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“Shiatsu Expresso” x “Quick Massage”

Diferenças teóricas e técnicas do Shiatsu aplicado na cadeira e a “Massagem Rápida”

Shiatsu rápido não é “Quick Massagem”. Shiatsu na cadeira NÃO É “Quick Massagem”.

Por Arnaldo V. Carvalho*

Shiatsu Cadeira

É completamente aceitável que pessoas leigas passem por um pequeno quiosque onde se oferece “Shiatsu Expresso”, ou outro que ofereça “Quick Massagem” e não perceba diferença. Mas quando profissionais que trabalham com terapias manuais passam a pensar e agir como se tais técnicas se equiparassem, então temos uma grave confusão ou mesmo distorção teórica, que merece ser esclarecida rapidamente.

 

A cadeira para a prática terapêutica, foi criada há cerca de trinta anos e é utilizada amplamente para um sem-número de terapias corporais. Na realidade, ela apenas acrescente sofisticação, praticidade e qualidade a uma possibilidade de intervenção, realizada com o(a) atendido(a) sentado (a). Dessa forma, o modus operandi que está por trás de cada modalidade de trabalho – incluindo o Shiatsu Expresso e o Quick Massagem  faz muita diferença.

 

Este artigo pretende demonstrar as razões pelos quais é imprescindível discriminar adequadamente ambas as técnicas, como se deu esse processo de falsa equivalência, e quais são suas reais convergências e divergências. Esperamos que ampliem-se os horizontes dos leitores, que poderão aprofundar-se em uma matéria rica e cheia de possibilidades muito acima do que se tem comumente oferecido no Brasil. Vale notar que ao longo do texto chamaremos de “Quick Massage”, “Massagem rápida”, ou “Massagem na cadeira” a adaptação das dinâmicas massoterapeuticas (terapia ocidental) para um trabalho curto (entre sete e 30 minutos) e executado na cadeira dedicada a tal terapia, e “Shiatsu expresso”, “Shiatsu rápido”, ou ainda “Shiatsu na cadeira” a técnica de Shiatsu, de base oriental, aplicada utilizando-se os mesmos critérios de tempo e local de acomodação do atendido. Vale salientar que muitos dos nomes empregados tanto para o Shiatsu como para a massagem surgiram simplesmente como tentativas particulares de se patentear protocolos e vender métodos exclusivos.

 

A origem da confusão: aspectos convergentes

 

Quase sempre, cursos e workshops com foco no atendimento na cadeira são destinados a profissionais tanto da área de massoterapia, como de Shiatsu. Superficiais, têm sido ensinados na maior parte dos locais ao modo “passo-a-passo”: “Primeiro vamos trabalhar com movimentos circulares no tronco superior, ombros, agora passe a percussões e amassamentos na região deltoide”, e assim por diante. O profissional aprende um “protocolo básico” que será aplicado sempre mais ou mesmo da mesma forma. Frequentemente, os cursos são rápidos, e não buscam detalhes relacionados à postura, atenção plena e percepção tátil do que é necessário. Professores e alunos partem do pressuposto que quem está para aprender “já sabe” (já é massoterapeuta ou shiatsuterapeuta), e assim, basta aprender a mexer na cadeira, uma sequencia minimamente interessante, acertar no tempo reduzido e aprender como funciona a higienização do equipamento. Mais raro é quando o professor (no caso do Shiatsu expresso) ainda revisa teorias como a dos meridianos, etc.

 

A teoria, infelizmente negligenciada, impede que o profissional de “Quick” ou de Shiatsu tire o melhor proveito possível da cadeira e da posição em que seu atendido se encontra, ou que atue de forma ergonômica para sua própria saúde. Tais vantagens estão amplamente explicadas na apostila “Shiatsu Expresso”, de minha autoria. Também impede um trabalho mais profundo e impactante norteie o trabalho.

 

Finalmente, vale pontuar que os excelentes alongamentos possíveis para a cadeiras têm sido positivamente incorporados para ambos os métodos.

 

As especificidades

 

Quanto às especificidades técnicas, o Shiatsu rápido segue a estrutura do Shiatsu original, bem como o “”Quick, da Massoterapia”:

 

 

Shiatsu rápido na cadeira

 

 

Quick Massagem

 

 

Métodos diagnósticos baseados no             aspecto energético.

 

 

Avaliação tátil da tensão             muscular ao longo do processo.

 
 

 

 

Ação imediata sobre pontos de             energia ou neuromusculares (depende do estilo), utilizando sempre             as pressões específicas do Shiatsu (normalmente com o polegar             mas podendo haver variações).

 

 

Opera com a típica diversidade de             manobras da massoterapia: percussões, amassamentos,             deslizamentos, fricções.

 

 

Utilização de técnicas             respiratórias

 

 

Utilização variada de acessórios             para maior variedade tátil e/ou conforto do terapeuta.

 

 

Pode utilizar uma superfície             interfacial (um pano limpo ou descartável) para realizar certas             manobras.

 

 
 

 

 

Foco no equilíbrio energético

 

 

Foco no relaxamento muscular.

 

 

Não pretendemos aqui dissertar sobre cada tópico técnico apresentado na tabela, acreditando que a mesma já é clara o suficiente. Contudo, para além das diferenciações operativas mais óbvias, será no sutil que encontraremos as diferenças fundamentais.

 

Uma delas diz respeito à capacidade do Shiatsu, caso a formação seja suficientemente profunda, de realizar uma analise somato-psíquica-energética, de maneira rápida e bastante precisa. Isso significa que entre Massagem e Shiatsu, apenas essa última terapia pode fornecer chaves de entendimento sobre a possível real origem de desequilíbrios que apareçam durante a sessão (por mais rápida que seja). A aplicação prática desse saber vai desde o direcionamento das pressões empregadas, até a orientação geral que o terapeuta pode fornecer.

 

No panorama das “terapias rápidas” no Brasil esse tipo de abordagem é raríssima. Porque em ambas as formações, têm sido pobre o programa formativo, como criticaremos mais adiante. Tem faltado teoria, porém independente disso, falta filosofia para a massoterapia ocidental, por sua própria origem e natureza. E esse é um dos principais diferenciais do Shiatsu, a ser conservado no trabalho rápido e/ou “da cadeira”. A filosofia por trás do Shiatsu funciona como um guia de foco de atenção quando o assunto é atuar especialmente em locais públicos ou abertos, situação típica para a cadeira. A utilização da respiração, da parte de terapeuta e atendido, a intencionalidade do fechar de olhos para uma atuação profunda são uma constante no Shiatsu (de alto nível). Tais possibilidades são ainda uma lição a ser assimilada pela massoterapia ocidental, que ainda espelha muito da mentalidade geral de nossa cultura.

 

Infelizmente, porém, é preciso denunciar que o Shiatsu, cada vez menos vem sendo praticado com tais preocupações filosóficas. E essa é mais uma razão para a aparente homogeneização da práxis do Shiatsu com a massoterapia. Verificamos, por sinal, que a crítica à própria massoterapia poderia ser debelada, por uma profunda reforma das mentalidades ligada às profissões que a praticam.

 

Conclusão

 

Em tese, ambos os trabalhos são interessantes e têm seu lugar. As variadas formas de abordar o corpo, com identificação das questões anatomo-fisiológicas e suas possíveis respostas terapêuticas pelo lado ocidental, ou os diferentes estilos de Shiatsu a trabalharem a circulação energética e/ou igualmente as questões físicas. O que não é possível é achar que é tudo a mesma coisa, ou que os resultados serão o mesmos.

 

***

 

* Arnaldo V. Carvalho dá aula de terapias manuais desde 1998, e foi um dos pioneiros no trabalho com a cadeira no Rio de Janeiro .

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2 thoughts on ““Shiatsu Expresso” x “Quick Massage””

  1. Excelente esclarecimento. Muitas pessoas confundem essas práticas e acham que tudo é uma coisa só sem atentar para detalhes importantes, A expressão “quick” retrata o mundo atual em que vivemos onde a são raras as pessoas que valorizam a calma e o cuidado esmerado. Tudo precisa ser muito rápido para não “perder tempo” e o qye estamos perdendo é a nossa própria vida..

  2. Excelente esclarecimento. Muitas pessoas confundem essas práticas e acham que tudo é uma coisa só sem atentar para detalhes importantes, A expressão “quick” retrata o mundo atual em que vivemos onde são raras as pessoas que valorizam a calma e o cuidado esmerado. Tudo precisa ser muito rápido para não “perder tempo” e o que estamos perdendo é a nossa própria vida..

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