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Curso de Shiatsu em Niterói inicia nesse final de semana. Ainda há vagas

Com boa procura, curso estreia no Pela Vidda com o Prof. Hirã Salsa

A ONG Pela Vidda sediará, pela primeira vez, um curso da Escola de Shiatsu SHIEM. No próximo sábado, 6 de maio, a parceria promove o Shiatsu Formativo, curso que oferece as bases para a prática de um Shiatsu completo, de qualidade, dentro da estrutura teórica da Escola Shiem.

Ministrado pelo Prof. Hirã Salsa, o curso abrange dois finais de semana completos (6 e 7, 20 e 21 de maio, de 9H às 18H) sendo em formato intensivo.

Os conteúdos possuem equilíbrio teórico e prático, e abordam os aspectos fudamentais do Shiatsu, desde a conceitualização do pensamento oriental acerca da saúde, passando por reflexões sobre a energia vital, os meridianos, a psicossomática e o Shiatsu Emocional, até mesmo o passo a passo para uma prática segura e eficaz da terapia.

Hirã Salsa é membro da Associação Brasileira de Shiatsu; É ainda praticante avançado e professor oficial da Escola de Shiatsu SHIEM. O professor, já vem coordenando atendimentos sociais na ONG Pela Vidda, que abrigará o curso.

Restam poucas vagas.

Contato: (21) 99830-5858 ou escoladeshiatsu@outlook.com

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Artigos e afins

O Shiatsu e a cultura espiritual japonesa – Parte 7

Já tratamos aqui em nossa série da força da ancestralidade, do lugar que temos em uma linha humana de infinitos desdobramentos, da importância da conexão com o passado e como isso afeta inclusive nosso futuro. Mas há um aspecto na descontinuidade que apenas diz respeito à nossa própria condição de ser vivo. Assim, se respeitar solenemente a morte é algo cultuado na tradição japonesa, reverenciar a vida, e a intensidade do aqui-agora, é igualmente fundamental.

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O Shiatsu e a cultura espiritual japonesa – Parte 7

Por Arnaldo V. Carvalho*

 

A vida é um relâmpago”

 

Há mais de três séculos, no Japão, surgiu o gênero literário conhecido como Haicai – poemas muito curtos e com imenso peso existencial. Matsuo Bashô (1644-1694), reconhecido como o primeiro haicaísta, proclamou em um de seus poemas: “a vida é um relâmpago”.

 

Para além da condição efêmera da existência, Basho propõe luz, intensidade, força no ato de viver. Determina que sejamos, profusamente; avalia que, ainda na maior das pequenezes, por mais insignificante que seja nossa vida perante o Universo, ainda assim nosso momento, nosso brilho, nos pertence.

 

Assim é o Shiatsu. Uma sessão de prática dura entre uma e duas horas apenas. A força do encontro, porém, pode perdurar por uma existência.

 

Ter no coração a natureza perene, dar-se conta da eterna dança de morte e vida, e interagir suavemente com seus movimentos é traduzido pela interação dinâmica que o Shiatsu propõe ao longo de sua prática. O praticante dança a vida-morte ao pressionar ritmicamente, posicionando e des-posicionando seus dedos, e seu corpo, ora no sentido de ir na direção do outro, ora no seu momento de recolhimento. É assim que ele propõe mudanças internas ao Outro, que nada mais é que a morte do velho, o surgimento do novo. Quando isso ocorre, ele mesmo está se modificando. O Relâmpago-dedo é atraído para o mar do recolhimento-corpo e ali a vida se faz por um instante. Quem olha com olhos puros já não pode dissociar mar e relâmpago.

 

Palavras finais – Há um fazer essencial a ser resgatado

 

Dediquei meu tempo a escrever paralelos sobre o fazer Shiatsu e uma série de costumes atrelados à elevação humana no Japão, por acreditar que os mais novos na terapia podem abraçar uma outra forma de compreender e praticar a terapia, e nadar contra a corrente:

 

Em tempos de mecanização da sociedade – que atinge o âmbito terapêutico -, buscar nas tradições espirituais do Oriente a conexão para a prática em dimensões mais elevadas do Shiatsu pode parecer estranho a quem talvez tenha feito apenas um curso técnico ou a quem tenha “recebido um shiatsu relaxante”, somente.

 

Tal resgate é critério de excelência e distinção entre os praticantes.

 

Impregnar o ato terapêutico do Shiatsu com a essência da cultura espiritual que o abrigou e participou de sua origem é recuperar sua grandeza. Sua busca faz parte do dia a dia do praticante desta terapia.

 

木の実 木へ。。。

Kinomi ki e…

Tradução:O fruto da árvore, volta pra árvore…

Significado: Dá a ideia de que tudo volta pro seu lugar de origem

(Provérbio japonês)

 

***

 

* Arnaldo V. Carvalho pratica Shiatsu desde 1993 e o ensina desde 1999. Dedica-se há mais de uma décadas a compreender as origens desta prática para além dos livros. É membro fundador da Associação Brasileira de Shiatsu – ABRASHI, autor do livro Shiatsu Emocional e de dezenas de artigos sobre o tema.

 

Leia o ensaio completo:

 

Leia também:

https://japaocaminhosessenciais.wordpress.com/2014/11/06/a-espiritualidade-japonesa-e-seus-tesouros/

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O Shiatsu e a cultura espiritual japonesa – Parte 6

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O Shiatsu e a cultura espiritual japonesa – Parte 6

Por Arnaldo V. Carvalho*

A Entrega

– É verdade que um dia o sol esfriará, e tudo o que vive na terra desaparecerá? – pergunta o discípulo ao mestre.

.- É verdade -, responde o mestre. Pensativo, após algum tempo, o discípulo indaga:

– Isso significa que só devemos viver as circunstâncias?

– Sim, só devemos viver as circunstâncias.

(Koan Zen Budista)

No Taoísmo, diz-se que não é preciso fazer nada. Ao mesmo tempo, a ação correta leva a harmonia. O aparente paradoxo desconcerta a mente despreparada: afinal, faz-se ou não faz-se? Este problema é bem incorporado pelo budismo zen, e costuma tomar cena em koans(1) antigos no Japão.

Ainda assim, os debates seculares entre grande mestres em seus tempos demonstra que nem mesmo os iluminados conseguem traduzir em lições genéricas (que cabem para todos) o ponto entre uma coisa e outra, ou o ponto onde ambos são uma coisa só. Para uma sociedade marcada por rigidez e controle, como a japonesa, incorporar o valor taoísta de viver as circunstâncias pode ser um desafio inspirador.

E a nossa? E nossas vidas, nossos corpos? O quanto de controle e rigidez há em nossa cultura, em nossas pessoas? A humanidade aflige-se com a entrega. Aflige-se com a dúvida. Mas querer certezas ilusórias não aplaca as verdadeiras aflições. Para vencer o controle, é preciso desestabilizar a mente e seus confortos com perguntas enigmas, problemas. (Os movimentos do Shiatsu são assim, uma sucessão indefinida de instabilidades, na direção de uma harmonia maior). Assim, nos perguntamos:

Como pode haver Shiatsu na perturbação da mente que não vive as circunstâncias? E como pode havê-lo sem ação?

Viver as circunstâncias envolve entrega. Será a entrega a própria essência da não-ação? E como entregar-se sem confiar?

A confiança gera a entrega, e a entrega gera o não-pensar, e o não pensar gera a entrega, e a confiança canaliza o Ki formado no movimento. Tudo flui para além da mente que representa. A representação é uma ilusão. O processo pode ser, por sua vez, retraduzido como a presença plena no aqui-agora. E no aqui-agora, recupera-se, no Shiatsu, a intuição, a sabedoria interior e o acessa a sabedoria cósmica. Absolve-se assim, o campo do pensar e do verbo, agora engrandecido pela integração com a Essência.

Os não-praticantes de Shiatsu pensam que a pessoa que está deitada a receber as pressões das mãos do outro precisa estar entregue. É verdade. Mas se a entrega daquele que se movimenta ao redor deste não se faz presente, o Shiatsu é impossível. Um entrega-se ao outro, e os movimentos surgem da entrega mútua. Como em uma dança, os praticantes entregam-se, no Um do ato terapêutico, ao próprio Shiatsu.

Não é fácil. Confiar no outro. Deixar-se conduzir pela sabedoria natural que há em si e na relação saudável. O Shiatsu é um exercício de permissão e confiança.

Quando ele finalmente acontece, retornamos ao O-furô(2) primal. A confiança é um útero úmido, morno e levemente salgado, que nos envolve e nos acalanta.

***

  1. Koan 公案 (kōan) é um pequeno conto zen budismo, criado pelos mestres como uma espécie de enigma reflexivo. Na resolução de um koan, pode-se ascender em espírito, e alcançar a “Suprema Compreensão” (outra forma de nominarmos o Satori).

  2. O prefixo “O” na palavra ofuro foi intencionalmente destacado. Em japonês, uma palavra ordinária acrescida de “O” recebe uma atribuição extraordinária. Assim, “furô” (banho, banheira) deixa de ser um local para lavar o corpo, simplesmente e passa a “ofurô”, adquirindo um significado de limpeza interna, da alma, momento de renovação do espírito.

* Arnaldo V. Carvalho pratica Shiatsu desde 1993 e o ensina desde 1999. Dedica-se há mais de uma décadas a compreender as origens desta prática para além dos livros. É membro fundador da Associação Brasileira de Shiatsu – ABRASHI, autor do livro Shiatsu Emocional e de dezenas de artigos sobre o tema.

Leia o ensaio completo:

  • Parte 1: Introdução: Cultura espiritual japonesa e Shiatsu
  • Parte 2: Limpeza Energética
  • Parte 3: Corpo, jardim japonês
  • Parte 4: Toque-Meditação
  • Parte 5: Entre mestres, dinossauros e o vovô
  • Parte 6: Deixar-se conduzir
  • Parte 7: A vida é um relâmpago
  • Parte 8: Conclusão: Há um fazer essencial a ser resgatado

 

Leia também:

https://japaocaminhosessenciais.wordpress.com/2014/11/06/a-espiritualidade-japonesa-e-seus-tesouros/

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Curso Formativo de Shiatsu/Shiatsu Emocional traz um aprendizado de qualidade para leigos e profissionais (Edição Maio, em Niterói, RJ)

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Curso: Shiatsu – Formativo

Um dos melhores cursos de Shiatsu do Brasil, agora com nova edição em Niterói.

6, 7, 20 e 21 de maio de 2017

Niterói, RJ

Completo em conteúdo, e com a vantagem de abordar os aspectos emocionais da terapia com muito mais profundidade. A porta de entrada para um sistema de ensino que apoia a prática do Shiatsu de forma permanente!

O curso relaciona os preceitos de saúde da Medicina Tradicional Chinesa utilizados pelo Shiatsu às teorias da psicologia moderna, e introduz o aluno ao pensamento oriental como ferramenta para o estudo do ser humano, sua psique e seu equilíbrio interior.

O curso oferece:

  • Apostila completa com anexos em prática de atendimento específico, aromaterapia e extensa bibliografia;
  • Duas reciclagens em outras edições do curso em até um ano;
  • Ingresso na Comunidade Shiem com acesso a grupos virtual e presencial de intercâmbio e estudo continuado;
  • Candidatar-se à admissão no curso de Shiatsu/Shiatsu Emocional Avançado;
  • Certificado de participação, manual do aluno, camiseta do curso e lanches.
  • INSCRIÇÕES: https://goo.gl/forms/1WawE66Y31v2TlNg1

Pré-requisitos e Público Alvo

  • É recomendado a todos os profissionais que atuam com MTC, Shiatsu, psicólogos, bem como os demais profissionais de saúde que desejam enxergar além do horizonte físico atuar no campo emocional; aos psicólogos que desejam fazer uso de uma abordagem corporal, e aos terapeutas corporais que desejam passar a ter o corpo não como fim, mas como meio para equilibrar o ser.
  • A quem busca ampliar seus conhecimentos e, consequentemente, sua qualidade de vida.
  • Aqueles que desejem apenas o uso familiar do Shiatsu sentirão segurança na aplicação do dia a dia. Os que pretendem adotar o Shiatsu como método profissional, tenha qualificação prévia ou não têm possibilidade de seguir pelo programa completo de formação, que consiste de módulos avançados, participação em grupo de estudos, treinamento individual e de grupo, entre outras ações.

Objetivos

Trazer ao terapeuta que trabalha com medicina chinesa ou terapias mentais (psicoterapia, psicologia, etc) aprofundamento no estudo das relações entre meridianos e emoções. Fazer compreender a importância da linguagem corporal, e da presença integral do terapeuta para a abordagem emocional. Oferecer condições aos alunos de investigar e abrir seus conceitos internalizados. Experienciar no corpo os efeitos do Shiatsu, como praticante e receptor.

Conteúdo programático (Carga horária 32H):

  • Introdução ao saber Oriental
  • Origem, evolução e modalidades do Shiatsu;
  • As matrizes técnicas do Shiatsu;
  • Introdução à Medicina Oriental – Raízes, o Tao, as influências culturais;
  • Os 12 Meridianos principais e suas funções emocionais;
  • O estilo Shiatsu Emocional;
  • Introdução à percepção do Hara;
  • Corpo sensorial e Shiatsu: otimizando teoria e prática;
  • Tratamento dos principais desequilíbrios emocionais através do shiatsu;
  • Exercícios práticos e Prática Básica, com orientação ergonômica e postural.
  • Sinergia do Shiatsu com o uso de óleos essenciais;

– Com o programa formativo, é possível fazer uma sessão segura e com muitos benefícios aos praticantes.

Características gerais do Curso

– Aberto a todos: leigos e profissionais de saúde, com ou sem experiência em terapias manuais, orientais etc. (profissionais poderão obter descontos e seguir se aprofundando em cursos avançados)!

– Os iniciantes conseguirão acompanhar bem, e sair do curso fazendo uma sessão segura, completa e eficaz de Shiatsu;

– Profissionais de Shiatsu, MTC, de terapias manuais e outros profissionais de saúde se surpreenderão sobre o quanto esse curso tem a contribuir;

– O Curso abre as portas para os treinamentos avançados e maestria em Shiatsu e Shiatsu Emocional;

– Os alunos ganham acesso a comunidade SHIEM e suas redes de estudos e intercâmbio via Internet;

– Carga horária total: 32 horas + estudo complementar a distância (opcional);

– O participante terá direito a Certificado.

– Está incluído o KIT ALUNO: Apostila completa + HD VIRTUAL riquíssimo em informações complementares, como livros virtuais, artigos, imagens, músicas., etc.

O Shiatsu Emocional, conteúdo exclusivo de nosso curso:

  • Desenvolve hábitos saudáveis e exalta a vida;
  • Ferramenta de Autoconhecimento;
  • Trata o ser de forma integral e extensiva;
  • Alimenta a qualidade dos vínculos afetivos!

INFORMAÇÕES:

Dias 6, 7, 20 e 21 de maio, de 9 às 18H.

Local: Grupo Pela Vidda, Rua Guilherme Briggs, 9 – São Domingos, Niterói – RJ

E-mail: escoladeshiatsu@outlook.com

Telefone/Whatsapp: (21) 99830-5858 (Prof. Hirã – Cursos em Niterói)

Página do curso no Facebook: https://www.facebook.com/events/372429813138636/

Artigos e afins

O Fazer Terapeutico

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O Fazer Terapeutico

Por Carlos Garcia

Tradução de Hirã Salsa*

Qual o papel do terapeuta? Até onde vai a terapia? Qual o seu limite? Quando deixa de ser terapia e passa a ser código moral?

Essas questões permeiam nossa atividade no Shiatsu, é são preocupações constantes. O equilibrio ético de nossos limites contra nossas limitações pessoais, nossos delirios egóicos de grandeza e suma sabedoria, podem nos tomar de assalto e nos distanciar da missão de apoiar o movimento de integração de nossos clientes.

Para contribuir com essa discussão, deixo aqui tradução livre de minha autoria de trecho do livro Biodanza: El Arte de Danzar la Vida, de Carlos Garcia (pgs 53 à 55).

“Existe algo em comum a todas as abordagens terapêuticas do Séc. XX, apesar das diferenças e divergencias. Algo as unifica: O afã remediador.

A necessidade de dar remédio¹, de colocar ordem onde se havia perdido, é um dos muitos pontos em comum, em diferentes terapias. Claro que, nada há de mais nobre e humano que a soliedariedade compassiva com a dor do semelhante e sua intenção de remedia-lo. O que nos faz humanos, além da codição de animal homem, é a reciprocidade de nos reconhecermos mutuamente. “Sofro porque sofres”, “me alivio porque te alivias”, “gozo porque gozas”.

O que não está de todo claro nestes tempos em que a saúde é mais uma mercadoria que um ato de soliedariedade, são os limites da pretensão remediadora, ou dito de outro modo: qual é o limite e o contexto do terapêutico? Tal pergunta torna-se imprescindível em momentos de extrema proliferação de receitas salvadoras e remedios milagrosos. Porque se concordamos com o exposto anteriormente (que o afã curador pretende colocar ordem onde foi perdida), devemos previamente definir que tipo de ordem é esta, como se perdeu e como restitui-lo.

Considero que os limites e o contexto do ato terapêutico são dados pelo livre fluxo dos instintos e o desejo e as ações que surgem destes, em todas as suas manifestações. Fluxo livre que se faz evidente na expressão do ímpeto vital e a harmonia orgânica.

Os bloqueios deste livre fluir dos instintos e o desejo, os sintomas que evidenciam estes bloqueios, mostram o campo de ação da terapia. Este é o único tratável, o único curável: abrir as amarras para o desenvolvimento do potencial humano, desarmar as estruturas repressivas e culpabilizantes, acabar com as sombras envergonhadas de uma cultura manipuladora da conciência do homem, que se sustenta sempre sobre grossos e sólidos pilares… O pecado e a culpa.

Fora disto, além deste contexto o ato terapêutico perde seu lugar. A vida não é o lugar do ato terapêutico; simplesmente porque a vida é: incurável. O lugar da cura está demarcado pelo transtorno ou pelo bloqueio que impede de viver, mas de nenhum modo uma terapêutica pode ser uma arte de saber-viver, porque haverá transformado o curativo em normativo e a terapia terá caído na moral. Daqui à inquisição há um só passo.”

***

¹Considerare aqui mais o sentido de remediar e menos o de medicação. NT.

** Hirã Salsa é terapeuta corporal, professor de Shiatsu na SHIEM Escola de Shiatsu, praticante assíduo da Biodanza.

Nossos cursos

Shiatsu Essencial – Novo curso resgata a sabedoria oriental na base do Shiatsu

Tamai Tempeki, pai do Shiatsu (foto de 1915)

Como anunciamos no mês passado, nosso programa formativo evoluiu, e o curso Shiatsu Essencial é um de seus principais destaques. Projetado para ser um curso de baixo custo mas de alta qualidade, ele traz o espírito do Shiatsu e prepara os que desejarem para alçar vôo em alto estilo em nossa já reputada formação.

Conheça o descritivo de nosso novo curso:

CURSO SHIATSU ESSENCIAL

O que é

É a forma mais profunda de iniciar o contato com o Shiatsu.

Um curso dinâmico e focado na prática, na percepção e interação consciente com a Energia (Ki) e na filosofia oriental que dá base ao Shiatsu.

Pré-requisitos e Público Alvo

Sem pré-requisitos, e ideal para quem quer praticar no âmbito familiar, pretende que o Shiatsu seja uma forma de manutenção pessoal da saúde ou ainda, para profissionais de terapia corporal que queiram reforçar as bases de sua prática.

Objetivos

Levar o aluno a perceber, compreender e interagir sabiamente com a Energia Vital; Fornecer bases para uma prática profunda, segura e consistente de Shiatsu; Integrar a prática à essência filosófica oriental; Fornecer os subsídios para a mente calma e atenta, e introduzir a filosofia oriental.

Conteúdo Programático

  • Shiatsu e a Cultura de busca da tradição Japonesa
  • Prática do Shiatsu: Toque, ergonomia, formas de pressão, sentir e seguir o corpo
  • Respiração e atenção plena
  • Ki (Energia vital; Yin-yang; Circulação de energia pelo corpo)
  • Padrões dolorosos e energia
  • Estratégias de tratamento dinâmicos
  • Autoshiatsu, Do-In e Pontos especiais

Características do curso

-40% de teoria, 60% de prática, poucos intervalos (aproveitamento máximo do tempo de aula).

– Profissionais de Shiatsu e terapias manuais irão revigorar-se com a profundidade teórico-prática em torno de temas simples e com a riqueza das práticas;

– O curso amplia exponencialmente o aproveitamento do Curso Formativo em Shiatsu;

– Os alunos ganham acesso a comunidade SHIEM online;

– Carga horária total: 20 horas

– O participante terá direito a Apostila e Certificado.

ATENÇÃO: O Shiatsu possui exigências físicas baixas ou moderadas relacionadas à posição e movimentação do praticante durante suas práticas. Caso haja alguma limitação física, por favor, consulte-nos antes de se inscrever, para que busquemos o diálogo e a melhor forma de adaptação! escoladeshiatsu@outlook.com

Próxima turma: Consulte nossa AGENDA

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Artigos e afins

O Shiatsu e a cultura espiritual japonesa – Parte 3

O Shiatsu e a cultura espiritual japonesa – Parte 3

Por Arnaldo V. Carvalho*

 

Ressaltamos, na parte anterior, sobre a importância da limpeza e purificação, na sociedade japonesa, em continuidade à ideia de que, quando o Shiatsu se dissocia dos costumes e tradições que regem sua cultura originária, ele perde parte de seu potencial. A pureza é o fator fundamental no aproximar o ser humano de sua própria essência e assim torna-se ente cósmico da existência (Kami). Agora, passemos por uma outra tradição igualmente valiosa – a do Jardim Japonês, igualmente parte de uma cultura tanto espiritual como cotidiana naquele país.

Corpo, Jardim Japonês

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Shiatsu é cuidar e contemplar o jardim da Vida. Em cada indivíduo, no corpo-mente de cada um, a vida pulsa, o jardim floresce e se renova diariamente. A tradição japonesa de se planejar, construir e usufruir de jardins com rara beleza oriunda da combinação de elementos naturais e humanos nos ensina sobre a natureza do próprio Shiatsu.

 

O Jardim Japonês (日本庭園 nihon teien) busca ser um reflexo, uma expressão de quem o criou e o cuida, e ao mesmo tempo, tenta se fazer refletir no interior de quem o observa. Seu sentido se produz na conexão do exterior (ambiente, pessoas) com o interior (mente, energia), e por isso, ao observá-los podemos sentir sinestesicamente que há um propósito maior que apenas uma beleza estética.

 

Locais assim, criados para representar a Perfeição Cósmica da Vida e da Natureza, fazem parte do imaginário japonês desde a antiguidade. Jardins míticos e montanhas dotadas de rara beleza entre os elementos de sua paisagem são citados nas mais antigas poesias no país(1).

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Suas remotas origens datam dos primeiros séculos, quando já se indicava a percepção milenar de que o Sagrado habita onde a harmonia se faz. Desse modo, os primeiros jardins eram locais naturais de privilegiada beleza, santuários bem cuidados pelos habitantes da Ilha Maior do Japão (Honshu). Por alguns séculos, foi assim, até que no período Asuka (por volta do século V), com a influência do Taoísmo e a chegada do budismo como fenômeno religioso, cultural e tecnológico, é que os jardins foram tornando-se alvo de planejamento e miniatura de paisagens imaginárias, com seus diferentes estilos tomando a forma como as que conhecemos até hoje.

 

Organicismo

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Observar a sociedade, o cosmos, a vida e estruturas humanas organizadas como um corpo vivo é também uma maneira de abstração e compreensão observável das diferentes culturas, através do tempo. Pensar no jardim como representação do corpo, seguindo ideias organicistas nos parece reflexão inevitável, pois nos ajuda a fazer dialogar o Shiatsu – cuja prática está calcada no equilíbrio do todo através do corpo – e a ideia de jardim, com seus diversos elementos que precisam encontrar uma unidade harmônica.

 

Assim como cada órgão ocupa um espaço e uma função no corpo, devendo trabalhar em harmonia pelo todo, os diferentes elementos presentes no jardim japonês também o fazem, criando uma unidade essencial. Pontes, lanternas, lagos, plantas, rochas, peixes, cada um tem um símbolo e um completa o outro. Símbolos da vida estão todos lá, elemento por elemento, interagindo entre si.

 

As rochas no jardim japonês, por exemplo, são repletos de significado, que variam segundo tamanho, posição, natureza e forma. Frequentemente, por exemplo, são agrupadas em somas auspiciosas: duas, três, cinco ou sete, embora; contudo, pedras colocadas individualmente exibem a representação da espontaneidade.  A combinação das rochas com a água representa o yin e o yang, e por falar nela, a direção de seu fluxo é muito importante. Se flui do leste para o oeste eliminará o mal, e do norte para o sul representa a atração mútua de yin-yang e portanto atrai boa sorte. Pontes simbolizam a possibilidade de continuidade de um única caminho através do relacionamento de duas partes antes separadas. Em jardins de areia, as estrias feitas com ancinho representam correntes de Ki (energia vital). Plantas com diferentes ciclos vitais são colocadas de forma a transparecerem as 4 estações. O ritmo da vida e os ciclos. Lanternas chamam a atenção para um caminho ou nicho específico.

 

O que serão nossas rochas e águas internas? Como podemos perceber lanternas e pontes no corpo na comunicação não verbal de tocar e ser tocado no Shiatsu? Fica o convite para a meditação em torno do tema.

 

Metáfora Universal

 

Jardim como representação de harmonia não é exclusividade oriental. Na cultura-judaico cristã, o paraíso é representado como um “jardim perfeito”, e a punição divina pelo pecado é justamente a expulsão de tal paraíso. Não havendo o conceito de “humano pecador” na cultura original japonesa(2), a busca pelo estado edênico é mais uma maneira de reconhecer o interno no externo e vice-versa.

 

Para além de culturas, a relação do Homo sapiens com a estética e sua representação interior de harmonia natural é aparentemente intrínseca a condição humana.

 

O manejo do jardim, suas consequências, seu propósito são metáforas permanentes para as atitudes humanas, e estão bem representadas no filme “Muito além do Jardim”.

 

Quando o Shiatsu se reencontra com a Unidade na representação do Jardim, portanto, alinha-se novamente com as antigas tradições que compõem a cultura japonesa, e mais profundamente, com o sentido de humanidade que habita a cada um para além dos povos.

 

Arte de cuidar

 

Caso o jardim interior esteja bem cuidado, ele permanece em equilíbrio, a contemplação se torna fluída e a mente é alimentada pelo sentido simples de cuidar para viver. Chegamos, pois, ao âmago da experiência de ser terapeuta.

 

Jardins Japoneses não são belos sem esforço. O equilíbrio não se faz somente esperando cair do céu. Um paradoxo do pensamento oriental é uma das máximas do taoísmo: a abundância vem se você estiver no lugar certo, na ação certa. Assim ela vem, e sem esforço. Desavisados têm negligenciado a ação certa e passaram a imaginar que o sucesso não requer esforço, apenas estar no “lugar certo”. A metáfora do jardim ensina que o lugar certo é o que você faz dar certo. Planejar o jardim da Vida, o espaço que ele ocupa, cuidar para que ele esteja sempre em harmonia, é tarefa diária. Shiatsu, principalmente sua base tradicional, é atividade diária.

 

Todos os dias se removem as daninhas. Todos os dias removemos negatividade de nossas mentes. Todos os dias se renovam as águas. Todos os dias nos alimentamos bem e respiramos bem, renovando o sangue. Todos os dias se protege o que for delicado dos fortes ventos. Todos dias as nossas emoções mais sutis são protegidas. Todos os dias se verificam os musgos das rochas. Todos os dias nos alongamos para a saúde dos ossos, de nossa estrutura. E tudo isso se faz com contato. Toque. Contato. Toque. Shiatsu.

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Arte de contemplar

 

O hanami (que quer dizer “ver as flores” é a semana de contemplação das Sakuras – flores de cerejeira. No Japão, na época do hanami há um grande feriado nacional. As pessoas são liberadas para estenderem esteiras nos gramados de parques, jardins e quintais, e simplesmente apreciarem. Todos querem fazer contato com a natureza, sua delicadeza, perfeição, impermanência, e assim reverenciarem o Estar Vivo.

 

Image result for mokiti okada satoryA Contemplação é, para a cultura japonesa, motivo não só de relaxamento, mas de elevação espiritual. Mokiti Okada(3), fundador da Igreja Messiânica, ao contemplar a evolução de sua pipa no céu alcança o Satori(4) e se ilumina. Os exemplos da iluminação pela contemplação são inúmeros e estão presentes das mais diferentes religiões do Japão.

 

A atitude  do Shiatsu mais uma vez é comparável com um passeio de contemplação por um jardim japonês. Esse jardim-corpo é motivo de cuidado e reverência, regozijo e conexão.  

 

Receber Shiatsu é poder contemplar o próprio jardim interior, e a ação do tempo sobre ele. O terapeuta é sol e chuva, dia e noite, e o praticante, observador de si mesmo, paisagem onde a Vida acontece. E o que faz parte do ato da contemplação? O silêncio. O Shiatsu precisa do silêncio. Não estamos nos referindo a não falar. É preciso ir além. Os praticantes de Shiatsu precisam entender que entre uma pressão e outra sobre o corpo de seus atendidos, há um silêncio. Uma pausa na partitura, que dá sentido à música do Contato. Isso é o intervalo da contemplação.

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O terapeuta, ao mesmo tempo contemplador desse jardim sagrado, é também um jardineiro que busca ser parte da própria paisagem, busca ser a paisagem com que está lidando. A harmonia da paisagem será reflexo do Eu interno e vice-versa, pois no ato terapêutico do Shiatsu o Uno encontra sua plenitude.

 

Inclinações humanas: propósitos dos jardins das almas

 

Jardins japoneses possuem estilos variados, como existem as inclinações humanas: Há jardins de areia, destinados à favorecer a meditação através das poucas cores e do simbolismo da impermanência; Há jardins simples destinados a “preparar” o espírito de quem entrará em uma casa concebida para a Cerimônia do Chá; Há jardins-santuários, destinados à reverenciar os Kamis; e há os jardins de passeio, voltados exclusivamente para a contemplação, envolvendo seus observadores com paisagens cuidadosamente compostas.   

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Ao entrar em contato com um jardim, é preciso respeitar sua proposta, entrar nela, ser a proposta. Desse modo, a conduta terapêutica no Shiatsu não pode ultrapassar as inclinações de seu atendido, e o atendido não deve ter expectativas maiores de seu tratamento para além do que ele e terapeuta somados realmente são.

***

NOTAS:

  1. O Man’yōshū, literalmente a “Coleção das Incontáveis Folhas” é a mais antiga compilação de poemas da poesia Japonesa. Datado do século VIII, no apogeu do período nominado “Nara”, ele reproduz poemas de tempos anteriores e do então presente.
  2. Não há conceito de pecado, mas há o conceito de desonra à família, a ancestralidade, e ao imperador – O pesar das consciências por artifícios que estimulam a culpa parece ser uma das mais universais formas de controle social e se apresenta desde tempos imemoriáveis.
  3. Mokiti Okada (岡田茂吉, Okada Mokichi) (23 de dezembro de 1882 — 10 de fevereiro de 1955) foi o fundador da Igreja Messiânica Mundial (世界救世教, Sekai Kyusei Kyo), na qual é conhecido pelo título honorífico de Meishu-sama (明主様, Meishu-Sama, Senhor da Luz).
  4. Satori, o estado de iluminação segundo a tradição japonesa.

 

Arnaldo V. Carvalho pratica Shiatsu desde 1993 e o ensina desde 1999. Dedica-se há mais de uma décadas a compreender as origens desta prática para além dos livros. É membro fundador da Associação Brasileira de Shiatsu – ABRASHI, autor do livro Shiatsu Emocional e de dezenas de artigos sobre o tema.

 

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