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Primeiro “Shiatsu Essencial: Bases filosóficas e práticas” tem turma completa e encerra suas inscrições

Sucesso do curso Shiatsu Essencial: Bases filosóficas e práticas faz inscrições se encerrarem mais cedo

Escola de Shiatsu promete disponibilizar novas datas ainda esse ano.

Como anunciado no Facebook na última sexta-feira, completamos o número máximo da vagas para nosso curso e por isso foi preciso encerrar mais cedo as inscrições do curso “Shiatsu Essencial: Bases filosóficas e práticas”

Em sua primeira edição, o curso  teve imensa repercussão e procura, o que leva a Escola de Shiatsu SHIEM a buscar novas datas para esse ano.

Nós da SHIEM queremos agradecer a todos pelo interesse e dizer que estamos trabalhando para que o Shiatsu seja ensinado em níveis cada vez mais altos, a todas as faixas de interesse. Do amador que apenas deseja aplicar os conhecimentos do Shiatsu no dia-a-dia, passando por profissionais de saúde que desejam dar novos passos em seus conhecimentos, chegando ao terapeuta de experiente em Shiatsu que busca por novas e mais profundas ferramentas, abraçamos a todos.

– ESCOLA DE SHIATSU SHIEM –

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Ode ao Ser Mulher – Por Nathália Tupinambá

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Pedimos licença para irmos além do Shiatsu, neste mês onde campanhas surgem para lembrar ao mundo de que a Mulher e a Energia Feminina precisam ser respeitadas, valorizadas, e o Amor à Vida precisa ser plenamente restaurado.

Nossa professora, Nathália Tupinambá, preparou um texto sobre o Ser Mulher, com a magia do feminino, e a melodia cíclica-espiralada do Shiatsu.

Ela explica sobre o inspirado título de seu texto com um recado especial para as leitoras da Escola de Shiatsu:

– Começando a escrever pra vocês e me despertou a curiosidade de pesquisar a etimologia da palavra MULHER. Não sei porque não havia procurado antes.  Mulier, do latim, é a palavra proveniente de Molier que significa mais delicado, mais mole, mais suave. Há quem diga que deriva de Molis Aer, “ar macio, macia como o ar”.  Daí vem a ideia do sexo frágil. Nossa natureza de menos músculos e mais útero progestor (de progesterona), tão mais forte e valente do que o homem para certas vicissitudes. Deveras somos sopros da terra, somos brisa fresca, somos bruma densa.  Ah como eu NOS admiro!

A todo o Feminino que habita mulheres mas também homens, e principalmente  a todas as Mulheres, completas no que são, com seus ritmos, suas dores e amores, suas forças femininas e masculinas, suas capacidades, humores, odores e flores… Nathalia convida, de forma poética, a imergir no ventre, ao exercício da capacidade de fecundar o mundo, ao suave e arredondado das formas do Amor.

Com vocês, o poema “Molier”.

Molier,

Tu és útero frutuário, teu colo és um berço, teu ventre és santuário. Teus ciclos são embrionários, os teus dons são vários, em teu corpo tem ovários.

Oh feminino progestor, pela graça do teu aparelho reprodutor, Cristo nasce redentor. Teu néctar tem amor, no peito tem clamor, tu suportas qualquer dor.

Tua cavidade faz o ninho, tu não negas um carinho e não faz distinção entre os filhos. Tu és mãe Ave, és Maria, gera, educa e cria, tua existência é uma dádiva e tu és uma Deva.

Tu és origem, meio e perpetuação, teu óvulo é princípio de criação e tudo depende de sua gestação. Tu és canal sereno e generoso, és tu que acolhe o outro e traz a luz pra escuridão.

Tua palavra tem intenção, teu zelo traz proteção e tua rezo é benção. Oh ser, bendita és tu pela vocação do teu cuidar! Tu sentes com o coração, ouve tua intuição e preza por todos ao orar.

Tu és órgão oco e maleável, tu és forte e também frágil, é detentora do fecundar. Tu és barro, é vaso, é terra fértil, é a condição pra semente germinar.

Tu és obra primorosa, és formosa como a exuberante rosa que se abre ao aflorar. És tu, suave e macia, forte, delicada e cheia de valentia ao se desnudar.

Tu jorras o manjar de tuas tetas, tuas gametas são acólitas, tua emoção é uma incógnita. És tu, água quente, morna e fria, tua névoa é sólida, gasosa ou líquida, tu és água turva e cristalina e regida pelo Luar.

Tu és forma, és fluída, és rítmica, tu gostas do dia, mas é a noite que tu brilhas. És tu vento, hálito e corrente; O sopro da consciência que te esculpiu é divinamente Sapiente.

Tu és portal de entrada e fenda de saída: o caminho, a verdade e a vida surgem através de ti. Tu és alma conceptiva, presença sublime e criativa, tua essência é Divina.

Tu és voluptuosa, criatura majestosa, tua vulva é poderosa, vens da Irradiância Luminosa. Tu és deusa escura e graciosa, doadora esplendorosa, tua natureza misteriosa.

Tu és MULHER, em ti o nOVO brota, em ti o ovo choca, em ti tudo se reNOVA.

De molier
Para molier
Nathalia Tupinambá

Assista o show de slides do poema Mulier de Nathalia Tupinambá, recitado por: Dewa Deepta Uozi:

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Primeira turma do curso Shiatsu Essencial ocorre no primeiro final de semana de abril, no Rio de Janeiro

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O Rio de Janeiro sediará o primeiro curso introdutório Shiatsu Essencial. Voltado para o ensino da prática do Shiatsu altamente integrada à filosofia oriental, a atividade tem custo bem abaixo da média, e será ministrada pelo Professor Arnaldo V. Carvalho, um veterano na área, que já deu aulas em diversos países e dezenas de cidades de norte a sul do Brasil.

CURSO SHIATSU ESSENCIAL

O que é

É a forma mais profunda de iniciar o contato com o Shiatsu.

Um curso dinâmico e focado na prática, na percepção e interação consciente com a Energia (Ki) e na filosofia oriental que dá base ao Shiatsu.

Pré-requisitos e Público Alvo

Sem pré-requisitos, e ideal para quem quer praticar no âmbito familiar, pretende que o Shiatsu seja uma forma de manutenção pessoal da saúde ou ainda, para profissionais de terapia corporal que queiram reforçar as bases de sua prática.

Objetivos

Levar o aluno a perceber, compreender e interagir sabiamente com a Energia Vital; Fornecer bases para uma prática profunda, segura e consistente de Shiatsu; Integrar a prática à essência filosófica oriental; Fornecer os subsídios para a mente calma e atenta, e introduzir a filosofia oriental.

Conteúdo Programático

  • Shiatsu e a Cultura de busca da tradição Japonesa
  • Prática do Shiatsu: Toque, ergonomia, formas de pressão, sentir e seguir o corpo
  • Respiração e atenção plena
  • Ki (Energia vital; Yin-yang; Circulação de energia pelo corpo)
  • Padrões dolorosos e energia
  • Estratégias de tratamento dinâmicos
  • Autoshiatsu, Do-In e Pontos especiais

Características do curso

-40% de teoria, 60% de prática, poucos intervalos (aproveitamento máximo do tempo de aula).

– Profissionais de Shiatsu e terapias manuais irão revigorar-se com a profundidade teórico-prática em torno de temas simples e com a riqueza das práticas;

– O curso amplia exponencialmente o aproveitamento do Curso Formativo em Shiatsu;

– Os alunos ganham acesso a comunidade SHIEM online;

– Carga horária total: 20 horas

– O participante terá direito a Apostila e Certificado.

ATENÇÃO: O Shiatsu possui exigências físicas baixas ou moderadas relacionadas à posição e movimentação do praticante durante suas práticas. Caso haja alguma limitação física, por favor, consulte-nos antes de se inscrever, para que busquemos o diálogo e a melhor forma de adaptação! escoladeshiatsu@outlook.com

Professor

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Arnaldo V. Carvalho, dirigente da Escola de Shiatsu, mais de vinte anos de formação e prática, mais de quinze anos de docência, autor do livro Shiatsu Emocional, membro-fundador da Associação Brasileira de Shiatsu.

Datas e Horários

01 e 02 de Abril, de 9 às 18H

Local do curso

Casa Psy: Rua Guilhermina Guinle, 114, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ

Contato para informações e inscrições

escoladeshiatsu@outlook.com

Investimento

R$250,00 parcelável em até 2x R$125,00.

Descontos
Formados em Shiatsu com comprovação: Bolsa 50%; Ex-Alunos Shiem 50%; Membros ABRASHI (Associação Brasileira de Shiatsu) 50%. Desconto não cumulativo.

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O Shiatsu e a cultura espiritual japonesa – Parte 5

Na parte anterior, aprendemos sobre a importância de ultrapassar o Eu, e como isso pode ser alcançado através do Shiatsu como atividade meditativa. Transpessoal(1), o Shiatsu revela, através de sua peculiar forma de contato, a história da vida na terra, da humanidade, do ser aqui-agora enquanto desdobramento de tudo o que existiu até hoje, passado de tudo o que existirá. No que se refere a seu papel no tempo-espaço, não é possível desconectá-lo a ideia de ancestralidade, profundamente arraigada na cultura espiritual do Japão.

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Botsudan com seus Ihais em destaque

O Shiatsu e a cultura espiritual japonesa – Parte 5

Por Arnaldo V. Carvalho*

 

Entre mestres, dinossauros e avós

A família Kakeya, de onde descende um de meus sobrinhos, possui mais de três dezenas de plaquinhas (ihai) com dados sobre as diferentes gerações familiares que passaram pela Terra. São mais de mil anos de ancestralidade observada através dessas placas, cuidadosamente abrigadas em um Botsudan (altar familiar) (2), ainda no Japão. Através dos ihai devota-se tempo, respeito, pede-se proteção, e uma parte importante dos propósitos da vida são finalmente compreendidos. Na espiritualidade japonesa, todos estão conectados às suas famílias formando uma rede de mútuo débito, criando-se um senso de servir a essa linha infinita de desdobramentos que se formou. A contrapartida a essa conexão é garantir o acesso aos talentos e capacidades (virtudes) dessa linhagem, lapidadas ao longo das gerações e oferecidas através do DNA. Por isso, aos descendentes, tal percepção não soa como obrigação, mas como um direito. Como disse o conhecido monge zen-budista (3) Thich Nhat Hanh, trata-se de uma “prática de olhar para o fundo de nós próprios para reconhecer a presença dos nossos antepassados em nós, em cada uma das nossas células”. A afirmação oferece um sentido de continuidade do outro, ou melhor, continuidade de uma linha infinita de existência de um no outro.

 

Esse é o mais complexo dos temas de nossa série, visto que a visibilidade das ações do Shiatsu calcadas nos valores ressaltados pelas tradições da cultura espiritual japonesa, até aqui, eram bastante claras, enquanto que, ao longo da prática terapêutica, o contato com mestres, a ancestralidade, a história da Vida na Terra aparenta ser imperceptível. Porém, assim como não se pode compreender a espiritualidade japonesa sem a noção de tais relacionamentos metafísicos, também não é possível perceber de onde surge a profunda sabedoria nos atos, movimentos, palavras e silêncios no momento em que se faz a prática do Shiatsu.

 

Diferente dos tópicos sobre os quais nos debruçamos nos artigos passados, a conexão com a ancestralidade não se faz diretamente: a contemplação, a meditação, a busca pelo essencial e puro são os instrumentos de evocação de tal religare. Assim, ao se manter o ritmo do Shiatsu, atinge-se o Shiatsu Meditativo, e une-se à Fonte. Nos portais do Puro, aguardam nossos entes queridos, que tendo ascensionado (budismo) ou retornado à natureza essencial (xintoísmo), nos servem de guias para a jornada de equilíbrio através do corpo.

 

Pressionar e remover, pressionar e remover, pressionar e remover…

Inspirar e expirar, inspirar e expirar, inspirar e expirar…

Expandir e recolher… Expandir e recolher… Expandir e recolher…

 

Costumo dizer aos meus alunos nipo-descendentes que para eles é mais fácil… Afinal, não precisam aprender Shiatsu, é só “lembrar”. O que lhes peço é que (re)estabeleçam essa ligação. Os que conseguem parecem automaticamente passar a “saber” Shiatsu como praticantes de longa data. Esse fenômeno é testemunhado por mim, por outros alunos, e percebido pelos próprios muitas vezes. “Lembrar” é refazer o laço com a rede ancestral, e com ela, a sabedoria acumulada por gerações estará operando durante o Shiatsu de quem o evoca.

 

Além do Eu

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Se voltarmos mais e mais no tempo, inevitavelmente transpassaremos os ciclos evolutivos e alcançaremos o ancestral comum a todos os humanos, e antes ainda,de todas as formas de vida na Terra.

 

Na filogênese do desenvolvimento humano (do embrião à postura bípede), revivemos essa história: como o surgimento da vida do planeta, a célula matriz (ovo) desenvolve-se na mãe em ambiente aquático-salinizado; a embriologia demonstra a formação do corpo passando por uma fase mórfica assemelhada a girinos e répteis; já no ambiente extra-uterino, o desenvolvimento motor sugere associação com a evolução animal, obedecendo a ordem de aparecimento dos diferentes esquemas locomotores (rastejante > quadrúpede > bípede).

 

Desse modo, a linha ancestral passa por toda a história da Vida, e nos convida à compreensão de nosso potencial cósmico, implicado no relacionamento inter-espécies, do Tempo e do Espaço, e enfim, na experiência além do Eu.

 

On

https://i2.wp.com/fudoshinkan.eu/wp-content/uploads/2014/10/Tenpeki-Tama%C3%AF.jpgA palavra “on” pode ser traduzida como “gratidão incomensurável” no Japonês. Essa infinitude se estende para além da linhagem familiar, e alcança os mestres de todos os saberes aos quais nos desenvolvemos ao longo da vida. Por isso, a crença zen Budista crê em uma “segunda ancestralidade”: uma espécie de conexão voluntária a um continuum energético específico. No caso deles, creem no Caminho do Buda, do qual todos os que ascenderam na terra fazem parte. Egrégoras específicas, portanto, podem ser acessadas através do mesmo sentido de afinidade / familiaridade com o qual nossa mente/espírito se enleia. Por exemplo, se estou alinhado com o Shiatsu, todos os que também estiveram no passado tornam-se meus ancestrais nessa corrente. Assim, e por isso mesmo, devemos prestar reverência a nossos mestres (nossos ancestrais recentes), aos propagadores do Shiatsu, e seus pioneiros.

 

Talvez por isso, não seja raro ouvirmos relatos de praticantes de Shiatsu – e eu mesmo já vivi essa experiência em consultório algumas vezes, de um cliente que em sua sessão comentou: “vi um chinês ali no canto da sala”, ou “fechei meus olhos e senti que era visto por orientais que me acalmavam, parecia que a medida que recebia o Shiatsu outras mãos trabalhavam em mim”. Fantasia ou percepção metafísica?

 

Sugerimos aqui ao praticante que, antes de iniciar um dia de prática, procure estabelecer tal conexão. Respirar e lembrar de cada um dos antepassados e mestres que reconhecidamente foram importantes para si e para a Egrégora do Shiatsu. O resgate à memória empodera o presente, renovando laços com a sabedoria acumulada por gerações. Na reverência à ancestralidade, pai, mãe e mestres são o Cosmos, são Deus.

 

***

NOTAS:

 

  1. Transpessoal é um termo usado na filosofia e na psicologia, para descrever experiências e percepções de mundo que ultrapassam a individualidade.
  2. Altares familiares são muito comuns nas casas japonesas (60% nas metrópoles e mais de 80% nas zonas rurais. Os do xintoísmo são chamados kamidana e os do budismo, botsudan. A função em ambas as tradições, entretanto, é basicamente a mesma
  3. O Zen é o budismo nascido no Japão. A história conta que deriva do C’han, corrente do budismo que recebeu na China as influências do Taoísmo. No Japão, sofre influências do Xintoísmo e assume sua forma final, Zen. Há muitas correntes de Zen Budismo, em todo o mundo, sendo as principais a Soto e a Rinzai.

 

Arnaldo V. Carvalho pratica Shiatsu desde 1993 e o ensina desde 1999. Dedica-se há mais de uma décadas a compreender as origens desta prática para além dos livros. É membro fundador da Associação Brasileira de Shiatsu – ABRASHI, autor do livro Shiatsu Emocional e de dezenas de artigos sobre o tema.

 

Leia o ensaio completo:

  • Parte 1: Introdução: Cultura espiritual japonesa e Shiatsu
  • Parte 2: Limpeza Energética
  • Parte 3: Corpo, jardim japonês
  • Parte 4: Toque-Meditação
  • Parte 5: Entre mestres, dinossauros e o vovô
  • Parte 6: Deixar-se conduzir
  • Parte 7: A vida é um relâmpago
  • Parte 8: Conclusão: Há um fazer essencial a ser resgatado

 

Leia também:

https://japaocaminhosessenciais.wordpress.com/2014/11/06/a-espiritualidade-japonesa-e-seus-tesouros/

Nossos cursos

Shiatsu Essencial – Novo curso resgata a sabedoria oriental na base do Shiatsu

Tamai Tempeki, pai do Shiatsu (foto de 1915)

Como anunciamos no mês passado, nosso programa formativo evoluiu, e o curso Shiatsu Essencial é um de seus principais destaques. Projetado para ser um curso de baixo custo mas de alta qualidade, ele traz o espírito do Shiatsu e prepara os que desejarem para alçar vôo em alto estilo em nossa já reputada formação.

Conheça o descritivo de nosso novo curso:

CURSO SHIATSU ESSENCIAL

O que é

É a forma mais profunda de iniciar o contato com o Shiatsu.

Um curso dinâmico e focado na prática, na percepção e interação consciente com a Energia (Ki) e na filosofia oriental que dá base ao Shiatsu.

Pré-requisitos e Público Alvo

Sem pré-requisitos, e ideal para quem quer praticar no âmbito familiar, pretende que o Shiatsu seja uma forma de manutenção pessoal da saúde ou ainda, para profissionais de terapia corporal que queiram reforçar as bases de sua prática.

Objetivos

Levar o aluno a perceber, compreender e interagir sabiamente com a Energia Vital; Fornecer bases para uma prática profunda, segura e consistente de Shiatsu; Integrar a prática à essência filosófica oriental; Fornecer os subsídios para a mente calma e atenta, e introduzir a filosofia oriental.

Conteúdo Programático

  • Shiatsu e a Cultura de busca da tradição Japonesa
  • Prática do Shiatsu: Toque, ergonomia, formas de pressão, sentir e seguir o corpo
  • Respiração e atenção plena
  • Ki (Energia vital; Yin-yang; Circulação de energia pelo corpo)
  • Padrões dolorosos e energia
  • Estratégias de tratamento dinâmicos
  • Autoshiatsu, Do-In e Pontos especiais

Características do curso

-40% de teoria, 60% de prática, poucos intervalos (aproveitamento máximo do tempo de aula).

– Profissionais de Shiatsu e terapias manuais irão revigorar-se com a profundidade teórico-prática em torno de temas simples e com a riqueza das práticas;

– O curso amplia exponencialmente o aproveitamento do Curso Formativo em Shiatsu;

– Os alunos ganham acesso a comunidade SHIEM online;

– Carga horária total: 20 horas

– O participante terá direito a Apostila e Certificado.

ATENÇÃO: O Shiatsu possui exigências físicas baixas ou moderadas relacionadas à posição e movimentação do praticante durante suas práticas. Caso haja alguma limitação física, por favor, consulte-nos antes de se inscrever, para que busquemos o diálogo e a melhor forma de adaptação! escoladeshiatsu@outlook.com

Próxima turma: Consulte nossa AGENDA

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O Shiatsu e a cultura espiritual japonesa – Parte 4

O Shiatsu e a cultura espiritual japonesa – Parte 4

Por Arnaldo V. Carvalho*

 

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A arte contemplativa de que tratamos na Parte 3 deste artigo é facilmente associada à  meditação. Quando praticado como meditação, o Shiatsu constrói uma relação com o Todo. Vejamos como este movimento de conexão espiritual ocorre na prática.

Toque-Meditação

 

Meditar: Mediar, criar um meio, uma interface entre eu e o Absoluto. A meditação(1) é o religare(2) que as diferentes correntes espirituais do oriente utilizam, e o principal instrumento de desidentificação do Eu individual.

 

A meditação é um movimento na direção do Não Eu,  o que é o mesmo que dizer Eu-Todo, ou ainda Todo-Eu. Da mesma forma, o Shiatsu é uma prática que exercita o não-Eu. O praticante gradualmente torna-se Eu-outro, Outro-eu, e depois Nós-Todo, Todo-nós, e por fim Todo. O que é isso?

 

  • Eu-outro é quando o íntimo do praticante percebe o que está ocorrendo na energia do outro.
  • Outro-eu é quando o íntimo do praticante percebe que, para o reequilíbrio do fluxo de energia do outro, me conecto a ele, me torno parte dele.
  • Nós-Todo é quando o íntimo do praticante percebe que uma energia única surge de todo encontro, a energia do nós, e ela tem um poder de conexão-acesso-percepção do todo em uma profundidade mais de duas vezes a individual.
  • Todo-Nós é quando o íntimo do praticante já não se identifica mais como eu. Pulsa no todo e é parte da Corrente Cósmica da Vida de uma forma não racional. A elevação espiritual ocorrida neste estado é profunda.
  • Todo é o que simplesmente é. Presente. Existência. O que realmente é. Como diziam os antigos vedas indianos: “Tu és Aquilo; tudo isto é Aquilo; E só Aquilo É”.

O processo de meditar pelo Shiatsu é, desse modo, singular e belíssimo, pois baseia-se na impossibilidade do religare na ausência de empatia, da capacidade de se conectar com o outro para que então possa vir o Todo.

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As muitas meditações estão no Shiatsu

 

Como o leitor deve saber, há muitas formas de meditar, que incluem buscar uma posição estática (sentado, deitado, em posição de lótus, voltado para uma parede, etc.) ou mesmo caminhar, movimentar o corpo livre, deixar-se levar por algum som (em geral monótono e constante).

 

Todas as “técnicas” são, na verdade, artifícios para que se atinja o mesmo resultado: O estado meditativo. Quando comparamos e analisamos as diferentes correntes de meditação, verificamos alguns aspectos ocorrem de forma mais frequente, e outros menos.

 

Por exemplo: se analisarmos as diferentes técnicas versus a posição corporal adotada, veremos que a meditação ocorre majoritariamente com a pessoa sentada. Isso ocorre por se tratar de uma posição confortável, repousante (diferente de em pé), mas não associada ao sono (deitado). O Shiatsu é feito com base no Seiza, a posição de joelhos mais adotada no oriente. Além disso, a maior parte das técnicas de meditação é realizada com os olhos fechados ou semicerrados. Essa é a postura ocular corrente na maior parte do trabalho de Shiatsu, quando este é executado com profundidade. O ritmo do toque, em Shiatsu, é outro elemento valioso no Shiatsu-Meditação, e é tão importante quanto forma de pressionar o corpo do interagente yin(3). A cadência do trabalho corporal, sua integração com as respirações dos envolvidos conduz ao aqui-agora e permite a imersão meditativa. O movimento do interagente yang é pendulante como o embalar de uma criança, ritmo que facilita a redução da frequência cerebral (o estado meditativo é verificado em frequências muito baixas).

 

Finalmente, damos conta de que quase todas os métodos meditativos passam por uma alteração do modo de respirar. A respiração do praticante de Shiatsu é profunda e, dependendo do estilo, recorre-se a um número de formas diferentes de inspirar e expirar.

 

Meditar através do toque é a “especialidade” do Shiatsu, e um de seus trunfos no conceber equilíbrio aos seus praticantes.

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***

Notas:

  1. Há diversas definições de meditação, que incluem refletir, esvaziar a mente, não pensar, conectar-se com o Cosmos. Para fins de compreensão deste texto, considere as diferentes possibilidades, pois todas são válidas.
  2. Religare é a palavra latina que dá origem à religião, e refere-se justamente a conectar novamente (re-ligar) com o Criador, Deus, Universo.
  3. Uma das maneiras de nos referirmos aos dois praticantes é como “interagente-yang” (aquele que se movimenta e pressiona com os dedos) e “interagente-yin” (aquele que entrega-se ao movimento e às pressões). Normalmente, o vocabulário utilizado passa por “terapeuta-cliente” ou “doador-receptor”, ou ainda “praticante-receptor”. Há muito vamos propagando a ideia de que o Shiatsu estabelece uma relação onde os dois são capazes de oferecer e receber, além de desenvolver um “Totem”: Uma terceira carga energética que nutre e é nutrida pelas cargas individuais.

 

Arnaldo V. Carvalho pratica Shiatsu desde 1993 e o ensina desde 1999. Dedica-se há mais de uma décadas a compreender as origens desta prática para além dos livros. É membro fundador da Associação Brasileira de Shiatsu – ABRASHI, autor do livro Shiatsu Emocional e de dezenas de artigos sobre o tema.

 

Leia o ensaio completo:

 

Leia também:

https://japaocaminhosessenciais.wordpress.com/2014/11/06/a-espiritualidade-japonesa-e-seus-tesouros/

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O Shiatsu e a cultura espiritual japonesa – Parte 3

O Shiatsu e a cultura espiritual japonesa – Parte 3

Por Arnaldo V. Carvalho*

 

Ressaltamos, na parte anterior, sobre a importância da limpeza e purificação, na sociedade japonesa, em continuidade à ideia de que, quando o Shiatsu se dissocia dos costumes e tradições que regem sua cultura originária, ele perde parte de seu potencial. A pureza é o fator fundamental no aproximar o ser humano de sua própria essência e assim torna-se ente cósmico da existência (Kami). Agora, passemos por uma outra tradição igualmente valiosa – a do Jardim Japonês, igualmente parte de uma cultura tanto espiritual como cotidiana naquele país.

Corpo, Jardim Japonês

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Shiatsu é cuidar e contemplar o jardim da Vida. Em cada indivíduo, no corpo-mente de cada um, a vida pulsa, o jardim floresce e se renova diariamente. A tradição japonesa de se planejar, construir e usufruir de jardins com rara beleza oriunda da combinação de elementos naturais e humanos nos ensina sobre a natureza do próprio Shiatsu.

 

O Jardim Japonês (日本庭園 nihon teien) busca ser um reflexo, uma expressão de quem o criou e o cuida, e ao mesmo tempo, tenta se fazer refletir no interior de quem o observa. Seu sentido se produz na conexão do exterior (ambiente, pessoas) com o interior (mente, energia), e por isso, ao observá-los podemos sentir sinestesicamente que há um propósito maior que apenas uma beleza estética.

 

Locais assim, criados para representar a Perfeição Cósmica da Vida e da Natureza, fazem parte do imaginário japonês desde a antiguidade. Jardins míticos e montanhas dotadas de rara beleza entre os elementos de sua paisagem são citados nas mais antigas poesias no país(1).

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Suas remotas origens datam dos primeiros séculos, quando já se indicava a percepção milenar de que o Sagrado habita onde a harmonia se faz. Desse modo, os primeiros jardins eram locais naturais de privilegiada beleza, santuários bem cuidados pelos habitantes da Ilha Maior do Japão (Honshu). Por alguns séculos, foi assim, até que no período Asuka (por volta do século V), com a influência do Taoísmo e a chegada do budismo como fenômeno religioso, cultural e tecnológico, é que os jardins foram tornando-se alvo de planejamento e miniatura de paisagens imaginárias, com seus diferentes estilos tomando a forma como as que conhecemos até hoje.

 

Organicismo

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Observar a sociedade, o cosmos, a vida e estruturas humanas organizadas como um corpo vivo é também uma maneira de abstração e compreensão observável das diferentes culturas, através do tempo. Pensar no jardim como representação do corpo, seguindo ideias organicistas nos parece reflexão inevitável, pois nos ajuda a fazer dialogar o Shiatsu – cuja prática está calcada no equilíbrio do todo através do corpo – e a ideia de jardim, com seus diversos elementos que precisam encontrar uma unidade harmônica.

 

Assim como cada órgão ocupa um espaço e uma função no corpo, devendo trabalhar em harmonia pelo todo, os diferentes elementos presentes no jardim japonês também o fazem, criando uma unidade essencial. Pontes, lanternas, lagos, plantas, rochas, peixes, cada um tem um símbolo e um completa o outro. Símbolos da vida estão todos lá, elemento por elemento, interagindo entre si.

 

As rochas no jardim japonês, por exemplo, são repletos de significado, que variam segundo tamanho, posição, natureza e forma. Frequentemente, por exemplo, são agrupadas em somas auspiciosas: duas, três, cinco ou sete, embora; contudo, pedras colocadas individualmente exibem a representação da espontaneidade.  A combinação das rochas com a água representa o yin e o yang, e por falar nela, a direção de seu fluxo é muito importante. Se flui do leste para o oeste eliminará o mal, e do norte para o sul representa a atração mútua de yin-yang e portanto atrai boa sorte. Pontes simbolizam a possibilidade de continuidade de um única caminho através do relacionamento de duas partes antes separadas. Em jardins de areia, as estrias feitas com ancinho representam correntes de Ki (energia vital). Plantas com diferentes ciclos vitais são colocadas de forma a transparecerem as 4 estações. O ritmo da vida e os ciclos. Lanternas chamam a atenção para um caminho ou nicho específico.

 

O que serão nossas rochas e águas internas? Como podemos perceber lanternas e pontes no corpo na comunicação não verbal de tocar e ser tocado no Shiatsu? Fica o convite para a meditação em torno do tema.

 

Metáfora Universal

 

Jardim como representação de harmonia não é exclusividade oriental. Na cultura-judaico cristã, o paraíso é representado como um “jardim perfeito”, e a punição divina pelo pecado é justamente a expulsão de tal paraíso. Não havendo o conceito de “humano pecador” na cultura original japonesa(2), a busca pelo estado edênico é mais uma maneira de reconhecer o interno no externo e vice-versa.

 

Para além de culturas, a relação do Homo sapiens com a estética e sua representação interior de harmonia natural é aparentemente intrínseca a condição humana.

 

O manejo do jardim, suas consequências, seu propósito são metáforas permanentes para as atitudes humanas, e estão bem representadas no filme “Muito além do Jardim”.

 

Quando o Shiatsu se reencontra com a Unidade na representação do Jardim, portanto, alinha-se novamente com as antigas tradições que compõem a cultura japonesa, e mais profundamente, com o sentido de humanidade que habita a cada um para além dos povos.

 

Arte de cuidar

 

Caso o jardim interior esteja bem cuidado, ele permanece em equilíbrio, a contemplação se torna fluída e a mente é alimentada pelo sentido simples de cuidar para viver. Chegamos, pois, ao âmago da experiência de ser terapeuta.

 

Jardins Japoneses não são belos sem esforço. O equilíbrio não se faz somente esperando cair do céu. Um paradoxo do pensamento oriental é uma das máximas do taoísmo: a abundância vem se você estiver no lugar certo, na ação certa. Assim ela vem, e sem esforço. Desavisados têm negligenciado a ação certa e passaram a imaginar que o sucesso não requer esforço, apenas estar no “lugar certo”. A metáfora do jardim ensina que o lugar certo é o que você faz dar certo. Planejar o jardim da Vida, o espaço que ele ocupa, cuidar para que ele esteja sempre em harmonia, é tarefa diária. Shiatsu, principalmente sua base tradicional, é atividade diária.

 

Todos os dias se removem as daninhas. Todos os dias removemos negatividade de nossas mentes. Todos os dias se renovam as águas. Todos os dias nos alimentamos bem e respiramos bem, renovando o sangue. Todos os dias se protege o que for delicado dos fortes ventos. Todos dias as nossas emoções mais sutis são protegidas. Todos os dias se verificam os musgos das rochas. Todos os dias nos alongamos para a saúde dos ossos, de nossa estrutura. E tudo isso se faz com contato. Toque. Contato. Toque. Shiatsu.

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Arte de contemplar

 

O hanami (que quer dizer “ver as flores” é a semana de contemplação das Sakuras – flores de cerejeira. No Japão, na época do hanami há um grande feriado nacional. As pessoas são liberadas para estenderem esteiras nos gramados de parques, jardins e quintais, e simplesmente apreciarem. Todos querem fazer contato com a natureza, sua delicadeza, perfeição, impermanência, e assim reverenciarem o Estar Vivo.

 

Image result for mokiti okada satoryA Contemplação é, para a cultura japonesa, motivo não só de relaxamento, mas de elevação espiritual. Mokiti Okada(3), fundador da Igreja Messiânica, ao contemplar a evolução de sua pipa no céu alcança o Satori(4) e se ilumina. Os exemplos da iluminação pela contemplação são inúmeros e estão presentes das mais diferentes religiões do Japão.

 

A atitude  do Shiatsu mais uma vez é comparável com um passeio de contemplação por um jardim japonês. Esse jardim-corpo é motivo de cuidado e reverência, regozijo e conexão.  

 

Receber Shiatsu é poder contemplar o próprio jardim interior, e a ação do tempo sobre ele. O terapeuta é sol e chuva, dia e noite, e o praticante, observador de si mesmo, paisagem onde a Vida acontece. E o que faz parte do ato da contemplação? O silêncio. O Shiatsu precisa do silêncio. Não estamos nos referindo a não falar. É preciso ir além. Os praticantes de Shiatsu precisam entender que entre uma pressão e outra sobre o corpo de seus atendidos, há um silêncio. Uma pausa na partitura, que dá sentido à música do Contato. Isso é o intervalo da contemplação.

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O terapeuta, ao mesmo tempo contemplador desse jardim sagrado, é também um jardineiro que busca ser parte da própria paisagem, busca ser a paisagem com que está lidando. A harmonia da paisagem será reflexo do Eu interno e vice-versa, pois no ato terapêutico do Shiatsu o Uno encontra sua plenitude.

 

Inclinações humanas: propósitos dos jardins das almas

 

Jardins japoneses possuem estilos variados, como existem as inclinações humanas: Há jardins de areia, destinados à favorecer a meditação através das poucas cores e do simbolismo da impermanência; Há jardins simples destinados a “preparar” o espírito de quem entrará em uma casa concebida para a Cerimônia do Chá; Há jardins-santuários, destinados à reverenciar os Kamis; e há os jardins de passeio, voltados exclusivamente para a contemplação, envolvendo seus observadores com paisagens cuidadosamente compostas.   

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Ao entrar em contato com um jardim, é preciso respeitar sua proposta, entrar nela, ser a proposta. Desse modo, a conduta terapêutica no Shiatsu não pode ultrapassar as inclinações de seu atendido, e o atendido não deve ter expectativas maiores de seu tratamento para além do que ele e terapeuta somados realmente são.

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NOTAS:

  1. O Man’yōshū, literalmente a “Coleção das Incontáveis Folhas” é a mais antiga compilação de poemas da poesia Japonesa. Datado do século VIII, no apogeu do período nominado “Nara”, ele reproduz poemas de tempos anteriores e do então presente.
  2. Não há conceito de pecado, mas há o conceito de desonra à família, a ancestralidade, e ao imperador – O pesar das consciências por artifícios que estimulam a culpa parece ser uma das mais universais formas de controle social e se apresenta desde tempos imemoriáveis.
  3. Mokiti Okada (岡田茂吉, Okada Mokichi) (23 de dezembro de 1882 — 10 de fevereiro de 1955) foi o fundador da Igreja Messiânica Mundial (世界救世教, Sekai Kyusei Kyo), na qual é conhecido pelo título honorífico de Meishu-sama (明主様, Meishu-Sama, Senhor da Luz).
  4. Satori, o estado de iluminação segundo a tradição japonesa.

 

Arnaldo V. Carvalho pratica Shiatsu desde 1993 e o ensina desde 1999. Dedica-se há mais de uma décadas a compreender as origens desta prática para além dos livros. É membro fundador da Associação Brasileira de Shiatsu – ABRASHI, autor do livro Shiatsu Emocional e de dezenas de artigos sobre o tema.

 

Leia o ensaio completo:

  • Parte 1: Introdução: Cultura espiritual japonesa e Shiatsu
  • Parte 2: Limpeza Energética
  • Parte 3: Corpo, jardim japonês
  • Parte 4: Toque-Meditação
  • Parte 5: Entre mestres, dinossauros e o vovô
  • Parte 6: Deixar-se conduzir
  • Parte 7: A vida é um relâmpago
  • Parte 8: Conclusão: Há um fazer essencial a ser resgatado

 

Leia também:

https://japaocaminhosessenciais.wordpress.com/2014/11/06/a-espiritualidade-japonesa-e-seus-tesouros/

artigos e afins

O Shiatsu e a cultura espiritual japonesa – Parte 2

Na postagem anterior destacamos o papel da cultura espiritual japonesa na preservação de costumes e tradições que se observam de muito tempo aos dias de hoje no cotidiano japonês, e perpassam a prática do Shiatsu. Cumpre apresentar a partir de agora aspectos que não poderão escapar da citação às correntes religiosas de maior influência no Japão – o Xintoísmo (1), religião oficial do Japão, e Budismo, e também as ideias revisitadas por religiões novas mas bem estabelecidas, como a Igreja Messiânica e o Seicho-no-ie.

Assim, quando necessário as mencionaremos com uma apresentação muito breve sobre aquilo que relaciona o texto a um dado costume ou tradição de uma dessas religiões.

Japanese Baths

O Shiatsu e a cultura espiritual japonesa – Parte 2

Por Arnaldo V. Carvalho*

 

Limpeza energética

Image result for misogi-shuhoÉ próprio do Xintoísmo e da cultura tradicional japonesa como um todo, a reverência à natureza e seus fenômenos. Desse modo, o vento, as tempestades, eclipses, a noite, a lua e o luar, o mar, e também a flora e a fauna permeiam a música, as artes plásticas e cênicas. O enredo típico, em tais artes, se faz pela simples alusão, descrição e adjetivação do elemento natural em foco, não tendo a aparente necessidade ocidental de colocar o ser humano no protagonismo das obras.

Para o xintoísmo, a natureza é pura, e todos os seus elementos em sua forma mais pura (Kamis) são entidades divinas – facetas do Absoluto. Assim, o ser humano deve buscar sua pureza, para se aproximar de sua condição divina essencial.

Imagem de um sentô (casa de banho, 1901)

Essa maneira de enxergar a vida torna os japoneses devotos da limpeza do corpo e da alma, e por lá os banhos tradicionais tem uma conotação para além da simples higiene da pele.

O furô (banheira) torna-se ofurô(2), e os ritos como o Misogi-shuho (banho ritual) estão entre os mais importantes Harae (rituais de purificação xintoístas). A cultura da limpeza  no Japão faz com que sapatos não entrem nas casas, o lavar de mãos mesmo antes de entrar em certos ambientes seja corriqueiro; O popular Shiatsu “de rua”, feito em cadeiras em shoppings e aeroportos é oferecido sempre com um tecido limpo intermediando as mãos do terapeuta e cliente; E nos consultórios, o ambiente limpo, e a roupagem adequada são costumes atrelados a essa noção intrínseca. A higiene é uma prioridade no dia a dia das pessoas, independente de qualquer devoção, e de que atividade for prestada.

Uma pessoa limpa é uma pessoa reta, uma pessoa moralmente forte.

Em tudo o que se faz, carrega-se essa forte noção, e assim deve ser com o Shiatsu quando alcança o esplendor de sua potencialidade.

O Shiatsu limpa a energia, renova-a, aproxima da retidão. Este caráter se verifica tanto na disciplina necessária em seu aprendizado, como a concentração e foco empregados em sua prática.

Quando fazemos Shiatsu, praticamos um ritual de limpeza energética. Estamos em busca de limpar o leito dos rios internos (meridianos) para que a água (energia, ki) corra livre por ele. Estamos em busca da liberação somato-psíquica que torna o ser fluido, puro, mais próximo de seu estado naturalmente sábio.

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*Arnaldo V. Carvalho pratica Shiatsu desde 1993 e o ensina desde 1999. Dedica-se há mais de uma décadas a compreender as origens desta prática para além dos livros. É membro fundador da Associação Brasileira de Shiatsu – ABRASHI, autor do livro Shiatsu Emocional e de dezenas de artigos sobre o tema.

NOTAS:

(1) No Xintoísmo, reúnem-se as crenças espirituais mais antigas do Japão, em uma só organização. Seu nome é uma modernização do que seria Shen Tao para os chineses, ou seja, “Caminho Espiritual”. Shen tornou-se Xin, Tao, tornou-se To ou Do. Assim que a trilha do caminho espiritual, ou o professar da espiritualidade é tratada simplesmente dessa forma, Shintô.

(2) “O” (お) é um prefixo que indica exaltação, respeito, reverência. Quando se opta por dizer “furo”, refere-se a “uma banheira qualquer”. Já “ofuro” denota que é um banho particularmente voltado ao relaxamento, renovação, purificação.

Leia o ensaio completo:

  • Parte 1: Introdução: Cultura espiritual japonesa e Shiatsu
  • Parte 2: Limpeza Energética
  • Parte 3: Corpo, jardim japonês
  • Parte 4: Toque-Meditação
  • Parte 5: Entre mestres, dinossauros e o vovô
  • Parte 6: Deixar-se conduzir
  • Parte 7: A vida é um relâmpago
  • Parte 8: Conclusão: Há um fazer essencial a ser resgatado

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https://japaocaminhosessenciais.wordpress.com/2014/11/06/a-espiritualidade-japonesa-e-seus-tesouros/

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O Shiatsu e a cultura espiritual japonesa

O Shiatsu e a cultura espiritual japonesa – Parte 1

Por Arnaldo V. Carvalho*

A cultura se faz presente em tudo o que uma pessoa faz, e como ela age, pensa e sente; Torna-se indispensável ao estudioso de Shiatsu tomar consciência da raiz cultural que molda o espírito dessa terapia oriental.
Vamos iniciar uma reflexão sobre aspectos fundamentais da cultura espiritual japonesa, ao longo dos dias desta semana, e de como ele se encaixa na prática do Shiatsu em regime de excelência, e essência. Boa Leitura!

Arnaldo V. Carvalho

Introdução

A vida e a morte, a saúde e a doença, os relacionamentos e seus moldes – e como lidar com esses aspectos da existência – são tratados pelas pessoas de acordo com suas culturas. Raízes culturais profundas por vezes confundem-se com a noção do que é ser, e funcionam como uma matriz esquemática aos próprios pensamentos do indivíduo. E isso não é diferente quando nos referimos à cultura japonesa, berço do Shiatsu.

Tudo o que se pode produzir leva em conta a história pessoal, a forma como a pessoa se criou. Escrevo em português, por exemplo, porque foi através dessa língua que aprendi a pensar verbalmente; e pensarei como brasileiro mas possivelmente com um toque lusitano, porque meu pai e a minha família do lado paterno é portuguesa.

Estruturamos um jeito de pensar segundo a mescla de facetas que vamos sistematicamente aceitando ou rejeitando no íntimo, durante a formação de nossas personalidades. O uso do verbo, falado ou escrito, possui portanto esse arcabouço cultural, e é usado sem que seja preciso lembrar disso. Isso é cultura, e vale para qualquer grupo ou indivíduo, de qualquer tempo ou lugar. Não é necessário afirmar-se ente cultural de um grupo social. Apenas se é.

No tocante à “cultura” de um povo, ela pode ser identificada como um fenômeno fluído, mutante, que de tempos em tempos particulariza suas dinâmicas, incluindo seus costumes e representações (1).

O que se pode observar nos costumes e representações dos japoneses é que sua música, dança, normas de etiqueta, religião, e práticas de saúde, seguem regidas por uma unidade implícita – resguardadas suas modificações ao longo do período – desde o surgimento do Shiatsu, no início do século XX, e mesmo antes dele. Desse modo, observar como tais aspectos culturais dialogam entre si, nos conscientiza de que, para quem é criado imerso neste panteão de saberes e fazeres, não é possível ter uma coisa sem a outra, sob o risco da descaracterização do próprio Shiatsu imerso nessa lógica que o origina e o inclui.

Em outras palavras, Shiatsu não pode ser compreendido apartado de tais raízes. Ele atrela-se com força as tradições japonesas, em especial as espirituais, e carrega-o em suas práticas. Afinal, os costumes e tradições espirituais abrigaram, por séculos, as artes da cura.

É preciso, pois deter-se sobre tais costumes, quando na busca de uma praxis terapêutica mais próxima da essencialidade que a originou.

Estamos afirmando que há um peso oculto dessa cultura, discretamente implícito, porém essencial, no modo de atuar de um praticante de Shiatsu.

Purificar corpo, mente e espírito; Contemplar; Fazer a energia fluir; Estar em harmonia com o Todo; Meditar; Conectar-se com a ancestralidade; Deixar-se conduzir pela sabedoria da Natureza; Reverenciar a vida e respeitar solenemente a morte, são características que fazem parte desse peso oculto, e participam de forma invisível do Shiatsu. Tais práticas conectam o Shiatsu com o “ser/estar” no mundo que frutificou como uma tradição mais ampla da cultura oriental: O espírito abrilhanta-se a cada ação humana. Sem tal perspectiva, o Shiatsu torna-se uma técnica apenas razoável, e provida no máximo de valor mecânico. Dentro dela, no entanto, o Shiatsu torna-se modo de viver, de desenvolver-se, de compreender a vida e encontrar o equilíbrio.

Na continuação desta série, iremos focalizar em cada um dos aspectos citados, observando os vínculos destes com o Shiatsu em sua condição de excelência.

(continua – Próxima parte: Limpeza Energética)

***

(1) Ver: THOMPSON, Edward P. Costumes em Comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

* Arnaldo V. Carvalho pratica Shiatsu desde 1993 e o ensina desde 1999. Dedica-se há mais de uma décadas a compreender as origens desta prática para além dos livros. É membro fundador da Associação Brasileira de Shiatsu – ABRASHI, autor do livro Shiatsu Emocional e de dezenas de artigos sobre o tema.

Leia o ensaio completo (disponível a medida em que é publicado):

Leia também:

https://japaocaminhosessenciais.wordpress.com/2014/11/06/a-espiritualidade-japonesa-e-seus-tesouros/

Agenda: Cursos Eventos etc., Notícias

Curso de Aromaterapia para MTC em nova edição

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Terapia oriental e Aromaterapia: Como utilizar óleos essenciais na Acupuntura, Shiatsu e Moxabustão

Curso promovido no primeiro final de semana de março disseca fórmulas famosas como Tiger Balm, ensina os fundamentos e pratica o preparo e as teorias

Os dias 4 e 5 de março estão reservados para o estudo dos óleos essenciais nas terapias orientais. Primeiro dos cursos da Escola de Shiatsu Shiem este ano, ele é destinado a quem já detém conhecimentos mínimos de Medicina Tradicional Chinesa (MTC).

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Entre os destaques da programação, estão as informações históricas e as preparações em curso de fórmulas famosas como Tiger Balm, Po Sum On, Kwan Loong, Óleo Vermelho e Wood Lock, e sinergias criadas pelo próprio aluno a partir do que aprendeu.

A prática será utilizada para os alunos “dissecarem” e compreenderem as diferentes funções de cada elemento da composição, à luz da MTC e também da farmacognosia ocidental. Imagem relacionada

Acupunturistas, praticantes de Shiatsu aprenderão como utilizar a aromaterapia como técnica potencializadora, associando à agulhas, moxa, ventosas e massagens, e ainda demonstrando potencial como ferramenta de diagnóstico da constituição e condição energética.

O curso é ministrado pelo Professor Arnaldo V. Carvalho, naturopata. Um dos mais conhecidos professores no Brasil, tanto no Shiatsu pela aromaterapia há muitos anos. Sua marca, deixada em dezenas de formações que propôs, passa pela associação equilibrada de teoria e prática, e o aprofundamento na compreensão da natureza dos estudos propostos.

Saiba mais sobre o curso aqui

e inscreva-se pelo e-mail: escoladeshiatsu@outlook.com.br

Serviço:

Curso de Aromaterapia na MTC

  • 4 e 5 de março – de 9 as 18H

  • Local: Salão central da Clínica PSY. Rua Guilhermina Guinle, 114. Botafogo, Rio de Janeiro, RJ.

  • Prof. Arnaldo V. Carvalho

  • Contato direto: (21) 992465999 (Whatsapp) ou escoladeshiatsu@outlook.com.br