MEMÓRIAS DE REICH: Dr. Herskowitz relembra suas experiências com Wilhelm Reich


MEMÓRIAS DE REICH
Dr. Herskowitz relembra suas experiências com Wilhelm Reich

Tradução de Arnaldo V. Carvalho

 O Dr. Morton Herskowitz já não demora chega aos cem anos, e continua clinicando na Filadélfia. Nessa entrevista ele tinha 90 e relata várias memórias vividas com Reich. Boa leitura. Arnaldo

- A medida que se envelhece a memória fica menos aguçada. Então as coisas que eu lhe digo são as que melhor me lembro. Se eu cito Reich, pode não ser uma citação exata, porque depois de um longo período de tempo algumas coisas ficam alteradas. Mas eu dou a você minhas melhores memórias. Vou contar a você primeiro como eu cheguei na Orgonomia e como eu cheguei em Reich.

Um homem que era um estudioso nessa cidade quando eu estava na escola de medicina me disse – ele sabia que eu era interessado em psiquiatria – “Eu li um livro e acho que você se interessaria por ele”. E eu lhe disse: “Que livro é?”, e ele disse “Revolução Sexual, de Wilhelm Reich”. e eu respondi: “Ah, aquele cara, ele é pirado”. E ele disse: “Como você sabe que ele é pirado?”. Eu disse: “todo mundo sabe, é piradão!”. E ele disse: “Você não acha que devia ler o livro antes de dizer que ele é pirado?”. Soou-me razoável. Então eu li “Revolução Sexual”. E para pessoas que leem Revolução Sexual nos dias de hoje talvez não ele não provoque uma abertura da mente tão impressionante como provavelmente acontecia no tempo em que o li, bem no início dos anos 40. E naquela época eu estava pensando em ir fazer psicanálise e fui fazer compras próximo a um analista da cidade. E tinha tido cursos e ido a aulas de psicanalistas, mas até então eu sabia que eu ainda não tinha encontrado um em que pudesse confiar a mim mesmo para o trabalho.

E quando eu li “Revolução Sexual” lá estavam as respostas a tantas questões que eu tinha tido em meus estudos sem qualquer sucesso em encontrar respostas. Então “Revolução Sexual” foi um “abridor de mente” para mim, e depois dele eu li todos os livros de Reich disponíveis na época. E quando eu os terminei, eu pensei “esse é o homem com quem desejo fazer terapia”. Então liguei para Reich e ele estava em Forest Hills naquele momento, e nós marcamos uma sessão. E eu te digo: de tudo o que eu li a única coisa que eu não havia captado bem era o conceito de energia orgônica. Porque tendo sido treinado na ciência clássica, a energia orgônica era um conceito “selvagem”. Então planejei ir ver Reich deixando qualquer menção a energia orgone de fora da conversa. Porque a terapia que havia conhecido tinha sentido e eu queria fazer terapia com ele. Fui então ao seu consultório em Forest Hills no dia marcado.

PRIMEIRO ENCONTRO COM REICH

Naquele tempo, Reich vivia em Forest Hills, N.Y. Eu liguei e consegui um horário – isso era no final dos anos 40 – e fui ver o Dr. Reich. Ele vivia numa casa portentosa naquele tempo. então eu fui ao seu consultório em Forest Hills no dia da consulta. Minha primeira vista de Reich foi ele descendo as escadas do segundo andar; o feeling que qualquer um tinha era “esse homem é poderoso”, simplesmente pelo modo com que desce as escadas.

Você tem a sensação de que ele é uma usina de força. Então primeiro ele me perguntou: “Como você chegou aqui, o que você leu?”, e eu lhe disse que havia lido tudo o que estava disponível naquele momento. E a segunda pergunta foi: “O que você acha da energia orgone?” E eu disse: “Bem, parece muito estranha para mim”. E ele disse: “É claro que é estranho”. Ele disse: “Porque você foi treinado de uma maneira que é completamente diferente do modo como penso e da maneira com que as pesquisas sobre a energia orgone são dirigidas. E se você levar essa questão para trabalhar no laboratório, você fará os experimentos e vai descobrir por si mesmo se a energia orgone existe ou não.” E eu pensei que essa era uma resposta muito razoável. Por que de alguma maneira eu esperava que ele dissesse: “Não acredita na energia orgone? Então de o fora daqui!”. Mas ele foi muito razoável sobre isso. Minha impressão daquele homem era enorme, – minha primeira impressão era “este homem é uma usina de força”. Havia uma força nele que era inegavel. Então começamos a falar sobre meu histórico, treinamentos, o que eu havia lido, que sintomas eu tinha.

Então começamos a terapia. E um de seus recursos na terapia era: “você pode gastar quanto tempo quiser e eu posso coloca-lo para fora a qualquer hora que eu queira.” Isso também me pareceu razoável. Ficou imediatamente claro para mim que poderosa técnica era aquela. Ninguém que não tivesse estado em terapia poderia realmente apreciar por completo seu poder. Você deve te-la experienciado para verdadeiramente saber como funciona. Só você tendo experimentado para realmente saber o que acontece. E eu posso lembrar, que em muitas sessões em Forest Hills, cada vez que saia da sessão terapêutica e caminhava na direção do metrô, eu me sentia como nunca havia lembrado sentir. E flutuava. A terapia tornou-se muito mais importante do que eu havia assumido que fosse possível, porque até onde eu sabia, não estava mal emocionalmente. E por essa razão, presumia que a terapia era muito mais para propósito de treinamento. Inicialmente, a razão para buscar terapia foi principalmente para o propósito de treino, porque eu acredito que qualquer um que vai ser psiquiatra deve ter estado em terapia. Eu creio que qualquer um que vai para a psiquiatria deve estar em terapia. Então eu fiz aquele tipo de “aproximação acadêmica” a terapia. Mas estando na orgonoterapia, uma mente é rapidamente transformada. Porque coisas acontecem que você jamais poderia prever acontecer com você. Mas estando na Terapia Orgone, uma mente é rapidamente alterada, porque coisas acontecem que você jamais havia pressuposto acontecer com você.

O homem ele mesmo tinha uma força, uma energia, como ninguém que eu havia visto outrora.

Então em geral ela é uma experiência muito energizante [chocante].

INICIANDO A TERAPIA

Ele me disse, “Se eu estiver com você em terapia, você precisa concordar em assinar um papel dizendo que se eu quiser hospitalizar você, você será hospitalizado”. Eu não acreditava que aquilo poderia algum dia acontecer, mas eu pensei: “OK, eu assino”. De fato, ele nunca me deu um papel para eu assinar, eu nunca assinei papel nenhum. Ele também disse: “terapia é sempre provisória. Se eu decidir parar a terapia, ou se você decide parar a terapia, então assim será. Era um acordo provisório para nós dois, o que achei ser bem razoável. Outra coisa que ele disse foi: “Quando você vem para a terapia, você é paciente, não um trainee. Você é um paciente como qualquer outro paciente. Você pode tornar-se terapeuta, ou não. Nesse momento, você é um paciente”. Com o que eu concordei.

Ele tinha uma mente muito larga e era sempre sério. Ninguém falava trivialidade ou sobre pequenos lugares-comuns com Reich. Toda vez que alguém ia para uma sessão, endireitava-se emocionalmente e estava preparado para ser sério e tão profundo quanto conseguisse ser. Em terapia, eu entendi depois, que ele tinha um modo de lidar com os pacientes para como que mante-los fora de sua zona de conforto. Por exemplo, naquela época, eu pagava a ele $50.00 por uma sessão. Em uma de minhas sessões, ele disse que o atendimento passaria a custar $100.00 dali em diante. Eu disse “ok”, porque eu desejava pagar $200.00. Eu fui até sua esposa Ilse Ollendorf e dei a ela $100.00. Fui na sessão seguinte, e depois dela eu dei a Ms. Ollendorf os $100.00, e ela disse, , “Dr. Reich disse que o atendimento será $50.00 de agora em diante.” Então aquilo era um tipo de teste para ver se eu o achava valioso o suficiente para pagar $100.00 .

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REICH FORA DA TERAPIA

Nos seminários ele era muito duro com os médicos. Algumas vezes ele podia ficar tão furioso – ele tinha uma fúria tal como eu jamais havia visto na vida.

Nos seminários ele era muito rígido em suas posições. E ele algumas vezes ficava tão furioso – e isso era furioso como eu nunca vi. Uma vez eu lembro que nós estávamos do lado de fora da sala e ele ficou tão furioso conosco e uma tempestade surgiu. E eu posso crer que há uma conexão entre a intensidade de sua fúria e aquela tempestade. Porque eu nunca havia visto aquela fúria e o trovão veio tão rápido que eu pensei que ele podia influenciar a atmosfera. E ele também podia ser muito gentil, muito carismático. Me lembro particularmente de uma vez, no final de um seminário em Orgonon que durou mais ou menos uma semana, nós tivemos uma festa e dançamos até o fim. E pensei que aquilo era muito interessante, nunca havia visto Reich naquele papel. E eu lembro de uma moça dizendo: “Estou tão assustada para ir nessa coisa.” Ela nunca conheceu Reich. Ele era a essência do cavalheirismo europeu. Como ele fez tudo menos beijar as mãos das mulheres. Ele foi somente gentil e atencioso, simplesmente um cavalheiro perfeito nesse tipo de situação. Sabe, quando eu o vi naquela situação e pensei naquelas tempestades que eu havia visto nele… Não é como dizer a essas mulheres: “Você deve vê-lo de vez em quando, ele não age assim sempre.”

EXPERIENCIAS EM TERAPIA

Em outra ocasião, minha terapia ia lenta por mais ou menos um mês, nós estávamos num período de calmaria. Nada estava acontecendo, e ele disse para mim: “Você está morto. Como você algum dia pensou em ser um terapeuta? Não há vida em você. Você nunca será um terapeuta”. Fiquei chocado, porque eu pensei que estava indo bem até então, e eu estava no caminho (de me tornar um terapeuta orgone psiquiátrico). Daquele dia em diante, eu não sabia mais se ele ia dizer “você pode fazer terapia” ou você não pode fazer terapia, até que vários meses depois, quando ele disse: “por que você não pega um cliente e começa a trata-lo, vem e fala comigo sobre isso”. Eu pensei, “ALELUIA! Eu consegui!”.

Mas ele mantinha a pessoa desbalanceada como aquilo para manter as coisas se movendo, e ele estava furioso como nenhum fúria eu nunca havia visto. Agora ele nunca demonstrava isso para mim em terapia. Em terapia, algumas vezes podia ser impaciente, mas ele nunca ficava irritado comigo enquanto paciente. Mas quando um grupo de terapeutas se reuniam lhes encaminhavam suas questões ou discutiam algo, e ele não percebia ninguém nem próximo da resposta, ele podia ficar muito, muito furioso. Em terapia, ele era ao mesmo tempo muito, muito suave. Quem fazia terapia com ele tinha um sentimento de que era completamente compreendido como tudo o que se pudesse ter feito era aceito, exceto trapaça ou o tipo de coisa da camada superficial. Eu vou te dar um exemplo disso. Uma vez eu li o livro Casper Houser sobre a criação de um “menino lobo”. Reich e eu falávamos sobre o desenvolvimento infantil e todas as coisas que podiam ir errado no desenvolvimento de uma criança. Então eu pensei, “Eu vou para minha próxima sessão tendo indicado que li Casper Houser, livro no qual a maioria dos americanos não leu, ele vai ficar impressionado com meu aprendizado internacional”. Eu cheguei e comecei a falar de Casper Houser, e ele disse, “isso não é pertinente”. Seu olhar disse, “não tente me impressionar desse modo, é tolo, não seja mané de novo aqui”. Então eu aprendi aquela lição. Aquele tipo de coisa ele não tolerava. Um de meus hábitos quando eu censurava material era fazer “um, um”, que ele sempre imitava. Quando pessoas fazem isso, é um grande mecanismo de defesa. quando alguém invariavelmente se concentra em ficar fazendo isso, pode ser muito irritante. Isso é que eu aprendi e me fez parar de fazer “um” e, secundariamente, expressar alguma de minha ira na direção dele. Em geral, terapia é uma experiencia eletrizante.

No meio do processo da minha terapia, Reich se mudou para Orgonon, em Maine. E ele disse: “Estou me mudando para Maine, você quer ir em outro terapeuta por aqui?” e eu disse: “Não, estou indo para Maine!” Então no meio da minha terapia eu fui a cada semana seguinte. Eu dirigia até lá sexta a noite. Naquele tempo as estradas não eram nada parecidas com as super highways que agora te levam a Maine. Aquelas estradas eram horríveis. E eu guiava por toda a noite na sexta para estar em Orgonon ou próximo por volta das seis da manhã, dormia por duas horas e então ia para uma sessão no sábado de manhã, então tinha outra sessão no domingo de manhã e então dirigia de volta para casa. E no meio do inverno, quando as pessoas daqui do sul não podiam dirigir nas estradas, e nem as pessoas de Maine conseguiam dirigir aquele tipo de carrinho de neve (snow) – então normalmente eu voava até Augusta e pegava carona até Orgonon, porque havia sempre caminhões de madeira seguindo para lá, então você sempre conseguia uma carona até Orgonon. Sempre considerei isso uma aventura. Nunca vi aquilo com qualquer tipo de apreensão do tipo: “Oh, agora eu tenho que ir para Maine!”. Sempre aguardava pelo final de semana quando eu ia para Maine sem me preocupar que tempo fazia. E quando alguém tem um paciente que vive 30 milhas distante que diz: “O tempo está muito ruim, eu não consigo ir hoje”, Eu sinto como: “Você não merece terapia.” Há uma anedota interessante sobre dirigir para Maine. Um dia Reich me disse: “Quanto tempo você leva para dirigir da Filadélfia para cá?” E eu disse: “Oh um pouco mais que doze horas” E ele disse: “Leva doze horas de New York.” E eu disse “É mas eu dirijo bem rápido.” Então ele disse: “Você tem o direito arriscar sua vida, mas não tem o direito de colocar a vida dos outros em risco. Então a menos que você leve doze horas mais o tempo da Filadelfia a New York, não se preocupe mais em vir”. Então, depois daquilo eu dirigi mais devagar, o que me tomou 14 horas para chegar a Maine, ao invés de doze horas.

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Terapia com Reich como eu disse era de tirar o fôlego, houve momentos que era claramente atemorizante, e houve uma única vez que me veio a ideia de suicídio. Eu sabia que não queria fazer isso, mas por um curtíssimo período a ideia do suicídio entrou na minha cabeça. Isso foi depois de uma sessão com Reich e que foi uma experiência nova para mim, ter aquele tipo de sentimentos depressivos. Porque geralmente eu sou uma pessoa para cima. Não fico deprimido muito fácil. Em terapia, a coisa que era única em Reich era como ele sempre era extremamente preciso.

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Ele simplesmente tinha uma incrível sensibilidade e perspicácia. Ele sabia exatamente aonde o paciente estava e ele sabia exatamente o que fazer para evocar o que tinha de ser evocado naquele momento. E quando ele o fazia, frequentemente dizia: “Você nunca vai fazer isso bem.” Algumas vezes dizia: “Eu sou o único orgonomista. Ninguém mais pode realmente fazer terapia.” E comparado a Reich, era verdade.

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A essência da terapia com Reich era de total verdade. Ninguém poderia pensar em papo furado ou raso com Reich. Havia sempre uma atmosfera de seriedade profunda. Eu lembro, eu jogo tênis, Reich aparentemente jogara tênis também. E eu tenho um feeling de que adoraria jogar com ele, porque eu acho que poderia vence-lo, e eu adoraria vence-lo. Mas ele nunca me convidou para jogar tênis com ele, então eu nunca tive a oportunidade.

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Ah, eu me lembro de outro incidente. Quando você está em terapia, quando as transferências negativas começam a ocorrer você faz todo tipo de bobagens. Então eu lembro uma vez que antes da minha sessão eu estava no andar de baixo e Reich em sua sala de jantar. E eu ouvi ele dizer a Peter, seu filho: “Cale-se.” Aquilo foi “milho pro meu moinho”. Então quando nós tivemos minha sessão eu disse: “Eu ouvi você falando com Peter e ouvi você dizendo ‘cale-se’ urgentemente. E eu não acho que é assim que alguém deve falar com uma criança.” Então ele me deu uma aula sobre como falar com uma criança. De fato, “cale-se” era o jeito mais direto de atingir o que ele queria com Peter naquele momento. E eu meio que sabia porque ele fez aquilo. Mas você faz coisas, você tenta irrita-lo. Porque ele pegou você. E você tenta revidar.

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Outra vez eu ouvi o mais doce discurso entre ele e Peter. Peter queria saber porque soletra-se “knife” [faca] com “k”1. Ele disse que devia ser chamado “kneif” se você soletrar com “k”! Eu não lembro dos detalhes, mas Reich deu a ele o mais doce discurso sobre porque o “k” está na frente do “n” em “knife”. Esse tipo de coisa que estava quase aprendida mas que também o tipo de coisa que uma criança poderia compreender facilmente.

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Nós tivemos uma sessão que é interessante comentar: Eu vinha de uma série de sessões vocalizando algum cinismo. Eu o acusei de exagerar um pouquinho, acredito. Naquele momento havia um monte de rumores dizendo que Reich era psicótico, que eu reportava a ele como coisas que tinha ouvido. Não como se eu acreditasse neles, mas apenas para reportar a ele. Então eu cheguei para uma sessão e ele tinha um rifle a descansar sobre uma lareira na sala onde ele me tratava. Ele pegou o rifle, apontou para minha cabeça e disse: “Eu sou psicótico!” Eu caí na risada porque o que ele queria ver era se eu acreditava nessas histórias ou estava meramente reportando-as para ele. E caí na risada porque aquilo me pareceu tão divertido – a ideia de um terapeuta colocando uma arma na cabeça do paciente. E aquilo era o que ele precisava. Como ele riu também, e depois colocou a arma de volta. É assim que Reich ia a algo. Ele não fazia rodeios. Ele queria ver se você acreditava que ele estava maluco. Ele deu a você uma ampla chance de provar que você pensava que ele estava maluco. Outra coisa interessante era: você sabe que havia um monte de blablabla sobre Reich ter se tornado psicótico próximo ao fim da sua vida. E durante uma de minhas sessões um aeroplano voou acima da cabeça. E ele disse: “Eisenhower está mandando seus aeroplanos me observarem” e eu disse: “Não creio.” E lhe disse: “Esse lugar está simplesmente no itinerário de vôo padrão de um aviador que está sobrevoando este local”. E ele disse: “talvez, simplesmente observemos”. Agora, aquilo não era reação de um psicótico. Um psicótico diz: “Eisenhower está mandando um aeroplano para me observar” e eu digo: “não, senhor, eu penso que é apenas um avião ordinário seguindo seu roteiro padrão”., ele não diria “talvez você esteja certo”. Ele empunharia suas armas. E o negócio todo da psicose de Reich: e eu acredito mesmo que muitas das ideias que ele expressou mais para o fim de sua vida eram exageradas, sem solidez, não realistas, mas eu não atribuo isso a psicose. Atribuo aquilo ao tipo de pensamento que Reich teve por toda a sua vida. Eu acho que Reich realmente foi um dos verdadeiros gênios desse mundo. Acredito que pessoas como ele pensam explorando todo tipo de ideias que nunca foi visível para nós; eles impulsionam ideias além dos limites que nós poderíamos pensar. E por causa disso ele foi botando para fora tantas de suas ideias maravilhosas, mas junto dessas ideias maravilhosas havia também essas ideias estranhas, as quais nós que utilizamos apenas o senso comum e estamos sempre cuidando de sermos “corretos” não poderíamos trazer. Mas ele chegava naquilo, tanto em direção positiva como negativa. E eu penso na ideia de Eisenhower protege-lo era uma ideia exagerada na direção negativa. Mas era um tipo de pensamento.

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Um incidente do tipo de coisa que poderia acontecer com ele: uma vez ele escreveu um artigo no jornal e eu li o artigo do caminho da minha sessão. Ele me perguntou-me se eu tinha lido o tal artigo e eu disse que sim. E ele me perguntou o que eu achei. Eu disse a ele que fiquei muito impressionado, que aprendi muita coisa, etc. “Mas”, adicionei, “você cometeu alguns erros gramaticais muito ruins no seu inglês”. Ele me disse, “eu te peguei no meu avião, e te mostrei coisas que você nunca tinha visto antes, e você me diz, ‘ah é um belo vôo, mas você sabe que você instalou o assoalho incorretamente. Você não colocou direito os preguinhos no assoalho do seu avião”. Eu acho que Reich veio a essas áreas porque ele era um homem que usualmente pensava de maneiras que a maioria de nós não pensa.

O JULGAMENTO

Nunca conheci outro homem em minha vida com tamanha força e vontade e movimento e espírito. Reich sempre pensou-se a si mesmo como uma figura histórica. É interessante que, por exemplo, em seu julgamento, seu julgamento era praticamente uma farsa porque alguns juiz proferiu uma liminar que Reich desobedeceu claramente. Então o julgamento era: “Reich desobedeceu a liminar ou não?” Várias vezes ao longo do julgamento, Reich admitia que desobedeceu a liminar. Então ele foi dizer ao juiz porque desobedeceu a liminar. Por exemplo, a liminar dizia que Reich declarava que ele curou câncer em seu citado livro “Biopatia do Câncer”. Agora, em todos os casos citados no livro, o paciente morria. Obviamente as pessoas que prepararam esse caso contra Reich fizeram um trabalho muito pobre porque dizer que Reich declara que cura e o paciente morre no livro é idiota. Essa era a questão e Reich, ao invés de responder a liminar, enviou ao juiz todos os seus livros, o que era uma loucura. Você não espera que um juiz leia todos os seus livros, mas Reich sim. Reich dizia “leia isso e veja se essa liminar é válida”. Então ele foi a julgamento, e o julgamento foi terrível, porque Reich admitiu desobedecer a liminar, que foi a única coisa para a qual eles se atentaram.

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Houve algo mais que pensei. Oh isto diz sobre Reich. Eu estive em todo o julgamento em Maine. Um dia, no julgamento, as coisas estavam indo muito mal para Reich. Eu parei num corredor e pensei, “ele vai ser massacrado pelo jeito que o julgamento correu essa manhã”. E nessa sessão – era um momento de grande stress, todos os dias de julgamento eram um stress enorme -, num intervalo, estávamos por ali conversando e ele apontou para mim e disse: “chegue aqui, quero falar com você”. Então eu fui. Eu tinha escrito um artigo num dos jornais orgonômicos. E ele disse: “o jeito que você escreveu tal e tal coisa não ficou tão bom quanto você poderia ter escrito. Eu havia escrito um artigo sobre uma resenha de um dos livros do Reich que alguém havia feito. Um psiquiatra que resenhou um dos livros de Reich de maneira muito desfavorável; Eu escrevi sobre aquela resenha. Ele veio a mim após o final daquela terrível sessão na corte e disse, “”sabe esse artigo que você escreveu? Ele nos atingiu na cabeça com uma clava e você o golpeou o pulso.” Eu pensei, “Meu Deus, um dia como esse, quando você está para ir para prisão, e claro, tudo o que você pensa é que o artigo que eu escrevi foi muito suave com o resenhista.” ["Jesus Cristo. Aqui está este homem em defesa de sua vida e ele está preocupado em como eu coloco algo num artigo."]2 E eu pensei que aquilo era realmente uma indicação de um homem, que aquele momento era tão importante para ele quanto como seu julgamento que estava correndo. Ele estava de fato em liberdade condicional, mas estava preocupado em como eu estava escrevendo um artigo. Aquele era Reich, bem como o fato de que ele era uma figura histórica que estava lutando pelo direito de um cientista desenvolver seu trabalho em paz.

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O fato de que a liminar era o problema, para ele, era nada mais que um pedaço de papel, um pedaço de papel sem importância, e ele não queria lidar com isso.

Durante o processo, eu fui um dos que estavam em desacordo com a maneira como ele estava conduzindo o julgamento. Eu achava que ele deveria ter um advogado conduzindo o seu caso ao invés dele conduzindo. Penso que ele deveria ter utilizado os argumentos jurídicos em vez dos argumentos que ele usou. O que não é a mesma que dizer que ele agia errado, porque ele se via como uma figura histórica que estava construindo um marco histórico. E para fazer isso é que ele conduziu o julgamento dessa maneira. Se eu estivesse na pele dele eu ia querer escapar da cadeia, eu ia querer ser livre, etc. Eu teria conduzido o julgamento numa base estritamente jurídica, porque os advogados disseram “Nós podemos vencer este caso para você. O caso é tão corriqueiro então quando você nos deixar fazer nosso papel nós podemos livra-lo disso.” Mas ele não deixava. Não era nada do que ele não fosse antes. E desde aquele tempo – Eu tinha sido advertido por pessoas que ensinavam o direito – que aquele caso era levado ocasionalmente as salas de aula com o caso em que o lado do FDA era tão fraco e o caso era presumivelmente tão puramente de um ponto de vista legal, que ele é praticamente como um caso clássico mal manejado. Eu nunca o vi depois que ele foi para a prisão. Houve poucos visitantes, e as únicas pessoas que o visitavam eram os de sua família direta. Então não tive mais contato com ele após a prisão.

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Tradução e Adaptação de Arnaldo V. Carvalho

Notas de tradução

1. kneif (faca) pronuncia-se “náif”.

2. As duas versões da entrevista são bastante diferentes em alguns pontos. Nesse momento da entrevista, preferi colocar entre colchetes o que seria a segunda versão do mesmo pensamento. Fica minha dúvida sobre o Dr. Herskowitz recontou a mesma história em entrevistas diferentes ou se houve transcrição com adaptação livre. A mesma emoção, palavras levemente diferentes.

Atenção: Essa é uma tradução livre, onde foram unificadas duas versões da mesma entrevista. As traduções não são autorizadas pelos proprietários que detém todos os seus direitos.

Matéria original:

http://www.examiner.com/health-in-philadelphia/secrets-to-longevity-profile-of-morton-herskowitz-d-o-at-90

Entrevista com Morton Herskowitz., pelo Orgonomic Video Archiv. esta entrevista foi gravada por John Joachim Trettin no verão de 1989 na residência de Morton Herskowitz, na Philadelphia. A página original onde ela está foi criada por Beate Freihold, que também tirou as fotos. Os direitos da entrevista são de John Joachim Trettin.

Dr. Morton Herskowitz – Um discípulo direto de Reich, ainda (bem) vivo!

Morton Herskowitz, Médico psiquiatra orgonomista, aos 90 anos – o último vivo treinado diretamente por Wilhelm Reich.

Matéria de 16 de outubro de 2008, traduzida por Arnaldo V. Carvalho em 2011. 

Morton Herkowitz, D.O., na data da entrevista original

Desde os tempos de Benjamin Franklin, a Filadélfia tem sido a Meca da Medicina nos Estados Unidos. Como um centro de aprendizagem e cultura, a cidade desenvolveu uma enorme diversidade de hospitais e escolas médicas como o a Philadelphia Osteopathic, Hahnemann Homeopathic, e o antigo Pennsylvania Hospital. Esse texto é parte de uma série de artigos destacando alguns dos notáveis praticantes da tradição deste lugar. . Alto, magro e careca, Dr. Morton Herskowitz vem praticando psiquiatria em sua casa na Pine Street por quase 60 anos. Ele recentemente celebrou seu nonagésimo aniversário e continua trabalhando 40 horas por semana. E sim, ele bebe café e fuma durante seus intervalos. De onde ele tira sua longevidade? Ele segue suas próprias recomendações de saúde, dizendo aos seus pacientes de lembrar “o valor do exercício, sono suficiente, obter tanto prazer quanto possível, e evitar maus hábitos como beber e drogas”. Para insônia, ele acha que o remédio mais eficaz é um banho frio, e não uma pílula. Ele ainda joga tênis ocasionalmente, e começa sua manhã fazendo barras. “Infelizmente hoje em dia eu só consigo fazer uma, quando usualmente eu fazia cinco”, diz ele. Ele também caminha sempre que pode ao invés de usar carro, e sobe rapidamente as escadas de sua casa. Herskowitz diz que é especialista em férias. Ele recomenda a todos os seus pacientes que tirem férias, mesmo que curtas. Em seu mês de descanso no verão, ele curte pintar. Ele escolhe seus destinos de olho no melhor cenário. Recentemente, ele vendeu um número de suas aquarelas para levantar 10 mil dólares para a caridade. Outros originais decoram as paredes de sua sala de espera. Recortes amarelados com quadrinhos nova-iorquinos também estão pendurados ali para brincar com seus pacientes. Ele leva bem ser um médico das antigas mesmo na América do século XXI. Talvez porque sua esposa seja uma musicista aclamada, e não sua secretária, ele preenchia sua própria papelada burocrática até o ano passado. Ele tem visto muitas coisas irem e virem em seu tempo como médico. Osteopatia, ele diz, tornou-se mais largamente conhecido. O que normalmente era “um degrau acima do charlatanismo” agora é considerado mais holístico e em alguns casos preferível à medicina convencional. Para reformar o sistema de saúde americano, ele recomenda a redução da interferência do dinheiro na medicina. Eu sonho com os dias em que o usual era uma relação direta entre o médico e o paciente”, ele diz. “Todo médico aceitava aqueles que pagavam menos, ou que nem pagavam. Mais pessoas, especialmente mais pessoas pobres, tinham a possibilidade de receberem atendimento. A coisa era entre o médico e o desejo do paciente. . A psiquiatria o atraiu para a profissão, mas ele adquiriu um background considerável quando anteriormente praticou por três anos como médico de família no bairro Strawberry Mansion. “Como psiquiatra, sou muito grato pelo tempo com prática familiar. Agora, quanto um paciente vem com problemas, eu tenho experiência.” Embora psiquiatras nesse dias tenham “medicamentos mais eficazes contra desordens”, e um melhor entendimento do funcionamento do cérebro, ele diz: “um grande ganho da base emocional é perdido quando a terapia se concentra nas drogas. É como se os psiquiatras buscassem legitimidade como médicos (ao prescreverem drogas) ao preço da perda da descoberta das raízes emocionais de várias doenças”.

DECLARAÇÕES DO DR.SOBRE A TERAPIA ORGÔNICA PSIQUIÁTRICA

- Orgonoterapia psiquiatrica não é para todos os pacientes. Há pessoas que vem me ver e percebem que não têm os recursos necessários para realizar o trabalho que é requerido em terapia, ou suas estruturas são tão frágeis para começar a ser mexidas, que eu encaminho-os para colegas que fazem somente terapia verbal. Todas as abordagens-padrão da psiquiatria são utilizadas na terapia orgônica psiquiatrica. Eu uso antidepressivos quando necessário e eu uso drogas neurolépticas quando necessário e eu faço tudo o que aprendi em meu treinamento profissional psiquiátrico quando eu trato um paciente. A diferença é que eu acho que tenho um leque de atividades e intervenções com a qual lido com os pacientes que muitos psicoterapeutas outros não têm. É muito típico para os nossos formandos em terapia orgônica psiquiátrica, que estão fazendo suas residências, nos dizer,”Estou tão feliz que eu tenho um arsenal maior do que essas pessoas têm.” – Outra experiência interessante foi uma garota que tratei a longo tempo atrás. Ela era uma moça na case de seus vinte anos, não sabia nada de Freud, Reich, ninguém. Ela não sabia nada sobre psiquiatria, seu médico familiar me indicou para ela. Eu imaginei que ela fosse ser uma boa candidata a terapia, então fizemos a orgonoterapia. Ela saiu-se muito bem, e vários meses depois, ela veio e me disse: “quer saber?”, e eu disse, “o que?”, e ela disse: “eu tenho uma amiga que foi a um psiquiatra e tudo o que eles fazem é falar”. E essa é a diferença entre o que nós fazemos e o que a maioria das outras pessoas fazem. Do meu ponto de vista, o que a orgonoterapia me permite fazer é alcançar lugares com os pacientes que nenhuma outra terapia poderia me permitir e oferecer esse tipo de entrada que a terapia orgônica psiquiatrica faz.

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Dr. Morton Herskowitz vive na Filadélfia, EUA. Ele é osteopata e pratica Orgonoterapia, que foi desenvolvida por Wilhelm Reich. Foi o último terapeuta treinado pessoalmente por Wilhelm Reich. É o presidente do Institute Orgonomic Science e autor do livro “Emotional Armor – uma introdução a Orgonoterapia psiquiátrica” Dr. Morton Herskowitz falou em 1989 em seu consultório sobre sua experiencias com Wilhelm Reich e Orgonomy.

Matéria original:

http://www.examiner.com/health-in-philadelphia/secrets-to-longevity-profile-of-morton-herskowitz-d-o-at-90

  • Trecho de Matéria de 16 de outubro de 2008, traduzida por Arnaldo V. Carvalho em 2011.  A partir de duas versões diferentes da matéria e entrevista original, Arnaldo traduziu, compilou e redividiu os conteúdos de maneira a destacar as   ideias do Dr. Morton sobre psiquiatria e terapia orgônica, de suas memórias acerca do convívio profissional com Wilhelm Reich , disposta no link: 

Associação Brasileira de Shiatsu em processo de formação!

Pessoas de todo o Brasil vêm se mostrando interessadas na Associação Brasileira de Shiatsu. Separamos as perguntas mais frequentes sobre o tema.

 

Um abraço,
Arnaldo V. Carvalho
Comitê de formação da Associação Brasileira de Shiatsu

 

Que escola vocês representam?

Não representamos uma escola, estamos tentando unir os praticantes de todas as escolas e estilos.

É uma iniciativa particular?

É uma iniciativa coletiva. A idéia partiu da percepção de que o Shiatsu incrivelmente ainda é pouco conhecido no Brasil, e seus benefícios talvez sejam subutilizados. É preciso promover o Shiatsu, e isso será benéfico para todos os praticantes. Essa Associação não terá cargos permanentes, fins lucrativos ou remunerações particulares a diretores.

Que benefícios devem ser esperados a partir do momento em que se participe da Associação Brasileira de Shiatsu?

Os participantes devem acreditar em primeiro lugar que a promoção do Shiatsu torna-se mais efetiva quando todo mundo está junto.

Independente da escola, do estilo ou do grau de aperfeiçoamento do praticante de Shiatsu a participar da Associação, este deve ser um entusiasta da técnica, e participar por querer promover a mesma no Brasil.

A organização competirá tal promoção, e beneficiará seus filiados de forma indireta (aumentando o campo de trabalho pela promoção do Shiatsu) e direta, através de descontos junto a parceiros da ONG, de organizar eventos que promovam intercâmbio entre participantes, de trazer professores que desenvolvem trabalhos modernos de outros países, buscar fazer o Shiatsu passar a ser utilizado em amplo espectro na sociedade: hospitais, comunidades carentes, ambiente familiar e escolar, entre outros.

Qual será a relação entre a Associação Brasileira de Shiatsu e os atuais Sindicatos de classe?

Os sindicatos são essenciais, e a existência de uma associação não dispensa nem duplica a função de um sindicato. Os sindicatos brigam para que surjam e façam valer os direitos dos profissionais que representam. Eles vão ao governo, protegem  seus profissionais juridicamente, e buscam ampliar na medida do possível o campo de atuação das técnicas ligadas ao sindicato. Já a Associação promove participação e intercâmbio entre os praticantes de Shiatsu; Divulga o Shiatsu no Brasil e no mundo, e liga o Brasil a uma rede maior, a qual países diversos já participam; Esse seu foco maior. A filiação nos sindicatos segue importantíssima e indispensável e a Associação promoverá isso. Sindicatos protegem, a Associação promove. Vale dizer ainda que a Associação Brasileira de Shiatsu será a primeira organização dedicada exclusivamente ao Shiatsu.

Quanto custa para participar?

Como estamos em formação, não há um valor definido ainda, isso ficará por conta da diretoria e da assembléia. Os participantes da fundação deverão ratear os custos de registro da ONG.

Como participar?

Mande e-mail para nós associacaodeshiatsu@yahoo.com ou deixe seu e-mail para passarmos mais informações.

Ou ainda entre no grupo Associação Brasileira de Shiatsu no Facebook, pois lá você tem o estatuto da Associação as atas de reunião e tudo o que está acontecendo em nosso movimento.

Prof. Ernesto Garcia fala sobre Auriculoterapia

Considerado um dos grandes profissionais da MTC em atuação no Brasil, o cubano Ernesto Garcia fala um pouco sobre auriculoterapia.

 

Por que a Auriculoterapia é mais popular no Ocidente que na China?

Garcia – Por causa da forte influência da França. Eles prepararam o terreno e a Auriculoterapia chinesa foi atrás. O desenvolvimento da Auriculoterapia chinesa em função dos micro-sistemas é muito jovem (séc. XIX-XX). Depois de uma palestra de Nogier proferida na China nos anos 50 é que essa modalidade de terapia decolou. Mas na Europa as pesquisas são apenas de Nogier, enquanto na China existem muitos pesquisadores estudando e testando. Por causa disso, a Auriculoterapia chinesa é mais abrangente e completa.

 

A acupuntura auricular é menos eficiente que a acupuntura sistêmica?

Garcia – Todos são métodos terapêuticos, todos tem a mesma base. Depois de feito o diagnóstico, então busca-se um método de intervenção onde cada terapeuta tem sua preferência.

 

O que acha da utilização apenas de Auriculoterapia?

Garcia – Sempre que tiver um diagnóstico bem feito, não há problema. Pela minha experiência, muitos problemas podem ser resolvidos só pela aurícula. Enxaquecas, ciatalgia, só com aurículo já resolve muito bem. Mas para uma artrose de joelho, aí é melhor aplicar também a acupuntura sistêmica. Conseguimos bons resultados no tratamento de depressão e ansiedade. Mas alguns pacientes tem “orelha fria”, quer dizer, respostas mais lentas. O importante é ter flexibilidade e mente aberta para usar o sistema com melhores resultados em cada caso e em cada paciente.

 

Qual a diferença entre o uso da semente e da agulha?

Garcia – A Auriculoterapia possui grande flexibilidade – pode-se usar agulhas filiformes, sangrias, eletro-acupuntura, sementes, massagem auricular, agulhas semi-permanentes. Na China, usar sementes é chamado “colar e pressionar”, porque pode-se usar também bolinhas de medicamento ou esferas de metal. A semente tem excelentes resultados e também não tem problemas de infecção, é menos invasiva. Ao se usar agulhas devemos tomar apenas 4 ou 5 pontos, mas usando sementes podemos usar até dez pontos.

 

Por que essa diferença?

As agulhas são dispersantes de energia. Se o paciente está muito debilitado, temos que usar poucas agulhas. O uso de muitas agulhas pode lesar o Qi e o Sangue. A semente é mais auto-reguladora e pode ser usada em quantidade.

 

Qual método de diagnóstico o senhor utiliza em Auriculoterapia?

Uso os quatro métodos normais da Medicina Tradicional Chinesa.

 

Encontrei essa velha transcrição de entrevista feita com o Prof. Ernesto. A transcrição é antiga e já não me lembro em que jornal saiu, de modo que fico devendo a fonte. Caso o leitor saiba ou alguém sinta que é indevida a postagem, por favor entre em contato.

Entrevista EXCLUSIVA: Marcos Osaki – Shiatsu Psicossomático

Professor de Shiatsu Psicossomático demonstra manobra

O Professor Marcos Osaki é mais um profissional de Shiatsu que percebeu a importância das emoções e da reflexão durante o processo terapeutico. Como nos conta em sua entrevista, sua técnica vai muito além dos estudos ordinários. As diferenças para com os métodos comuns é compartilhada por ele pessoa a pessoa, com todo o prazer de passar adiante o presente abençoado que recebeu um dia de seus vários mestres. Com vocês, Marcos Osaki, criador e professor do Shiatsu Psicossomático!

ShEm – Como você conheceu o Shiatsu, quando começou, que idade tinha quais foram suas motivações principais?

Osaki – Conheci o Shiatsu, em 1.999, em Tókio, Japão, na escola Toyo Seitai Jinsei Gakuin. Tudo começou com uma dor terrível na região lombar em plena segunda-feira, no interior de Tókio, chamada Omigawa. Nessa época eu trabalhava como dekassegui nessa cidadezinha. Telefonei para meu superior na fábrica de produtos eletrônicos e fui dispensado para cuidar da minha dor. Como existe um jornal para brasileiros no Japão, vi uma propaganda de massagem Shiatsu, para dores da coluna em geral; liguei para eles e marquei consulta no mesmo dia. Com muitas dores, fui quase me arrastando para Tókio, levando quase 3 horas de viagem de trem convencional para me encontrar com o meu “salvador da pátria”. Chegando na clínica ainda levou mais de 1 hora de massagem para que colocassem minha coluna no lugar, quando derrepente eu ouvi um “clack” saindo da minha cintura, e  senti um alívio imediato. Fiquei tão agradecido que percebi que era isso que eu procurava a muito tempo: fazer o bem para as pessoas através de uma massagem.

ShEm – Quem foram seus principais professores, e quando começou a te despertar um algo que levou a um Shiatsu próprio até o desenvolvimento do Shiatsu Psicossomático?

Osaki – Durante quase um ano, fiz esse curso de Shiatsu, nos finais de semana, foi muito caro e sacrificado, pois eu tinha que me manter e mandar dinheiro para o Brasil. Mas quanto mais eu me dedicava, mais o mestre me ensinava e dizia, “faça esse esforço valer a pena depois que concluir o curso”, e em novembro de 2.000 me formei. Fiquei muito grato ao Hiane sensei que me mostrou os primeiros passos dessa maravilhosa profissão.
Em janeiro de 2.001 conheci outro mestre em massagem,  Hirashi Kaneshiro, que me ensinou outras técnicas de massagem em sua escola no Tatuapé, aqui em São Paulo, vindo a complementar meus conhecimentos aos que tinha recebido no Japão. Foi muito gratificante em ter o Hirashi Kaneshiro como meu segundo mestre em Shiatsu. No mesmo ano eu também fazia outro curso de Shiatsu, mas esse Shiatsu era diferente de todos que eu havia pesquisado, pois se trava de ler o corpo e a mente do paciente para que a massagem surtisse mais efeito. Fiquei quase 10 anos aprendendo com um excelente mestre, que por motivos especias não posso citar o nome. Com conhecimentos e experiência de quase 10 anos, atendo hoje com minha própria técnica, que chamo Shiatsu Psicossomático, que é a união de várias terapias e massagens.

ShEm – Quais são os diferenciais do Shiatsu Psicossomático em relação aos demais estilos de Shiatsu?

Osaki – Minha técnica vêm do antigo Shiatsu Japonês, e de várias técnicas de terapias e massagens orientais e ocidentais, que tenho muito respeito, e não podendo criticar e muito menos menosprezar, posso falar somente da técnica que criei. O Shiatsu Psicossomático tem como objetivo fazer que o paciente aprenda com a própria dor ou sofrimento. É fazer o paciente pensar “o que o Universo quer que eu enxergue, reconheça, avalie; ele pensa a respeito e descobre qual o melhor caminho a seguir”. Através dos meridianos, “pontos de equilíbrio do corpo”, vamos comentar e desbloquear as tensões nervosas, para que haja uma boa circulação sanguínea, e para que a mente possa interagir com o corpo, eliminando sua dores quase instantaneamente. Minha massagem não faz dormir, faz o paciente equilibrar sua mente, seu corpo e sua energia.

Seja Shiatsu, Tuiná, Anmá, Do-in, Acupuntura, Quiropraxia, se não tratar do “eu interior”, se não esvaziar o que está sufocando, se não preencher o vazio, se não exteriorizar emoções contidas, as massagens serão somente superficiais, as dores serão apenas aliviadas e não compreendidas. “Por que estou passando por esta situação?” Tem que fazer o paciente pensar a fundo e ajudá-lo a eliminar suas dores e sofrimentos, para que desperte a “Luz da Consciência”, para dar-lhe um caminho a seguir e para que prossiga sua vida com paz de espírito, harmonizando corpo, mente e energia. Se o terapeuta ou o massagista souber equilibrar corpo, mente e energia, não importa que técnica de massagem ou terapia use. O importante é ter realizado um ótimo trabalho, em que ambos fiquem satisfeitos. Mas para mim eu chamo o que faço de Shiatsu Psicossomático.

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ShEm – O Shiatsu Psicossomático pode ser aplicado em qualquer tipo de situação, ou ele é mais específico?

Osaki – Eu não aplico o Shiatsu Psicossomático em gestantes, e não me atrevo a tocar fisicamente pessoas com câncer ou com doenças terminais. Mas dependendo de casos para casos, com a técnica que possuo, podemos fazer à “massagem mental”, muito poderosa por sinal, pois já usei em alguns pacientes e obtive respostas positivas. A massagem mental faz com que o paciente pense ou reflita, por exemplo, “por que o Universo, me mandou tal dor ou sofrimento?”;  “O que devo aprender com isso?”; “Se eu perdoar ou pedir perdão, à todos que magoei, menti, roubei, matei, e até agradecer aquela pessoa que também me fez mal, como devo pensar e agir a respeito daqui para frente?”; Resignar-se seria o remédio para aliviar qualquer dor ou sofrimento, pois ninguém quer carregar emoções negativas para o resto da vida. Buscar o equilibrio da mente, do corpo e da energia, é ter paz de espírito; e ter paz de espírito é estar em harmonia com Deus e o Universo.

ShEm – O que está faltando para as escolas qualificarem melhor os profissionais de Shiatsu?

Osaki – Boa pergunta! Em qualquer lugar do mundo, sempre existirão: escolas boas, médias, ruins, péssimas, ótimas e excelentes, ou ultrapassadas. Outra vez como exemplo: Reparo que os alunos que procuram o meu curso particular, leigos ou profissionais em massagens ou terapias orientais, querem uma técnica diferente, que não aprenderam ou que não possuem, mas que faça toda a diferença, causando uma excelente impressão aos seus pacientes. Acho que sempre haverá novas técnicas a aprender, e as escolas que não possuirem um diferêncial que seja interessante aos que buscam sempre as melhores técnicas serão ultrapassadas, e espero não ser uma delas.

ShEm – Como é um curso ensinado pelo Sensei Marcos Osaki?

Osaki – Bem o meu curso é particular e individual, em que a atenção é totalmente e exclusiva para somente um aluno onde procuro ensinar da maneira mais simples possível de como:

-Protejer-se energeticamente antes de atender cada paciente.
-Sentir a energia “KI”, do paciente e aprender acalmar o paciente, repassando técnica de respiração,”Qi-Gong”.
-Pressionar pontos energéticos, para aprender a soltar nervos e musculos rígidos e comentar ao mesmo tempo, algumas emoções contidas que estão prendendo tal, nervo ou musculatura, e também o que fazer em tal situação.
-Depois de aquecer e relaxar musculos e nervos, o aluno aprenderá passo á passo, manobras com segurança de alongamento e ajuste da coluna cervical, toraxica e lombar.
-Com a coluna totalmente ajustada, termina-se a massagem com o relaxamento e exteriorização do cansaço e de pensamentos negativos com a respiração “Qi-Gong”: renovar forças e equilibrar, corpo, mente e energia.
-E a agradecer à Deus, por ter realizado um bom trabalho.

Tudo isso em 15 horas, e com apostila e certificado inclusos. Isso é só o básico, o avançado ainda esta por vir.

ShEm – Há união entre os praticantes de Shiatsu?
Osaki -Particularmente, não sei pois quando o aluno sai de um curso, raramente encontra os colegas novamente. Cada um corre atrás dos seus paciente e não dos colegas. Acho que isso é normal. Mas tento unir meus alunos quando a agenda, permite, para a troca de massagens, isso é fundamental para a saúde respeitando o nosso corpo também!

ShEm – Como você vê o Shiatsu no Brasil nos dias de hoje?

Osaki – Com a atual situação política no Brasil, existem muita pessoas estressadas e cheias de dores, aumentando assim o mercado de terapeutas e massagistas em todo o Brasil. Infelizmente a qualidade de atendimento não é lá essas coisas, mas acredito que no futuro breve, em que muitos pacientes irão procurar bons profissionais que atendam ou superem as suas nescessidades, logo surgirão escolas de alta qualidade para atender a todos os pacientes que buscam qualidade e preço justo.

ShEm – Até onde você acha que o Shiatsu pode chegar, na sociedade?
Osaki – Dependerá da concientização e esforço de manter um bom nível de trabalho, dos profissionais de Shiatsu, que pode sim fazer com que essa técnica nipônica, em breve, venha obter mais interesse da sociedade brasileira, para que todos tenham benefícios, massagistas e pacientes.

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