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O Fazer Terapeutico

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O Fazer Terapeutico

Por Carlos Garcia

Tradução de Hirã Salsa*

Qual o papel do terapeuta? Até onde vai a terapia? Qual o seu limite? Quando deixa de ser terapia e passa a ser código moral?

Essas questões permeiam nossa atividade no Shiatsu, é são preocupações constantes. O equilibrio ético de nossos limites contra nossas limitações pessoais, nossos delirios egóicos de grandeza e suma sabedoria, podem nos tomar de assalto e nos distanciar da missão de apoiar o movimento de integração de nossos clientes.

Para contribuir com essa discussão, deixo aqui tradução livre de minha autoria de trecho do livro Biodanza: El Arte de Danzar la Vida, de Carlos Garcia (pgs 53 à 55).

“Existe algo em comum a todas as abordagens terapêuticas do Séc. XX, apesar das diferenças e divergencias. Algo as unifica: O afã remediador.

A necessidade de dar remédio¹, de colocar ordem onde se havia perdido, é um dos muitos pontos em comum, em diferentes terapias. Claro que, nada há de mais nobre e humano que a soliedariedade compassiva com a dor do semelhante e sua intenção de remedia-lo. O que nos faz humanos, além da codição de animal homem, é a reciprocidade de nos reconhecermos mutuamente. “Sofro porque sofres”, “me alivio porque te alivias”, “gozo porque gozas”.

O que não está de todo claro nestes tempos em que a saúde é mais uma mercadoria que um ato de soliedariedade, são os limites da pretensão remediadora, ou dito de outro modo: qual é o limite e o contexto do terapêutico? Tal pergunta torna-se imprescindível em momentos de extrema proliferação de receitas salvadoras e remedios milagrosos. Porque se concordamos com o exposto anteriormente (que o afã curador pretende colocar ordem onde foi perdida), devemos previamente definir que tipo de ordem é esta, como se perdeu e como restitui-lo.

Considero que os limites e o contexto do ato terapêutico são dados pelo livre fluxo dos instintos e o desejo e as ações que surgem destes, em todas as suas manifestações. Fluxo livre que se faz evidente na expressão do ímpeto vital e a harmonia orgânica.

Os bloqueios deste livre fluir dos instintos e o desejo, os sintomas que evidenciam estes bloqueios, mostram o campo de ação da terapia. Este é o único tratável, o único curável: abrir as amarras para o desenvolvimento do potencial humano, desarmar as estruturas repressivas e culpabilizantes, acabar com as sombras envergonhadas de uma cultura manipuladora da conciência do homem, que se sustenta sempre sobre grossos e sólidos pilares… O pecado e a culpa.

Fora disto, além deste contexto o ato terapêutico perde seu lugar. A vida não é o lugar do ato terapêutico; simplesmente porque a vida é: incurável. O lugar da cura está demarcado pelo transtorno ou pelo bloqueio que impede de viver, mas de nenhum modo uma terapêutica pode ser uma arte de saber-viver, porque haverá transformado o curativo em normativo e a terapia terá caído na moral. Daqui à inquisição há um só passo.”

***

¹Considerare aqui mais o sentido de remediar e menos o de medicação. NT.

** Hirã Salsa é terapeuta corporal, professor de Shiatsu na SHIEM Escola de Shiatsu, praticante assíduo da Biodanza.

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