Há onze anos, o Shiatsu Emocional e sua história estreavam em Salvador

Memórias do começo de tudo

Como surgiu o Shiatsu Emocional

Por Arnaldo V. Carvalho*

O assunto era Aromaterapia. A lista, criada pelo Aromaterapeuta virtuosi Fabián Lazló naquele momento era moderada por mim e por Alê Kali, braço de Fabián em Salvador, Bahia. Alê é terapeuta e artista, daquelas que demonstra com  acertividade que arte e cura talvez sejam indivisíveis. E uma de suas marcas é estar na vanguarda.

Eu era o velho sem forma que verborragiava informação diferenciada na lista, e isso a atraiu de alguma forma. As interrelações traçadas entre óleos essenciais e terapias orientais, entremeadas com cases de consultório e experiências que conduzia e divulgava na lista oxigenavam discussões e produziam mais saberes. Tantos nomes ativos dessa lista colaboravam e faziam parecer que finalmente a Aromaterapia amadureceria e se difundiria com uma cara profissional, embasada. Lá estavam o próprio Fabián, eu, Alê, Daniela Sim, Carmen e Ary Bon, Aghata, Mari Gemma, Suzy Belai, entre outros. Mas isso é história.

Criteriosa, Alê observou meu trabalho por algum tempo, até que decidiu que eu poderia colaborar com qualidade em seu espaço terapeutico. Mas ela queria mais, queria o tom das discussões que tínhamos no grupo, queria que o Shiatsu não só falasse de energia, queria que falasse das emoções. Mais: queria que fosse um Shiatsu das emoções.

– Queria que viesse dar um curso de Shiatsu, mas um Shiatsu Emocional!

Fiz de seu entusiasmo o meu. Reavaliei o curso de Shiatsu que já ministrava, sob bases bem tradicionais e um ou outro tempero de uma certa semente que lá habitava.

A Xamã Chamas e Cheiros misto de loja e espaço terapêutico comandada por Alê, era o grande nome baiano no que dizia respeito a óleos essenciais, plantas medicinais e também, terapias de vanguarda. Recebeu o curso em abril de 2004, e dessa turma me recordo com carinho dos vários alunos. Assim como todo baiano, o Shiatsu Emocional não nascia, estreava.

Foi preciso um tempo para que as inspirações ali surgidas ganhassem um corpo teórico sólido o bastante para ir na direção que hoje estamos. Naquele tempo, a proposta era apenas ensinar Shiatsu valorizando a visão emocional clássica dos meridianos, com um ou outro insight diferenciado. Uma primeira revolução estaria por vir, e dessa vez seria na Argentina.

Mercedes, Eiji

Havíamos nos conhecido no primeiro curso de Ohashiatsu no Rio de Janeiro, ministrado por meu querido mestre Marco Duarte. Mercedes foi uma colega preciosa na pequena turma: ela tinha o silencio de quem verdadeiramente ouve, o bom humor de quem não confunde seriedade com sisudez, e o brilho nos olhos de quem apaixona-se por tudo o que decide fazer. Já era uma pessoa experiente no Shiatsu, e havia passado por duas escolas com forte base Masunaga, o que fez o Ohashiatsu soar como um passo natural para ela. Tornamo-nos grande amigos e esse amor permanece, com a adição de uma gratidão imensa por tudo o que me fez crescer, em diversos momentos da vida. Se não fosse por ela, talvez o Shiatsu Emocional não tivesse tido fôlego para alcançar a vida própria que está alcançando.

Em viagem para Buenos Aires, pedi para aplicar Shiatsu em Mercedes. Fora do curso, seria a minha primeira oportunidade de “mostrar o que sabia”. Minha ideia era ser avaliado. Fiz o meu melhor, mas ao final, ela pareceu desapontada. Não deixou de elogiar a minha técnica e meus recursos, mas disse-me que não parecia legítimo. A vantagem é que também aprendo com a crítica. Aquilo doeu. Fiquei buscando que eu verdadeiro era esse em mim, e se ele não aparecia, que tipo de terapeuta de Shiatsu eu era. Certamente não era quem eu imaginava ser, quem eu gostava de achar que era.

Os dias passaram, e eu pude aprender muito com tudo o que vi e vivi na Argentina. Mas antes de passar a outros episódios marcantes, preciso ligar o que aconteceu com o que viria a ocorrer ao final da viagem, um episódio incidental me trouxe a resposta da Vida às minhas indagações. Mercedes machucou-se e chegou da rua com muita dor. Pedi para lhe fazer alguma forma de massagem. Não sei o que fiz. Não foi o Shiatsu como eu havia aprendido em diferentes escolas. Eu não buscava aprovação. Não buscava nada, apenas agia por instinto.

Ao terminar ela abriu os olhos e disse: “esse é o seu Shiatsu”.

Naquele momento, descobri que Amor é Instinto, e se nós o bloqueamos ao Outro, não podemos ser nós mesmos. E se isso não é possível, não podemos fazer Shiatsu, ser o Shiatsu.

O instinto me afastava de vaidade pessoal, preocupações técnicas, e me aproximava de quem eu era na essência. Faz parte de minha jornada como professor ajudar o aluno a descobrir seu próprio Shiatsu. Ele fará isso quando descobrir o Amor em si, e como permitir que flua.

Mas esse foi um dos pontos de aprendizagem que iriam fazer o Shiatsu Emocional adquirir outro tom a partir dessa viagem.

Mercedes me apresentou seu antigo professor, o mestre japonês Eiji. Foi uma oportunidade rara, o privilégio de conhecer um mestre japonês em sua espontaneidade, a sós, fora de sala de aula. Generoso, ele me recebeu a pedido dela. Ele me conduziu por seu centro de cursos e terapias,  até uma sala vazia e harmoniosa, ao estilo oriental.

Conversamos sobre a arte de ensinar Shiatsu. Em certo momento, ele abaixou sua cabeça, e após breve silêncio, me disse, entre pausas diversas, de quem ao mesmo tempo que verbalizava, buscava refletir sobre o que dizia:

– Há algo que nunca consegui ensinar… Por algum motivo estranho, quando eu toco… Eu sei o que a pessoa tem. Eu simplesmente sei. E não consigo ensinar isso -, lamentou.

Essa foi a parte da conversa que nortearia meu desafio de crescer como professor nos anos que se seguiram. Eu também sentia que podia perceber sobre as pessoas ao toca-las, muito além das teorias já escritas. E sabia que, se pudesse .transmitir essa habilidade aos meus alunos, estaria oferecendo um recurso extraordinário.

Já havia iniciado uma escrita que se se converteria no livro Shiatsu Emocional, publicado em 2007. Os esboços foram comigo. Tudo muito em sintonia com o que havia conseguido desenvolver do início de minha formação até o curso Shiatsu Emocional.

Na véspera de minha ida havia ocorrido a sessão de emergência em Mercedes. Na manhã seguinte, eu sentei e escrevi. Escrevi as principais ideias que dariam forma ao livro. E é por isso que nos agradecimentos se lê: “À Mercedes Avellaneda, onde tudo começou”.

Daniel Luz e a picaretagem

Uma passagem rápida e inesquecível deu-se através de uma confusão ocorrida na extinta rede social “Orkut”. Não éramos conhecidos. Uma pessoa perguntou na comunidade “Shiatsu Brasil”, idealizada e administrada pelo excelente profissional e pessoa Daniel Luz: “alguém aí sabe o que é Shiatsu emocional”?

Daniel não teve dúvidas: “Me soa picaretagem”.

Uma pessoa ligada a mim leu e me contou, eu fui lá, li a discussão, me indignei, me coloquei no lugar de todos, me des-indignei, e refleti sobre o que era o Shiatsu Emocional. Sabia que não era picaretagem, pelo contrário! Ao mesmo tempo eu mesmo não enxergava Shiatsu Emocional como um estilo de Shiatsu ou algo assim. Era apenas um curso que inspirara um livro.

Conversei por e-mail com Daniel, me apresentei, esclareci como eu pensava. Ele me leu, mas até hoje tenho dúvidas se ele mudou de ideia (risos). Fato: foi caldo para que eu começasse a me perguntar: “o que origina um estilo de Shiatsu”? O que faz com que uma nova terapia seja realmente nova? O que faz com que ela permaneça vinculada a sua origem, tornando-se um “estilo” ou “variação”? O que por outro lado a afasta demais, fazendo-o deixar de ser aquilo?

Para ser Shiatsu, uma terapia precisa estar alinhada com sua principal fundamentação teórica e linha prática. E assim seguimos: os meridianos, o yin-yang, a pressão com os dedos… O conhecimento comparado de várias técnicas nos permitia seguir aprofundando o conceito de Shiatsu e nortear a técnica a partir deste.

A medida que o Shiatsu Emocional amadurecia, incorporando novos aspectos, estivemos atentos para sua transformação, e percebemos o momento em que ele é diferente demais para ser “Shiatsu tradicional”, mas que era fiel demais a ele para não ser Shiatsu.

Não fosse a polêmica gerada no Shiatsu Brasil do Orkut, talvez essa clareza nunca tivesse ocorrido.

Reich, Sylvio

O primeiro a me falar de Wilhelm Reich foi um de seus poucos amigos verdadeiros. Seu nome era Alexander Sutherland Neill, um senão o educador mais importante da história. Em sua escola, não há diretividade, e sua ausência permitia que os alunos simplesmente fossem. E sendo simplesmente, descobriam-se como nenhum pai ou pedagogo jamais poderia estimular. A célebre frase “Gostaria antes de ver a escola produzir um varredor de ruas feliz do que um erudito neurótico”, presente em um de seus vários livros, marcou meu final de adolescência, quando descobri muito as minhas dificuldades comuns daquela época. Neill enxergava seus alunos como pessoas com vontades próprias, e as respeitava. Isso em geral os fazia ir bem além de ocuparem profissões mecânicas como varrer ruas, mas tornarem-se profissionais de alto destaque fosse a área que escolhessem. Se Malinovsky havia vencido a teoria do complexo de Édipo latente através de seu estudo entre os trobiendeses, Neill havia vencido a “alma caótica infantil” a ser modelada pela educação para seu próprio bem. E parte disso tem relação com o que li e conversava com Reich. Reich, pai das psicoterapias corporais. Reich, discípulo de Freud, mais um dos dissidentes da psicanálise. Reich, o louco que reintroduzia na psiquiatria a ideia de energia vital – o Orgon. Li Reich em Neill e depois li Reich em diversos autores de psicoterapia e psicoterapia corporal: Dutchwald, Gaiarsa, Roberto Freire, Pierrakos, Perls, Keleman, Schulz, Boadella, Raknes, e enfim nele mesmo. Compreendia apenas parcialmente seus escritos, compreendia apenas parcialmente seu mundo. Mas o bastante para conhecer sua teoria acerca da análise do caráter e suas couraças musculares. Eu considerava suas teorias uma descoberta fascinante, e enxergava correlações claras com as teorias da antiga medicina oriental. Investia no estudo comparado entre meridianos, couraças e chakras, e isso foi a grande base do livro. Mas ainda havia um algo mais, que não pode ser adquirido nos livros. Havia um mestre a conhecer, alguém que respirasse Reich. Foi quando conheci Sylvio Porto.

Porto fizera parte de uma geração de psicólogos que mergulhara junto, fundo, no mundo de Wilhelm Reich. No início dos anos de 1980 eles eram o CIO – Centro de Investigação Orgonômicas Wilhelm Reich. Muitas realizações ocorreram ali: a vinda de Federico Navarro (discípulo direto de Ola Raknes, um dos principais terapeutas reichianos, com quem inclusive Reich viveu uma relação transferencial) para oficinas, refizeram experiências executadas no passado pelo próprio Reich, traduziram textos, atenderam pessoas discutiram com calor a obra do gênio que fora o psiquiatra.

Entrei para uma de suas turmas de Massagem Reichiana em 2009. Para Sylvio Porto, a massagem é um veículo de mobilização de couraças, que pode auxiliar e ou anteceder a terapia reichiana propriamente dita. Ensinar esse curso é para ele um modo excelente de apresentar o pensamento ortodoxo reichiano, e distingui-lo do movimento neo-reichiano que altera muitas de suas ideias e prática.

Não parei no curso. Fui seu cliente. Estudei mais. Fui seu monitor. Colei nele. Um dia o Mestre Wu, da Sociedade Taoísta do Brasil, disse que era sempre muito bom estar perto dos mestres, que quanto mais se ficava, mesmo que sem palavras, mais se aprendia. Eu procurei respirar Sylvio para respirar um Reich mais puro do que o que havia encontrado nos livros e nas passagens por outros livros.

O Shiatsu e a Terapia Reichiana eram complementos um do outro, já não havia dúvida. Um corpo teórico mais sólido e revigorado surgiu e permitiu uma apresentação bem sucedida do Shiatsu Emocional, no XI Congresso de Psicoterapia Corporal, ocorrido em 2011 na cidade de Curitiba. Era uma questão de tempo para que o curso, que já havia crescido de 16 para 32H, ganhasse novos níveis de conhecimento, e uma metodologia ainda mais diferenciada, onde a etapa final se baseia na relação direta professor-aluno.

Em 2016, o Shiatsu Emocional tornou-se a principal formação da Escola de Shiatsu SHIEM, opera por vontade própria. Outros professores dão o curso. Outros profissionais atual com a mesma qualidade que eu, e até melhor, porque eles são eles mesmos, e talvez sejam ainda melhores.  Em breve, novas teorias e práticas começam a se desenhar, de minha parte e de outras pessoas, pois o Shiatsu Emocional não para de evoluir.

É uma satisfação muito grande relembrar os três primeiros grandes marcos formativos que orientaram os principais fundamentos do Shiatsu Emocional nesse momento.

Durante esses anos, nunca esqueci das pessoas, lugares e situações que fizeram amadurecer a trajetória do Shiatsu Emocional. E foram tantos que seria injusto anunciar aqui e correr o risco de deixar faltar alguém.

Vida longa e próspera ao Shiatsu Emocional!

Quais são os objetivos de quem ingressa em nossa formação?

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Curso de Shiatsu SHIEM: Objetivos a serem alcançados de acordo com o interesse de cada um

Há muitas motivações para se aprender Shiatsu. De ferramenta de autoconhecimento até um passo a profissionalização, o Shiatsu oferece novas perspectivas na vida de alguém.
Montamos nossa formação pensando em cada um, e o que desejam do Shiatsu. São três níveis diferentes, onde a pessoa avança de acordo com o que lhe interessa. Nada de investir tempo/dinheiro/energia na direção de conhecimentos desnecessários. Valorizamos você, respeitamos e incentivamos sua inclinação.
Basicamente, os níveis de formação da Escola de Shiatsu Shiem identificam as grandes motivações pelos quais alguém busca o trazer os saberes do Shiatsu para sua vida:
 
1. Adquirir uma ferramenta para a própria vida e as relações, conquistando o domínio de um Shiatsu básico e seguro.

> O interessado ficará satisfeito com nosso curso inicial – nível básico (32 + 28H)

2. Adquirir novas e completas ferramentas, caso seja um profissional de saúde, ou melhorar a qualidade do que aprendeu, caso seja um praticante básico.

> Terapeutas diversos decidem parar aqui, em nosso curso de nível intermediário (120H), pois já adquiriram uma semi-maestria técnica no Shiatsu e bastante conteúdo de Shiatsu Emocional.

> Praticantes em geral descobrem um mundo bem maior do que imaginava, e avançarão para a última e maior etapa.

3. Tornar-se um praticante de Shiatsu profundo, atuando com uma terapia não só para o corpo mas principalmente, através dele, atingindo suas emoções. Adquirir maestria no Shiatsu Emocional e amadurecer com a experiência no tempo.

> Chegar ao nível avançado (Mín. 1000H – variável*) Essa é a motivação de quem quer ir muito fundo no Shiatsu, o que por vezes só é descoberto a medida que se avança.

* Saiba com detalhes como funciona o nível avançado e os demais clicando aqui: https://shiatsuemocional.wordpress.com/2014/12/31/como-e-a-formacao-em-shiatsu-escola-de-shiatsu-shiem/

Conheça nossa escola! Converse conosco! Seja Bem vindo!

Quantas horas deve ter um curso de Shiatsu? Os verdadeiros parâmetros na aprendizagem do Shiatsu

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Número de horas ideal é grave equívoco no que se refere ao aprendizado do Shiatsu

Por Arnaldo V. Carvalho

Nos círculos de discussão sobre a “boa formação” de Shiatsu no Brasil, pode-se perceber a insistência coletiva na na manutenção do modelo educacional padrão de nosso país. Os debatedores, embora com variada gama de opiniões, são praticamente unânimes ao pleitear para o ensino do Shiatsu um número de horas de sala de aula (quase sempre 1200 horas são consideradas “suficientes”).

Esse modelo, oriundo do ensino técnico brasileiro, é contudo obsoleto, e como em outros saberes, não se adequa ao Shiatsu. 

O aproveitamento das horas depende da infra-estrutura que cerca o curso, qualidade, dedicação e comprometimento do professor e do aluno, e das inter-relações de todos esses elementos. Uma hora de aula com o professor e o aluno excelentes e em sintonia rendem certamente mais do que cem horas com o professor e o aluno medíocre.

Saiba mais sobre a arte de aprender Shiatsu

Todos os educadores em essência sabem disso.

Ao interessado em aprender Shiatsu, é importante destacar que educação é um processo SUBJETIVO, e estabelecer horas ou provas com notas é um meio de dar a algo subjetivo uma aparência objetiva, a partir da qual se pode trabalhar com dados concretos e se determinar um “sim e não”, “pronto e não pronto”, aprovado e não aprovado”. Essa “máscara de objetividade” não incentiva a autonomia na aprendizagem, nem valoriza a inteligencia do aluno. Segue a velha educação diretiva A>B, preocupada com programar, não em fazer refletir.

Mas Shiatsu – em alto nível – não pode existir sem reflexão.

Não pode ser ensinado ao “modo objetivo”, pois isso o empobrece. Não é possível quantificar aprendizado de Shiatsu por um número pré-determinado de horas.  Fazendo parte de uma filosofia de aprendizado profundo e contínuo, o Shiatsu segue tornando-se um caminho, um modo de vida para seus praticantes.

Novos parâmetros de aprendizagem

Mas então como os formadores em Shiatsu podem gerar parâmetros de aprendizagem? E como os interessados em aprender podem analisar avaliar se um curso pode realmente leva-lo ao Shiatsu de alto nível?

A solução, para os agentes formadores (professores, escolas, etc.) deve ser a adoção de critérios diversificados, que incluem a subjetividade e visam perceber a maturidade do aluno-praticante acerca dos diversos temas inerentes à Terapia Shiatsu. Entre outras atitudes, os agentes devem pensar que certificado de participação não equivale a certificado de qualidade. E que provas escritas ou mesmo testes práticos nem sempre são o parâmetro ideal da avaliação. A avaliação objetiva não pode ser uma avaliação sábia, pois a sabedoria não é meramente objetiva, embora possa incluir objetividade.

O tema da avaliação em Shiatsu é um tema caríssimo, e se há uma avaliação sábia, ela requer tempo. Então um professor e um aluno em sua relação precisam de tempo. Tempo para se conhecerem um ao outro, de modo que o educere* se faça profundamente. Na Sabedoria, avaliação e autoavaliação dançarão juntas por anos, e reconhecer-se-ão uma a outra.

A formação precisa ter a possibilidade de continuidade, e uma vez alcançando o limite técnico disponível, deve permanecer oferecendo atualização e manutenção do que se aprendeu. Mais ainda, deve possibilitar uma sequência de desenvolvimento, que levará o aluno à pesquisa e à transversalidade com outros campos de saber. Finalmente, uma formação de qualidade deve investir no aprofundamento ético do praticante. É esse aprofundamento que o tornará uma pessoa melhor, e somente tornando-se melhor ele poderá ser um praticante verdadeiramente melhor.

Interessados em aprender Shiatsu por aí já começam a entender que um curso baseado em carga horária, que termine “e só” apresenta limitações. Mas há outros critérios simples a buscar na procura por um bom curso de Shiatsu, quando se pensa em alto nível.

Fique atento ao que a escola/professor te oferece

O número de pessoas por turma é um deles. É possível encontrar cursos baratos com trinta pessoas em uma turma. Mas não é possível que mesmo um bom professor ofereça grande qualidade de atenção a uma turma tão grande. Se participativa, as perguntas serão saciadas. Um direcionamento personalizado dos conteúdos de acordo com a heterogênea demanda será impossível. E as correções individualizadas durante as práticas serão deficientes. Para a aprendizagem de Shiatsu, turmas pequenas, entre oito e doze pessoas, são ideais. Turmas pequenas demais são igualmente um problema: o Shiatsu é uma terapia do Outro, é preciso que haja um grupo mínimo para haver a aprendizagem da escuta, a experiência do toque em diferentes tipos físicos e a lida com diferentes temperamentos. Sem um número mínimo, a amostragem tende a ser insuficiente.

Pouca gente se preocupa com o que o Shiatsu provoca em quem faz o Shiatsu, e isso não é uma questão para o interessado. Em geral, ele se preocupa com o efeito que acredita que irá causar no Outro. Mas sem a orientação correta, ele será mais um entre muitos que se afastarão do Shiatsu, que lhe provocará tendinites, dores nas costas, ou mesmo intoxicações energéticas (o leitor já deve ter ouvido falar da pessoa que se afirma ser “uma esponja” – esses são os que mais sofrem). Então uma pergunta que poderia ser feita ao professor/local de ensino de interesse seria: você me dará orientação postural para que eu não tenha problemas? você me dará orientação e suporte para que eu não venha a somatizar um conteúdo transferido do Outro para mim?

A preocupação com o número de horas em geral também não fará lembrar de uma dúvida que cerca muitos alunos após terminado um curso de Shiatsu: “será que já estou pronto”?, ou, embora mais raro: “será que aprendi tudo o que há para se aprender em se tratando de Shiatsu?”. A raridade desse segundo questionamento se deve ao fato de que os cursos em geral são “vendidos” como um produto acabado, quando o Shiatsu é fractal, desdobrando-se infinitamente em conhecimentos múltiplos. Para responder a primeira pergunta, é preciso ter um suporte pós-curso da parte da escola/professor, e quanto a segunda, iniciar o curso dizendo que não, não bastam aquelas horas seria no mínimo honesto, mas não o bastante. Porque a partir dessa conclusão, há que se apontar caminhos. Essa é uma das missões do professor/instituição de ensino.

Para mais do que as questões técnicas e éticas, existe o lado de quem quer ser um profissional de Shiatsu. É preciso avaliar se a escola  vai dar condições de um praticante galgar uma profissão não regulamentada no Brasil, como a Shiatsuterapia, criando plano estratégico, enfrentando as condições jurídicas e de mercado, sabendo conduzir-se de forma ética mas ao mesmo tempo que o permita crescer de forma firme.

É quase irresistível elencarmos itens que talvez pudessem simplesmente pudessem estar numa grade de conteúdos de um curso, fazendo parte do número total de horas. Entretanto, quanto mais esmiuçamos, mais nos afastamos do tema central do texto, de modo que agora é hora de retornarmos através de uma pergunta chave: se o número de horas de curso não é o mais importante, o que é então?

Naturalmente, não há uma resposta curta para uma questão que, apesar de parecer simples, é complexa como é complexo o ser humano.

Como seria bom conhecer o professor primeiro, observar sua paixão; Como seria útil observar se as horas que passarão juntos serão horas onde ele se dedica totalmente… Mas quase nunca isso é possível, e talvez deslocar a responsabilidade de aprender para o educador seja um desserviço a si próprio. A direção correta é a da autoeducação, como nos ensina Tomio Kikushi.

Assim, eu gostaria de perguntar ao leitor: o que você pretenderá fazer com as horas que passará com seu professor e colegas? Com que atitude interna entrará no curso, e o que fará a cada dia após sair da sala de aula? Que perguntas pretenderá fazer ao professor, e que perguntas fará a si mesmo? Se você levar a sério tais questões, talvez mesmo um curso “fraco” seja ótimo. Este texto, então, deixará de ser necessário, e ao mesmo tempo cumprirá sua função. Como já diz o provérbio oriental, “o orador pode ser tolo se o ouvinte for sábio”.

*  *  *

* Educere: trazer para fora, em latim

* Arnaldo V. Carvalho é pai, educador, praticante de Shiatsu desde 1993, membro da Associação Brasileira de Shiatsu e autor do livro Shiatsu Emocional.

Shiatsu e Drenagem Linfática: Casamento perfeito?

Este artigo é apenas uma introdução sobre um assunto pouquíssimo explorado, mas de alta importância. Boa leitura!

Shiatsu e Drenagem Linfática: Compatibilidades e possibilidades de uso combinado

Por Arnaldo V. Carvalho*

Em 2007, a convenção internacional Fitness Brasil (tida como a maior da América Latina  na área de atividade física) mais uma vez ocorria em Santos. Como professor, era a primeira vez que eu observava junto a alunos de um minicurso de evento que todas as técnicas manuais têm uma finalidade essencial em comum: devolver a circulação. Linfática no caso da Drenagem Linfática Manual (DLM), energética no caso do Shiatsu, sanguínea no da Massoterapia clássica. Como energia e fluídos corporais seguem um ao outro, mutuamente, quaiquer dessas terapias bem executadas poderiam levar a resultados semelhantes.

Menos de dez anos após, vem se tornando está mais e mais conhecida a possível “re-descoberta” de um correlato físico aos meridianos energéticos ocorrida em 2009. O estudo em questão sugere que os meridianos e pontos de acupuntura são parte de um fio microscópico conduzido na rede linfática – os condutos e corpúsculos de Bonghan. É possível que atuem como captadores energéticos, estruturas celulares que conseguem transformar a energia (já observável em aparelhos) em material químico.

Os condutos ocorrem no interior dos vasos linfáticos, e seriam responsáveis pela comunicação dos canais pelo corpo. Conclui-se que a linfa, material a ser mobilizado naturalmente pelo movimento corporal e a própria pulsação sanguínea caminha por um “trilho” altamente comunicado com os meridianos.

Faria então a Drenagem Linfática Manual e o Shiatsu um casamento perfeito?

É essencial que possamos iniciar estudos mais detalhados destas interrelações, mas o que temos aqui sugere ser grandioso, e que talvez seja possível promover uma sinergia entre as terapias que se utilizam dos conhecimentos a cerca do sistema linfoide x sistema de meridianos de energia.

Os circuitos anatômicos da linfa e do Ki

As escolas de Drenagem Linfática Manual propõem diferentes técnicas, mas em comum obedecem ao fluxo natural do retorno linfático fisiológico. Quase todos os estilos de Shiatsu que utilizam o sistema de meridianos da Medicina Tradicional Oriental também seguem o fluxo, com uma ou outra exceção.

Se tomamos os mapas gerais de meridianos e pontos das terapias orientais (Shiatsu, Acupuntura, etc.) e comparamos com os mapas anatômicos da rede linfática, encontraremos muitas diferenças, e uma ou outra semelhança, tanto em se tratando de trajetos que poderiam estar justapostos, como no sentido em que linfa/energia deveriam seguir em uma determinada região.

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Olhando na representação dos principais ductos linfáticos presentes no tronco, é fácil sugerir a associação entre meridiano do Rim ao ducto central, e os ductos laterais aos meridianos do Fígado e/ou Baço-pâncreas, que por ali se avizinham. A mobilização tanto da linfa quando de tais meridianos (yin-anteriores) ocorre em sentido ascendente.  Isso também ocorrerá em diversos outros trechos do corpo. Podemos mencionar por exemplo a hiper-ramificada rede linfática cefálica versus o meridiano da Vesícula-biliar.  Os importantes pontos de acupuntura próximos ao joelho versus os nódulos linfáticos da região. Entre outros.

Tangências e divergências das duas práticas

O Shiatsu é a terapia de pressionar. Especialmente com o dedo, em pontos chaves (estilo Namikoshi e variações) ou ao longo dos meridianos e pontos. Já a Drenagem Linfática tem como principal ferramenta o deslizamento ao longo do trajeto linfático, havendo outras intervenções de acordo com o método (Vödder, Leduc, etc.).

Pressionar um ponto onde há grande congestão linfática (linfedema) é contraprodutivo, pois não se alcança o trajeto energético subcutâneo, a região pode estar especialmente sensível, e o resultado é menor; Nesses casos a técnica do Shiatsu palmar é preferível, mas ainda assim é discutível se a região deve ser trabalhada ou não. Mas se utilizarmos a DLM imediatamente antes das pressões, teremos os condutos de Bonham novamente ativos, e o toque do Shiatsu recupera sua eficiência.

Dissolução de nós e retenção energética

O pioneiro método de Vödder na Drenagem Linfática Manual, ao estimular nódulos linfáticos e promover a mobilização do material linfático ali acumulado poderia facilitar igualmente a retenção energética? Caso positivo, estamos falando de uma estrutura que pressupõe a existência de um bloqueio misto, ou seja, é físico e é energético. Haveria uma terceira força capaz de dar origem a essa estagnação híbrida?

Se esse mecanismo combinado se confirma, então as teorias psicossomáticas ganham novas perspectivas e novas perguntas passam a se fazer necessárias. Esse é um tema do estudo aprofundado do Shiatsu Emocional, um estilo específico demais para ocupar parte deste artigo.

Conclusão

Sugerimos aos profissionais de drenagem linfática que conheçam o Shiatsu e compreendam melhor o que ocorrre no corpo. Da mesma forma, que os praticantes de Shiatsu conheçam a rede linfática e saibam manipula-la, otimizando sua técnica.

* * *

Prof. Arnaldo V. Carvalho foi profissional e ensinou diversas técnicas terapeuticas por anos, incluindo a Drenagem Linfática e o Shiatsu (que pratica desde 1993).

12 razões para aprender o Shiatsu Emocional

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12 Razões para fazer o
Curso de Shiatsu/Shiatsu Emocional da Escola SHIEM

O Método da Escola Shiem de Shiatsu possui uma série de diferenciais, sendo válido mesmo por quem já pratica Shiatsu ou tem formação em acupuntura ou Medicina Chinesa (descontos para tais profissionais, informe-se). Da atenção criteriosa a cada aluno ao respeito que nossa escola conquistou com os anos, somos hoje a grande opção quando o assunto é aprender Shiatsu.
Dentre os diferenciais de nosso curso, vale destacar:
1. Ensino Modular: Aqui você avança de acordo com seu desejo e tempo disponível, etapa por etapa.
2. Aprenda mais e aprenda sempre! Nossos Conteúdos e nossa didática são diferenciados. Mesmo profissionais de Shiatsu, Acupuntura, Psicologia e outros da área de saúde se surpreendem com o conteúdo de nosso curso, mais profundo e abrangente, e ministrado por professores que estudam para ensinar melhor a cada dia. A possiblidade de avançar por toda a vida através do sistema de ensino direto também só existe em nossa escola.
3. Suporte PERMANENTE: É o único curso que você faz e passa a ter direito permanente de frequentar grupo de estudos dirigidos, com possibilidade de receber supervisão e permanecer em treinamento premium (consulte).
4. Reciclagem Gratuita: Aqui você refaz seu curso quantas vezes quiser (consulte as regras).
5. Para os diferentes tipos de interesse: Pessoas interessadas no Shiatsu como autoconhecimento e sua aplicação em si e em seus podem fazer apenas aquilo que lhes interessa, evitando todo um comprometimento de tempo, dinheiro e energia em estudos que não serão utilizados na vida prática. Já os que desejam ser profissionais ou especialistas no Shiatsu terão todo o ensino de conteúdo necessário, bastando avançar nos níveis formativos e buscando nosso suporte e grupos de estudo.
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6. Suporte para a profissionalização: Para aqueles que desejarem atuar profissionalmente, ensinamos os passos corretos para você ser um profissional de qualidade, incluindo registros, plano de carreira, etc.
7. Multi-estilos e exclusividade técnica: Os nossos cursos mostram e ensinam sobre diversos estilos de Shiatsu, e isso também é único. O Estilo Shiatsu Emocional somente é ensinado em nossa escola, ao longo de nossa abrangente formação.
8. Qualidade dos professores, reconhecimento dentro e fora do país: Praticamos Shiatsu há mais de vinte anos. Nosso coordenador geral tem reconhecimento internacional, tendo ministrado cursos em diversas cidades e estados do Brasil, e vários países de quatro continentes. É um dos fundadores da Associação Brasileira de Shiatsu, autor do livro Shiatsu Emocional.
9. Turmas reduzidas: Toda atenção para esclarecer as dúvidas de cada aluno!
10. Certificação de qualidade: Não apenas temos selos de autenticidade, reconhecimento Aeshi (Associação de Escolas de Shiatsu), mas desfrutamos da melhor reputação no mercado. Pergunte a qualquer aluno que tenha passado por nossos cursos!
11. Orientação postural e progressão adaptada: Nosso curso está preparado a se adaptar à especificidades físicas e mostrar o caminho de desenvolvimento do corpo integrado ao da mente, através de um detalhado método que garante a boa postura durante todo o trabalho. Alguns acham cansativo no início, mas é a garantia de que o Shiatsu jamais causará mal articular (comum em muitos praticantes que não tiveram esse tipo de orientação), pelo contrário, cuidará do corpo não só de quem recebe o Shiatsu como também de quem aplica.
12. Condições de pagamento incomparáveis: Oferecemos facilidade para pagamento e a possibilidade de descontos – confira!
Próxima turma de Shiatsu Emocional: CLIQUE AQUI.
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Para fins de junho, Curso de Shiatsu no Humaitá, Rio de Janeiro

A Escola de Shiatsu SHIEM anuncia mais uma edição de seu curso de Shiatsu, que inclui a base do Shiatsu Emocional, no Rio de Janeiro.

Ministrado pela Prof. Nathália Tupinambá, pós graduada em Medicina Tradicional Chinesa e formada em Shiatsu pela Escola de Shiatsu.

18 e19 de Junho e 2 e 3 de Julho
Humaitá, Rio de Janeiro, RJ

Inscrições pelo cel/whatsapp: 97966-8777 ou escoladeshiatsu@outlook.com

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Em Corpus Christi tem curso de Shiatsu Emocional (São Paulo)

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Curso de Shiatsu Emocional (intensivo)

com Adriana Benazzi e Arnaldo V. Carvalho

26 a 29 de Maio de 2016 – Pompéia,  São Paulo, SP
Shiatsu é uma terapia originada no Japão e desenvolvida em diferentes partes do mundo. Alia estudo científico à sabedoria tradicional do oriente.
Shiatsu Emocional (Método Shiem) é uma abordagem direcionada à percepção psicossomática do Shiatsu. O psicoterapeuta Prof. Arnaldo V. Carvalho pratica Shiatsu há quase duas décadas e  já ensinou sobre o tema em diversos países, e de norte a sul pelo Brasil. A médica Profa. Adriana Benazzi estuda e pratica o Shiatsu e o Shiatsu Emocional desde 2009, tendo passado por diversas formações. 
Estão abertas as inscrições para o Curso Básico de Shiatsu Emocional em regime intensivo.
A turma é reduzida, e portanto a garantia de vaga é por ordem de inscrições.
O curso acontecerá no Espaço Prajna, um local privilegiado e totalmente preparado para nos receber com simplicidade e conforto.
Público-alvo, Objetivos e Possibilidade de seguir por níveis avançados:
O curso é destinado a todos aqueles que buscam ampliar seus conhecimentos e, conseqüentemente, sua qualidade de vida. Ou seja, não é preciso ser profissional de nenhuma área de saúde para participar do curso e, começar a praticar o Shiatsu.
É igualmente recomendado a todos os profissionais que atuam com MTC, shiatsu, psicólogos, bem como os demais profissionais de saúde que desejam enxergar além do horizonte físico e atuar no campo emocional; aos psicólogos que desejam fazer uso de uma abordagem corporal, e aos terapeutas corporais que desejam passar a ter o corpo não como fim, mas como meio para equilibrar o ser.
Programa Básico:
Introdução ao saber Oriental: Origem e evolução do Shiatsu; Comprovações Científicas; O equilíbrio através do toque; O toque shiatsu; O estilo Shiatsu Emocional; Os 7 preceitos do shiatsu emocional; Introdução à Medicina Tradicional Chinesa – Histórico, o Tao, Introdução às Cinco Fases; os 12 Meridianos e suas funções emocionais; Introdução à percepção do Hara; Introdução à Aromaterapia como amplificadora do toque shiatsu; Tratamento dos principais desequilíbrios emocionais através do shiatsu; exercícios práticos. Prática Básica com orientação ergonômica e postural.
Com o programa básico, é possível fazer uma sessão segura e com muitos benefícios aos praticantes.
Professores:
Arnaldo V. Carvalho pratica Shiatsu há mais de vinte anos; Membro-Conselheiro do SINDACTA – Sindicato de Acupuntura e Terapias Afins do Rio de Janeiro; Membro fundador da ABRASHI – Associação Brasileira de Shiatsu; Diretor da Shiem – Escola de Shiatsu; Fundador e moderador do grupo Shiatsu-BR e Shiatsu Brasil, editor do verbete Shiatsu na Wikipedia, autor do livro Shiatsu Emocional.

Adriana Benazzi

A médica homeopata e ginecologista conheceu o Shiatsu em 2009 e não parou mais. Desde então, vem trabalhando com seus pacientes e relacionando os conhecimentos orientais aos da medicina.  Em especial, utiliza o Shiatsu e sua filosofia no tocante à saúde da mulher, escrevendo inclusive sobre o tema. É Membro-fundadora da ABRASHI.
O curso inclui Kit Aluno com: Nosso manual do aluno, Fornecimento para link exclusivo de download de centenas de informações, artigos etc, músicas, apostila; certificado de participação e passaporte de entrada em nosso grupo de estudos online, com total suporte ao aluno.
Maiores informações sobre o curso em: escoladeshiatsu@outlook.com
ATENÇÃO AOS DIFERENCIAIS DESSE CURSO!

Shiatsu e participação política

Shiatsu e participação política

 

Por Arnaldo V. Carvalho*

Pouco antes da crise política brasileira chegar ao ponto onde se encontra, um certo grupo cobrava isenção política da parte das instituições de ensino e seus profissionais (através do projeto de lei “escola sem partido”).

Apartar uma pessoa, classe profissional ou instituição de qualquer natureza da reflexão, debate e posicionamento político é, ao modo de ver terapêutico, ato de esquizofrenização, que faria Laing (1927-1982), nesse momento, mais uma vez denunciar que a sociedade “enlouquece” seus indivíduos. Mais ainda, os posiciona de forma a manter um estranho equilíbrio social, onde uns sofrem para a prosperidade de outros. A denúncia da sociedade louca-enlouquecedora, no entanto, não é exclusivamente de um só homem. Ela também surge entre os pensadores orientais contemporâneos. Tomio Kikushi (1926-), um dos grandes nomes do pensamento oriental aborda esse conceito em suas palestras e livros, e aponta a auto-educação como forma de vencer essa estrutura viciada, desigual e destrutiva.

As características da auto-educação preconizadas por Kikuchi são as mesmas do Shiatsu – as mesmas oriundas de antigas e profundas reflexões ocorridas no Japão através do tempo. Para um avanço real, a sociedade precisa oferecer a seus indivíduos a possibilidade de refletir, pois somente o ser humano dotado desta capacidade participa de forma consciente dos processos sociais.

Sendo uma terapia calcada no equilíbrio do eu e do outro, a partir do contato corporal, as reflexões ocorrem no âmbito relacional e ensina seus praticantes sobre a vida coletiva. Sua prática, toda a vez que acontece, cria espaço para a expressão e reflexão. E assim, os praticantes têm, a cada sessão, a oportunidade de relembrar dos pilares filosóficos fundamentais do Shiatsu.

O que é aplicado em uma sessão de Shiatsu, e direciona-se ao Eu-Outro, serve igualmente para a aplicação no dia a dia, na interação com a sociedade, no exercer da cidadania. E essa é uma chave fundamental no próprio ato terapêutico, visto que não se pode agir pelo indivíduo dissociando-o do universo que o cerca. Sim, a constatação de que não se pode agir plenamente pelo indivíduo se não se busca agir em sua coletividade é impele qualquer terapeuta de excelência à uma vida sociopolítica ativa.

No momento que o Brasil atravessa, é de suma importância que os praticantes de Shiatsu, e suas variadas correntes e organizações coletivas possam, neste momento, estarem muito atentos às nuances de sabedoria supracitadas, transmitidas desde a primeira aula nas boas escolas.

Vale detalhar que a aprendizagem do Shiatsu dissemina valores como disciplina, atenção plena, e aprendizagem permanente. Como uma verdadeira arte de cura, têm em sua essência a cultura de paz, a anti-guerra, a comunicação não violenta, o caminho do meio.

Assim, um praticante de Shiatsu precisa saber escutar. Precisa estar atento às incoerências e divisões do Outro – seja seu atendido, seja a sociedade. Não há uma verdade a se revelar, mas um conjunto de óticas. A boa ação do praticante é de retornar ao atendido, ou a sociedade, o resultado de sua percepção do Todo. Para alcançar um painel mais próximo do Todo (único detentor da Verdade), deve haver um interesse investigativo e capacidade reflexiva. Para efetuar esse retorno, deve ter mente serena, comunicação clara, firmemente calcada na mente tranquila. Apenas a mente tranquila consegue ir próximo do Todo.

A linha do tempo de aprendizagem do Shiatsu é permanente, e da mesma forma é permanente o caminho que nos leva a consciência do todo, dos mecanismos sociais, das implicações em curto, médio e longo prazo sobre os indivíduos. Se compreender o Shiatsu a sociedade são igualmente passíveis de um aprendizado para toda a vida, então a humildade deve guiar nossas afirmações. Se percebemos que há um desequilíbrio em um meridiano, precisamos ir em busca da origem desse desequilíbrio. Fará parte de um padrão estabelecido no nascimento? É apenas a ponta de um iceberg energético onde muitas outras forças se chocam internamente? Ou será que é um apelo do corpo para ser ouvido em relação a uma determinada atitude que não se toma? Em Shiatsu, consideramos que o que está na superfície, ou seja, o problema aparente é apenas uma pequena parte de um Todo muito mais complexo. Analogamente, se afirmamos que um determinado ato político é condenável, precisamos perceber profundamente o que estamos dizendo. Foram consideradas as diferentes variáveis? Aquele que afirma tem consistência no que está dizendo, ou seja, está próximo o suficiente para perceber o problema em sua totalidade? Têm noção das diferentes consequências do que afirma, e do que pode ocorrer nas diferentes escolhas que a sociedade faz? É preciso respirar fundo. Não há espaço para a desarmonia, pois toda exaltação cardíaca lesa a consciência. E sem ela, não podemos ser bons cidadãos ou bons Shiatsuterapeutas.

Finalmente, o Shiatsu, em sua essência de levar ao equilíbrio natural, é uma prática do Caminho do Meio. Só se chega ao meio quando se conhece os extremos, quando eles dialogam, quando a mente – ou a sociedade – pode refletir sobre as polaridades e o que cada uma está reivindicando. O diálogo banhado de sinceridade e desejo de integração é a única maneira de salvarmos as relações humanas em nossa sociedade.

Que o Caminho do Meio, alcançável pela prática profunda do Shiatsu, possa ser trilhado por todos os brasileiros nesse momento difícil.

Arnaldo V. Carvalho

 

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  • Arnaldo V. Carvalho, praticante e professor de Shiatsu, autor do livro Shiatsu Emocional, membro da Associação Brasileira de Shiatsu.

Shiatsu na pauta na mobilização de ocupação da greve dos professores no ISERJ

Prezados praticantes de Shiatsu,

Alguns devem saber da greve dos profissionais da educação do Estado do Rio de Janeiro, onde diversos segmentos encontram-se mobilizados para buscar seus direitos e bem cumprir seus deveres, pois no momento as condições de trabalho encontram-se abaixo de um patamar mínimo de dignidade

Tanto no ensino básico como no superior há mobilizações, que também parte dos alunos, que sofrem com condições precárias de estudo.

A greve no ensino superior engloba a Seeduc, a UERJ, a FAETEC e o Instituto de Educação do Rio de Janeiro – Iserj.

No Iserj a greve tem o caráter de ocupação. O que é isso?

A função do espaço acadêmico é a construção do conhecimento, discussão, reflexão e difusão de saberes.

Dentro dessa percepção, os protestos da comunidade acadêmica ocorrerão mantendo-se a instituição aberta e plena em atividades construtivas, que apoiam a mobilização de professores e alunos e ao mesmo tempo dá continuidade aos objetivos sociais desses locais, como, repetimos,  centros de construção de saberes  e conhecimentos.

Apoiando a causa, os professores e praticantes da Escola de Shiatsu SHIEM, estarão oferecendo atividades gratuitas e abertas aos estudantes, professores, alunos e também a população geral.

Serão sessões de Shiatsu, palestras e aulas diversas.

Faço saber ainda que a ABRASHI – Associação Brasileira de Shiatsu foi contatada e, na figura de sua presidente Nathália Tupinambá, mostrou-se favorável também a colaborar com a ocupação de professores e alunos durante a greve.

Com isso, acreditamos que o Shiatsu que existe em cada um de nos será levado, em momento muito oportuno, aos que dele precisam em suas ações por uma sociedade mais justa e desenvolvida.

Em breve divulgaremos a grade de atividades no Iserj, e paralelamente seguiremos com nossos estudos de Shiatsu.

Em nome da Escola de Shiatsu SHIEM agradeço a todos os movimentos a apoiar a educação no Rio de Janeiro e Brasil.
Arnaldo V. Carvalho

 

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Os números de 2015

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2015 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos em Sydney, Opera House tem lugar para 2.700 pessoas. Este blog foi visto por cerca de 19.000 vezes em 2015. Se fosse um show na Opera House, levaria cerca de 7 shows lotados para que muitas pessoas pudessem vê-lo.

Clique aqui para ver o relatório completo

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