Bill Clinton e a praga emocional

Presidente Clinton e a Praga Emocional

Pelo Dr. Stephan Simonian

Tradução de Arnaldo V. Carvalho

Publicado em 21 de junho de 2010.

President Clinton  Vs.  Emotional PlagueDurante o processo de impeachment do Presidente Clinton, em 1999, disparado por ele ter tido um affair com uma mulher e então nega-lo quando confrontado, Sr.  Larry Flynt, o editor da Hustler Magazine, colocou em um jornal conhecido um “anúncio de um milhão”. Neste anúncio, ele ofereceu um milhão de dólares para qualquer um que pudesse documentar qualquer figura oficial ou que tivessem criticado a moral de Clinton tendo affairs similares.  Flynt declarou que não estava interessado em destruir a vida sexual de ninguém porque estavam tendo um affair, mas contrária ao modo como estavam vivendo suas vidas privadas, e quem estivesse crucificando Clinton por fazer a mesma coisa que eles estavam.
Como resultado desse anúncio, vários congressistas e oficiais do governo se demitiram em consequencia das informações reveladas.

Sr. Flynt listou diversas pessoas incluindo um congressista da Louisiana que foi escolhido para substituir Newt Gingrich como Presidente da Câmara. Ele citou um congressista de Illinois que uma vez levou os republicanos da Câmara a ovacionar Kenneth Star que foi um dos que mais se exibiu na acusação de Clinton, aparentemente carregando na bagagem um caso de cinco anos com uma mulher casa mãe de três filhos. Um congressista da Georgia que também cometia adultério e então mentiu sob juramento foi desmascarado.  O Presidente da Câmara de Reforma do Governo, que chamou Clinton de “babaca” e em setembro de 1998 também foi revelado quando sua cruzada moral foi forçada a admitir que ele havia sido pai de um filho ilegítimo durante um caso nos anos 80. Outro oficial do Comitê Nacional Republicano engajado na cruzada moral contra Clinton foi gravado dizendo: “Eu não tenho quaisquer valores morais, só falo dessas coisas na televisão”.

Os comportamentos descritos acima, em que estão bastante presentes em nossa memória, são exemplos perfeitos do que Dr. Reich descreveu em 1945 como a “praga emocional”.  Em, A Análise do Caráter, escrito pelo Dr. Wilhelm Reich, um livro crucial e essencial da Orgonomia, Dr. Reich dedicou um capítulo a descrever este fenômeno sob o título Praga Emocional. Este livro valiosíssimo, como qualquer outro livro escrito pelo Dr. Reich, contendo informação condensada a qual o leitor pode ter novos e melhores insights a cada vez que ele relê seus livros.

Reich descreve a praga emocional no seguinte dizer:  “O termo praga emocional não é um termo depreciativo. Ele não tem conotação de uma malevolência consciente, nem de degeneração moral ou biológica, de imoralidade, etc. Um organismo cuja mobilidade natural  tenha sido continuamente frustrado desde a infância desenvolve formas artificiais de movimento. Ele manca, ou anda de muletas. Da mesma forma, um homem segue em sua vida nas muletas da praga emocional, quando suas expressões vitais de autorregulagem natural são reprimidas do nascimento em diante. A pessoa afligida pela praga emocional manca caracterologicamente. A praga emocional é a biopatia crônica de um organismo. Ela fez a primeira incursão na sociedade humana com a primeira supressão em massa da sexualidade genital; Ela tornou-se uma doença endemica que vem atormentando as pessoas por todo o mundo, por milhares de anos. De acordo co mo nosso conhecimento, ela está implantada na criança desde os primeiros dias de vida. Isso é uma enfermidade endêmica como a esquizofrenia ou o câncer, com uma notável diferença, que é o fato dela ser essencialmente manifestada na vida social”.

A praga emocional é uma consequencia do encouraçamento. Encouraçamento é um processo patológico, descoberto e descrito pelo Dr. Wilhelm Reich. Esse fenômeno patogênico é também descrito no livro do Dr. Herskowitz’s, Emotional Armoring, e em diferentes artigos no journal of orgonomy. Em miúdos,  a couraça desenvolve o processo de sufocante luta da criança para conter seus impulsos primários por causa das proibições externas. Nesse processo, o motivo primário que surge do cerne do organismo rompe-se, e parte do motivo dá suporte a energia para as contrações físicas e emocionais contra o impulso primário. Nesse momento, este processo leva ao encouraçamento físico, emocional e crônico que se estabelece permanentemente no organismo. Como consequencia do encouraçamento, impulsos primários genuínos tornam-se incapazes de expressar-se em suas formais mais naturais e verdadeiras. Impulsos secundários desenvolvem-se por consequencia, sendo manifestações distorcidas dos impulsos primários. Esses impulsos secundários podem transforma-se em sadismo e comportamento anti-social e assumir ações destrutivas no cenário social. Em uma pessoa neurótica comum, esses impulsos secundários voltam-se contra o próprio eu e atormentam a aflita pessoa com neurose, isto é, sintomas de ansiedade, fobias, obsessão, etc. Todavia, numa pessoa afligida pela praga emocional, esses impulsos secundários assumem caráter sádico e anti-social, e age destrutivamente em direção aos outros e a sociedade. Em orgonomia, nós estamos atentos para o fato de que mesmo indivíduos sadios manifestam alguma couraça e manifestam algumas inibições neuróticas, assim como ocasionalmente alguma reação de praga; contudo, indivíduos saudáveis são capazes de reconhecer isso e agir diferentemente. Dr. Reich diz “Todo indivíduo afetado pela praga contem em si as possibilidades de um caráter normal e sadio. A praga ao dirigir o caráter manifesta seu comportamento destrutivo em diferentes aspectos da vida… A praga emocional é tão ampla quando uma biopatia do caráter. Em outras palavras, onde quer que haja biopatias de caráter, existe no mínimo a possibilidade de um surto epidêmico de praga emocional. Uma característica básica e essencial da reação emocional de praga é que ações e motivos de ações nunca coincidem. O motivo real é ocultado e o motivo falso é dado como razão para ação. Em contraste com um indivíduo natural e saudável, quando motivo, ação e objetivo formam uma unidade orgânica. Nada é ocultado.”

A praga emocional afeta diferentes aspectos da vida de um indivíduo, ela manifesta-se em áreas do pensamento, ação, sexualidade, em hábitos de trabalho, etc. Aqui nós vamos descrever a diferença entre comportamento sexual no caráter normal, saudavelmente “genital”, e o caráter aflinjido pela praga emocional, como Dr. Reich descreve no livro Análise do Caráter.

“A sexualidade de uma personalidade saudável, genital, é essencialmente determinado pelas nleis naturais básicas da energia biologica. Ele é tão constituído que naturalmente tem prazer na felicidade sexual dos outros. Da mesma forma, ele é indiferente a perversões e tem uma aversão a pornografia. O caráter genital considera absolutamente natural que crianças e adolescentes sejam essencialmente orientados sexualmente. Da mesma maneira ele preenche ou pelo menos s esforça para preencher as frequentes demandas de restrição social que resultam desses fatos biológicos.. O caráter neurótico, todavia, vive uma vida de sexualidade resignada, ou envolve-se em atividades perversas secretas. Sua impotência orgástica é acompanhada por um desejo de felicidade sexual, ele é indiferente a felicidade sexual dos outros. Ele é mais comumente governado pela ansiedade do que pela raiva quando entra em contato com problemas sexuais. Sua armadura diz respeito somente a sua própria sexualidade, não a sexualidade dos outros… A sexualidade de uma personalidade contaminada pela praga emocional é caracterizada pela existência paralela de lascívia sexual e moralismo sádico. O dualismo é uma parte de sua estrutura… por baixo da fachada de cultura e moralidade, eles perseguem ao extremo cada expressão de sexualidade natural. Ao longo dos anos, eles desenvolveram uma técnica especial de difamação…”

Encouraçamento é um processo patológico que é largamente disseminado pelo mundo. A praga emocional, como pode ser visto nos exemplos acima oriundos do processo de impeachment do Presidente Clinton, manifesta-se de diferentes formas e em diferentes áreas da vida. Compreender orgonomia ganha significância ainda maior importância no despertar  dessa patologia tão disseminada que afeta cada aspecto de nossas vidas. Tal compreensão, de nosso ponto de vista, é imperativo no combate a ela. Os líderes e instituições que estão em posição de liderança são responsáveis pelo reconhecimento e redução dessas reações patológicas e serão responsabilizados no futuro por permanecerem-se ignorantes a este problema.

Este post foi escrito por:

Stephan Simonian M.D. – que já escreveu 22 artigos no Journal of Psychiatric Orgone Therapy.

Dr. Simonian é um psiquiatra geral, infantil e de adolescentes. Ele completou sua formação médica na Universidade Shiraz, Irã. Ele completou seu treinamento de residencia psiquiatrica em acompanhamento de crianças e adolescentes no New York Medical College, Metropolitan Hospital Center. Concomitante com seu treinamento como psiquatra, Dr. Simonian concluiu os cursos didáticos do New York Medical College Psychoanalytic School, incluindo seu próprio processo de psicanálise. Em 1990, Dr. Simonian iniciou sua própria terapia orgonica psiquiátrica, terapia reichiana, com Dr. Morton Herskowitz e em 1991 tornou-se um membro do Institute of Orgonomic Sciences (IOS), que se dedica a promover e presevar o trabalho do Dr. Wilhelm Reich’s. Dr. Simonian iniciou sua prática psiquiatrica privada em Milford, Massachusetts em 1984 e ele foi chefe do departamento de psiquiatria do Milford Regional Hospital por vários anos. Ele iniciou sua prática em Glendale, California since 2003. Dr. Simonian é diplomado do American Board of Psychiatry and Neurology.

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FONTE DO ORIGINAL: http://www.psychorgone.com/sociology/president-clinton-vs-emotional-plague

NOTA DO TRADUTOR: O termo “character” é quase sempre traduzido simplesmente como “caráter”. Aqui optamos por vezes pela tradução “personalidade”. Da mesma forma, o termo “plague” é tratado na tradução por vezes como “peste”, outras vezes como “praga”.

2 comentários a “Bill Clinton e a praga emocional”

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