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Curso de Shiatsu (Método Shem) com Arnaldo V. Carvalho no Espaço César Suziganm (Vila Madalena, São Paulo, SP)

Curso de Shiatsu Emocional (intensivo)

com Arnaldo V. Carvalho

26 e 26 de Maio e 2 e 3 de junho de 2012 – Vila Madalena, São Paulo, SP

Shiatsu é uma terapia originada no Japão e desenvolvida em diferentes partes do mundo. Alia estudo científico à sabedoria tradicional do oriente.

Shiatsu Emocional (Método Shem) é uma abordagem direcionada à percepção psicossomática do Shiatsu. Prof. Arnaldo pratica Shiatsu há quase duas décadas e  já ensinou sobre o tema em diversos países, e de norte a sul pelo Brasil.

Já estão abertas as inscrições para o Curso Básico de Shiatsu Emocional em regime intensivo.

A turma é reduzida, e portanto a garantia de vaga é por ordem de inscrições.

O curso acontecerá no Espaço César Suziganm, um local privilegiado e totalmente preparado para nos receber com simplicidade e conforto.

Público-alvo, Objetivos e Possibilidade de seguir por níveis avançados: O curso é destinado a todos aqueles que buscam ampliar seus conhecimentos e, conseqüentemente, sua qualidade de vida. Ou seja, não é preciso ser profissional de nenhuma área de saúde para participar do curso e, começar a praticar o Shiatsu.

É igualmente recomendado a todos os profissionais que atuam com MTC, shiatsu, psicólogos, bem como os demais profissionais de saúde que desejam enxergar além do horizonte físico e atuar no campo emocional; aos psicólogos que desejam fazer uso de uma abordagem corporal, e aos terapeutas corporais que desejam passar a ter o corpo não como fim, mas como meio para equilibrar o ser.

Programa Básico: Introdução ao saber Oriental: Origem e evolução do Shiatsu; Comprovações Científicas; O equilíbrio através do toque; O toque shiatsu; O estilo Shiatsu Emocional; Os 7 preceitos do shiatsu emocional; Introdução à Medicina Tradicional Chinesa – Histórico, o Tao, Introdução às Cinco Fases; os 12 Meridianos e suas funções emocionais; Introdução à percepção do Hara; Introdução à Aromaterapia como amplificadora do toque shiatsu; Tratamento dos principais desequilíbrios emocionais através do shiatsu; exercícios práticos. Prática Básica com orientação ergonômica e postural. Com o programa básico, é possível fazer uma sessão segura e com muitos benefícios aos praticantes.

Professor: V. Carvalho pratica Shiatsu há quase duas décadas. Membro da Associação Internacional de Shiatsu; Membro-Conselheiro do SINDACTA – Sindicato de Acupuntura e Terapias Afins do Rio de Janeiro; Membro da ABRASHI – Associação Brasileira de Shiatsu; Diretor da Aeshi – Escola de Shiatsu e coordenador de Shiatsu do Centro Brasileiro de Acupuntura Clínica e Medicina Chinesa; Fundador e moderador do grupo Shiatsu-BR e Shiatsu Brasil, editor do verbete Shiatsu na Wikipedia, autor do livro Shiatsu Emocional. Mais info: www.arnaldovcarvalho.com e arnaldovcarvalho.wordpress.com

O curso inclui Kit Aluno com manual do aluno, CD ilustrativo com centenas de informações, artigos etc, músicas e apostila; certificado Aeshi – Escola de Shiatsu e participação perene em nosso grupo de estudos, que dá total suporte ao aluno.

Maiores informações sobre o Shiatsu Emocional e o curso

em: http://www.shiatsuemocional.com.br e shiatsuemocional.wordpress.com

E-mail de contato: escoladeshiatsu@yahoo.com.br

ATENÇÃO AOS DIFERENCIAIS DESSE CURSO!

12 Razões para fazer o Curso Shiatsu Emocional

O Método Shem da AESHI possui uma série de diferenciais, sendo válido mesmo por quem já pratica Shiatsu ou tem formação em acupuntura ou Medicina Chinesa (descontos para tais profissionais, informe-se).  Dentre os diferenciais de nosso curso, vale destacar:

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7. Os nossos cursos mostram e ensinam sobre diversos estilos de Shiatsu, não apenas uma visão fechada. O Estilo Shiatsu Emocional somente é ensinado em nossa escola, ao longo de nossa abrangente formação.

8. O professor tem reconhecimento internacional, sendo o único brasileiro membro honorífico da Associação de Shiatsu Internacional, é um dos fundadores da Associação Brasileira de Shiatsu e tendo ministrado cursos e conferências em diversos estados do Brasil e países de 4 continentes.

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escoladeshiatsu@yahoo.com.br

Tel: (21) 9246-5999 ou (11) 3031-8553

– Contato direto com o professor

Arnaldo V. Carvalho: arnaldovc@portalverde.com.br

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Traduções

MEMÓRIAS DE REICH: Dr. Herskowitz relembra suas experiências com Wilhelm Reich


MEMÓRIAS DE REICH
Dr. Herskowitz relembra suas experiências com Wilhelm Reich

Tradução de Arnaldo V. Carvalho

 O Dr. Morton Herskowitz já não demora chega aos cem anos, e continua clinicando na Filadélfia. Nessa entrevista ele tinha 90 e relata várias memórias vividas com Reich. Boa leitura. Arnaldo

– A medida que se envelhece a memória fica menos aguçada. Então as coisas que eu lhe digo são as que melhor me lembro. Se eu cito Reich, pode não ser uma citação exata, porque depois de um longo período de tempo algumas coisas ficam alteradas. Mas eu dou a você minhas melhores memórias. Vou contar a você primeiro como eu cheguei na Orgonomia e como eu cheguei em Reich.

Um homem que era um estudioso nessa cidade quando eu estava na escola de medicina me disse – ele sabia que eu era interessado em psiquiatria – “Eu li um livro e acho que você se interessaria por ele”. E eu lhe disse: “Que livro é?”, e ele disse “Revolução Sexual, de Wilhelm Reich”. e eu respondi: “Ah, aquele cara, ele é pirado”. E ele disse: “Como você sabe que ele é pirado?”. Eu disse: “todo mundo sabe, é piradão!”. E ele disse: “Você não acha que devia ler o livro antes de dizer que ele é pirado?”. Soou-me razoável. Então eu li “Revolução Sexual”. E para pessoas que leem Revolução Sexual nos dias de hoje talvez não ele não provoque uma abertura da mente tão impressionante como provavelmente acontecia no tempo em que o li, bem no início dos anos 40. E naquela época eu estava pensando em ir fazer psicanálise e fui fazer compras próximo a um analista da cidade. E tinha tido cursos e ido a aulas de psicanalistas, mas até então eu sabia que eu ainda não tinha encontrado um em que pudesse confiar a mim mesmo para o trabalho.

E quando eu li “Revolução Sexual” lá estavam as respostas a tantas questões que eu tinha tido em meus estudos sem qualquer sucesso em encontrar respostas. Então “Revolução Sexual” foi um “abridor de mente” para mim, e depois dele eu li todos os livros de Reich disponíveis na época. E quando eu os terminei, eu pensei “esse é o homem com quem desejo fazer terapia”. Então liguei para Reich e ele estava em Forest Hills naquele momento, e nós marcamos uma sessão. E eu te digo: de tudo o que eu li a única coisa que eu não havia captado bem era o conceito de energia orgônica. Porque tendo sido treinado na ciência clássica, a energia orgônica era um conceito “selvagem”. Então planejei ir ver Reich deixando qualquer menção a energia orgone de fora da conversa. Porque a terapia que havia conhecido tinha sentido e eu queria fazer terapia com ele. Fui então ao seu consultório em Forest Hills no dia marcado.

PRIMEIRO ENCONTRO COM REICH

Naquele tempo, Reich vivia em Forest Hills, N.Y. Eu liguei e consegui um horário – isso era no final dos anos 40 – e fui ver o Dr. Reich. Ele vivia numa casa portentosa naquele tempo. então eu fui ao seu consultório em Forest Hills no dia da consulta. Minha primeira vista de Reich foi ele descendo as escadas do segundo andar; o feeling que qualquer um tinha era “esse homem é poderoso”, simplesmente pelo modo com que desce as escadas.

Você tem a sensação de que ele é uma usina de força. Então primeiro ele me perguntou: “Como você chegou aqui, o que você leu?”, e eu lhe disse que havia lido tudo o que estava disponível naquele momento. E a segunda pergunta foi: “O que você acha da energia orgone?” E eu disse: “Bem, parece muito estranha para mim”. E ele disse: “É claro que é estranho”. Ele disse: “Porque você foi treinado de uma maneira que é completamente diferente do modo como penso e da maneira com que as pesquisas sobre a energia orgone são dirigidas. E se você levar essa questão para trabalhar no laboratório, você fará os experimentos e vai descobrir por si mesmo se a energia orgone existe ou não.” E eu pensei que essa era uma resposta muito razoável. Por que de alguma maneira eu esperava que ele dissesse: “Não acredita na energia orgone? Então de o fora daqui!”. Mas ele foi muito razoável sobre isso. Minha impressão daquele homem era enorme, – minha primeira impressão era “este homem é uma usina de força”. Havia uma força nele que era inegavel. Então começamos a falar sobre meu histórico, treinamentos, o que eu havia lido, que sintomas eu tinha.

Então começamos a terapia. E um de seus recursos na terapia era: “você pode gastar quanto tempo quiser e eu posso coloca-lo para fora a qualquer hora que eu queira.” Isso também me pareceu razoável. Ficou imediatamente claro para mim que poderosa técnica era aquela. Ninguém que não tivesse estado em terapia poderia realmente apreciar por completo seu poder. Você deve te-la experienciado para verdadeiramente saber como funciona. Só você tendo experimentado para realmente saber o que acontece. E eu posso lembrar, que em muitas sessões em Forest Hills, cada vez que saia da sessão terapêutica e caminhava na direção do metrô, eu me sentia como nunca havia lembrado sentir. E flutuava. A terapia tornou-se muito mais importante do que eu havia assumido que fosse possível, porque até onde eu sabia, não estava mal emocionalmente. E por essa razão, presumia que a terapia era muito mais para propósito de treinamento. Inicialmente, a razão para buscar terapia foi principalmente para o propósito de treino, porque eu acredito que qualquer um que vai ser psiquiatra deve ter estado em terapia. Eu creio que qualquer um que vai para a psiquiatria deve estar em terapia. Então eu fiz aquele tipo de “aproximação acadêmica” a terapia. Mas estando na orgonoterapia, uma mente é rapidamente transformada. Porque coisas acontecem que você jamais poderia prever acontecer com você. Mas estando na Terapia Orgone, uma mente é rapidamente alterada, porque coisas acontecem que você jamais havia pressuposto acontecer com você.

O homem ele mesmo tinha uma força, uma energia, como ninguém que eu havia visto outrora.

Então em geral ela é uma experiência muito energizante [chocante].

INICIANDO A TERAPIA

Ele me disse, “Se eu estiver com você em terapia, você precisa concordar em assinar um papel dizendo que se eu quiser hospitalizar você, você será hospitalizado”. Eu não acreditava que aquilo poderia algum dia acontecer, mas eu pensei: “OK, eu assino”. De fato, ele nunca me deu um papel para eu assinar, eu nunca assinei papel nenhum. Ele também disse: “terapia é sempre provisória. Se eu decidir parar a terapia, ou se você decide parar a terapia, então assim será. Era um acordo provisório para nós dois, o que achei ser bem razoável. Outra coisa que ele disse foi: “Quando você vem para a terapia, você é paciente, não um trainee. Você é um paciente como qualquer outro paciente. Você pode tornar-se terapeuta, ou não. Nesse momento, você é um paciente”. Com o que eu concordei.

Ele tinha uma mente muito larga e era sempre sério. Ninguém falava trivialidade ou sobre pequenos lugares-comuns com Reich. Toda vez que alguém ia para uma sessão, endireitava-se emocionalmente e estava preparado para ser sério e tão profundo quanto conseguisse ser. Em terapia, eu entendi depois, que ele tinha um modo de lidar com os pacientes para como que mante-los fora de sua zona de conforto. Por exemplo, naquela época, eu pagava a ele $50.00 por uma sessão. Em uma de minhas sessões, ele disse que o atendimento passaria a custar $100.00 dali em diante. Eu disse “ok”, porque eu desejava pagar $200.00. Eu fui até sua esposa Ilse Ollendorf e dei a ela $100.00. Fui na sessão seguinte, e depois dela eu dei a Ms. Ollendorf os $100.00, e ela disse, , “Dr. Reich disse que o atendimento será $50.00 de agora em diante.” Então aquilo era um tipo de teste para ver se eu o achava valioso o suficiente para pagar $100.00 .

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REICH FORA DA TERAPIA

Nos seminários ele era muito duro com os médicos. Algumas vezes ele podia ficar tão furioso – ele tinha uma fúria tal como eu jamais havia visto na vida.

Nos seminários ele era muito rígido em suas posições. E ele algumas vezes ficava tão furioso – e isso era furioso como eu nunca vi. Uma vez eu lembro que nós estávamos do lado de fora da sala e ele ficou tão furioso conosco e uma tempestade surgiu. E eu posso crer que há uma conexão entre a intensidade de sua fúria e aquela tempestade. Porque eu nunca havia visto aquela fúria e o trovão veio tão rápido que eu pensei que ele podia influenciar a atmosfera. E ele também podia ser muito gentil, muito carismático. Me lembro particularmente de uma vez, no final de um seminário em Orgonon que durou mais ou menos uma semana, nós tivemos uma festa e dançamos até o fim. E pensei que aquilo era muito interessante, nunca havia visto Reich naquele papel. E eu lembro de uma moça dizendo: “Estou tão assustada para ir nessa coisa.” Ela nunca conheceu Reich. Ele era a essência do cavalheirismo europeu. Como ele fez tudo menos beijar as mãos das mulheres. Ele foi somente gentil e atencioso, simplesmente um cavalheiro perfeito nesse tipo de situação. Sabe, quando eu o vi naquela situação e pensei naquelas tempestades que eu havia visto nele… Não é como dizer a essas mulheres: “Você deve vê-lo de vez em quando, ele não age assim sempre.”

EXPERIENCIAS EM TERAPIA

Em outra ocasião, minha terapia ia lenta por mais ou menos um mês, nós estávamos num período de calmaria. Nada estava acontecendo, e ele disse para mim: “Você está morto. Como você algum dia pensou em ser um terapeuta? Não há vida em você. Você nunca será um terapeuta”. Fiquei chocado, porque eu pensei que estava indo bem até então, e eu estava no caminho (de me tornar um terapeuta orgone psiquiátrico). Daquele dia em diante, eu não sabia mais se ele ia dizer “você pode fazer terapia” ou você não pode fazer terapia, até que vários meses depois, quando ele disse: “por que você não pega um cliente e começa a trata-lo, vem e fala comigo sobre isso”. Eu pensei, “ALELUIA! Eu consegui!”.

Mas ele mantinha a pessoa desbalanceada como aquilo para manter as coisas se movendo, e ele estava furioso como nenhum fúria eu nunca havia visto. Agora ele nunca demonstrava isso para mim em terapia. Em terapia, algumas vezes podia ser impaciente, mas ele nunca ficava irritado comigo enquanto paciente. Mas quando um grupo de terapeutas se reuniam lhes encaminhavam suas questões ou discutiam algo, e ele não percebia ninguém nem próximo da resposta, ele podia ficar muito, muito furioso. Em terapia, ele era ao mesmo tempo muito, muito suave. Quem fazia terapia com ele tinha um sentimento de que era completamente compreendido como tudo o que se pudesse ter feito era aceito, exceto trapaça ou o tipo de coisa da camada superficial. Eu vou te dar um exemplo disso. Uma vez eu li o livro Casper Houser sobre a criação de um “menino lobo”. Reich e eu falávamos sobre o desenvolvimento infantil e todas as coisas que podiam ir errado no desenvolvimento de uma criança. Então eu pensei, “Eu vou para minha próxima sessão tendo indicado que li Casper Houser, livro no qual a maioria dos americanos não leu, ele vai ficar impressionado com meu aprendizado internacional”. Eu cheguei e comecei a falar de Casper Houser, e ele disse, “isso não é pertinente”. Seu olhar disse, “não tente me impressionar desse modo, é tolo, não seja mané de novo aqui”. Então eu aprendi aquela lição. Aquele tipo de coisa ele não tolerava. Um de meus hábitos quando eu censurava material era fazer “um, um”, que ele sempre imitava. Quando pessoas fazem isso, é um grande mecanismo de defesa. quando alguém invariavelmente se concentra em ficar fazendo isso, pode ser muito irritante. Isso é que eu aprendi e me fez parar de fazer “um” e, secundariamente, expressar alguma de minha ira na direção dele. Em geral, terapia é uma experiencia eletrizante.

No meio do processo da minha terapia, Reich se mudou para Orgonon, em Maine. E ele disse: “Estou me mudando para Maine, você quer ir em outro terapeuta por aqui?” e eu disse: “Não, estou indo para Maine!” Então no meio da minha terapia eu fui a cada semana seguinte. Eu dirigia até lá sexta a noite. Naquele tempo as estradas não eram nada parecidas com as super highways que agora te levam a Maine. Aquelas estradas eram horríveis. E eu guiava por toda a noite na sexta para estar em Orgonon ou próximo por volta das seis da manhã, dormia por duas horas e então ia para uma sessão no sábado de manhã, então tinha outra sessão no domingo de manhã e então dirigia de volta para casa. E no meio do inverno, quando as pessoas daqui do sul não podiam dirigir nas estradas, e nem as pessoas de Maine conseguiam dirigir aquele tipo de carrinho de neve (snow) – então normalmente eu voava até Augusta e pegava carona até Orgonon, porque havia sempre caminhões de madeira seguindo para lá, então você sempre conseguia uma carona até Orgonon. Sempre considerei isso uma aventura. Nunca vi aquilo com qualquer tipo de apreensão do tipo: “Oh, agora eu tenho que ir para Maine!”. Sempre aguardava pelo final de semana quando eu ia para Maine sem me preocupar que tempo fazia. E quando alguém tem um paciente que vive 30 milhas distante que diz: “O tempo está muito ruim, eu não consigo ir hoje”, Eu sinto como: “Você não merece terapia.” Há uma anedota interessante sobre dirigir para Maine. Um dia Reich me disse: “Quanto tempo você leva para dirigir da Filadélfia para cá?” E eu disse: “Oh um pouco mais que doze horas” E ele disse: “Leva doze horas de New York.” E eu disse “É mas eu dirijo bem rápido.” Então ele disse: “Você tem o direito arriscar sua vida, mas não tem o direito de colocar a vida dos outros em risco. Então a menos que você leve doze horas mais o tempo da Filadelfia a New York, não se preocupe mais em vir”. Então, depois daquilo eu dirigi mais devagar, o que me tomou 14 horas para chegar a Maine, ao invés de doze horas.

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Terapia com Reich como eu disse era de tirar o fôlego, houve momentos que era claramente atemorizante, e houve uma única vez que me veio a ideia de suicídio. Eu sabia que não queria fazer isso, mas por um curtíssimo período a ideia do suicídio entrou na minha cabeça. Isso foi depois de uma sessão com Reich e que foi uma experiência nova para mim, ter aquele tipo de sentimentos depressivos. Porque geralmente eu sou uma pessoa para cima. Não fico deprimido muito fácil. Em terapia, a coisa que era única em Reich era como ele sempre era extremamente preciso.

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Ele simplesmente tinha uma incrível sensibilidade e perspicácia. Ele sabia exatamente aonde o paciente estava e ele sabia exatamente o que fazer para evocar o que tinha de ser evocado naquele momento. E quando ele o fazia, frequentemente dizia: “Você nunca vai fazer isso bem.” Algumas vezes dizia: “Eu sou o único orgonomista. Ninguém mais pode realmente fazer terapia.” E comparado a Reich, era verdade.

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A essência da terapia com Reich era de total verdade. Ninguém poderia pensar em papo furado ou raso com Reich. Havia sempre uma atmosfera de seriedade profunda. Eu lembro, eu jogo tênis, Reich aparentemente jogara tênis também. E eu tenho um feeling de que adoraria jogar com ele, porque eu acho que poderia vence-lo, e eu adoraria vence-lo. Mas ele nunca me convidou para jogar tênis com ele, então eu nunca tive a oportunidade.

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Ah, eu me lembro de outro incidente. Quando você está em terapia, quando as transferências negativas começam a ocorrer você faz todo tipo de bobagens. Então eu lembro uma vez que antes da minha sessão eu estava no andar de baixo e Reich em sua sala de jantar. E eu ouvi ele dizer a Peter, seu filho: “Cale-se.” Aquilo foi “milho pro meu moinho”. Então quando nós tivemos minha sessão eu disse: “Eu ouvi você falando com Peter e ouvi você dizendo ‘cale-se’ urgentemente. E eu não acho que é assim que alguém deve falar com uma criança.” Então ele me deu uma aula sobre como falar com uma criança. De fato, “cale-se” era o jeito mais direto de atingir o que ele queria com Peter naquele momento. E eu meio que sabia porque ele fez aquilo. Mas você faz coisas, você tenta irrita-lo. Porque ele pegou você. E você tenta revidar.

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Outra vez eu ouvi o mais doce discurso entre ele e Peter. Peter queria saber porque soletra-se “knife” [faca] com “k”1. Ele disse que devia ser chamado “kneif” se você soletrar com “k”! Eu não lembro dos detalhes, mas Reich deu a ele o mais doce discurso sobre porque o “k” está na frente do “n” em “knife”. Esse tipo de coisa que estava quase aprendida mas que também o tipo de coisa que uma criança poderia compreender facilmente.

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Nós tivemos uma sessão que é interessante comentar: Eu vinha de uma série de sessões vocalizando algum cinismo. Eu o acusei de exagerar um pouquinho, acredito. Naquele momento havia um monte de rumores dizendo que Reich era psicótico, que eu reportava a ele como coisas que tinha ouvido. Não como se eu acreditasse neles, mas apenas para reportar a ele. Então eu cheguei para uma sessão e ele tinha um rifle a descansar sobre uma lareira na sala onde ele me tratava. Ele pegou o rifle, apontou para minha cabeça e disse: “Eu sou psicótico!” Eu caí na risada porque o que ele queria ver era se eu acreditava nessas histórias ou estava meramente reportando-as para ele. E caí na risada porque aquilo me pareceu tão divertido – a ideia de um terapeuta colocando uma arma na cabeça do paciente. E aquilo era o que ele precisava. Como ele riu também, e depois colocou a arma de volta. É assim que Reich ia a algo. Ele não fazia rodeios. Ele queria ver se você acreditava que ele estava maluco. Ele deu a você uma ampla chance de provar que você pensava que ele estava maluco. Outra coisa interessante era: você sabe que havia um monte de blablabla sobre Reich ter se tornado psicótico próximo ao fim da sua vida. E durante uma de minhas sessões um aeroplano voou acima da cabeça. E ele disse: “Eisenhower está mandando seus aeroplanos me observarem” e eu disse: “Não creio.” E lhe disse: “Esse lugar está simplesmente no itinerário de vôo padrão de um aviador que está sobrevoando este local”. E ele disse: “talvez, simplesmente observemos”. Agora, aquilo não era reação de um psicótico. Um psicótico diz: “Eisenhower está mandando um aeroplano para me observar” e eu digo: “não, senhor, eu penso que é apenas um avião ordinário seguindo seu roteiro padrão”., ele não diria “talvez você esteja certo”. Ele empunharia suas armas. E o negócio todo da psicose de Reich: e eu acredito mesmo que muitas das ideias que ele expressou mais para o fim de sua vida eram exageradas, sem solidez, não realistas, mas eu não atribuo isso a psicose. Atribuo aquilo ao tipo de pensamento que Reich teve por toda a sua vida. Eu acho que Reich realmente foi um dos verdadeiros gênios desse mundo. Acredito que pessoas como ele pensam explorando todo tipo de ideias que nunca foi visível para nós; eles impulsionam ideias além dos limites que nós poderíamos pensar. E por causa disso ele foi botando para fora tantas de suas ideias maravilhosas, mas junto dessas ideias maravilhosas havia também essas ideias estranhas, as quais nós que utilizamos apenas o senso comum e estamos sempre cuidando de sermos “corretos” não poderíamos trazer. Mas ele chegava naquilo, tanto em direção positiva como negativa. E eu penso na ideia de Eisenhower protege-lo era uma ideia exagerada na direção negativa. Mas era um tipo de pensamento.

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Um incidente do tipo de coisa que poderia acontecer com ele: uma vez ele escreveu um artigo no jornal e eu li o artigo do caminho da minha sessão. Ele me perguntou-me se eu tinha lido o tal artigo e eu disse que sim. E ele me perguntou o que eu achei. Eu disse a ele que fiquei muito impressionado, que aprendi muita coisa, etc. “Mas”, adicionei, “você cometeu alguns erros gramaticais muito ruins no seu inglês”. Ele me disse, “eu te peguei no meu avião, e te mostrei coisas que você nunca tinha visto antes, e você me diz, ‘ah é um belo vôo, mas você sabe que você instalou o assoalho incorretamente. Você não colocou direito os preguinhos no assoalho do seu avião”. Eu acho que Reich veio a essas áreas porque ele era um homem que usualmente pensava de maneiras que a maioria de nós não pensa.

O JULGAMENTO

Nunca conheci outro homem em minha vida com tamanha força e vontade e movimento e espírito. Reich sempre pensou-se a si mesmo como uma figura histórica. É interessante que, por exemplo, em seu julgamento, seu julgamento era praticamente uma farsa porque alguns juiz proferiu uma liminar que Reich desobedeceu claramente. Então o julgamento era: “Reich desobedeceu a liminar ou não?” Várias vezes ao longo do julgamento, Reich admitia que desobedeceu a liminar. Então ele foi dizer ao juiz porque desobedeceu a liminar. Por exemplo, a liminar dizia que Reich declarava que ele curou câncer em seu citado livro “Biopatia do Câncer”. Agora, em todos os casos citados no livro, o paciente morria. Obviamente as pessoas que prepararam esse caso contra Reich fizeram um trabalho muito pobre porque dizer que Reich declara que cura e o paciente morre no livro é idiota. Essa era a questão e Reich, ao invés de responder a liminar, enviou ao juiz todos os seus livros, o que era uma loucura. Você não espera que um juiz leia todos os seus livros, mas Reich sim. Reich dizia “leia isso e veja se essa liminar é válida”. Então ele foi a julgamento, e o julgamento foi terrível, porque Reich admitiu desobedecer a liminar, que foi a única coisa para a qual eles se atentaram.

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Houve algo mais que pensei. Oh isto diz sobre Reich. Eu estive em todo o julgamento em Maine. Um dia, no julgamento, as coisas estavam indo muito mal para Reich. Eu parei num corredor e pensei, “ele vai ser massacrado pelo jeito que o julgamento correu essa manhã”. E nessa sessão – era um momento de grande stress, todos os dias de julgamento eram um stress enorme -, num intervalo, estávamos por ali conversando e ele apontou para mim e disse: “chegue aqui, quero falar com você”. Então eu fui. Eu tinha escrito um artigo num dos jornais orgonômicos. E ele disse: “o jeito que você escreveu tal e tal coisa não ficou tão bom quanto você poderia ter escrito. Eu havia escrito um artigo sobre uma resenha de um dos livros do Reich que alguém havia feito. Um psiquiatra que resenhou um dos livros de Reich de maneira muito desfavorável; Eu escrevi sobre aquela resenha. Ele veio a mim após o final daquela terrível sessão na corte e disse, “”sabe esse artigo que você escreveu? Ele nos atingiu na cabeça com uma clava e você o golpeou o pulso.” Eu pensei, “Meu Deus, um dia como esse, quando você está para ir para prisão, e claro, tudo o que você pensa é que o artigo que eu escrevi foi muito suave com o resenhista.” [“Jesus Cristo. Aqui está este homem em defesa de sua vida e ele está preocupado em como eu coloco algo num artigo.”]2 E eu pensei que aquilo era realmente uma indicação de um homem, que aquele momento era tão importante para ele quanto como seu julgamento que estava correndo. Ele estava de fato em liberdade condicional, mas estava preocupado em como eu estava escrevendo um artigo. Aquele era Reich, bem como o fato de que ele era uma figura histórica que estava lutando pelo direito de um cientista desenvolver seu trabalho em paz.

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O fato de que a liminar era o problema, para ele, era nada mais que um pedaço de papel, um pedaço de papel sem importância, e ele não queria lidar com isso.

Durante o processo, eu fui um dos que estavam em desacordo com a maneira como ele estava conduzindo o julgamento. Eu achava que ele deveria ter um advogado conduzindo o seu caso ao invés dele conduzindo. Penso que ele deveria ter utilizado os argumentos jurídicos em vez dos argumentos que ele usou. O que não é a mesma que dizer que ele agia errado, porque ele se via como uma figura histórica que estava construindo um marco histórico. E para fazer isso é que ele conduziu o julgamento dessa maneira. Se eu estivesse na pele dele eu ia querer escapar da cadeia, eu ia querer ser livre, etc. Eu teria conduzido o julgamento numa base estritamente jurídica, porque os advogados disseram “Nós podemos vencer este caso para você. O caso é tão corriqueiro então quando você nos deixar fazer nosso papel nós podemos livra-lo disso.” Mas ele não deixava. Não era nada do que ele não fosse antes. E desde aquele tempo – Eu tinha sido advertido por pessoas que ensinavam o direito – que aquele caso era levado ocasionalmente as salas de aula com o caso em que o lado do FDA era tão fraco e o caso era presumivelmente tão puramente de um ponto de vista legal, que ele é praticamente como um caso clássico mal manejado. Eu nunca o vi depois que ele foi para a prisão. Houve poucos visitantes, e as únicas pessoas que o visitavam eram os de sua família direta. Então não tive mais contato com ele após a prisão.

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Tradução e Adaptação de Arnaldo V. Carvalho

Notas de tradução

1. kneif (faca) pronuncia-se “náif”.

2. As duas versões da entrevista são bastante diferentes em alguns pontos. Nesse momento da entrevista, preferi colocar entre colchetes o que seria a segunda versão do mesmo pensamento. Fica minha dúvida sobre o Dr. Herskowitz recontou a mesma história em entrevistas diferentes ou se houve transcrição com adaptação livre. A mesma emoção, palavras levemente diferentes.

Atenção: Essa é uma tradução livre, onde foram unificadas duas versões da mesma entrevista. As traduções não são autorizadas pelos proprietários que detém todos os seus direitos.

Matéria original:

http://www.examiner.com/health-in-philadelphia/secrets-to-longevity-profile-of-morton-herskowitz-d-o-at-90

Entrevista com Morton Herskowitz., pelo Orgonomic Video Archiv. esta entrevista foi gravada por John Joachim Trettin no verão de 1989 na residência de Morton Herskowitz, na Philadelphia. A página original onde ela está foi criada por Beate Freihold, que também tirou as fotos. Os direitos da entrevista são de John Joachim Trettin.

Traduções

Dr. Morton Herskowitz – Um discípulo direto de Reich, ainda (bem) vivo!

Morton Herskowitz, Médico psiquiatra orgonomista, aos 90 anos – o último vivo treinado diretamente por Wilhelm Reich.

Matéria de 16 de outubro de 2008, traduzida por Arnaldo V. Carvalho em 2011. 

Morton Herkowitz, D.O., na data da entrevista original

Desde os tempos de Benjamin Franklin, a Filadélfia tem sido a Meca da Medicina nos Estados Unidos. Como um centro de aprendizagem e cultura, a cidade desenvolveu uma enorme diversidade de hospitais e escolas médicas como o a Philadelphia Osteopathic, Hahnemann Homeopathic, e o antigo Pennsylvania Hospital. Esse texto é parte de uma série de artigos destacando alguns dos notáveis praticantes da tradição deste lugar. . Alto, magro e careca, Dr. Morton Herskowitz vem praticando psiquiatria em sua casa na Pine Street por quase 60 anos. Ele recentemente celebrou seu nonagésimo aniversário e continua trabalhando 40 horas por semana. E sim, ele bebe café e fuma durante seus intervalos. De onde ele tira sua longevidade? Ele segue suas próprias recomendações de saúde, dizendo aos seus pacientes de lembrar “o valor do exercício, sono suficiente, obter tanto prazer quanto possível, e evitar maus hábitos como beber e drogas”. Para insônia, ele acha que o remédio mais eficaz é um banho frio, e não uma pílula. Ele ainda joga tênis ocasionalmente, e começa sua manhã fazendo barras. “Infelizmente hoje em dia eu só consigo fazer uma, quando usualmente eu fazia cinco”, diz ele. Ele também caminha sempre que pode ao invés de usar carro, e sobe rapidamente as escadas de sua casa. Herskowitz diz que é especialista em férias. Ele recomenda a todos os seus pacientes que tirem férias, mesmo que curtas. Em seu mês de descanso no verão, ele curte pintar. Ele escolhe seus destinos de olho no melhor cenário. Recentemente, ele vendeu um número de suas aquarelas para levantar 10 mil dólares para a caridade. Outros originais decoram as paredes de sua sala de espera. Recortes amarelados com quadrinhos nova-iorquinos também estão pendurados ali para brincar com seus pacientes. Ele leva bem ser um médico das antigas mesmo na América do século XXI. Talvez porque sua esposa seja uma musicista aclamada, e não sua secretária, ele preenchia sua própria papelada burocrática até o ano passado. Ele tem visto muitas coisas irem e virem em seu tempo como médico. Osteopatia, ele diz, tornou-se mais largamente conhecido. O que normalmente era “um degrau acima do charlatanismo” agora é considerado mais holístico e em alguns casos preferível à medicina convencional. Para reformar o sistema de saúde americano, ele recomenda a redução da interferência do dinheiro na medicina. Eu sonho com os dias em que o usual era uma relação direta entre o médico e o paciente”, ele diz. “Todo médico aceitava aqueles que pagavam menos, ou que nem pagavam. Mais pessoas, especialmente mais pessoas pobres, tinham a possibilidade de receberem atendimento. A coisa era entre o médico e o desejo do paciente. . A psiquiatria o atraiu para a profissão, mas ele adquiriu um background considerável quando anteriormente praticou por três anos como médico de família no bairro Strawberry Mansion. “Como psiquiatra, sou muito grato pelo tempo com prática familiar. Agora, quanto um paciente vem com problemas, eu tenho experiência.” Embora psiquiatras nesse dias tenham “medicamentos mais eficazes contra desordens”, e um melhor entendimento do funcionamento do cérebro, ele diz: “um grande ganho da base emocional é perdido quando a terapia se concentra nas drogas. É como se os psiquiatras buscassem legitimidade como médicos (ao prescreverem drogas) ao preço da perda da descoberta das raízes emocionais de várias doenças”.

DECLARAÇÕES DO DR.SOBRE A TERAPIA ORGÔNICA PSIQUIÁTRICA

– Orgonoterapia psiquiatrica não é para todos os pacientes. Há pessoas que vem me ver e percebem que não têm os recursos necessários para realizar o trabalho que é requerido em terapia, ou suas estruturas são tão frágeis para começar a ser mexidas, que eu encaminho-os para colegas que fazem somente terapia verbal. Todas as abordagens-padrão da psiquiatria são utilizadas na terapia orgônica psiquiatrica. Eu uso antidepressivos quando necessário e eu uso drogas neurolépticas quando necessário e eu faço tudo o que aprendi em meu treinamento profissional psiquiátrico quando eu trato um paciente. A diferença é que eu acho que tenho um leque de atividades e intervenções com a qual lido com os pacientes que muitos psicoterapeutas outros não têm. É muito típico para os nossos formandos em terapia orgônica psiquiátrica, que estão fazendo suas residências, nos dizer,”Estou tão feliz que eu tenho um arsenal maior do que essas pessoas têm.” – Outra experiência interessante foi uma garota que tratei a longo tempo atrás. Ela era uma moça na case de seus vinte anos, não sabia nada de Freud, Reich, ninguém. Ela não sabia nada sobre psiquiatria, seu médico familiar me indicou para ela. Eu imaginei que ela fosse ser uma boa candidata a terapia, então fizemos a orgonoterapia. Ela saiu-se muito bem, e vários meses depois, ela veio e me disse: “quer saber?”, e eu disse, “o que?”, e ela disse: “eu tenho uma amiga que foi a um psiquiatra e tudo o que eles fazem é falar”. E essa é a diferença entre o que nós fazemos e o que a maioria das outras pessoas fazem. Do meu ponto de vista, o que a orgonoterapia me permite fazer é alcançar lugares com os pacientes que nenhuma outra terapia poderia me permitir e oferecer esse tipo de entrada que a terapia orgônica psiquiatrica faz.

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Dr. Morton Herskowitz vive na Filadélfia, EUA. Ele é osteopata e pratica Orgonoterapia, que foi desenvolvida por Wilhelm Reich. Foi o último terapeuta treinado pessoalmente por Wilhelm Reich. É o presidente do Institute Orgonomic Science e autor do livro “Emotional Armor – uma introdução a Orgonoterapia psiquiátrica” Dr. Morton Herskowitz falou em 1989 em seu consultório sobre sua experiencias com Wilhelm Reich e Orgonomy.

Matéria original:

http://www.examiner.com/health-in-philadelphia/secrets-to-longevity-profile-of-morton-herskowitz-d-o-at-90

  • Trecho de Matéria de 16 de outubro de 2008, traduzida por Arnaldo V. Carvalho em 2011.  A partir de duas versões diferentes da matéria e entrevista original, Arnaldo traduziu, compilou e redividiu os conteúdos de maneira a destacar as   ideias do Dr. Morton sobre psiquiatria e terapia orgônica, de suas memórias acerca do convívio profissional com Wilhelm Reich , disposta no link: 
Artigos e afins

2012 une festas das ciências e de grandes religiões do mundo Dia do Shiatsu

2012 une festas das ciências e de grandes religiões do mundo ao Dia do Shiatsu

Por Arnaldo V. Carvalho

Dia 8 de abril de 2012. Povos do mundo inteiro seguem com suas tradições e comemorações pela vida, pelos deuses e pelas conquistas do próprio ser humano: os budistas celebram o aniversário do próprio Buda. Os cristãos, a ressurreição de Cristo (Páscoa). Os judeus, a libertação do povo hebreu (Pesach). A ciência comemora internacionalmente o Dia da Astronomia e a medicina, a antiga luta contra a doença que tem sido o maior desafio da arte de curar em todos os tempos: o câncer (Dia Mundial de Combate ao Câncer) Um só tempo que reúne de forma singular, comemorativos a representar vários tipos de racionalidade: a científica, a médica, a religiosa ocidental e a religiosa oriental. A coincidência de datas de festas fixas e móveis alimenta o imaginário de um momento auspicioso para a humanidade.

É belo, ao praticante de Shiatsu, entender-se também como celebrante desse dia, engendrando em si a percepção de que essa técnica é hoje um pouco de cada uma dessas culturas, lógicas e saberes. Uma fusão mágica que segue evoluindo, sem perder contato com as raízes.

Sua origem é o Japão com sua cultura oriental-insular. Sua inspiração oriunda de antigos saberes da ásia continental. Sua expansão, sobretudo através da cultura ocidental; seu espírito, derradeiramente primal1. As virtudes do Shiatsu moderno vêm justamente da harmoniosa combinação cultural, que abraça aquilo que transcende a cultura: as raízes profundas do ser humano, sua relação consigo, com o outro e com a Terra.

Raízes

Ao ser criado em uma cultura ilhéu extremamente homogênea, e que após curto período de intercâmbio ainda permaneceu por mais de dois séculos afastada do contato com outros povos, o Shiatsu pôde, como parte integrante da cultura japonesa, nascer único. Enquanto manifestação viva deste povo, de certa forma essa terapia representou o desenvolvimento final de tal cultura, até ali mergulhada em si mesma. Por isso mesmo, é resultado de um sistema de saúde autêntico, que exatamente no momento de seu surgimento já começava a perder suas características autênticas, como consequência da Revolução Meiji2. Contudo, seu método de ensino já sofre influência inclusive ocidental, e suas sementes teórico-práticas não escondem a influencia continental (manchu, coreana, chinesa, etc)3. Se pudéssemos inspirar profundamente em busca de trazer ou avivar o espírito com os ares do passado oriental, revelar-se-ia nos etéreos gases que armazenam a memória dos homens muitos aromas dessa medicina continental: incensos, agulhas, ventosas, toalhas quentes, mãos hábeis, ervas, deuses e dragões – os ingredientes desse caldeirão constituiriam o que hoje denominamos Medicina Tradicional Chinesa. Os vapores da medicina oriental percorreram o continente, suas montanhas e estepes. E ao aportarem finalmente na Ilha do Sol Nascente, ali tais saberes puderam ser fundida aos preceitos do xintô4 e crenças anímicas diversas e a um cem número de hábitos e saberes de uma sociedade original, primeiramente costeira, cujas luzes eram inspiradas pelo mar, pelo sol e pela luz, e por paisagens predominantemente vulcânicas, ricas em lagos, montanhas e águas sulfurosas.

A observação desse sistema de compreensão da vida, construída pela constatação de um filosofia que por milhares de anos pensou-a e abstraiu que mecânica da vida do Ser Humano funciona da mesma maneira como a mecânica da natureza, do próprio Universo, nos remonta a uma certeza que todo humano vivo tem desde o útero ao sempre: mãos que amam são mãos que curam, regulam, afagam. O poder das mãos, do ritmo, da respiração está em cada um, desde o nascimento. É aí que vive o espírito primal transcultural no Shiatsu. Sua técnica reproduz, através do ritmo e intensidade de suas manobras, a própria pulsação da vida. Vai ao encontro do inter-relacionamento curativo, vital, utilizando o toque, o ritmo interno e a respiração harmoniosa.

O papel do Ocidente e sua maneira de pensar, contudo, não deve ser negligenciado. O método científico, aprimorado por essa cultura em seu período renascentista e iluminista, amadurecido ao longo desse tempo a atravessar nosso tempo suas tecnologias e saberes acumulados, nos ajuda a demonstrar a utilidade do Shiatsu nas áreas da vida. A ciência oferece a mente ocidental-racional uma compreensão sobre os processos da técnica. Oferece ainda suporte teórico que vem possibilitando o Shiatsu a permanecer em desenvolvimento em muitos lados. Os conhecimentos da anatomia, fisiologia, embriologia, da psicologia do desenvolvimento, do inconsciente e seus processos, da biomecânica, da etologia, da neurofisiologia e neurociência, da pedagogia e mesmo da sociologia hoje influenciam as práticas modernas, criam novas escolas e estilos, e preparam melhor o praticante para muitas situações que não se sabiam ser possível tratar com Shiatsu ou cuja atuação até bem pouco tempo era bem mais limitada.

É exatamente por utilizar a linguagem Universal além-verbo e ser amparado por uma racionalidade respaldada que o Shiatsu é aceito no mundo todo, cresce conforme as necessidades específicas de cada povo ou localidade, e vem se tornando parte da maneira de viver de cada vez mais pessoas ao redor do globo.

Consciência

Aparentemente, há níveis de consciência diferentes de pessoa para pessoa, de grupo para grupo entre os shiatsu-praticantes. Talvez o momento nos leve a afirmar que a consciência das raízes e a pulsação extra-individual do Shiatsu pareçam um pouco dispersas no coração de muitos praticantes e professores. Mesmo assim, faz-se presente a mesma pulsação e esse mesmo contato profundo, toda vez que a técnica, não importa o estilo ou base teórica, é realizado com profundidade.

Por ocasião deste dia especial, vale refletir um pouco a consciência do processo, capaz de trazer a memória da pulsação da vida durante a prática terapêutica, e quem sabe suscitar que ela se faça mais assíduo no universo dessa terapia. Comecemos por perguntar: “O quanto tal consciência conta?”, e seguida a esta, várias outras:

  • Como você estabelece seu vínculo terapêutico com as pessoas que atende?
  • Como você estabelece seu vínculo com o próprio Shiatsu?
  • Você recebe Shiatsu?
  • Você aplica em situações não profissionais, sobretudo em seu ambiente familiar?

São perguntas que exigem não apenas respostas, mas atitudes. Uma vez passando a prática, novos questionamentos insistirão em surgir: “és capaz de sintonizar sua respiração a do outro, és capaz de observar a própria pulsação, do outro e do próprio vínculo que se forma?”; “É a mão que faz Shiatsu em quem está deitado ou quem está deitado também faz Shiatsu no praticante ativo a medida em que é tocado?”

Tomar consciência e ir as raízes; olhar para frente; desmecanizar os movimentos, Permitir que a teoria e a prática se unam. Permitir que as demais sabedorias que habitam seu ser se façam presentes em seu Shiatsu diário. Fazer do Shiatsu mais do que um momento, uma maneira de vez o mundo que faz parte do próprio praticante.

São as propostas deste entusiasta que despede-se com o desejo mais simples: Feliz Dia do Shiatsu para todos!

* Arnaldo V. Carvalho, praticante de Shiatsu há quase duas décadas.

1. A origem do Shiatsu no Japão encontra influência de diversos aspectos de sua cultura, onde vários segmentos sociais abrigarão variantes da técnica. Assim o Shiatsu possui conexões com os modos de viver e pensar, samurai, zen, camponês, técnico-prático (anma ensinadas aos cegos como profissão é um exemplo desse segmento social); Sua inspiração é continental, de um conjunto de saberes que hoje vem sendo compilado como Medicina Tradicional Chinesa, que pos sua vez bebe de fontes filosóficas e crenças taoístas, pré-históricas. Sua expansão ocorreu no e através do Ocidente, que ofereceu bases teóricas de seus conhecimentos biomédicos, e popularizou rapidamente o shiatsu em seus países. O pensamento judaico-cristão não deixa de aparecer, tanto na própria história cristã no Japão (pensem nos diversos movimentos religiosos cristãos do Japão, como a Igreja Messiânica, Sei-sho-no-ie, Perfect Liberty, etc.), como por ser parte constituinte da psiquê coletiva no ocidente. Primal: iniciados nos primeiros e tempos, sob perspectivas filogênicas, psicogênicas e etológicas.

2. Revolução ou Restauração Meiji: Momento da história do Japão , que principiou no momento da derrubada do Shogunato Tokugawa em 1868 com a ascenção do imperador Mutsuhito (Meiji) ao poder. A isto seguiram-se alterações culturais sem precedentes, concomitantes a abertura de portas do Japão ao mundo. As mudanças aconteceram em todas as áreas: governo, instituição, educação, economia, saúde, religião, etc. A Era Meiji (período em o Império Japonês se estabelece sob o governo de Mutsuhito) duro até 1912. A concepção do império prosseguiria por mais dois governos até a rendição japonesa na II Guerra Mundial.

3. O que hoje chamamos de China, Coreia são países numa concepção moderna de estado. No tempo que evocamos como inspirador da cultura de cura no oriente, não se pode falar exatamente nesses países, mas nos muitos povos em constante mescla, fusão, difusão, revezamento de poder, expansão e retração. Tal estudo é de uma complexidade além da proposta deste texto. O que aqui cabe é que o Japão foi ciclicamente alvo dos impérios que se revezaram durante toda a história principalmente (mas não somente) do território atualmente chinês. Essas “ondas imperiais” trouxeram a Ilha pessoas e suas culturas, de toda a parte do oriente. Destaca-se o século VI como de talvez maior evidente influência, tanto pela chegada maciça do Zen, como pelo próprio amadurecimento da MTC nesse momento em toda a parte. Fundiram-se essas práticas aos costumes dos povos pré-japoneses e seus métodos de cura.

4. Xintoísmo: Xintô quer dizer “caminho dos Deuses”, e o xintoísmo congrega a espiritualidade tradicional dos japoneses.

Agenda: Cursos Eventos etc.

Curso Shiatsu Emocional na Região Serrana do RJ – Curso intensivo oferecido pelo Espaço Terapeutico de Teresópolis

Pela primeira vez, a Região Serrana do Rio de Janeiro receberá o professor Arnaldo V. Carvalho, autor do conhecido sistema de trabalho das emoções através do Shiatsu nomeado Shiatsu Emocional (Método Shem). Arnaldo abordará em 4 dias intensivos os aspectos fundamentais da terapia Shiatsu, oferecendo suas bases sob um olhar psicossomático bastante propício ao entendimento ocidental da técnica japonesa.

Entre outros aspectos do programa, as relações entre meridianos e emoções, as couraças emocionais de Wilhelm Reich, e diversas práticas para um Shiatsu bastante completo e eficaz.

O curso é parte do primeiro nível de um treinamento mais profundo, pode ser feito por leigos e profissionais de saúde, e seus benefícios poderão ser praticados e experienciados desde o primeiro dia.

SAIBA MAIS:

http://www.etete.com.br/novo/index.php?option=com_content&view=article&id=76:shiatsu-emocional-basico&catid=37:extensao&Itemid=56

 

Notícias, Traduções

Shiatsu na Wikipedia – Minha luta para assegurar a seriedade e clareza do verbete Shiatsu na maior enciclopédia do mundo

Por Arnaldo V. Carvalho

A primeira inscrição do verbete Shiatsu em português

Em 17 de janeiro de 2006 foi ao ar a primeira referência sobre Shiatsu, em português, pela Wikipedia, de autoria desconhecida.


Dessa pequena definição livre (cheia de erros e acertos) de um autor desconhecido, entrou para a história da Wiki a nossa querida técnica terapeutica.

Quem começou a dar forma mais completa ao verbete foi Edgard Magalhães, que escreveu e organizou a base de informação que seria utilizada até o presente data:

O texto Wiki de Edgard Magalhães para Shiatsu, em 2006

A última modificação antes da nossa foi feita por Leandro Martinez, que, tendo pego a página já bastante acrescida de dados, basicamente revisou os links de até então.

A partir desse momento, entrei para a equipe Wikipedia (2010) com o destino de fazer da versão brasileira a mais rica e organizada em informação sobre Shiatsu.  Após esse texto, foi feita por mim uma grande revisão, contando com 15 versões diferentes. Ele passou a seguir as tendências internacionais de indexação de informação sobre o Shiatsu (foram analisadas as versões do verbete para 6 línguas diferentes), e atualizado com informações sobre o Shiatsu no Brasil. Os textos possuem contribuições originais minhas como especialista da área, traduções oriundas dos verbetes estrangeiros, além de outras contribuições. Com isso, o verbete em português pode ser considerado um dos mais completos do mundo, um trabalho de esmero digno de Espasa Calpe ou dos melhores verbetes Wikipedia. Infelizmente, como já fez outras vezes com outras contribuições, Martinez repudiou minha contribuição. Dei entrada no pedido de discussão da Wikipedia, sem resultados ou argumentos plausíveis da parte deste. No ano seguinte, o verbete Shiatsu sofreu um “ataque da ignorância”: equipe envolvida com um projeto de indexar verbetes relacionados a medicina sugeriu fusão do termo Do-In com Shiatsu. A sugestão de fusão entre os verbetes Do-in e Shiatsu: Absurdo!Para o leigo, vale esclarecer que o Do-in tem origem na região central da atual China, enquanto que o Shiatsu tem origem no Japão. As práticas culturais de cura, luta, plantio, etc., etc., possuem uma história de transformações não sem intercâmbio entre os muitos povos, mas o Shiatsu tem conceito e história distintos do do-in, embora com vários pontos de tangência.

Pois bem, tendo sido eleito presidente da Associação Brasileira de Shiatsu no mesmo ano, requeri em Assembleia uma campanha para a vigia do verbete na Wikipedia, o que foi aprovado por unanimidade. Atualmente, o projeto está sendo ampliado para um grande Observatório do Shiatsu na Imprensa e Internet, que visa corrigir vícios, tendenciosismos e esclarecer aos leigos é aprendizes do Shiatsu sobre a técnica de modo abrangente e verdadeiro.

Exponho aqui a última tentativa de versão, efetuada hoje. Vamos ver o que será feito na Wiki, mas caso haja novas intervenções, ao menos o texto está salvo.

 Primeira parte do verbete Shiatsu atualizado

A página, que só no mês passado foi consultada mais de 4 mil vezes, tem potencial para muito mais. Convocamos a todos os professores e profissionais que se envolvam diretamente na construção da informação correta, imparcial e completa a toda a comunidade lusófona a respeito do Shiatsu, sua história, seus estilos e sua Arte de Cura.
Arnaldo V. Carvalho, praticante de Shiatsu desde 1993, professor desde 1999, membro da Associação Brasileira de Shiatsu
Scans do verbete: