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Nossa borboleta chora o Museu Nacional

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A Shiem, Comunidade de praticantes de Shiatsu, chora hoje pela irreparável perda do Museu Nacional do Rio de Janeiro.

Temos consciência do que representa esta perda para a humanidade. Nosso carinho a todos os que hoje sofrem como nós.

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Do Rio a Palmas em meio às questões nacionais: o posicionamento da Shiem diante dos últimos acontecimentos

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No meio à turbulência grave que estamos vivendo, um curso ameaçado é o menor dos males do Brasil. Mas como a parábola do incêndio e do beija-flor, acreditamos que as pequenas atitudes valem. Por isso, a decisão de publicar essa mensagem, para que se some a outros esforços de nosso povo. O curso está mantido, e ficará marcado na história de nossa escola e comunidade como mais um ato de cidadania entre tantos outros que estão ocorrendo nesse momento. (Arnaldo).

Carta aberta aos brasileiros e habitantes da cidade de Palmas acerca do curso de Shiatsu a ocorrer entre os dias 31 de maio e 3 de junho nesta cidade:


Rio de Janeiro, 29 de maio de 2018

Queridos interessados e participantes do curso de Shiatsu promovido pela Shiem Shiatsu e Tatiany Yoshimi em Palmas:

Temos um compromisso com todos os que se inscreveram e estarão lá. Acredito que estar em Palmas nesse momento é inclusive um compromisso pessoal de colaborar com o país, pois quanto mais deixamos as coisas nos levarem, quanto menos reagimos e buscamos alternativas, quanto mais nos fazemos reféns em nossas próprias casas, mais acredito que a opressão nos torne presas fáceis.

Estar no curso é, para mim, uma forma de reivindicar o espaço que todos nós programamos para ter de quinta a domingo. Não vamos deixar que tirem isso de nós.

Há opções? Uber? Pode-se pensar em esquemas de caronas? Transporte público? Dormir na casa de quem mora perto? Em meio à necessidade de difíceis escolhas, que envolvem perdas e ganhos, confortos e desconfortos, digo que vale, vale muito a pena não se contentar e buscar caminhos. E valerá cada segundo de nosso encontro – o Shiatsu vai fazer valer, e os que conhecem a terapia com profundidade podem confirmar o que estou dizendo.

De nossa parte, fizemos um planejamento com muita antecedência, investimos financeiramente, e nesse momento já não importa tanto ter o retorno material antes esperado. O que mais interessa é ver mais pessoas fazendo Shiatsu em Palmas, compreendendo o quanto suas lições são importantes para se vencer o medo, para tornar pensamento e ação uma coisa só, para ajudar na ponderação e no enfrentamento com base na união. Nos interessa confirmarmos que Shiatsu é atitude e é colocar a força na energia da Abundância.

Estou saindo do Rio de Janeiro amanhã a tarde, chegando em Palmas a noite. Deixo família, filhos pequenos (a quem eu crio e cuido DE FATO), clientes, para honrar meu compromisso com vocês, e fazer a vida fluir.

Que nosso curso seja ponto de resistência contra toda e qualquer energia negativa e paralisante que assola esse país e suas pessoas.

Quem quiser estar conosco, será um privilégio para mim.
Um abraço de coração.

Arnaldo V. Carvalho
Shiem – Escola e Comunidade de Shiatsu

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A história do Shiatsu Emocional, da Escola de Shiatsu e da Shiem Shiatsu

A evolução do curso de Shiatsu e Shiatsu Emocional da Shiem

1994 – Prof. Arnaldo faz seu primeiro curso de Shiatsu, com Gilberto Sonoda em Niterói.

1999 – Prof. Arnaldo ministra aula de semiologia energética no curso de Naturopatia do CENA. 2000 – Lança seu curso livre “Aprenda a fazer Massagem, onde 50% da carga horaria é preenchida com Shiatsu e seus fundamentos.

2001 – Lançado o curso de Shiatsu Expresso, o primeiro do Rio de Janeiro sobre o uso do Shiatsu na cadeira especial de massagem.

2002 – Em participação no Simpósio de Educação Física e Desportos do Sul do Brasil da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Arnaldo V. Carvalho ensina sobre técnicas orientais.

2003 – Prof. Arnaldo ministra a primeira Oficina de Shiatsu e Controle Mental para Adolescentes, e o primeiro curso “Casal Pleno” de Shiatsu para casais.

2004Primeira oficina de Shiatsu Emocional, em Salvador, Bahia. Ocorrem cursos ainda em Niterói e no Rio de Janeiro.

2005 – A oficina virou o Curso Básico de Shiatsu Emocional, e foi levado para Campina Grande. I Curso de Massagem para bebês, incluindo o Shiatsu como técnica. Grupo de estudos do Yahoogrupos! criado.

2006 – Curso Básico de Shiatsu Emocional em Caruarú e Florianópolis. Pela primeira vez, um SPA adota o sistema de Shiatsu Emocional adaptado à atividade (Costão do Santinho).

2007 – Curso básico chega a São Paulo, Vitória, Itacaré e Curitiba. O símbolo da Borboleta é incorporado ao Shiatsu Emocional. Lançado o livro Shiatsu Emocional. Shiatsu Emocional apresentado no Encontro da Nova Consciência, em Campina Grande. Shiatsu Emocional apresentado no Congresso Brasileiro de Psicoterapia Corporal, em Curitiba.

2008 – Curso básico chega a Cuiabá, Estados Unidos e Portugal. Criado curso intermediário, com primeira turma em Itacaré. Curso passa a incorporar além da apostila um CD com uma diversidade de conteúdos sobre Shiatsu. Palestra vivencial de Shiatsu Emocional no Hotel Ponto de Luz, em Joanópolis.

2009 – Curso básico chega a São José do Vale do Rio Preto e ao Japão. Ministrado seminário de Shiatsu e Emoções no Congreso Internacional de Shiatsu, Madri, Espanha. Curso incluindo o Shiatsu em Belém. Vai ao ar site do Shiatsu Emocional em versão WordPress.

2010 – Surge o programa de formação, dividido em Básico, Intermediário e Avançado. Primeira turma intermediária sob novo formato em Teresópolis.

2011 – Curso básico chega a Aiuruoca, Espanha, Itália e Grécia. Participamos diretamente da formação da Associação Brasileira de Shiatsu.

2012 – Curso básico chega a Santa Maria. Criado o grupo Shiatsu Emocional no Facebook.

2014 – O nome Shiem passa a ser adotado, assim como o símbolo da Casa para a escola. Criada a página da Escola de Shiatsu Shiem no Facebook. Trouxemos ao Rio pela primeira vez o curso de Reflexologia dos Pés pelo sistema japonês, do Prof. Valério Lima. Participamos equipe profissional de Shiatsu em evento corporativo, no Rio de Janeiro. Lançado o Manual do Aluno Shiem. Parceria de mútuo reconhecimento com escolas Kangendo (Goiânia) e Kenko (Porto Alegre) faz surgir a Aeshi. Trouxemos a  Niterói pela primeira vez a Constelação Familiar dos Cinco Elementos com Prof. Emerson Bastos (Inglatera).

2015 – Trouxemos ao Rio o curso de Alinhamento Estrutural do Prof. Emerson Bastos (Inglaterra). Lançamos nossa Camiseta! Palestra sobre Shiatsu e emoções em Porto Alegre

2016 – Adriana Benazzi, Hirã Salsa e Nathalia Tupinambá, praticantes avançados, recebem autorização para ministrar cursos pela Shiem. A Escola de Shiatsu Shiem se estrutura.

2017A formação é ampliada. Surgem os cursos Shiatsu Essencial, Formativo e Avançado, e os demais da formação são extintos. I Congresso Internacional de Shiatsu Online da Shiem. Participação da Shiem na High Stakes Experience, São Paulo, onde lançou o slogan “Shiatsu para Transformar”. Shiatsu apresentado no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro – ISERJ. Lançado primeiro vídeo com dicas de pontos aos alunos. Apresentado trabalho de conclusão de relacionando a pedagogia usada no ensino de Shiatsu da Shiem com os princípios da pedagogia acadêmica. Juliano Antoniassi recebe autorização para ministrar cursos pela Shiem. Surge o entendimento de Shiem como comunidade intencional.

2018 – Realizado o I Curso de Formação de Professores de Shiatsu. A formação é novamente remodelada, o Formativo aglutina os conteúdos do Essencial e se estende para além desses. Isso permite o Avançado também ser remodelado e expandido. Primeiro Formativo em Palmas.

Conheça! Torne-se um praticante de Shiatsu e
Venha fazer parte da Família Shiem!

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Parte dessa história está em fotos (exclusivamente para praticantes Shiem): 

https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/shiatsuemocional/photos/albums (o grupo de estudos do Yahoogrupos! Anda parado mas ainda está disponível a todos os membros da Família Shiem!

Artigos e afins

Mitos e verdades sobre a origem do Shiatsu

As três “histórias do Shiatsu”

Mitos e verdades sobre a origem da terapia

Por Arnaldo V. Carvalho

Há pelo menos três “origens” do Shiatsu anunciadas na Internet, nos livros, e nas falas dos professores da técnica. Uma quarta, menos conhecida ou explorada também surge como hipótese. Para os alunos iniciantes, ou que aprenderam de um jeito e agora deparam-se com informações diferentes da recebida durante a formação, a confusão fica armada. Desmistificamos aqui as principais afirmativas acerca da origem do Shiatsu:

1. Shiatsu é uma técnica da Medicina Tradicional Chinesa

Mito. Tem influência, mas não origem, pelo menos não direta, e a principal corrente do Japão, inclusive, sequer utiliza as teorias da Medicina Tradicional Chinesa. Sabemos da grande influência cultural do continente asiático ao longo do tempo no Japão, sobretudo a partir do século VI. As práticas de saúde fluiam de um lugar ao outro. Formalmente, entretanto,  não se pode afirmar que o Shiatsu tem origem na MTC, embora ela possa utilizar fragmentos de sua teoria, e ainda coincida que a técnica de pressão com os dedos faça parte de práticas de saúde empregadas largamente na China (na verdade, em todo o globo).

2. Tokujiro Namikoshi foi o criador do Shiatsu

Mito. Namikoshi foi um famoso professor de Shiatsu, e sua escola chegou ao auge no pós-guerra. Desenvolveu um estilo próprio, adequado ao pensamento da época, aos desígnios do que ocorria em seu país. Sua escola, atualmente dirigida pelo neto, segue como talvez a mais poderosa do Japão, e possui braços fortes na Europa e América do Norte.

3. Shiatsu deriva da Anma

Em partes. Anma, a antiga massagem japonesa que inclui diversas manobras, entre diferentes variações de digitopressura. É muito possível que o Shiatsu tenha sido uma “especialização” informal dentro da Anma.  (que se tornaria o Shiatsu). Contudo, há pioneiros do Shiatsu, como o citado mestre Tokujiro Namikoshi, que chegaram ao Shiatsu (ou à técnica de pressão com os dedos) por observação empírica, a partir da prática de uma massagem livre, sem nome. 

**

Principais afirmativas devidamente desmistificadas, lanço aos leitores mais uma vez a hipótese com que mais trabalho em meus estudos sobre a história do Shiatsu: a das origens múltiplas. Nos últimos anos, busquei observar a sociedade japonesa da virada do século XIX para o XX, e daí às suas primeiras duas décadas (contexto do aparecimento do primeiro livro a citar Shiatsu no Japão), levando ainda em conta as transformações culturais ocorridas naquele país ao longo dos séculos, e coletando finalmente os resquícios desse momento no anos subsequentes. Considero plausível especular que o Shiatsu surgiu informalmente em diferentes segmentos sociais, que foram aos poucos intercambiando e cunhando uma série de métodos de pressão, hoje agrupados sob o nome “Shiatsu”.

É difícil de se precisar, pois as fontes históricas (registros escritos, pinturas, etc.) – pertencia a uma elite sociocultural muito restrita. Se havia uma forma de Shiatsu praticada nas camadas populares, entre agricultores por exemplo, não temos como provar. Mas há indícios, inclusive preservados no Brasil, através das migrações: Os prováveis primeiros praticantes em nosso país foram eles – e os que vieram pertenciam a tais camadas sociais.

Em paralelo, o Shiatsu era praticado em dojos, atrelados a arte marcial (por sua vez originada dos treinamentos de Samurai e outros de defesa dos Damyos e famílias), e nos templos, como parte das técnicas de cura preservadas junto aos monges (xintoístas e zen-budistas). Desses dois segmentos devem ter se originado os primeiros professores formais, ligadas às escolas técnicas de Amma, surgidas na ocidentalização e massificação da educação relacionada à Restauração Meiji.

Contudo, a prática seguiu e modificou-se no próprio Japão e depois em todo o mundo (leia nosso artigo “os muitos Shiatsus”), apesar das reivindicações deste ou daquele grupo de praticantes como “verdadeiros” ou “fundadores”.

***

 

Arnaldo V. Carvalho, praticante de Shiatsu desde 1993, dedica-se à compreensão histórica do Shiatsu e suas origens, além da preservação de sua memória popular.

Artigos e afins, Traduções

Shiatsu y Stress, bom artigo espanhol sobre Shiatsu

Rene Lopez, terapeuta de Barcelona, escreveu há alguns anos esse artigo simples e direto sobre o Stress e como o Shiatsu é especialmente indicado. Segue uma tradução livre, com a indicação para que conheçam o trabalho deste profissional e outros de seus textos, no site: http://www.shiatsuren.es.tl

Shiatsu y Stress

Por Rene Lopez

Tradução de Arnaldo V. Carvalho

A continua adaptação ao meio em que vivemos nos leva a um estado de superexcitação e nervosismo que afeta nossa saúde.

A cada dia enfrentamos situações que ativam nossos mecanismos de alerta e que injetam em nossa corrente sanguínea uma série de substâncias que têm o objetivo de dar resposta às ameaças. Como atualmente a resposta se vê reduzida a uma atitude mental e não há uma ação física, não podemos transformar e eliminar estas substancias e elas permanecem em nosso corpo, intoxicando-o.

Receber shiatsu de una maneira contínua ajuda nosso corpo a eliminar tais substâncias, e a equilibrar o sistema nervoso, fazendo-nos chegar a um estado de repouso e quietude tanto em nível físico como mental e emocional.

A pressão efetuada no Shiatsu tem um efeito de equilíbrio sobre o sistema de alerta e repouso, e o leva a uma sensação de relaxamento profundo, similar ao que experimentamos na fase profunda do sono.

Dedicarmos uma hora de shiatsu na semana nos permite criar um espaço interior de calma, que nos ajuda a enfrentarmos melhor as pressões e tensões da vida moderna. Também nos serve para ter consciência de como a tensão produzida pelo stress afeta nosso corpo, produzindo tensão muscular em determinadas zonas.

O objetivo principal do Shiatsu é o de manter a saúde e prevenir futuros desequilíbrios, o que o torna uma ferramenta de trabalho adequada para trabalhar sobre o stress e prevenir futuros problemas. O efeito do stress começa em um nível mental-emocional, logo passa ao sistema circulatório e ao muscular, e se não se corrige, penetra nos órgãos profundos. Por este motivo é muito importante trabalhar sobre ele quando se produzem os primeiros sintomas.

Definitivamente, o shiatsu, junto a outras técnicas orientais ou alternativas, nos brindam com a possibilidade de enfrentarmos melhor a vida moderna, a ter um melhos conhecimento e consciência de nosso estado, e a fazer um trabalho preventivo que nos fará disfrutar de uma vida mais plena e relaxada.

RENE LOPEZ

“Shiatsu é permitirmos confiar, desfrutar com nosso movimento e harmonizar nosso corpo”

FONTE:

http://www.shiatsuren.es.tl/Shiatsu-y-stress.htm?PHPSESSID=a7944542c2d0b80bc1a4850da52d72be

TRADUÇÃO:

ARNALDO V. CARVALHO

La continua adaptacion al medio en el que vivimos nos lleva a un estado de sobreexcitacion y nerviosismo que afecta a nuestra salud.

Cada dia nos enfrentamos a situaciones que activan nuestros mecanismos de alerta y que inyectan en nuestro torrente sanguineo una serie de sustancias que tienen el objetivo de prepararnos para dar una respuesta a las amenazas. Como en la actualidad la respuesta se ve reducida a una actitud mental y no ha una accion fisica, no podemos transformar y eliminar estas sustancias y se quedan en nuestro cuerpo intoxicandolo.

Recibir shiatsu de una manera continua ayuda a nuestro cuerpo a depurarse de estas sustancias y a equilibrar el sistema nervioso, haciendonos llegar a un estado de reposo y quietud tanto a nivel fisico como mental y emocional.

La presion efectuada en el shiatsu tiene un efecto de equilibrio sobre el sistema de alerta y reposo, lo que conlleva a una sensacion de relajamiento profundo similar al que experimentamos en la fase profunda de sueño.

Dedicarnos una hora de shiatsu a la semana nos permite crear un espacio interior de calma, que nos ayuda a enfrentarnos mejor a los retos y tensiones de la vida moderna. Tambien nos sirve para tener consciencia de como la tension producidad por el stress afecta nuestro cuepo produciendo tension muscular en determinadas zonas.

El objetivo principal del shiatsu es el de mantener la salud y prevenir futuros desequilibrios por lo que nos aporta unas herramientas de trabajo adecuadas para trabajar sobre el stress y prevenir futuros problemas. El efecto del stress empieza en una nivel mental-emocional, luego pasa al sistiema circulatorio al muscular, y si no se corrige penetra en los organos profundos. Por este motivo es muy importante el trabajar sobre el cuando se producen los primeros sintomas.

En definitiva el shiatsu junto a otras tecnicas orientales o alternativas, nos brindan la posiblidad de enfrentarnos mejor a la vida moderna, a tener un mejor conocimiento y consciencia de nuestro estado y a hacer un trabajo preventivo que nos hara disfrutar de una vida mas plena y relajada

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A prática do Shiatsu é para todos?

Praticar o Shiatsu: Uma reflexão sobre acessibilidade à prática

Arnaldo V. Carvalho*

Ainda me lembro com pesar de um episódio que vivi como aluno em um curso de Shiatsu. Era um excelente curso, desses que influenciam a vida. Porém, no primeiro dia, uma aluna, quando do momento da prática (executada no chão) revelou ter problemas no joelho. O professor foi taxativo: “quem tem problemas no joelho não pode fazer Shiatsu”. Pouco tempo depois, um mestre de origem chinesa, já bem idoso, que me disse que já não podia mais trabalhar porque “não tinha mais força”.

Anos depois, quando comecei a dar minhas aulas, prometi para mim mesmo que criaria condições alternativas para que qualquer pessoa pudesse se beneficiar do Shiatsu, enquanto praticante, performando sessões, no chão ou na maca. De lá para cá – o primeiro curso foi em 1999 se não me engano, vivi uma série de situações que me impuseram todo tipo de desafio.

Me lembro com carinho de um caso em particular. Uma senhora japonesa, já de idade, com prótese total de joelho. Criamos posições alternativas e o uso temporário de um bastão de equilíbrio em determinados momentos. Esse bastão tem sido usado por muitos alunos.

De lá para cá, criamos todo tipo de adaptações. Pessoas com todo tipo de limitações físicas, transtornos vasculares, esclerose múltipla, deficiências físicas e sensoriais variadas, etc. já experimentaram praticar Shiatsu comigo – e aprender a fazer. Para cada limitação, há uma solução.Não é que os obstáculos tornem as coisas tão fáceis: compreendo que é saudável que o corpo se mexa na medida do possível, que haja esforço durante o processo. Esse esforço corporal, é na verdade a inclusão do mesmo no processo.

É importante premissa que o corpo e a mente participem do processo de forma integrada, dentro do possível, e que o portador da limitação se esforce. Faz parte de sua própria terapia interna se desafiar.

Dicas

– Professores de Shiatsu devem pedir para, os candidatos a seus cursos se posicionarem quanto às suas limitações. É preciso diálogo para que ambos aceitem as limitações impostas. Da parte do professor, criatividade, conhecimento biomecânico, e senso de desafio são necessário. Da parte do aluno, a vontade de aprender e se superar. Não se deve iniciar um curso sem esse acordo prévio, e não há nada de mal em uma das partes (professor ou aluno) repensar sua participação caso sinta que não tem condições de lidar com a limitação.

– O Shiatsu é uma prática preferencialmente executada no chão, e pode, caso se demore muito, cansar as articulações, especialmente se o praticante não atuar com boa postura. Caso a prática se torne constante e seja aplicada corretamente, será observado que as articulações se toram  mais fortes, o corpo mais flexível e as does iniciais desaparecem.

– Em alguns casos, pode-se utilizar a maca, que terá seu ônus (consulte nosso artigo sobre o tema), mas as vezes inevitável. O revezamento entre as duas formas de trabalho é igualmente possível.

– O Shiatsu que utiliza força cansará o corpo e desgastará articulações. O que fazemos é o uso dos contrapesos e alavancas corporais. Qualquer pessoa com 18Kg (o peso médio de uma criança de 5 anos – que aliás já consegue fazer um ótimo Shiatsu) pode utilizar o próprio peso corporal para praticar, ao invés de usar a força.

– Sedentários de todas as idades poderão sentir dificuldade no início, mas com a prática, se tornarão mais flexíveis, fortes e harmoniosos. Se as posturas e movimentos utilizados forem corretos, é questão de insistir.

Perspectivas

Em suma, para praticar o Shiatsu não é preciso ser atlético ou jovem, nem flexível. Também não importa se a pessoa é cardíaca, diabética, ou esteja em recuperação. Ao contrário, só vai fazer bem a ela (a menos que haja orientação médica restringindo expressamente qualquer forma de movimentação física, ainda que suave).

Se há exceções ao poder fazer Shiatsu? Talvez na distância ou em ser consciente. Em minha experiência, ainda está para vir o desafio do praticante tetraplégico.

Meu próximo passo será agora o de formar a primeira turma de praticantes cadeirantes. Como será isso? Conto em breve.

* * *

* Arnaldo V. Carvalho, praticante de Shiatsu desde 1993, autor do livro Shiatsu Emocional, estudante de pedagogia, mediador de inclusão em sua graduação.

 

 

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O Shiatsu e a cultura espiritual japonesa – Parte 7

Já tratamos aqui em nossa série da força da ancestralidade, do lugar que temos em uma linha humana de infinitos desdobramentos, da importância da conexão com o passado e como isso afeta inclusive nosso futuro. Mas há um aspecto na descontinuidade que apenas diz respeito à nossa própria condição de ser vivo. Assim, se respeitar solenemente a morte é algo cultuado na tradição japonesa, reverenciar a vida, e a intensidade do aqui-agora, é igualmente fundamental.

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O Shiatsu e a cultura espiritual japonesa – Parte 7

Por Arnaldo V. Carvalho*

 

A vida é um relâmpago”

 

Há mais de três séculos, no Japão, surgiu o gênero literário conhecido como Haicai – poemas muito curtos e com imenso peso existencial. Matsuo Bashô (1644-1694), reconhecido como o primeiro haicaísta, proclamou em um de seus poemas: “a vida é um relâmpago”.

 

Para além da condição efêmera da existência, Basho propõe luz, intensidade, força no ato de viver. Determina que sejamos, profusamente; avalia que, ainda na maior das pequenezes, por mais insignificante que seja nossa vida perante o Universo, ainda assim nosso momento, nosso brilho, nos pertence.

 

Assim é o Shiatsu. Uma sessão de prática dura entre uma e duas horas apenas. A força do encontro, porém, pode perdurar por uma existência.

 

Ter no coração a natureza perene, dar-se conta da eterna dança de morte e vida, e interagir suavemente com seus movimentos é traduzido pela interação dinâmica que o Shiatsu propõe ao longo de sua prática. O praticante dança a vida-morte ao pressionar ritmicamente, posicionando e des-posicionando seus dedos, e seu corpo, ora no sentido de ir na direção do outro, ora no seu momento de recolhimento. É assim que ele propõe mudanças internas ao Outro, que nada mais é que a morte do velho, o surgimento do novo. Quando isso ocorre, ele mesmo está se modificando. O Relâmpago-dedo é atraído para o mar do recolhimento-corpo e ali a vida se faz por um instante. Quem olha com olhos puros já não pode dissociar mar e relâmpago.

 

Palavras finais – Há um fazer essencial a ser resgatado

 

Dediquei meu tempo a escrever paralelos sobre o fazer Shiatsu e uma série de costumes atrelados à elevação humana no Japão, por acreditar que os mais novos na terapia podem abraçar uma outra forma de compreender e praticar a terapia, e nadar contra a corrente:

 

Em tempos de mecanização da sociedade – que atinge o âmbito terapêutico -, buscar nas tradições espirituais do Oriente a conexão para a prática em dimensões mais elevadas do Shiatsu pode parecer estranho a quem talvez tenha feito apenas um curso técnico ou a quem tenha “recebido um shiatsu relaxante”, somente.

 

Tal resgate é critério de excelência e distinção entre os praticantes.

 

Impregnar o ato terapêutico do Shiatsu com a essência da cultura espiritual que o abrigou e participou de sua origem é recuperar sua grandeza. Sua busca faz parte do dia a dia do praticante desta terapia.

 

木の実 木へ。。。

Kinomi ki e…

Tradução:O fruto da árvore, volta pra árvore…

Significado: Dá a ideia de que tudo volta pro seu lugar de origem

(Provérbio japonês)

 

***

 

* Arnaldo V. Carvalho pratica Shiatsu desde 1993 e o ensina desde 1999. Dedica-se há mais de uma décadas a compreender as origens desta prática para além dos livros. É membro fundador da Associação Brasileira de Shiatsu – ABRASHI, autor do livro Shiatsu Emocional e de dezenas de artigos sobre o tema.

 

Leia o ensaio completo:

 

Leia também:

https://japaocaminhosessenciais.wordpress.com/2014/11/06/a-espiritualidade-japonesa-e-seus-tesouros/

Artigos e afins

Shiatsu e Sincronicidades

Shiatsu e sincronicidades

Meu encontro na espiritualidade do Shiatsu com o mestre Saul Goodman

Por Arnaldo V. Carvalho*

Caros leitores amigos, “sem querer” descobri uma sincronicidade tão peculiar que mereceu ser compartilhada com vocês.

No dia 18 de fevereiro minha série de artigos sobre Shiatsu e Espiritualidade começou a ser publicada aqui no site da Escola de Shiatsu.

Dias atrás, pesquisando por uma imagem para uma aula, fui parar no site do Prof. Saul Goodman, conhecido por seu livro “The Book of Shiatsu“. Goodman é um generoso professor, e disponibiliza uma série de artigos, vídeos e dicas no site de sua escola Shin Tai, da Pensilvânia.

Para minha surpresa, a página por onde entrei era do artigo The Spiritual Origin of Shiatsu. O texto dialoga completamente com o meu, e foi publicado… No dia 18 de fevereiro, como o meu!

O artigo de Goodman propõe uma novíssima interpretação para a palavra Shiatsu, sensacional, e alinhada com o que buscamos aqui na Shiem.

Em tradução livre, deixo aqui para vocês o trecho referente, chamado “O Espírito das Palavras”. Através desse fragmento, convido a todos a lerem o artigo original (link seguiu acima), e conhecerem o trabalho de Saul Goodman:

O Espírito das Palavras

O estudo do Kotodama – o espírito do som, palavras e linguagem – ensina que toda a manifestação primeiro existe em vibração. Vibração tranforma-se em som, e então manifesta-se nas várias dimensões físicas e energéticas. Vamos pegar a palavra shiatsu como exemplo. No nível mais denso, ela quer dizer pressão com os dedos ou com o polegar.

Shi significa polegar. Tsu significa pressão.

Nós também podemos olhar outras maneiras com que a vibração (ou espírito) dessas sílabas inspira nossa experiência humana.

shiatsu
Shiatsu

 

Shi também transforma-se em fogo, plasma, astral, coração, consciência, e polegar: No desenvolvimento do ser humano, o polegar apareceu e fez da mão nossa ferramenta mais básica. Simultaneamente, a medida em que o polegar se desenvolvia, o ser humano despontava. Esta consciência ativada pela alta frequência de energia movendo-se através de uma espinha ereta. O homem é também sentiente, ou um ser emocional (astral). O órgão do coração é uma condensação do fogo no corpo, e o plasma é a substância básica da celula (protoplasm) e a qualidade do corpo energético (bio-plasm). Todas essas formas e conexões provêm da vibração do shi, baixando do Infinito aos diferentes planos de realidade.

Tsu significa pressão e também pode indicar “o ciclo da energia eletromagnética: a expressão primitiva da força da vida. Também cria os canais de energia chamados meridianos. Os meridianos mostram-se regendo a Terra, toda a natureza, e também o corpo humano. Diferentes graus de pressão contem força vital ou Ki, e oferece a ela a possibilidade de tornar-se uma multitude de formas orgânicas e inorgânicas.  inorganic and organic forms.

Conectam-se os dois sons com “a” ou “ah”, que emana a vibração da origem ou gênesis.

SHI – A – TSU: Shi e tsu conectados por “a” demonstra as condições singulares com que a vibração se desdobra e cria o humano enquanto ser físico, emocional e espiritual. Outro bom exemplo da palavra espírito é o termo japonês para o tempo (clima) – tenki – que também inclui o com “ki”. Atualmente, a maior parte das pessoas usando esta palavra somente reconhecer o significado superficial do som. Tenki significa o Ki (energia) do Céu. (…)

Goodman, Saul. In: The Spiritual Origin of Shiatsu.

 

Muito bom, não?

Conto um pouco mais sobre a sincronicidade deste encontro na busca por um “Shiatsu com Alma”, em carta endereçada ao próprio Prof. Goodman. Ela está entre os comentários do citado artigo.

Espero que apreciem. Essa semana publicaremos mais um artigo de nossa série.

Aguardamos comentários.

Abraços,

Arnaldo V. Carvalho

Escola de Shiatsu SHIEM

 

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O Fazer Terapeutico

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O Fazer Terapeutico

Por Carlos Garcia

Tradução de Hirã Salsa*

Qual o papel do terapeuta? Até onde vai a terapia? Qual o seu limite? Quando deixa de ser terapia e passa a ser código moral?

Essas questões permeiam nossa atividade no Shiatsu, é são preocupações constantes. O equilibrio ético de nossos limites contra nossas limitações pessoais, nossos delirios egóicos de grandeza e suma sabedoria, podem nos tomar de assalto e nos distanciar da missão de apoiar o movimento de integração de nossos clientes.

Para contribuir com essa discussão, deixo aqui tradução livre de minha autoria de trecho do livro Biodanza: El Arte de Danzar la Vida, de Carlos Garcia (pgs 53 à 55).

“Existe algo em comum a todas as abordagens terapêuticas do Séc. XX, apesar das diferenças e divergencias. Algo as unifica: O afã remediador.

A necessidade de dar remédio¹, de colocar ordem onde se havia perdido, é um dos muitos pontos em comum, em diferentes terapias. Claro que, nada há de mais nobre e humano que a soliedariedade compassiva com a dor do semelhante e sua intenção de remedia-lo. O que nos faz humanos, além da codição de animal homem, é a reciprocidade de nos reconhecermos mutuamente. “Sofro porque sofres”, “me alivio porque te alivias”, “gozo porque gozas”.

O que não está de todo claro nestes tempos em que a saúde é mais uma mercadoria que um ato de soliedariedade, são os limites da pretensão remediadora, ou dito de outro modo: qual é o limite e o contexto do terapêutico? Tal pergunta torna-se imprescindível em momentos de extrema proliferação de receitas salvadoras e remedios milagrosos. Porque se concordamos com o exposto anteriormente (que o afã curador pretende colocar ordem onde foi perdida), devemos previamente definir que tipo de ordem é esta, como se perdeu e como restitui-lo.

Considero que os limites e o contexto do ato terapêutico são dados pelo livre fluxo dos instintos e o desejo e as ações que surgem destes, em todas as suas manifestações. Fluxo livre que se faz evidente na expressão do ímpeto vital e a harmonia orgânica.

Os bloqueios deste livre fluir dos instintos e o desejo, os sintomas que evidenciam estes bloqueios, mostram o campo de ação da terapia. Este é o único tratável, o único curável: abrir as amarras para o desenvolvimento do potencial humano, desarmar as estruturas repressivas e culpabilizantes, acabar com as sombras envergonhadas de uma cultura manipuladora da conciência do homem, que se sustenta sempre sobre grossos e sólidos pilares… O pecado e a culpa.

Fora disto, além deste contexto o ato terapêutico perde seu lugar. A vida não é o lugar do ato terapêutico; simplesmente porque a vida é: incurável. O lugar da cura está demarcado pelo transtorno ou pelo bloqueio que impede de viver, mas de nenhum modo uma terapêutica pode ser uma arte de saber-viver, porque haverá transformado o curativo em normativo e a terapia terá caído na moral. Daqui à inquisição há um só passo.”

***

¹Considerare aqui mais o sentido de remediar e menos o de medicação. NT.

** Hirã Salsa é terapeuta corporal, professor de Shiatsu na SHIEM Escola de Shiatsu, praticante assíduo da Biodanza.

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Escher, ilusão e realidade, yin-yang e Shiatsu Emocional

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Escher: ilusão, realidade e Shiatsu Emocional

“Para ler como quem sonha”

Por Adriana Benazzi*

Há alguns anos, fui com minha família à uma exposição que me encantou demais.

Enquanto eu transitava pelas salas, meus olhos iam cada vez se aprofundando mais numa viagem além do tempo e do espaço, um verdadeiro encantamento. O efeito hipnótico era como imagino ser o de um encantador de serpentes.

Meu estado de transe foi tamanho, que tive que ser praticamente arrastada pra fora, pois não conseguia parar de olhar e ao mesmo tempo copiar os textos da curadoria, numa tentativa de levar para mim um pouco desta descoberta. https://i1.wp.com/mathstat.slu.edu/escher/upload/thumb/e/e4/St-peters.jpg/300px-St-peters.jpg

Semanas depois, entendi o que ali me atraía, numa aula de Shiatsu Emocional**. O entendimento do movimento da vida na forma da dualidade relativa do Yin e Yang, da realidade que se expressa no binômio tempo e espaço… tanto a se revelar… meu corpo é um portal. (Adriana)

SELEÇÃO DE TEXTOS DA CURADORIA DA EXPOSIÇÃO DE Mauritis Cornelius ESCHER – 2011

“Chamar atenção para algo que é impossível. É preciso ter certo grau de mistério, mas que seja imediatamente aparente. Eternidade, infinito, natureza, perspectiva, reflexos e ladrilhamento. Espaço é um conceito flexível. Natureza morta com reflexos e panoramas, casas impossíveis. Olhar duas vezes para perceber que o que se vê, não pode ser real. Juntar céu e terra. Às vezes parece-me que ficamos aflitos e possuídos por um desejo pelo impossível. Buscamos o não natural ou o sobrenatural, aquilo que não existe, o milagre.

Pode acontecer que de forma contínua nos tornemos PERCEPTIVOS OU INEXPLICÁVEIS . É o MILAGRE da mesma espacialidade tridimensional na qual andamos ao longo do dia, como em uma esteira.

Este conceito de espacalidade se revela por vezes em raros momentos de lucidez, como algo que tira o fôlego.

NÃO CONHECEMOS O ESPAÇO.

“M.C.Escher (1898-1972) era um gênio da imaginação lúdica e um artesão habilidoso nas artes gráficas, mas a chave para muitos dos seus efeitos surpreendentes é a matemática. Não a matemática dos números e das fórmulas, mas a geometria em todos os seus aspectos. Escher podia imaginar os efeitos fantásticos, mas a geometria era uma ferramenta necessária para capturar esses efeitos.Também tratava da relatividade de forma agradável, obrigando-nos a perguntar:“O que eu percebo é realmente o que parece ser?”. 

* Textos de Pieter Tjabbes, curador  da exposição “O Mundo Mágico de Escher” promovida pelo Centro Cultural Banco do Brasil entre outubro de 2010 e julho de 2011, em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. 

 

* Adriana Benazzi é professora da Escola Shiem. Médica ginecologista, especializada em homeopatia e medicina ayurvédica, completamente apaixonada pela vida, pela humanidade, e por extensão pelo Shiatsu.

** O Curso “Shiatsu Emocional” cresceu, virou livro, virou formação, e deu origem à nossa Escola SHIEM de Shiatsu.