximadas, mas com marcadas distinções. Essa, inclusive é um dos importantes motivos pelos quais o Shiatsu segue em sua multiplicidade de formas e, quando da ignorância de tal pluralidade, gera tanta divergência entre seus praticantes.

Abaixo, citaremos os principais ramos da sociedade que passaram a chamar suas técnicas – baseadas sempre na ideia de pressão com ritmo – de Shiatsu, e como elas aportaram para o Brasil, influenciando até hoje os profissionais do Brasil (sem que eles saibam!).

O Shiatsu Monástico

Engrenagem bem definida no sistema feudal japonês, o pensamento mágico (ou sistema de crenças) vigente permitia livre trânsito a monges oriundos das tradições xintoístas ou dos saberes budistas. Podendo buscar o conhecimento através de viagens ao continente, ouvir as tradições antigas, e ainda, formular, escrever, experienciar, e fazer contato desde  com os que viviam da terra, até com os habitantes de palácios e castelos, os monges se destacaram profundamente nas artes médicas. Detentores do conhecimento acerca da vida e da morte, e portanto da doença e da saúde, foram eles os maiores agentes na disseminação de tais saberes e seus cuidados com o corpo-mente.

Nas raízes da religião organizada no Japão (por volta do século VI, os monges já possuiam uma escola de sete anos para as artes de cura. No terceiro ano, porém, recebiam um certificado de “primeira especialização”, onde alguns se tornavam Anmashi (terapeutas de massagem), e outros, Jugonshi (rezadores). Os anmashi refinaram suas técnicas por quase dez séculos, e seu encontro com a medicina ocidental sem dúvida suscitou o modelo que levaria ao Shiatsu. Seguem porém, atuando com modelos integrados de terapia, onde o Shiatsu e o Anma são parte de um todo maior.

https://i0.wp.com/eishoji.com.br/wp-content/uploads/2012/03/tokuda1.jpgO Zen Budismo atual segue promovendo o estudo de diversas terapias, incluindo o Shiatsu. Em nosso país, talvez a figura mais representativa seja a do Monge Tokuda Igarashi (1938-), que desde os anos 60 aplica e ensina o Shiatsu e outras artes de cura.

O Shiatsu Camponês

Antes mesmo dos monges, porém, já havia uma medicina popular, práticas camponesas para a manutenção da saúde de um corpo castigado pela vida agrária. Os campos de arroz, principal fonte de alimentação, requeriam temporadas inteiras com os aldeões com os pés nos charcos, curvados a colher o cereal por muitas horas diárias. Pode-se imaginar costas doloridas, especialmente quando a juventude inicia seu declínio.

Os campesinos precisavam se ajudar, uns aos outros. Precisavam de algo rápido, que conseguisse dissipar a tensão e aliviar suas dores. Nos campos de arroz, praticou-se um shiatsu agrário, rudimentar, baseado nas pressões contínuas sobre os pontos dolorosos, sobretudo na coluna.

Esse é o principal ramo do Shiatsu que chegou ao Brasil originalmente, e faz parte da própria cultura japonesa que persiste nas antigas colônias, sobretudo nas mais significativas, como as de São Paulo e Paraná. Seu conhecimento segue sendo passado de pai para filho. O Shiatsu camponês, preservado no Brasil, não faz parte dos ramos de Shiatsu mais conhecidos, como os da escola Namikoshi ou Masunaga. Estão na raiz, e seu modo de fazer e sua história desaparecem pouco a pouco (mas em alta velocidade), a medida que a comunidade nipônica no país incorpora novos valores e perde sua antiga identidade. Atentamos para ausência total de estudos, o que cria a urgência do surgimento de pesquisas dessa importante fonte histórica e cultural japonesa.

O Shiatsu Samurai

O Bushido, caminho dos guerreiros samurais, alinhava fortemente o ideal budista de desprendimento,  a disciplina marcial e o desejo de purificação do Xintoísmo. Para um verdadeiro Samurai, o desenvolvimento espiritual através da meditação e da arte da espada era uma regra e uma meta.

Os samurais eram treinados para lutar, mas precisavam conhecer as artes da cura para cuidarem-se uns aos outros, nos treinos e nas campanhas militares.

A arte da cura através da manipulação energética os atraia, e eles podiam conhecer ainda muitas ervas medicinais complementares. Seus efeitos em eliminar o cansaço, a dor, aumentar a concentração, e mesmo simular a morte* eram especialmente úteis, sendo o tratamento com técnicas manuais um instrumental praticamente indispensável.

O período Meiji também decretou o fim do antigo modo de vida Samurai. Seus conhecimentos em luta corporal foram adaptadas para as novas artes marciais, e nesse tempo surgiram muitas modalidades que hoje são conhecidas em todo o mundo: jiu-jitsu, karatê, judô, aikidô. Mas algumas escolas preferiram manter portas fechadas, e se manterem na transmissão direta pai-filho, ou mestre-discípulo. Não se tornaram esportes, procuraram manter vivos o antigo modo de manter integrado a filosofia com as artes de danar (luta) e curar. E dentro da arte de curar, o Shiatsu.

Algumas artes marciais atuais, inclusive, dedicam treinamentos específicos e avançados a aprendizagem do Shiatsu e da Moxabustão, por exemplo. Quanto mais essa arte marcial é fiel à raízes seculares, mais intenso é o incentivo a aprendizagem do Shiatsu. Um bom exemplo disso é a arte marcial Hakkoryo, que se manteve fechada por um clã até o fim da II Guerra, e só atualmente começou a disseminar-se pelo planeta. Para o Hakkoryu, o Shiatsu é parte indissociável de sua técnica.

Alguns dos mais antigos terapeutas de Shiatsu profissional que passaram a atender ocidentais no Brasil eram professores de artes marciais, em especial, Karatekas.

O Shiatsu Médico-Aristocrático

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Os nobres serviram-se, desde o século VII da medicina budista, que havia sido instituída como a principal fonte desse saber. Portanto, a figura do “médico” era normalmente relacionada ao monge especialista, que cuidava da aristocracia japonesa da época.

Mas a situação mudou, e no século XV já haviam os terapeutas não monges. Um exemplo famoso é o do acupunturista Waichi Sugiyama, que abandonou seu título de Samurai para dedicar-se integralmente a arte da Acupuntura (caracterizada não só pelo uso de agulhas, mas também de moxabustão e massagens).

Com acesso a medicina ocidental (holandesa), à chinesa e a sua própria forma de medicina, os japoneses começaram a formular um padrão completamente novo na forma de tratar, padrão esse que seria orquestrado por médicos e separaria o campo das massagens dos demais saberes e técnicas.

Mas essa “nova medicina” particionada não fora compactuada por todos. Muitos médicos tradicionais, sem diplomas, jamais adaptaram-se, e seguiram tratando, e ensinando aos seus filhos o que sabiam sobre a arte de curar.

A clara divisão entre formal e informal, legal e tradicional abriria uma fenda para dois caminhos distintos pelos quais o Shiatsu avançaria: o tradicional, oriundo de toda a cultura atrelada aos grupos citados até aqui, e um shiatsu técnico, que incorporava não somente os paradigmas ocidentais da anatomia e fisiologia, mas nas estrelinha, o repúdio aos conhecimentos originários da China.

 

O Shiatsu Técnico

Fruto da nova concepção de estado no Japão disso é o ensino técnico do an-ma* no século XIX e posteriormente do Shiatsu, já no século XX.

Quando os poderes do imperador são restituídos, e o Japão entra na Era Meiji, as mudanças sociais alcançam todas as classes, e o conceito de que todo cidadão deve produzir – oriundo de uma nova mentalidade, a industrial – leva ao governo a pensar no papel dos semi-inválidos. Escolas de massagem, ao modelo ocidental são criadas para os cegos.

Nessa mesma época, é interessante notar que o Japão adota maciçamente um modelo de educação padronizado (também ao estilo ocidental), focado na alfabetização de jovens, e que os centros de formação de médicos que existiam na Era Tokugawa (o último Xogum) foi substituído por Meiji por escolas de medicina baseada no modelo Alemão – o que forçaria a um movimento marginal da medicina tradicional, que agora passava a ser apenas transmitido de pai para filho, sem reconhecimento ou amparo legal.

O ensino técnico do An-ma permitiu uma formalização que deflagaria a forma com que o Shiatsu passaria a ser oficialmente ensinado. Ambas as terapias avançaram lentamente até o fim da II Guerra Mundial, quando após uma supressão de alguns anos, recebeu notável investimento e reconhecimento governamental, fazendo até hoje parte do sistema de saúde japonês. O Shiatsu técnico, porém, não foi capaz de eliminar as técnicas tradicionais.

Como já vimos, o Shiatsu, chamado ou não desse modo, seguiu por todo o século, alheio aos acontecimentos no país e no mundo, acontecendo entre monges, camponeses, nas famílias dos antigos médicos tradicionais, e nas artes marciais.

Aqui cabe insistir que não é um nome que caracteriza uma técnica. Pode-se reconhecer o Shiatsu e sua essência acontecendo em terapias tradicionais do oriente, e mesmo em tratamentos caseiros, dentro das famílias de origem oriental, recebendo por vezes outros nomes, ou nome nenhum.

Com ou sem Filosofia

Fora dos cursos técnicos, o Shiatsu permanece vinculado à uma filosofia inspirada nos valores espirituais cristalizados na sociedade no período anterior, e cujo vocabulário comum pode nos ajudar a formular os processos de pensamento a esse shiatsu atrelados: disciplina, retidão, fazer bem feito, purificar, energia da vida, contemplação, mente calma, meditação, transmissão, profundidade com simplicidade, conexão, espírito, e finalmente, Dô (caminho).

Os cursos técnicos desde sua origem respiram outra “vibe”: anatomia, impessoalidade, protocolo.

Esses dois troncos do Shiatsu se desenvolveram e seguem co-existindo. O primeiro segue mais  informal, semi-escondido, porém largamente procurado e respeitado fora do Japão. O outro é o Shiatsu mais conhecido pelos próprios japoneses. Ele está fora do seio familiar, do sistema de clãs ou dos monastérios. É o Shiatsu das clínicas e hospitais, o que tem o certificado fornecido pelo governo para o exercício profissional.

Em comum, “os shiatsus” dessas diferentes fontes tem o método manual: pressionar pontos, com dado ritmo e intensidade, ao longo do corpo. O que diferente se observa entre esses dois troncos é que a presença do contexto filosófico transforma uma técnica terapêutica em um Dô, um caminho para o desenvolvimento pessoal e espiritual.

É interessante observarmos que o “Shiatsu com filosofia” supere o técnico fora do Japão. Ele é uma das formas dos chamados orientalistas sentirem-se mais próximos de uma fonte genuína de sabedoria. À essa característica se deve o sucesso do Shiatsu da escola japonesa Yokai, conhecida em todo o mundo como “Zen Shiatsu”, e ao “Shiatsu Macrobiótico”, conhecido no Brasil como “Shiatsu dos Pés Descalços”.

Talvez o Shiatsu para o leitor seja apenas uma profissão técnica. Ou talvez você que me lê possa considerar que ele ultrapassa o ponto de vista profissional. Seja como for, seja que escola você fizer, há duas escolhas a seguir.

 

 

* Tais recursos eram explorados por diversos tipos de guerreiros da época, incluindo os ninjas, ronins e samurais.

* Monge Tokuda nos anos 80 e 90 fundou templos (respectivamente em Ibiraçú, Belo Horizonte, Ouro Preto, Lavras Novas, Brasília, e Pirenópolis), e ministrou diversos cursos ligados às terapias tradicionais japonesas, incluindo o Shiatsu.

* Anma é a antiga prática de massagem japonesa. Seu nome deriva do termo chinês an-mo (que por sua vez daria origem a massagem chinesa tuiná), mas possui características distintas, incluindo técnicas não utilizadas no an-mo.

Arnaldo V. Carvalho pratica Shiatsu há mais de vinte anos. Membro da Associação Brasileira de Shiatsu (ABRASHI), dedica-se ao estudo da história do Shiatsu, com projeto relacionado a memória da terapia em andamento.

Agenda: Cursos Eventos etc.

Instituto Ortobio leva o Shiatsu Emocional de volta a cidade de Niterói, RJ

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DIAS E HORÁRIOS: DIAS 15, 16, 29 e 30 de junho – De 9 as 18H

O curso de Shiatsu Emocional terá uma edição única em Niterói através da partceria entre AESHI – Escola de Shiatsu e o Instituto Ortobio, pioneiro nas terapias e divulgação de uma qualidade de vida diferenciada.

Acontecendo em dois finais de semana, o curso pretende compartilhar conhecimentos sólidos e muito especiais, desenvolvidos a partir dos fundamentos de vários estilos diferentes de Shiatsu em combinação com ideias da psicoterapia corporal, em especial a linha de trabalho de Wilhelm Reich.

(o conteúdo completo pode ser conhecido através do site www.shiatsuemocional.com.br)

Características gerais
* O curso é aberto a todos: leigos e profissionais de saúde, com ou sem experiência em terapias manuais, orientais, etc.

– Profissionais de Shiatsu, MTC, de terapias manuais e outros profissionais de saúde se surpreenderão sobre o quanto esse curso tem a contribuir;

– Os iniciantes conseguirão acompanhar bem, e sair do curso fazendo uma sessão segura, completa e eficaz de Shiatsu;

* Alguns Diferenciais:

– Os alunos ganham acesso a grupo de estudos orientado permanente via Internet;

– CARGA HORÁRIA: 60H (32 presencial mais 28H estudo complementar a distancia obrigatório);

– Quatro dias de aula intensiva (quinta a domingo de 9H as 18H), com paradas para almoço e coffee break;

– Parcelável de acordo com as possibilidades do aluno;

– O curso abre as portas para os treinamentos intermediários e avançados em Shiatsu e Shiatsu Emocional.

– Apostila completa + CD ROM riquíssimo em informações complementares incluído

O curso de Shiatsu Emocional oferece uma base forte de Shiatsu associado aos conhecimentos da psicossomática e da terapia reichiana, com técnicas exclusivas. O Shiatsu Emocional, no entanto, é uma modalidade terapeutica particular, com personalidade bastante própria – SAIBA MAIS através do site www.shiatsuemocional.com.br e do blog shiatsuemocional.wordpress.com.

O professor é Arnaldo V. Carvalho – RJ

Terapeuta corporal e naturopata, autor do livro “Shiatsu emocional”, é membro da ABRASHI – Associação Brasileira de Shiatsu; pratica Shiatsu há 18 anos e já ministrou cursos em dezenas de cidades e diversos países de quatro continentes.

INSCRIÇÕES E MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O CURSO NO INSTITUTO ORTOBIO:
http://www.ortobio.com.br/
Rua Miguel de Frias, 40/504 Icaraí – Niterói – RJ
CEP 24220-002
Telefones: (21) 2717-9117 e 2621-6498
Fax: (21) 2625-8368

Última chamada... restam apenas DUAS vagas para o Shiatsu Emocional em Niterói! E o curso em edição especial ainda pode te dar um final de semana na serra grátis!!!

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Shiatsu Tradicional… Existe?

Shiatsu Tradicional… Existe?

O conceito de “tradicional” para o Shiatsu é duvidoso e em geral mal empregado

Por Arnaldo V. Carvalho*

O termo “Shiatsu Tradicional” é visto frequentemente como designação de um Shiatsu “mais puro”, “mais oriental”, ou quem sabe até mais sério e/ou profundo. Alguns interessados ou curiosos com a técnica possivelmente imaginam que é exatamente isso, a ponto até de haver procura por cursos ou tratamentos “Shiatsu tradicional”. Mas o que de fato será o Shiatsu tradicional? Uma modalidade específica? Tradição remete a algo antigo, que se reproduz continuamente, da mesma forma, e por longo tempo… quem sabe até algo tão antigo quanto a cultura milenar que sobrevive no Oriente! Haverá assim um Shiatsu Tradicional, imutável e sendo transmitido por gerações?

A resposta imediata é “não”. Shiatsu é fruto de um movimento que não se encerra nunca, pois trata da relação do ser humano com seu próprio corpo. A medida que o grupo social de onde se origina o Shiatsu evolui, também o Shiatsu evolui. A medida que o Shiatsu passa a ser praticado por diferentes culturas, também modifica-se o Shiatsu. Ao passo da percepção individual, o Shiatsu não pode permanecer o mesmo: cada um possui uma relação com o próprio corpo (símbolo do “Eu”) e com o corpo vizinho (símbolo do “outro”). Essa relação é estabelecida de pessoa para pessoa, e influenciada pela formação da personalidade e seus traços, pela educação, cultura…

É claro, pode-se dizer que, se o Shiatsu não é reproduzido fielmente por muito tempo, ao menos ele pega emprestado e mistura a cultura tradicional japonesa a suas recém-importadas tecnologias. Assim como a antiga massagem An-ma1 é elementar na criação do Shiatsu, costumes japoneses tradicionais, que incluem a filosofia, a maneira de vestir, a distância e formalidade entre os praticantes, também. Finalmente, coube ao Shiatsu utilizar de forma inédita os saberes anatômicos, fisiológicos da arte de curar ocidental, além de incorporar pensamentos e ações inerentes a quiroprática e osteopatia.

Para ilustrar a questão de modo mais preciso, vamos lembrar alguns dos fatos que participam da trajetória do Shiatsu, sua origem e desenvolvimento.

O Shiatsu começa a tomar a forma que conhecemos hoje entre no intervalo de tempo do chamado Grandioso Império Japonês, da Restauração Meiji (1868) até a derrota japonesa na II Guerra Mundial (1945). Foi quando a cultura japonesa passou por uma transição brusca, deixando para trás a secular estrutura do xogunato, uma ditadura militar e feudal, isolada do restante do mundo, para a chamada Era Meiji, onde o país experimentou um rápido processo de modernização e crescimento econômico. Em poucos anos, o Japão passou de uma cultura familiar para uma cultura industrial, de tradição espontânea e ensino discipular para ensino sistemático, ocidentalizado. Esse momento mudaria rápida e radicalmente a forma do Japão ver e ser visto por si mesmo e por todo o globo, e culminaria de forma tão contundente que ainda hoje há muito a ser assimilado, percebido, aceito por aquela nação em relação ao ocorrido naquele período.

Para se ter uma ideia da efervescência do momento, temos, além do Shiatsu, o nascimento de diversas técnicas e práticas corporais, terapêuticas, espirituais e sociais (pilares fundamentais do Shiatsu) que permaneceriam fortemente estruturados até os dias de hoje. Nessa época personagens místicos que se tornariam referencias japonesas nas artes de cura e espiritualidade atuais. Em 1865 Mikao Usui (Reiki) nasce; Tokuharu Miki (Perfect Liberty) em 1871. Meishu-sama (Igreja Messiânica) nasce em 1882. Masaharu Taniguchi (Seisho-no-ie) em 1893; Nas artes marciais, também se viu surgir aí o judô, o aikido e o karatê moderno. Tadashi Izawa, outro importante mestre da história do Shiatsu, é de 1895; Tokujiro Namikoshi, responsável pela institucionalização do Shiatsu e seu reconhecimento governamental nasce logo depois, em 1905, ainda na Era Meiji.

Sem dúvidas, o processo de industrialização e a ascensão do capitalismo no Japão a partir da Era Meiji e suas várias mudanças (abertura ao comércio internacional; a forma de se ensinar; o público-alvo dos cursos; o próprio surgimento de um Shiatsu ainda embrionário, em princípio sem nome, etc.) assinalam que na época de seu surgimento, o Shiatsu também participa da demarcação do território cultural japonês, agora desafiado pelas culturas ocidentais e sofrendo de uma manobra de estado que estimulava um sentimento anti-chinês – que culminaria ou que fôra incentivada – pelas guerras sino-japonesas que abrangeram todo o período do Império Japonês. Isso foi um passo importante na construção de uma técnica que fosse mais independente das teorias médicas do oriente continental, e ao mesmo tempo, na maior utilização das teorias médicas ocidentais.

Dentro desse contexto, sobram poucas dúvidas de que os os novos métodos de comunicação de massa, a decadência do sistema oral e discipular e sem dúvida, a reestruturação da educação – especialmente voltada a gerar sentido de unidade nacional – e sua consequente alfabetização contribuíram para que toda essa classe de novas entidades se enraizasse na sociedade japonesa em ritmo acelerado. As práticas de massagem também passaram pela roupagem do novo modelo de ensino, e o governo de então instituiu o ensino do An-ma para cegos, um momento antes do Shiatsu aparecer na história. O que há de tradicional nisso? O que há de “tradicional” em algo que em princípio foi criado e nunca ensinado “de pai para filho” ou de “mestre para discípulo” a moda original?

Shiatsu, transmissão e Brasil

Como muitos povos, os japoneses adotaram a massagem como forma de tratamento em seus diversos extratos sociais. Até por isso, ninguém é capaz de provar que o termo Shiatsu não era utilizado antes de Sensei Tamai Tempaku2 tê-lo escrito. Nem de dizer que ele não surge como parte da cultura corporal sempre em evolução do povo. Da cultura e da expressão popular. A prática da massagem é parte da demanda relacionada a labuta nos campos de arroz, reproduzida por gerações; Tal atividade dividirá lugar, a partir da revolução industrial iniciada no Império Japonês, com o trabalho operário. Esta nova forma de trabalho, executada de forma mecânica, sedentária e marcada por velocidade e grande volume produtivo começa a criar um novo tipo de indivíduo – e com ele, também novas dores e doenças. Cenário perfeito para o surgimento do Shiatsu em resposta a “nova medicina ocidental”, que infesta a velha cultura e cada vez mais requer uma praticidade, rapidez e eficiência que o a técnica buscaria oferecer preservando os paradigmas insulares.

Os relatos orais e os costumes tradicionais transmitidos entre os descendentes de japoneses no Brasil apontam para uma existência de cuidados corporais e familiares incorporado na cultura do povo por gerações, e portanto, tradicional. Enquanto fruto disso, o Shiatsu poderia ter uma “versão camponesa”, sendo apenas o “nome último” de uma velha prática corporal milenar.

Indícios de que isso pode realmente ter ocorrido encontram-se na concepção de movimento do próprio Shiatsu, e em especial, nas regras enrijecidas dos praticantes mais antigos: o uso exclusivo das mãos, as pressões e o encorajamento para que a pessoa “enxergue” as pessoas pelos dedos (ou seja, mais ao modo dos cegos – exatamente como os primeiros profissionais treinados em An-ma).

Esse jeito de trabalhar pode ser verificado nas manobras utilizadas pelos praticantes informais das colônias japonesas no Brasil, que aprenderam o Shiatsu dentro de casa com seus familiares, como parte de um sistema doméstico de saúde. Hoje a maior parte dessas pessoas já possui certa idade. Os jovens já tem menos chance de aprender com seus pais, e quando dão sorte e interessam-se, ainda encontram um avô para aprender e praticar. A postura do corpo do terapeuta comparada à imagem de uma pessoa agachada o dia inteiro a colher arroz num terreno encharcado já nos dá a noção do quanto o Shiatsu seria mais que uma técnica, mas um ponto dentro da infinita linha de desenvolvimento de toda uma cultura corporal.

É arriscado dizer, mas dado o nível de industrialização do Japão atual e sua mecanização no setor agrário, talvez tenhamos mais dessas práticas tradicionais nos campos do interior do Paraná, São Paulo e outros estados com grandes colônias japonesas do que no próprio Japão. A cultura transformada no país de origem acaba sendo até certo ponto preservada por aqui. (exemplo análogo é visto no Pomerano, dialeto alemão que só se fala no Brasil, tendo desaparecido na própria Alemanha).

Finalmente, em se tratando de algo que faz parte da cultura corporal de um povo, dizer que Shiatsu começou a partir de um texto escrito é correr o risco de uma afirmação equivocada. Até muito pouco tempo antes da Era Meiji, a sociedade era dividida entre a massa camponesa e uma outra minoritária, onde tal como no ocidente, ocupam-se de coordenar a ordem social, além do desenvolvimento e acúmulo de conhecimentos e tecnologias. Tal grupo minoritário era composto de nobres, monges, e samurais… ocupações célebres na sociedade japonesa, distantes do agrário, pobre e popular; e com acesso ao restrito mundo da escrita. À serviço dos ideais e da nobreza, foram os representantes do poder do Universo sobre o homem (monges) e da espada sobre a sociedade (samurais) – de grande influência na sistematização do conhecimento que dá origem as artes de cura (e da guerra) conhecidas até hoje (não é a toa que muitos mestres do Shiatsu utilizam roupas semelhantes às do Judô). Se houve, portanto, um “Shiatsu” escrito, se foi criada uma técnica dentro de uma escola de An-ma, essa destinou-se a um número limitado de uma camada específica da população. Aqui indagamos se teria havido “dois Shiatsus” coexistindo – um popular, camponês, tradicional; e outro, sistemático, industrial, moderno e… escrito. Se isso ocorre, é possível que a história que conhecemos propagada nos livros de Shiatsu possivelmente seja apenas a história de uma elite dentro do imenso universo desta terapia.

Shiatsu moderno e a prova final da falácia da tradição como cultura engessada

Se no século XIX o Japão transitou de país fechado para aberto com a característica de ir buscar fora o que precisasse para fazer o país despontar sob uma perspectiva materialista, agora, arrasado na segunda metade do XX ele passaria a receber as influências externas de maneira menos seletiva e opcional: após a rendição na II Guerra Mundial, o controle governamental passa em grande parte às mãos americanas, e entre outras políticas unilaterais, há por alguns anos a proibição das práticas de saúde tipicamente japonesas, inclusive do Shiatsu. Embora não se comente, sabemos que o Shiatsu que seria readmitido estava relacionado a um conjunto de fatores, entre eles o uso da racionalidade médica do ocidente.

A partir dos anos 60 do século XX, temos uma grande retomada do Japão conduzido por japoneses, não sem que a ocidentalização não tivesse criado fortes raízes; Essa época irá conduzir a uma nova revolução do próprio Shiatsu, com a ascenção de escolas por todo o globo, propagadas por japoneses que seguiam descompromissados com o “Shiatsu governamental” e emitindo conhecimentos derivados das antigas sabedorias. Talvez as mais bem sucedidas empreitadas de exportação desse tipo de Shiatsu tenha sido o de Shizuto Masunaga e Wataru Ohashi, nos EUA, e de Shizuko Yamamoto, na Europa. Porém, os conhecimentos aparentemente tradicionais são em parte reconstruções, e misturam-se a saberes modernos como os de George Osawa e sua macrobiótica.

O Shiatsu nunca foi um só, embora os vários caminhos tenham sido sempre igualmente válidos. É disso que surgem, inclusive, modalidades de Shiatsu familiares que poderiam ser chamadas por assim dizer de “tradicionais”. Assim, há no mínimo um Shiatsu fruto do saber popular, há um Shiatsu fruto da sistematização e apreensão da MTC por parte dos monjes Zen e do povo japonês; há um Shiatsu “tradicional” que se afasta de tudo isso, e bebe de uma fonte reconstruída a partir das necessidades e prioridades desse povo na virada do século XIX para o XX e novamente a partir do fim da II Guerra Mundial.

Interpreto aqui, dessa forma, que um “Shiatsu tradicional”, caso exista, deve ser visto como o mais desconectado possível com as modernizações introduzidas a partir especialmente da segunda metade do século XX; e nesse período, especialmente entre o final dos anos 70 e primórdios dos anos 80 por parte de mestres, pesquisadores e praticantes contemporâneos.

Quem estaria hoje com esse grau de desconexão para com o Shiatsu moderno? É muito remota a possibilidade! Parece que a única maneira seria aprender Shiatsu com um japonês que aprendeu com o avô, que teria aprendido com seu pai… Algo mais próximo da tradição. Das antigas escolas, muito da essência tradicional permanece, em contraste com as modernizações.

Sob essa perspectiva, dificilmente poderemos chamar qualquer prática atual de “Shiatsu tradicional”, pois seria falar algo que de fato já não existe; No máximo, haveria uma “alma tradicional” acontecendo dentro do moderno: Bebem as escolas do saber antigo, sem porém estagnarem-se em seu constante processo evolutivo.

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* Arnaldo V. Carvalho é naturopata e praticante de Shiatsu há 17 anos. É autor dos livros “Shiatsu Emocional” e “O Tao do Corpo”, e coordena o Shiatsu do Centro Brasileiro de Acupuntura de Medicina Chinesa.

  1. Tamai Tempaku talvez esteja transliterado errado – essa especulação é de Carola Beresford-Crooke, presidente da Sociedade Britânica de Shiatsu, autora de diversos livros sobre a técnica. Na Internet encontra-se uma ou outra variação de seu nome para Tamai Tempeki. Ainda estou em busca do livro original em japonês, e Carola ficou ainda de verificar para mim a resposta, que ela acredita que Paul Lundgren, também famoso autor de Shiatsu deva ter.
  2. An-ma é a antiga técnica de massagem que inclui uma série de movimentos. Possui dezenas de variáveis e teria sido levada ao Japão pelo continentais – falam de chineses, mas não havia na época a noção de país como a que temos hoje – pelo menos uma milênio antes. Segundo as leis japonesas atuais, a formação de Shiatsu precisa incluir o An-ma, ou seja, você não pode se formar somente em Shiatsu, mas sempre em An-ma e shiatsu.