Artigos e afins, Clipping/Imprensa, Notícias

O Shiatsu na Revista Brasileira de Medicina Chinesa

A revista Medicina Chinesa Brasil em sua décima primeira edição do volume IV, publicou artigo de Arnaldo V. Carvalho acerca da periodicidade ideal de sessões de Shiatsu, de acordo com o contexto apresentado.

A revista encontra-se inteiramente disponível para leitura no link: http://issuu.com/ebramec/docs/mcb_11/1

e publica diversos textos de alta seriedade e confiabilidade relacionado ao universo das terapias orientais.

Matéria sobre Shiatsu

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Artigos e afins

Sustentação e Transformação

Sustentação e Transformação

Abordagem diferenciada do contato terapêutico no Shiatsu

 

O Prof. Arnaldo V. Carvalho reflete neste artigo sobre as formas de intervenção possíveis com o Shiatsu, seu impacto sobre a terapia, e as medidas de equilíbrio a tornarem as terapias corporais mais poderosas.

Como sustentar e provocar na hora certa poderão ter papel em uma terapia? O que falta aos profissionais de Shiatsu no tocante a essas intervenções?

É ler e aprender.

Artigos e afins

Em tempos de Copa do mundo, inspire-se na inteligência do esporte para melhorar seu Shiatsu!

Quando você não está com a bola

Saber usar o Shiatsu fora da sala de atendimento é um passo firme rumo ao Shiatsu Avançado

Arnaldo V. Carvalho*

 Quem já praticou algum esporte com bola sabe bem que tão importante quanto saber o que fazer com a bola no pé (ou na mão) é saber agir quando se está sem ela. Como um jogador que posiciona-se para no momento certo receber a bola, o praticante de Shiatsu entende que é seu posicionamento diante da vida que determinará sua expressão corporal ao longo de uma sessão de Shiatsu.

Dessa importante lição sobre o fazer para além do “grande momento”, podemos seguir por essa alusão, a destacar alguns aspectos que fazem a diferença:

Saber se posicionar

Estar bem posicionado é a maneira certa de receber a bola, proteger seu campo, enfim, tornar o ambiente propício à prosperidade. Lembremos de Pasteur que afirmava: “a bactéria não é nada; o terreno é tudo”. Manter o terreno adequado para estarmos prontos é fundamental. Uma vez ouvi de um cliente que “quando ele conseguisse um novo emprego iria se animar”. Uma outra disse que “se tornará muito feliz quando finalmente se der bem no amor”. Ambos tiveram muita dificuldade na vida até compreenderem que as coisas acontecem melhor, mais fáceis e mais certas quando o processo é inverso! Com o campo bem cuidado, você não está vulnerável aos desafios da vida. Eles virão sempre, para todos, mas você está pronto e será questão de tempo e oportunidade para a bola chegar a você e marcar o gol.

Ajudar o seu time a recuperar a bola

Quando a gente acha que está fora do controle de uma situação, talvez a solução não esteja numa atitude individual, mas coletiva. Reflita um pouco sobre as pessoas que compõem a sua rede de relacionamento. Verifique quem atualmente “quem é o time” no qual você faz parte. Percebe que na vida de alguma dessas pessoas os obstáculos estão maiores? É lá que está a bola. Ele precisa de ajuda. Se ajuda-lo na marcação, ele recuperará a bola, e o time poderá ir pra frente novamente. Criar condições para quem está com a bola atuar as vezes é parte importante do jogo. Normalmente a gente faz isso “levando a marcação” conosco. Ou seja, assuma responsabilidades possíveis, para aliviar seu time o suficiente para recuperar-se. Em terapia, o “time” é o terapeuta e seu cliente. Ajuda-lo time a recuperar a bola pode ser oferecer aquela palavra de incentivo, dedicar algum tempo para ouvir o cliente ao telefone, indicar um curso ou um livro, ou quem sabe fazer Shiatsu em algum familiar deste.

Mente calma, estar presente, desfrutar, respirar bem, interagir com profundidade, ter tato, tudo isso acontece quando você “está com a bola”, atendendo. Durante a sessão, quando você está com a bola, suas atitudes estão no centro da expectativa do outro; este lhe confere a maior importância, a autoridade de cuida-lo. Talvez isso lhe massageie o Ego, mas somente sendo na vida pessoal – quando você não está com a bola – aquilo que se projeta na atitude profissional é o que te torna um “craque da vida”.

 

*   *   *

 

* Arnaldo V. Carvalho pratica Shiatsu desde 1993. Foi assistente de basquetebol em projetos comunitários em Niterói, cursou educação física e atuou como terapeuta das divisões de base de basquetebol do Clube Central na mesma cidade. Autor do livro “Shiatsu Emocional”, é da aulas e palestras sobre o tema, por todo o país e exterior.

Agenda: Cursos Eventos etc., Notícias

Zona Sul do Rio recebe o curso de Shiatsu Emocional em agosto.

Última chamada... restam apenas DUAS vagas para o Shiatsu Emocional em Niterói! E o curso em edição especial ainda pode te dar um final de semana na serra grátis!!!

Pela primeira vez em Botafogo, Zona Sul do Rio, será ministrado principal curso da Escola de Shiatsu (ShiEm). O curso de Shiatsu Emocional é hoje um dos mais respeitados cursos de Shiatsu do Brasil, e tem diversos diferenciais, entre eles o enfoque sobre a interpretação psicossomática dos meridianos e suas convergências com as teorias e técnicas das psicoterapias corporais, sobretudo precognizadas pelo psiquiatra Wilhelm Reich.

As aulas do Prof. Arnaldo V. Carvalho são detalhadas e personalizadas, e permitem que posteriormente o aluno se aprofunde em níveis bastante avançados da terapia Shiatsu. Arnaldo conta com experiência internacional, mais de vinte anos de prática e a vantagem de ser um pedagogo – ele sabe ensinar.

Mas os diferenciais não param, e vão desde o material ao método didático, passando pelos conteúdos e desdobramentos do curso.

Saiba mais! O evento já está a disposição para inscrições no Facebook (com diversas novas informações sobre conteúdo, diferenciais, etc.):

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e maiores informações sobre inscrições, preços, etc., podem ser obtidas pelo e-mail escoladeshiatsu@yahoo.com.br.

Esse curso é a porta de entrada de um modo de viver muito especial, e nossa Escola de Shiatsu segue com o compromisso de levar qualidade aos novos e experientes praticantes de Shiatsu.

Não perca! Primeiro e último do ano no Humaitá!

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Koyasan (Monte Koya): O profundo do profundo

Koyasan será o primeiro destino de nossa viagem ao Japão. Um seleto grupo percorrerá Caminhos Essenciais que tornarão o praticante do Shiatsu mais próximo do espírito que governa a terapia e suas técnicas. Conheça um pouco mais através de nosso blog exclusivo para a viagem!

Japão 2015: Caminhos Essenciais do Shiatsu

Ao sul de Osaka, há montanhas misteriosas que guardam em meio a brumas matinais o espírito do budismo japonês, preservado intacto por cerca de mil e duzentos anos.

Desde a chegada do primeiro monge, em 805, cententas de templos foram erguidos. Nosso grupo Caminhos Essenciais percorrerá trilhas milenares (Kōyasan chōishi-michi), e mergulhará em meditação e contemplação, incorporando o espírito monástico ao passar a noite em Koyasan dentro de um Kushubo, hospedagem templária, a viver como em sonho o modo de vida próprio dos cultuantes da tradição espiritual budista.

Em 2004, a UNESCO designou Monte Koya como patrimônio mundial da humanidade.

Estão previstas visitas a:

Kongobu-ji:  A sede do Budismo Shingon

Okunoin: Mausoléu de Kukai, o monge que iniciou tudo.

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Entrevista Arnaldo V. Carvalho
Clipping/Imprensa, Livros, videos e Indicações

Vídeos esclarecedores

Dividido em duas partes, a entrevista concedida ao Centro Terapêutico BioMedere pelo prof. Arnaldo V. Carvalho traz uma série de conceitos fundamentais que embasam o Shiatsu Emocional e ainda, nosso programa formativo.

Uma entrevista imperdível e esclarecedora, que dispensa maiores comentários.

Clipping/Imprensa, Livros, videos e Indicações

O Shiatsu em revista: Entrevista com Arnaldo V. Carvalho no Canal Unitevê UFF

http://www.youtube.com/watch?v=aOXI702eMWM O Shiatsu, sua capacidade de lidar com emoções, contraindicações, e outras explicações sobre a terapia, em pouco mais de quinze minutos, num batepapo entre a psicóloga e entrevistadora Elizabeth do Valle e Arnaldo V. Carvalho

Artigos e afins

A mediocridade humana compromete o Shiatsu – Parte 2: Limitações e contraindicações

https://shiatsuemocional.files.wordpress.com/2014/06/af616-004.jpg

Contraindicações na Terapia Shiatsu

Por Arnaldo V. Carvalho*

Em algum momento do ciclo básico de aprendizagem de um praticante de Shiatsu, são abordados os aspectos inerentes à contraindicações da técnica. As explicações, na maior parte das vezes, não são homogêneas da parte dos professores e escolas. A maioria, mal fundamentada. Ainda assim, quase sempre são listadas as seguintes impossibilidades:

  • Gestação (em especial no primeiro trimestre);
  • Infecções, gripes, febre;
  • Câncer;
  • Pressões sobre áreas lesionadas (por trauma agudo ou degenerações diversas – incluindo contusões, hérnias, etc.).

Mais raro, porém ainda muito orientado:

  • Osteoporose;
  • Crianças menores de… (em geral dez anos);
  • Fibromialgia.

Para a surpresa geral, se indagarmos aos autores dessa formulação os motivos das contraindicações, encontramos um imenso vazio teórico e técnico, e no máximo ouve-se: “pode piorar o processo”, ou “há pontos proibidos nesse caso”.

De um livro para outro, de um curso para outro, é o destino de muitos repetir sem questionar. Atitude comum, e retratada mesmo em antigos contos orientais, como o do gato amarrado ao pé da mesa[1]

Neste artigo, desmistificaremos as contraindicações comuns ao Shiatsu e investigaremos suas limitações reais[2]. Espera-se que ao final o leitor tenha percebido que não se pode passar adiante um conhecimento adquirido sem antes refletir sobre ele – o que inclui checar, indagar, testar, associar, elaborar, digerir.

A questão das contraindicações desvenda-se aqui: Elas não se aplicam de modo absoluto ao Shiatsu, mas de modo relativo, porque dizem respeito às limitações de quem o estará dinamizando. Em outras palavras, as contraindicações dependem mais das capacidades de quem está utilizando o Shiatsu, porque as características do mesmo lhe permitem a utilização em diferentes grandezas, e suas vantagens poderão ser percebidas nas mais diferentes circunstâncias.

Iniciemos, pois refletindo sobre alguns tópicos diretamente relacionados às contraindicações.

Shiatsu não é acupuntura: Entre os mais utilizados argumentos em prol de contraindicações estão as funções dos pontos de Acupuntura. Alguns possuem a fama de serem abortivos, quando, por exemplo, tem como função estimular contrações uterinas. Embora se desconsidere as próprias capacidades do corpo de reger o processo de estimulação energética, parece sensato, e principalmente prudente, no caso da Acupuntura. Mas é grande defeito do Shiatsu, especialmente no Brasil, confundir Shiatsu e Acupuntura na forma como agem, simplesmente porque perpassam os mesmos pontos. No Shiatsu, não se trabalha concentrando o tratamento um conjunto de pequeno de pontos por vinte minutos inteiros (protocolo mais básico). O Shiatsu trabalha com o fluxo, desbloqueando e alimentando o sistema energético como um todo; a Acupuntura trabalha concentrando grande intensidade na ação de um ponto. De certa maneira é como comparar a fitoterapia – que funciona a base da pluralidade em doses reduzidas de substâncias de uma planta medicinal sobre o organismo humano -, e a alopatia, que atua concentrando uma substância única e buscando a manipulação de regiões  específicas. Por isso mesmo, em Shiatsu não podemos temer “pontos abortivos”, ou quaisquer outros.

Gestação: Com a explicação acima, acredito que o medo de “apertar o ponto errado” tenha se dissipado da mente do leitor. No tocante a gestação, essa é uma das fobias típicas despertadas pela ignorância geral dos terapeutas. Outra diz respeito ao Shiatsu no primeiro trimestre, período considerado mais sensível que outros, em virtude das impactantes adaptações hormonais e fisiológicas que ocupam o cenário e determinarão a estabilidade e confiança com que se dará a gravidez. O medo aumenta ainda mais, caso o período seja acompanhado de fortes enjoos da parte da mãe. Começando daqui, é necessário esclarecer que a natureza do enjoo na gravidez é indicativa de forte atividade placentária. As mulheres que enjoam apresentam percentuais mais elevados de placentas de grande porte, e isso é um sinal de bebê bem protegido, pois é este o órgão que regulará todas as trocas entre mãe-feto (por isso mesmo os estudiosos da área muitas vezes a chamam de “a advogada do bebê”). O Shiatsu pode ajudar muito nos enjoos, mas possivelmente será preciso recorrer à integração de outras terapias para uma sessão ser bem sucedida. Isso necessita de um grau de maestria técnica e versatilidade pouco encontradas no mercado profissional. Na dúvida, não faça. Porém, com a orientação / profissional certo, o shiatsu é fantástico. É altamente vantajoso, o quadro estabiliza mais depressa, os sintomas melhoram sensivelmente, o corpo aumenta seu poder de adaptação se prepara de maneira mais harmônica para as mudanças. Quanto aos outros trimestres, o segundo é de estabilidade e não se vê muitas contraindicações (somente o despreparo poderia justificar). O terceiro poderá demonstrar contrações uterinas, inchaço, baixa mobilidade, dores de coluna, alto peso, pressão deste peso sobre vias circulatórias importantes, redução de espaço pulmonar, de bexiga, prisão de ventre, entre e outras manifestações que podem se encontrar exacerbadas e que requerem cuidados especiais. Todos esses obstáculos são passíveis de serem vencidos, e o shiatsu é muito especial quando bem aplicado. Para tudo isso.

As coisas requerem ainda mais maestria quando há gravidez de risco. Pode ser que não haja a possibilidade de se trabalhar com pressões. Mas a pulsação estará presente e conservará a eficácia do Shiatsu, como explicaremos no tópico seguinte.

Osteoporose, crianças pequenas, e adultos em idade avançada e outras formas de fragilidade e/ou delicadeza osteomuscular.

Crianças pequenas e pessoas muito velhas são também consideradas frágeis, e junto com lesionados e grávidas, são passíveis do medo do “equívoco primordial” no Shiatsu: a pressão destemperada exercida por mãos insensíveis. Aqui, a contraindicação se faz por mais um erro teórico importante. Não estamos falando da falta de percepção no caso de uma mão bruta e incompetente. Mas da própria natureza do mecanismo com que opera o Shiatsu. Embora o nome Shiatsu pressuponha pressão com os dedos, o sucesso do Shiatsu desde sua origem se deve ao mecanismo de PULSAÇÃO, e devolução da condição de pulsação homeostática ao individuo. A pulsação primordial é o simples toque, e é através dela que vida cura vida, que vida lembra a outra vida de suas trocas cósmicas. As áreas sensíveis, doentes, frágeis, podem não resistir à pressão de um dedo ou de uma mão. Pessoas muito idosas, com ossos que parecem de papel, aceitam toques mínimos. É preciso grande perícia e sensibilidade nesses casos, mas não há corpo frágil demais para o simples aproximar-se, para a troca de calor e vibração. O shiatsu nesse momento deverá operar em níveis muito sutis, o que não o fará menos poderoso. Claro, não se deve misturar doença com estados sutis. Bebês recém-nascidos saudáveis suportam pressões suaves e ficam muito bem com o Shiatsu típico.

É interessante que a contraindicação seja feita como forma de se evitar a incompetência. Como forma de lançar no mercado gente despreparada mesmo sem ter conseguido compreender com profundidade o que estão fazendo. Ou como forma de garantir que os lançamentos do mercado editorial não sejam barrados por ensinar a leigos a cometerem atrocidades contra o corpo alheio.

Fibromialgia e doenças reumáticas e autoimunes diversas

De um tempo para cá, tem aumentado a quantidade de doenças autoimunes, e neste grupo, em especial a famílias dos reumatismos. O Shiatsu tem sido experimentado nesse tipo de moléstia, e fracassado muitas vezes. Especialmente, quando não se tem em conta que Shiatsu não se faz em uma sessão. O Shiatsu é um tratamento, e por vezes precisa despender de uma série sistemática de sessões para resultar. Alguns problemas, sobretudo alguns que desequilibram os mecanismos do Meridiano da Vesícula Biliar demonstram a chamada hiper-reatividade, que é um fenômeno de piora inicial para depois encontrar-se a melhora. A hiper-reatividade ocorre em torno de 10% dos casos de tratamento com Shiatsu, e sua má interpretação pode levar a criação de novas barreiras contra a terapia. Não tiramos a razão do profissional de saúde que está na orientação de um caso como, por exemplo, fibromialgia, e cujo paciente relata que no dia seguinte a uma sessão suas dores pioraram. A má orientação do terapeuta – novamente evoco a má formação – leva a um processo de desconhecimento  e intranquilidade. A pessoa atribui a piora do sintoma à piora do mal, mesmo que esta seja por vezes parte temporária da reorganização do corpo. Seria preciso uma série de outras sessões, orientações, e por vezes, integração de terapias para que o benefício de fato pudesse ser experimentado. Mas o sintoma será cortado e com ele, a chance da terapia mostrar seu valor. As vezes, a má orientação cria estigmas negativos sobre o Shiatsu, e não é um problema do Shiatsu em si; é de fato um problema técnico.

De que lado você está? (as correntes ideológicas apostando ou não no corpo). O médico Vernon Coleman[3] faz um apelo aos leigos para que busquem o poder de cura do próprio corpo, e evitem como puderem as internações em hospitais. Ele sabe que os riscos aumentam muito depois que o indivíduo entrega sua saúde ao modelo atual de tratamentos. Aqui temos a contraindicação mais comum e recorrente do Shiatsu: Jamais faça Shiatsu em caso de infecções, jamais faça Shiatsu em caso de câncer. Todos os nossos patógenos, sejam químicos (substâncias tóxicas), sejam biológicos (germes e células de câncer) estarão sendo “espalhados” pelo organismo, concluindo seu “projeto mórbido”. A aposta é de que o corpo é uma estrutura completamente incapaz de se defender, e que só “o mal” se contagia. Outro inglês, xxx, dizia por outro lado que “a saúde é contagiosa”. Se por um lado melhorar a circulação facilita o viajar de uma célula de câncer ou uma bactéria, por outro lado, espalham-se células T, biócitos, macrófagos e tantos outros agentes do sistema imunológico – o sistema da vida! Quem ganha e portanto, em quem apostar? Até aqui, ainda não podemos responder essa pergunta, a menos que se tenha um conhecimento um pouco maior de fisiologia. Precisamos lembrar que “boa circulação” no caso da circulação sanguínea e linfática não é simplesmente movimentação do líquido pelo vaso. Mas a boa troca que cada célula do corpo faz com esses líquidos. Se o ar é nosso meio de troca com o macrouniverso, é o sangue e a linfa o meio de troca da célula com o microuniverso que é o nosso corpo uno. As células recolhem do sangue e depositam no interstício, aguardando pela absorção (drenagem) linfática que retirem o material dejetado dali. É a partir daí que ocorrem os processos de REGENERAÇÃO. Basicamente, para entrar o novo tem que sair o velho. O interstício tem limites, o inchaço é hiperdeposição ou incapacidade de remoção. Boa circulação é fazer o alimento nutrir a célula, e ela bem alimentada necessariamente excretar. Se a circulação é completa, as células se renovam, e se renovando, estão mais fortes para contribuir com o organismo em suas funções. E assim sendo, há menos gasto energético, e aí sim cabe e há recurso para nossos administradores gerais concentrarem forças na formação de células de defesa, da imunidade, da retomada ao poder do corpo.

A corda rompe para o lado mais fraco: Imagine a seguinte situação: Um indivíduo em estado terminal (a doença não importa), passando por diversas intervenções; Um familiar resolve lhe aplicar um Reiki (sem qualquer contato corporal). Horas depois, vem o doente a óbito, mesmo que os dias que antecederam ao fato tenham sido de estabilidade. A família não se conforma, e desconfia que “aquela terapia alternativa matou nosso ente querido”. Agora veja que, se uma terapia puramente energética, como é o caso do reiki, frequentemente recebe acusações tolas, passionais, infundadas, imagine uma terapia pelo toque, que vai fundo, como o Shiatsu. A corda sempre rompe no lado mais fraco, e quando se considera o respaldo técnico que a terapia tem hoje no Brasil, não arrisque. A regra de ouro é: Na dúvida não faça. Tenha sempre não somente a segurança técnica, mas o corpo teórico bem fundamentado para explicar tudo o que você faz, tudo o que acontece no processo terapêutico, em termos fisiológicos, psíquicos e energéticos. Repetimos, na dúvida não faça. Caso o leitor seja um praticante profissional de Shiatsu, há de convir, em casos extremos a culpa será do shiatsu.

Conheça seu limite, seu nível de experiência, sua habilidade técnica.

É claro que mesmo depois de mistificarmos tantas contraindicações necessárias a quem não está preparado, ainda assim há limites mesmo ao mais experiente. Os limites, mais uma vez, variam não de acordo com uma doença ou sintoma apresentado, mas com o conhecimento de causa, o contexto, as características específicas de cada caso. Uma criança desnutrida com febre de 40 graus terá um resultado muito diferente de uma criança que sempre foi saudável e possui abastadas reservas de energia. Se a situação do corpo é complexa, se não se conhece a sua história, se não há conhecimento profundo envolvido, jamais arrisque. É imprudente e irresponsável. Cada nível de complexidade de um problema requer um grau de expertise diferente. É muito importante que o praticante de shiatsu esteja BEM consciente de suas limitações técnicas, teóricas, práticas, e tem humildade de indicar outros profissionais e terapias mais adequados a cada caso. Para além de a limitação técnica ser perigosa e de fato poder criar novos problemas ou agravar um antigo, ela por vezes ocupa o espaço de outro tratamento mais importante. O Shiatsu é muito bom, muito especial, tem espaço em todas as ações de promoção da saúde, desde que o profissional esteja preparado. O bom profissional, mesmo assim, saberá dizer ao seu atendido: “existe coisa melhor nesse caso”, e indicar o caminho das pedras.

No final de tudo, a única e verdadeira contraindicação  é a da falta de bom senso.

*   *   *

* Arnaldo V. Carvalho estuda Shiatsu há vinte anos. autor do livro Shiatsu Emocional, membro-fundador da ABRASHI – Associação Brasileira de Shiatsu, membro do SINDACTA – Sindicato de Acupuntura e Terapias Afins do Rio de Janeiro, diretor da Escola de Shiatsu SHIEM conta com uma experiência de mais de vinte anos com o Shiatsu, tendo aprendido uma diversidade de estilos diferentes.

 

 

[1] Ver o artigo inicial dessa série, “Da prática a Terapia ou Como superar a normose“.

[2]Para uma avaliação adequada, é necessário que possamos distinguir com clareza os conceitos de terapia, técnica e prática no Shiatsu (mais uma vez nos remetemos ao primeiro artigo desta série) .

[3] Ver http://www.vernoncoleman.com

 

Artigos e afins

A mediocridade humana compromete o Shiatsu – Parte 1: Da prática a terapia

Este é o primeiro de uma pequena série de ensaios que discute por que uma terapia com tanto potencial como o Shiatsu vêm sendo vista pelo senso comum – tanto entre terapeutas como pela sociedade em geral – como uma simples massagem, eventualmente útil em dores ou “bom para relaxar”. Será o Shiatsu subvalorizado por conta de um certo espírito de mediocridade[1] que assola nossa sociedade e impede a percepção máxima acerca dessa terapia? Será que a normose[2] contaminou o Shiatsu já em seu berço e o tornou refém de um modo de viver incompleto?

 

Trabalhando por diferentes linhas de raciocínio, o autor, a exemplo de Guilherme de Baskerville[3], busca que os fragmentos em torno da elucidação de um caso se complementem, uns aos outros, afim de demonstrar um quadro mais amplo, capaz de apontar caminhos de renovação.

 

 

Da prática a terapia ou

Como superar a normose e alcançar a excelência profissional

 

Por Arnaldo V. Carvalho*

 

Praticar Shiatsu é simples como arranhar um violão. Qualquer um pode fazer isso com poucas horas de estudo. E assim como na música, não é mal que um pai toque o básico para alegrar seu filho, trazendo bem aventurança à toda uma casa. Mas isso não o torna, em absoluto, um músico profissional. Do praticar despretensioso em ambiente familiar à prática profissional, técnica ou terapêutica, há um longo caminho. Por motivos curiosos, diferente de tantas outras atividades humanas, o senso comum referente ao Shiatsu de que impõe: “Shiatsu é uma terapia, uma profissão”. Quem perde com isso é naturalmente a própria sociedade, que deixa de ter em casa uma verdadeira arte de promoção da saúde individual e familiar. Mas sob ângulo diverso, tal estreiteza de visão não alcança o outro lado da linha, a linha profissional do Shiatsu, que em sua capacidade plena, alcança uma profunda dimensão terapêutica.

 

Tornemos claro:

 

– Uma prática é um saber aprendido por observação e repetição. Não há preocupação com teorias, senão com o fazer em si e os benefícios que a prática proporciona. Sobretudo entre as famílias de imigrantes japoneses, já foi bastante comum a prática de Shiatsu em família, que por vezes é passada informalmente de pai para filho.

 

– Uma técnica é uma prática ou conjunto de práticas formais, ou seja, que passam por treinamento e a modelagem dos protocolos que a técnica pede. As técnicas não requerem grande aprofundamento teórico. A maioria dos praticantes de Shiatsu no Brasil é constituída de técnicos. Enquanto profissão, o Shiatsu tem sido oferecido sobretudo por escolas especializadas no ensino técnico, e mesmo que utilizem o nome “Shiatsuterapia” sua formação é limitada pelos contornos comuns da qualificação técnica no país.

 

– Uma terapia utiliza um repertório de técnicas que serão aplicadas de sob a orientação de uma base teórica consistente, que permite avaliar, construir uma estratégia de trabalho e atuar de acordo com uma perspectiva de tratamento bastante consciente. O Shiatsu possui arcabouço teórico e prático que permite que seja identificado como uma terapia. Porém, poucos são os terapeutas de Shiatsu.

 

Os terapeutas conhecem todo o potencial do Shiatsu, e sabem que suas técnicas são adaptáveis a todo o tipo de circunstância, de modo que sempre farão bem aos indivíduos que as experimentem. De modo inverso, não há para essa terapia uma contraindicação absoluta, apenas um modo correto de conduzir-se por ela, de acordo com a situação que a ele se apresenta. A questão das contraindicações desvenda-se aqui: Elas não se aplicam de modo absoluto ao Shiatsu, mas de modo relativo[4].

 

Técnicos e terapeutas são muito diferentes. Os técnicos são treinados para reproduzirem de forma standard manobras de Shiatsu, de forma que se diferenciem o mínimo possível uns dos outros. Estão aptos a trabalharem em grandes clínicas e spas, onde há clientes de passagem, que não estão a procura de terapia, e não se importam se recebem Shiatsu com João numa terça e com Elizete na semana seguinte. O Shiatsu técnico é normótico e quase sempre medíocre. “Quase” por salvação de alguns que são tão bons, que parece terem chegado a uma proximidade de perfeição como os elevados praticantes do Chanyu[5] japonês.

 

Já os terapeutas são todos diferentes entre si, pois a terapia pede personalidade, individuação. Pessoas que procuram um terapeuta podem ter se atraído pela técnica, mas ao compreenderem a profundidade do que está sendo oferecido, ficam já não pela terapia puramente. Seguem, sim, a terapia pela capacidade do profissional de colocar seus recursos de forma cem por cento encaixada com a situação que se mostra.

 

A formação de um terapeuta, e aliás, de qualquer profissional, depende da formação do próprio ser humano. Se este não tem educação sócioafetiva adequada, se sua formação no tocante aos conhecimentos biológicos for insuficiente, por vezes torna-se um técnico sem a aparelhagem que o diferencia para além dos patamares de mediocridade que atingem a maior parte das pessoas. De certa maneira, a educação para não questionar, a adoração aos privilégios e espelhamento dos privilegiados, etc., é o que fazem com que tenhamos a sociedade normótica de que Professor Hermógenes nos fala e combate, ou a sociedade neurótica de que Freud, Wilhelm Reich e tantos outros cientistas da mente vêm enunciando. Reich ainda vai além, investigando a pestilência emocional[6] que é em si ente e mecanismo de manutenção do estado atual vigente.

 

Esta problemática tem o gato amarrado ao pé da mesa como uma das pontas de um imenso Iceberg. O leitor a conhece?

 

O gato amarrado ao pé da mesa[7]

“Certo dia, apareceu um gato a miar na sala de meditação. O mestre pediu que o gato fosse amarrado ao pé da mesa da cozinha, que ficava em outro pavilhão, até que o tempo do necessário silêncio se concluísse. Tudo correu bem, e a partir de então, o gato, que sempre rondava os prédios do mosteiro, passou a ser profilaticamente amarrado na mesa da cozinha antes dos monges seguirem para meditar.

O tempo passou e pouco a pouco o mestre,  os monges, e o gato, participantes do hábito em sua origem, foram substituídos pelo natural movimento da vida. Entretanto, estabeleceu-se a rotina por gerações sem questionamentos, até que houve um noviço indagou por que toda a vez que iam meditar era necessário o aprisionamento temporário do gato.

– Sempre foi assim -, retrucou um monge mais velho”.

A repetição normótica está por traz de uma verdadeira inaptidão para a excelência.

 

Quando focamos na questão da formação em Shiatsu, verificamos que o indivíduo chega quase sempre despreparado em seu corpo emocional, em sua capacidade de aprender (para além da capacidade de meramente reproduzir), de elaborar em cima dos conteúdos transmitidos por livros, professores, etc. Naturalmente, esse fator o desqualifica antes mesmo de mencionarmos as disciplinas diretamente correlatas ao conhecimento fundamental de todo profissional de saúde, e que inclui o corpo em seu sentido de tempo (desenvolvimento, personalidade, fases da vida, genética, etc.) e espaço (anatomia, fisiologia, etc.). Tais disciplinas são como finos instrumentos que para serem corretamente manuseados, necessitam dos pré-requisitos mencionados. Em outras palavras, ensinar fisiologia a uma mente desprovida de familiaridade com a Vida, capacidade de reflexão, entre outros fatores, seria como dar um clarinete a um macaco.

 

Como já afirmamos, não há nada de mal praticar Shiatsu aprendendo o mínimo. O acesso a uma formação básica de Shiatsu com essa finalidade claramente amadora é rara, mas infelizmente é aproveitada pelo medíocre como uma adição a um currículo profissional.

 

Muitos dos leitores praticantes agora se autoavaliarão, e se forem honestos concluirão que talvez se achassem terapeutas mas não o sejam; alguns se acomodarão no patamar técnico. Outros se libertarão e poderão seguir fazendo seu Shiatsu amador sem achar que podem “estar fazendo algo de errado”. Mas há os que desejam tornarem-se terapeutas de verdade. Para estes, a recomendação expressa é: Revejam suas relações profissionais. Não se satisfaçam. Possam ir mais fundo. E comecem a pensar que ser terapeuta não é só estar atuando no consultório. O profissional de excelência não é uma pessoa em casa e outra pessoa no trabalho. Sua excelência é parte integrada de seu modo de ser na vida. Ele é a própria excelência.

Sem mais filosofias, encontrem quem sabe mais que você agora e esteja verdadeiramente disposto a compartilhar, e grude nele. Nutra-se desse conhecimento sábio e sólido, aos pequenos bocados, e só torne a comer quando o conteúdo anterior estiver plenamente digerido, transformado em uma parte de você. A diferença entre o ótimo e o médio pode ser a diferença entre a verdadeira fome e a ansiosa vontade de comer.

 

* * *

 

* Arnaldo V. Carvalho estuda Shiatsu há vinte anos. autor do livro Shiatsu Emocional, membro-fundador da ABRASHI – Associação Brasileira de Shiatsu, membro do SINDACTA – Sindicato de Acupuntura e Terapias Afins do Rio de Janeiro, diretor da Escola de Shiatsu SHIEM conta com uma experiência de mais de vinte anos com o Shiatsu, tendo aprendido uma diversidade de estilos diferentes.

 

 

[1] Medíocre é aquele que se contenta em ficar no MEIO, ser mediano, e por este modo acomodado, associa-se o comportamento à pobreza de espírito. Boa charge sobre o tema: http://www.nadaparecido.com.br/11-maneiras-de-ser-insignificantemente-mediocre.html

[2] Normose é termo amplamente divulgado pelo yogue Hermógenes, e se refere ao vício social de se reproduzir modelos de forma irrefletida, apenas para adequar-se. Um exemplo interessante de apologia à normose seria a gíria “pagar mico”, tão utilizada no sentido de comportamento inadequado, fora do que seria o “normal” das pessoas. Saiba mais sobre a normose lendo artigos do Prof. Hermógenes sobre o tema:

[3] Personagem de Umberto Eco, protagonista de seu best-seller “O Nome da Rosa”, e criado a inspiração de Sherlock Holmes de Conan Doyle.

[4] Sobre isso leia o próximo artigo, que trata especificamente das contraindicações.

 

[5] A Cerimônia do Chá japonês, considerada um “Dô” – Caminho de evolução interna – preza pela perfeição do movimento correto segundo a formulação tradicional de seu criador.

[6] Peste ou praga emocional é o conceito de Wilhelm Reich acerca de uma “doença coletiva” com alto potencial autodestrutivo, e que está por trás de vários comportamentos sociais, o que incluí as irmãs normose e mediocridade. * O termo é amplamente discutido no livro “Análise do Caráter” de Wilhelm Reich. Textos relacionados: https://shiatsuemocional.wordpress.com/2011/04/09/bill-clinton-e-a-praga-emocional/; e http://espacowilhelmreich.com.br/artigos.php?c=18

 

[7]Há muitas versões diferentes desse conto, algumas bem mais completas e interessantes que a que narrei.