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“Curso caro” – A formação de preços no Shiatsu (Parte 2: A radiografia do que se contrata)

Saiba se o que você está pagando por um curso de Shiatsu e outras terapias vale a pena (segunda parte)

Por Arnaldo V. Carvalho*

Vamos agora esmiuçar, para quem desejar saber mais, o que forma o preço de um curso.

Toda estrutura tem gastos. Luz, água, aluguel. Todo recurso humano custa. Secretaria, deslocamento, alimentação. Para fazer a informação chegar, há custos. Panfletos, anúncios eletrônicos, mala direta, assessoria de imprensa. Toda infra-estrutura necessita de recursos: Certificados, apostilas, canetas, etc. E para além de todos esses gastos, há os honorários concedidos não somente ao professor mas a todos os envolvidos. Na realidade atual, os honorários não apenas oferecem ganhos em cima de dias ociosos, mas cobrem valores que deixam de ser recebidos quando o professor que também atua em consultoria e/ou tratamentos desloca seu tempo profissional para tais cursos. Os valores que incidem sobre um curso, finalmente, precisa cobrir uma depreciação calculada de equipamentos, a taxa de evasão do curso.

Os cursos variam em preço de acordo com todos esses gastos, e não conheço uma grande ou pequena escola que não faça preços fora dessa lógica. Se um curso investe mais, precisa cobrar mais caro. Esse investimento acontecerá em proporções diferentes de acordo com o curso, nas seguintes áreas:

– Infra-estrutura

– Propaganda

– Recursos Humanos

Não sei se sabem, mas o valor real da maioria dos produtos de grande popularidade é de apenas 20% de seu valor de venda. Do restante, pelo menos 70% corresponde a MARKETING. É claro que isso não corresponde a realidade dos cursos e atendimentos de Shiatsu. Mas dá para ter uma ideia de que o que as pessoas estão consumindo é IMAGEM e visibilidade, ao invés de qualidade.

Se comprar imagem é uma opção quando você compra um supérfluo, não pode ser quando se trata de se investir em um curso na área de saúde, seja ele qualquer. Estaremos nos preparando para lidar com pessoas. Com a saúde das pessoas.

Infra-estrutura:

– Um espaço confortável envolve ambiente climatizado, silêncio, banheiros de qualidade, privacidade, mobiliário adequado às aulas, metragem condizente.

– O número de alunos precisa estar de acordo com as regras de espaço, de suficiência de atenção.

– Caso o número de horas seguidas de curso seja longo, sua organização deve oferecer breaks com lanches ou, nos horários pertinentes, intervalos para que os alunos possam fazer suas refeições.

Propaganda:

– O curso precisa que as pessoas saibam dele. Não é possível fazer isso sem investimento em propaganda, e atualmente, isso custa caro.

As organizações de cursos investem cada vez mais em divulgação eletrônica, tanto porque a impressão em papel e sua circulação tem se tornado cada vez mais cara e dispendiosa, quanto porque há cada dia mais gente acessa a Internet. Mas a propaganda impressa ainda é importante e altamente utilizada, enquanto que a propaganda virtual também demanda tempo, conhecimento e recursos muito específicos – podendo se tornar tão ou mais caro que a estratégia impressa.

A visibilidade de um curso indiretamente afetará o aluno após o curso: quanto mais notório é uma formação, mais chance dos usuários associarem o nome da pessoa ao local em que ela se formou.

Recursos humanos:

Para haver um curso de Shiatsu, não é necessário simplesmente a existência de professores e alunos. É preciso uma estrutura humana, que cuidará para que essa interação surja e aconteça de modo satisfatório. Faxina, secretaria, coordenação, compras, organização geral (propaganda, recepção de matrículas, prestação de informação geral, controle da propaganda – feitura, impressão, prospecção, etc.),

O professor, por sua vez, precisa receber o que deixará de receber se estivesse atendendo. Precisa receber de modo não só a custear sua vida pessoal, mas também a investir em pesquisar métodos de ensino, novas técnicas. Isso quer dizer que o professor de alto nível investe em educação: livros, cursos, congressos, etc., para trazer o que há de melhor aos seus alunos. Esses investimentos são altos. Nada mais justo do que seus honorários cobrirem essa despesa, de quem oferecerá muito material pré-digerido, que não poderia ser encontrado da maneira como ele transmite.

Se pensarmos num curso com poucos alunos para que tenham atenção especial do professor por todo o tempo, além de todos os detalhes descritos até aqui, um curso como esse não pode custar o que vem custando quase sempre! Qual é o segredo então para cursos aparentemente “baratos”?

– Carga horária programada de forma a “encher linguiça”, professor mal qualificado, muitos alunos por turma, subsídios do governo / outros, localização/infra-estrutura de categoria inferior. Uma, duas, ou a soma de várias dessas características.

Uma palavra aos que desejam atuar profissionalmente com Shiatsu: mesmo os cursos considerados mais caros, se forem de qualidade são dos mais baratos no que se refere a uma formação na área de saúde. Em poucas sessões o curso está pago. Falemos aqui na ordem de R$5 mil reais para uma formação bastante completa em Shiatsu (incluindo os cursos, transporte, material didático, livros etc.). Esse valor é bem superior ao que se gasta com mensalidades de um curso técnico na área. Mas é bem inferior ao que se vai gastar em formações de outros setores, especialmente às formações de universitárias. O retorno do investimento após uma faculdade (onde será gasto em média por volta dos 50 mil reais) levará meses, as vezes anos para se pagar. O da formação em Shiatsu é realmente mais rápido, calculando a média do preço de uma sessão em qualquer capital do Brasil. Algumas dezenas de sessões depois, tudo o que foi gasto já retornou, e para quem é profissional, isso se cobre em meses.

Então, antes de pensar que um curso é caro, verifique a infra-estrutura e seus recursos humanos, se tornar um curso visível parece ser uma preocupação mais importante que o que o curso de fato oferece, e se essa formação tem  a qualidade necessária para te levar ao topo profissional (desde que você se dedique, é claro). E lembre-se: Um curso que te traz o retorno previsto ou acima do previsto sempre valerá a pena. Um curso que frustra sempre será caro. O preço justo, não há dúvidas, será aquele em que todos se beneficiam: aluno, professor, organização. 

Leia a parte 1: A formação de preços no Shiatsu (Parte 1: Resposta ao leitor)

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Arnaldo V. Carvalho
Começou a praticar Shiatsu em 1993 após um curso de formação com Gilberto Sonoda, e em 1998 teve a oportunidade de ministrar sua primeira aula sobre o tema. Daí para frente não parou mais, tendo percorrido diversos países e estados do Brasil ensinando e aprendendo. É autor do livro Shiatsu Emocional e membro da Associação Brasileira de Shiatsu (ABRASHI). Dirige a AESHI – Escola de Shiatsu.

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“Curso caro” – A formação de preços no Shiatsu (Parte 1: Cursos)

Preço x relação custo/benefício

Por Arnaldo V. Carvalho*

De vez em quando, eu ou a Aeshi – Escola de Shiatsu, que dirijo, recebemos um e-mail ou comentário de que “o curso é caro”.  Eu compreendo. Afinal, nosso curso básico custa pouco mais de um salário mínimo, e isso talvez seja difícil para algumas pessoas. Porém, quem faz um curso Aeshi está a procura de autoconhecimento, realização pessoal e formação profissional. Nossos cursos satisfazem essas três procuras, e me pergunto se esse valor é mesmo inviável, com tudo o que vejo ser consumido nesse país.

Mas não é apenas uma questão da pessoa ter ou não o dinheiro. É que a maioria não deve saber o que paga, o que é investido para o que é oferecido. E sim, é verdade que muitos cursos por esse preço não oferecem o que geram em termos de expectativa. Gostaria então de publicar um esclarecimento sobre o tema, para que os interessados em cursos de Shiatsu possam fazer suas escolhas de modo consciente. Comecemos por uma resposta que dei ao último que reclamou que “o curso é caro”, e ainda comparou o curso com um curso gratuito que ele teria feito no Senai:

“Compreendo. Você sempre pode fazer as opções. O Senai e o Senac recebem subsídios da indústria e do governo. O foco é a produção de técnicos. Nossos cursos são para terapeutas, profissionais que estão certamente em outro patamar de conhecimento e atuação, e para pessoas que querem transformar algo em suas vidas. Claro que um curso para massas possui características claras:

– Turmas com excessivo número de pessoas;
– Disciplinas estruturadas sem levar em conta as particularidades de cada aluno;
– Avaliações baseadas no sistema escolar tradicional (insuficientes para garantir a compreensão e principalmente elaboração dos conteúdos estudados);
– Total falta de suporte após a formação.

Os cursos da Aeshi oferecem suporte POR TODA A VIDA do aluno. As turmas são reduzidas, o ensino super individualizado, e os professores com experiência internacional. Você acha mesmo que dá para comparar?

Agora, tirando todos esses detalhes… Você paga um curso como esse com cerca de dez sessões de trabalho, possibilitadas pelo que aprendeu! Quanto tempo você acha que leva para uma pessoa pagar o que investiu em educação, em se tratando de outras áreas?

Para refletir.  Agradeço o seu comentário”.

Não cheguei a denunciar que em instituições como essa os professores recebem valores baixíssimos, o inclusive faz com que a grande maioria dos professores de alto nível se desinteressem pela instituição (com poucas exceções de professores que seguem atuando por puro amor).

Finalmente, esqueci de dizer, nesse comentário, que na Aeshi, nunca deixamos de fora por questão financeira alguém realmente interessado e que compreendeu nossas propostas e diferenciais. Sempre há uma maneira de resolver isso, mas é preciso que a pessoa nos procure e exponha sua situação. A Aeshi sempre acolherá aos que estiverem comprometido em aprender e escolheram nosso método.

Sejam todos muito bem vindos!

Arnaldo V. Carvalho
Aeshi Escola de Shiatsu

Leia a parte 2: A formação de preços no Shiatsu (Parte 2: A radiografia do que se contrata)

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Arnaldo V. Carvalho, começou a praticar Shiatsu em 1993 após um curso de formação com Gilberto Sonoda, e em 1998 teve a oportunidade de ministrar sua primeira aula sobre o tema. Daí para frente não parou mais, tendo percorrido diversos países e estados do Brasil ensinando e aprendendo. É autor do livro Shiatsu Emocional e membro da Associação Brasileira de Shiatsu (ABRASHI). Dirige a AESHI – Escola de Shiatsu.