No consultório ou em domicílio? Quando é melhor atender e ser atendido em casa e quando não

Por Arnaldo V. Carvalho*

https://i0.wp.com/printables4scrapbooking.com/lettersets/e_girl.jpgssa é uma pergunta comum de pessoas interessadas em receber Shiatsu ou iniciantes da terapia, e não sem importância. Algumas pessoas preferem ser atendidas pela comodidade de não ter de sair de casa. De fato, é cômodo, mas na vida tudo tem dois lados, e gostaria nessa pequena explanação de considerar o positivo e o negativo dos atendimentos domiciliares.

Para o profissional a atender, os pontos positivos são de ordem terapêutica de um lado e comercial de outro. Na ordem comercial, temos o fato de que o terapeuta em geral cobra a mais e não arca com custos de locação de espaço, caso não possua uma despesa já fixa com algum lugar. Ele também não precisa se preocupar com mobiliário, nem com a infraestrutura básica. Mas a vantagem humana e não comercial do terapeuta está em dois pontos: Poder servir a alguém que por ventura não possa realmente se deslocar; e conhecer nuances do universo do atendido, que pode revelar aspectos antes desconhecidos e enriquecer a avaliação geral que é utilizada durante a terapia com Shiatsu.

Pelo lado do cliente, a ilusão do conforto é a meta: não precisar sair de casa parece uma benção para quem vive em centros urbanos confusos, com muita gente na rua, com trânsito complicado, ou simplesmente sente dores que lhe fazem preferir a cama. Digo ilusão porque o conforto de fato quase nunca é real. Uma casa está sob crivo de todo o tipo de intervenções humanas – parentes, conhecidos diversos, o interfone que toca, o animalzinho que quer atenção, o telefone, e as lembranças. Essas intervenções não cessam nem quando a pessoa está deitada a receber o tratamento, e sem dúvida isso pode reduzir sua eficiência. Mesmo que a pessoa more sozinha e em ambiente silencioso, está em seu universo. Está a dizer a si mesma: “não mudo, importarei ‘algo’ de fora que tentará me mudar. Mas eu não irei buscar de fato nada”. Uma pessoa que não vai ao consultório por mera comodidade já está mostrando ao terapeuta uma série de senões que se efetivaram na forma de  resistências a uma melhora. Peço que leia essa equação:

Melhorar é uma forma de mudança > mudança é uma forma de movimento

= Movimentar-se na direção da melhora conduz a psique ao preparo para tal mudança!

E agora, te convido a refletir: Onde você teve as grandes conversas de sua vida, com grandes mudanças e transformações positivas internas? Dentro de casa? Na normose do dia a dia?

Sabemos que o automatismo ante ao mundo conhecido é um dos maiores entraves nas mudanças. Quanta coisa daquela pequena viagem você guarda na memória e lembra com tantos detalhes! Quão pouco lembramos sobre o que e comemos no almoço da semana anterior. O automático embota. Ir ao consultório tira o cérebro do automático e engata a mente no “módulo porta aberta para aprender e mudar”.

Assim, só há vantagem em se fazer Shiatsu na própria casa quando esta é feita apenas por prazer, quando não se quer se desligar do próprio mundo conscientemente, quando não se pensa que há mudanças a serem feitas, ou quando não há possibilidade FÍSICA de comparecer ao local do atendimento.

Obviamente, o consultório possui uma desvantagem grave quando o atendimento com Shiatsu é feito de forma “industrial”, em baias, com pouca privacidade, e por vezes de forma entrecortada: Um terapeuta coloca agulhas e some, depois de 20 minutos ele tira as agulhas e dá lugar a outros que aplica Shiatsu, e coisas do gênero. Nesse gênero de atendimento já se pode questionar se este conseguiria ajudar a pessoa a se entregar integralmente a um processo terapêutico e assim obter o melhor deste.

Mas, quando da oportunidade de um consultório privado e onde o terapeuta pode prestar o serviço com sua total capacidade, então, melhor. O terapeuta em seu consultório perceberá mais uma vez vantagens humanas se sobrepondo a vantagens ligadas à honorários. Ele ficará mais satisfeito com os resultados melhores da parte dos clientes; Poderá dispor de todo o seu equipamento e ambientar seu espaço de maneira a favorecer a terapia. Terá móveis adequados a manipulações e técnicas várias do Shiatsu, unindo conforto à ergonomia. Enfim, o melhor do terapeuta se faz em seu ambiente, e o melhor do cliente se faz fora de seu próprio ambiente.

De qualquer forma, esse é um detalhe onde o terapeuta usará seu melhor para subrepujar desvantagens e resistências que o cliente em seu “habitat” costuma criar. Ele em si já é elemento diferencial no velho ambiente, e sua presença já inspira a uma certa quebra de automatismos. Com efeito, não se deve imaginar de estanque um atendimento domiciliar como algo de menor nível; Há desafios diferentes, detalhes instigantes, e cada caso será sempre um caso único, devendo-se pensar junto com o cliente quais são as melhores estratégias para o alcance do equilíbrio.

*   *   *

*  Arnaldo V. Carvalho é Terapeuta Corporal, Naturopata, e Praticante de Shiatsu há 17 anos.
Membro Conselheiro do Sindacta – Sindicato de Acupuntura e terapias afins do Rio de Janeiro, autor do livro Shiatsu Emocional, único brasileiro a ministrar conferência no Congreso Internacional de Shiatsu em Madri (considerado o maior evento do gênero). Já dinamizou atividades ligadas ao Shiatsu em diversos estados do Brasil e países como Estados Unidos, Panamá, Argentina, Japão, Espanha e Portugal. Dirige a Aeshi – Escola de Shiatsu, onde ensina o Shiatsu Emocional através de uma didática inovadora. Coordena o curso de Shiatsu do Centro Brasileiro de Acupuntura Clínica e Medicina Chinesa. Administrador dos sites http://www.shiatsuemocional.com.br, shiatsuemocional.wordpress.com, portalverde.com.br e portalverde.wordpress.com. É ainda  fundador e administrador do Fórum Shiatsu BR (yahoogrupos) e do Shiatsu Brasil (Facebook). Mais sobre Arnaldo V. Carvalho em http://www.arnaldovcarvalho.com

 

Outros artigos de interesse:

 

Diferença entre Zen Shiatsu e Shiatsu Emocional

Como o Shiatsu pode te ajudar a PASSAR EM CONCURSOS

No chão ou na maca? Vantagens e desvantagens para os praticantes na hora de aplicar e receber Shiatsu

Shiatsu Tradicional… Existe?

Por que existem cursos de Shiatsu com duração tão variada?

1 comentário a “No consultório ou em domicílio? Quando é melhor atender e ser atendido em casa e quando não”

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s